Passo Fundo pode ter greve parcial de ônibus; trabalhadores da Codepas ameaçam parar a partir de terça-feira

Foto: Divulgação / Prefeitura de Passo Fundo Ônibus da foto faz parte de lote de dez unidades do 170S28 Iveco, adquirido pela Codepas em agosto/2017

Após as empresas Coleurb e Transpasso conseguirem fechar acordo com seus funcionários, chegou a vez da Codepas, empresa pública, negociar com seus mais de 200 empregados

ALEXANDRE PELEGI

A cidade de Passo Fundo, interior do Rio Grande do Sul, se livrou de uma greve de ônibus em maio, mas pode enfrentar uma paralisação parcial esta semana.

As empresas Coleurb e Transpasso, que operam 70% das linhas da cidade, fecharam acordo salarial com seus funcionários no mês passado, pondo fim à campanha salarial da categoria. As negociações com as duas empresas vinham transcorrendo desde fevereiro de 2018, e graças à intermediação do TRT chegaram a bom termo no dia 15 de maio. (Leia aqui)

A ameaça de greve, agora, parte dos empregados da Codepas (Companhia de Desenvolvimento de Passo Fundo), empresa pública que opera o restante das linhas no município e conta com cerca de 230 funcionários.

Tadeu Karzenski, presidente da empresa pública, informa que foi oferecido um índice de 1,81% de reajuste no salário e no ticket alimentação. O ticket hoje é de R$ 507. Outra opção foi reajuste de 2%, sendo 1% retroativo a abril e mais 1% em agosto ou antes caso a tarifa seja aumentada. Outra proposta feita foi alterar o pagamento do vale-alimentação para a modalidade diária, no valor de R$ 615.

Terça-feira, dia 29 de maio, motoristas e cobradores realizaram assembleia, onde rejeitaram as propostas. A categoria quer 2,84% de reajuste no salário e 12% no ticket (na modalidade diária, o que representa R$ 780). Os trabalhadores da Codepas deram o prazo até esta segunda-feira, dia 4 de junho, para a empresa responder.

A ameaça é paralisar o transporte por duas horas ou mais a partir de terça-feira, dia 5 de junho. A hipóteses de uma greve geral não está descartada.

O presidente da Codepas repeliu as exigências, afirmando que a empresa pública não tem condições de dar o aumento exigido. Tadeu Karzenski alinhou alguns motivos para justificar a recusa: a Codepas já paga melhores salários do que as duas empresas privadas (Transpasso e Coleurb); o valor da tarifa é o mesmo para as três empresas que operam na cidade; e, por fim, o INPC do período é de 1,56%, inferior ao pretendido pelos funcionários.

No mês passado, as empresas Coleurb e Transpasso fecharam um acordo que previa um reajuste salarial de 1%, retroativo ao mês de março, e um novo reajuste de mais 1% a partir de 1º de agosto. Para o vale-alimentação, atualmente de R$ 340, a proposta foi de aumento gradativo: R$ 360 retroativo a março deste ano, R$ 370 nos meses de junho e julho, e R$ 380 a partir de agosto.

Para complicar ainda o quadro, o presidente da Codepas reiterou que o serviço prestado pela empresa é deficitário, decorrência da tarifa congelada e dos custos operacionais que subiram.

A Codepas foi criada em dezembro de 1984. É uma empresa pública sob forma de sociedade anônima, onde a Prefeitura Municipal é acionista majoritária com 98,8% do capital social. Atualmente, a frota de ônibus da empresa é de 32 veículos.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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