Câmara do Conama aprova extensão de prazo para adoção de motores com tecnologia Euro 6 para 2023

Ônibus Euro VI - Chile

Proposta será votada agora na plenária do Conselho Nacional do Meio Ambiente. Ambientalistas e Ministérios da Saúde e Meio Ambiente defendiam prazo final em 2022

ALEXANDRE PELEGI

A Câmara Técnica de Qualidade Ambiental do Conama (Conselho Nacional de Meio Ambiente) aprovou nesta terça-feira, dia 2 de outubro de 2018, a extensão do prazo para a adoção de medidas que venham a reduzir a poluição veicular no Brasil.

É o caso do Programa de Controle de Poluição Veicular (Proconve), que terá como prazo o ano de 2023 para que motores de ônibus e caminhões adotem o euro 6, usado hoje na Europa e menos poluente.  Ou seja, a adoção da fase P8 do Proconve, conhecida também por Euro 6, só será adotada no Brasil daqui a cinco anos.

A proposta será votada agora na plenária do Conama. Se for aprovada, o Brasil permitirá na prática a entrada no mercado de frotas poluentes por mais um ano. “Ou seja, milhares de veículos pesados como ônibus e caminhões que circularão por mais 25 a 30 anos, a vida útil desses veículos“, diz Carlos Bocuhy, conselheiro do Conama e presidente do Proam – Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental, uma das entidades que combateram a extensão do prazo.

Segundo Olimpio Alvares, especialista em transporte sustentável, inspeção técnica, emissões veiculares e poluição do ar, o Euro 5 é um  sistema “que não entrega os resultados ambientais prometidos nas áreas urbanas, onde eles são mais necessários; um fiasco de projeto e regulação que perdura até hoje, e que nem as autoridades ambientais brasileiras, nem a indústria automotiva – ao contrário dos países desenvolvidos – tomaram as necessárias providências para corrigir durante os últimos seis anos de fartas vendas nacionais e internacionais (para países da América Latina e África)”.

Olimpio lembra que os países desenvolvidos já estão no Euro 6, com filtro, que reduz em 99.9% as partículas cancerígenas do diesel, desde 2010/2012. “E os grandes blocos em desenvolvimento, zelosos com a saúde de seus povos, já estão implementando o Euro 6 para os ônibus urbanos desde 2018 (Santiago e México) e 2020 para caminhões, como Mexico, Chile e India”, completa o especialista.

O Proam, dirigido por Carlos Bocuhy, alerta que a ausência de atualização tecnológica dos motores a diesel e a falta de filtros adequados nos escapamentos dos veículos provocam a morte de 4 mil a 5 mil paulistanos por ano. Só no estado de São Paulo são 17 mil pessoas, a maioria crianças e idosos.

Os gastos que os paulistanos arcam por problemas de saúde decorrentes da poluição chegam a R$ 300 milhões por ano, afirma Bocuhy. “O nível de poluição de ar na cidade de São Paulo, conforme estudos recentes, é o dobro do que recomenda a OMS.”

Já os especialistas da indústria fabricante de motores de ônibus e caminhões alertam que a adoção do Euro 6 envolve custos de desenvolvimento, e ressaltam a qualidade do diesel no Brasil como um fator preocupante. Além de milhares de quilômetros de rodagem para homologar os veículos, os especialistas da indústria lembram que o território brasileiro tem condições de rodagem muito diferentes e mais severas que na Europa. Na prática, isso influencia diretamente no desempenho do powertrain e do sistema de redução de emissões.

Com esses argumentos, e por exigir testes mais complexos do que aqueles que foram realizados para a adoção do Euro 5, a indústria defende que o prazo de cinco anos (até 2023) é o mais indicado para adaptar os ônibus e caminhões brasileiros ao novos limites de emissões.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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