Protestos de caminhoneiros atingem rodovias de pelo menos 17 estados

Manifestações começaram por volta de 6h nesta segunda-feira

Paralisação pode impedir circulação de aproximadamente 39 mil toneladas de grãos no Porto de Paranaguá, no Paraná

JESSICA SILVA PARA O DIÁRIO DO TRANSPORTE

Desde o início da manhã desta segunda-feira, 21 de maio de 2018, protestos de caminhoneiros atingiram pelo menos 17 estados brasileiros. Os atos são contra o aumento do preço dos combustíveis.

O litro do diesel será reajustado em 0,97%. Já a gasolina vai aumentar 0,90%, conforme anunciado pela Petrobras.

Relembre: Mesmo com greve de caminhoneiros e números de empresas de ônibus, Petrobras anuncia novo aumento de combustível para amanhã.

Leia também: Durante protestos de caminhoneiros, vias são interditadas com pneus queimados.

O aumento também prejudicará as empresas de ônibus do país. A Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos, que reúne em torno de 500 empresas de ônibus em todo o País, divulgou uma nota dizendo que entre janeiro e meados de maio deste ano já acumula perdas de em torno de R$ 1 bilhão por causa dos aumentos consecutivos do preço do óleo diesel.

Relembre: Empresas de ônibus dizem que acumularam prejuízos de R$ 1 bilhão neste ano por causa do aumento de 11% no diesel entre janeiro e maio

Com os protestos contra o aumento, algumas vias foram interditadas. Em alguns locais, manifestantes fecharam as ruas com pneus queimados. Esse tipo de incêndio foi registrado no Km 122 da Rodovia Anhanguera, em São Paulo, na SC-437, em Santa Catarina e na rodovia BR-020, entre Fortaleza e Maracanaú.

Relembre: Durante protestos de caminhoneiros, vias são interditadas com pneus queimados

Além de causar lentidão no tráfego de veículos de principais rodovias do país, as manifestações também interferem diretamente no transporte de cargas.

No Paraná, por exemplo, o Porto de Paranaguá deixou de receber 2 mil caminhões de grãos em oito horas de paralisação. Com isso, 39 mil toneladas de grãos deixaram de ser transportadas, conforme noticiado pela Gazeta do Povo.

A entrada para caminhões está bloqueada desde 6h desta segunda-feira, segundo informações da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina. Até o momento, contudo, as exportações não foram afetadas, pois os armazéns do porto estão cheios e precisaria de aproximadamente 15 dias de paralisação para afetar o transporte da carga em navios.

Os estados brasileiros em que os caminhoneiros aderiram aos atos são: Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins.

Confira os locais em que foram registradas manifestações, por estado:

São Paulo

Os caminhoneiros queimaram pneus na altura do Km 122 da Rodovia Anhanguera, sentido Campinas. Por volta de 10h10, apenas uma pista estava liberada e a polícia estava no local.

Outro ato ocorre em Jacareí, no Vale do Paraíba, no Km 160 da Rodovia Presidente Dutra. Em Pindamonhangaba, o Km 101 da rodovia também teve registros de manifestações, o que causou lentidão até pelo menos o Km 106. A faixa da esquerda foi liberada apenas para veículos de passeio e ônibus.

Em Lorena, sentido Capital, foram registradas interdições entre os Km 50 e 51.

Na baixada santista, um grupo de caminhoneiros realiza manifestação nas proximidades do Viaduto da Alemoa, na Av. Engenheiro Augusto Barata, um dos acessos ao Porto de Santos. Até a publicação desta reportagem, não houve registros de bloqueios.

Rio de Janeiro

Foram registrados protestos no trevo da Rodovia Niterói-Manilha e na altura de Campos dos Goytacazes. Outras manifestações ocorreram na Via Dutra, região de Seropédica, na Baixada Fluminense.

A BR-393 (Rio-Bahia) ficou travada nos dois sentidos na altura do quilômetro (km) 104, próximo a Sapucaia (RJ). Segundo a Polícia Rodoviária Federal, os caminhões ficaram parados nos acostamentos.

Na Rodovia Presidente Dutra, ligação entre Rio e São Paulo, manifestantes causam congestionamento do Km 275 ao Km 278.

No centro do Rio, caminhoneiros também protestaram. Cerca de 20 caminhões desceram pela pista central da Avenida Presidente Vargas, no sentido Candelária. Os veículos estavam com os faróis e pisca-alertas acesos. Os motoristas acionaram as buzinas, para chamar a atenção da população, por volta de 13h.

A Polícia Militar acompanhou o comboio e, segundo informações do Jornal do Brasil, o protesto ocupou apenas uma das faixas da pista.

Santa Catarina

A SC-437 foi a rodovia que recebeu os maiores impactos das manifestações desta manhã. Os caminhões ficaram parados em frente às Malhas Ferju, embaixo do viaduto da BR-101.

No local, os manifestantes colocaram fogo em pneus dos dois lados da via. A Polícia Rodoviária Federal afirmou que a fumaça não interfere na circulação de veículos da BR-101.

Ceará

As manifestações bloquearam um trecho da rodovia BR-020, entre Fortaleza e Maracanaú, que fica na Região Metropolitana. No local, os caminhoneiros estacionaram no acostamento e queimaram pneus na pista. O congestionamento teve extensão de cinco quilômetros.

Minas Gerais

Os manifestantes interditaram uma faixa da Rodovia Fernão Dias no km 513, em Igarapé, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

No km 511 da BR-040, Ribeirão das Neves, também houve protesto na pista sentido Belo Horizonte.

No sentido São Paulo, uma faixa da Rodovia Fernão Dias foi fechada no km 513, em Igarapé.

No km 700 da BR-040, em Barbacena, no Campo das Vertentes, foi registrado um congestionamento de cinco quilômetros.

Pela manhã, a MCG 354, que liga Patos de Minas a Presidente Olegário foi fechada por um grupo de caminhoneiros. Os manifestantes utilizaram pneus e um trator para interromper o tráfego de veículos.

A Polícia Rodoviária Federal de Minas Gerais divulgou, às 16h20, a lista com todas as vias interditadas e liberadas. Confira:

Rio Grande do Sul

Foram registrados pontos de bloqueio total nas rodovias estaduais RS-122, em São Sebastião do Caí, e RS-118, em Sapucaia do Sul.

Bahia

Segundo informações do G1, dois pontos da BR-116 foram interditados, no Km 814, em Vitória da Conquista, e no Km 521, em Itatim.

Espírito Santo

Segundo informações da Gazeta Online, foram registrados atos em diversos pontos da BR 101. No Km 204, em João Neiva, a pista foi bloqueada.

Mato Grosso

Foram registrados bloqueios no Km 296 da BR-364, na região do Distrito Industrial, em Cuiabá.

Mato Grosso do Sul

Em Campo Grande, a BR-163 foi fechada no Km 478, perto do Posto Caravágio, no macroanel viário da Capital, pela manhã.

A BR-163 foi fechada no Km 324, em Rio Brilhante. Em Maracaju, a BR-267 foi fechada no km 365.

Tocantins

Foram registrados protestos em avenidas de Paraíso do Tocantins.

Paraná

Uma das faixas da BR-116, em Quatro Barras, Região Metropolitana de Curitiba, foi interditada no km 67, sentido São Paulo. Manifestantes bloquearam também uma faixa em cada sentido da BR-277 em Paranaguá, no litoral do Paraná.

Paraíba

A rodovia BR-104, no sentido Campina Grande-Queimadas, ficou parcialmente bloqueada. Apenas veículos de passeio estão sendo liberados, segundo última informação divulgada sobre o trecho.

Goiás

Cinco rodovias do estado foram afetadas: BR-158, em Caiapônia, BR-153, em Itumbiara , BR-050, em Catalão, BR-040, em Luziânia e BR-020, em Formosa.

Segundo informações do portal Zero Hora, distribuidoras de combustíveis também foram fechadas por grupos de caminhoneiros.

Pará

Manifestações foram registradas na BR-316, próximo à Alça Viária, em Belém.

Paraíba

A BR-104, no sentido Campina Grande-Queimadas, foi parcialmente bloqueada.

Pernambuco

Faixas da BR-101 Sul foram ocupadas por manifestantes, em Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife.

Rio Grande do Norte

Uma pista da BR-101, sentido Natal/Parnamirim, foi bloqueada por um protesto no Km 105,8 da rodovia.

APOIO DO SINDICARGA

Apesar de ser contra os bloqueios em estradas, o Sindicarga (Sindicato das Empresas do Transporte Rodoviário de Cargas e Logística do Rio de Janeiro) divulgou uma nota em solidariedade ao “movimento pacífico de demonstração de insatisfação e receio pela sobrevivência das empresas”.

“A economia acompanha o caos e a sobrevivência do empresariado do país é testada ao limite dia após dia. Este cenário gera na população uma inevitável e constante revolta, traduzida em diversas manifestações, a exemplo da paralisação noticiada nas redes sociais para ocorrer a partir de 0:01 do dia 21/05/2018” – destaca trecho da nota, publicada no domingo.

A nota cita “criminalidade desordenada”, “impostos aviltantes” e “condições precárias das vias”, mas dá destaque às oscilações nos preços dos combustíveis.

“Abrimos o ano de 2018 com inflação declarada em torno de 2%. O combustível, na contramão de toda normalidade, tem variações de valores semanais, em percentuais infundados e descabidos, tornando inviável a manutenção das empresas do setor, que dependem diretamente deles para sua operação” – diz outro trecho da nota do Sindicarga.

“Cidadãos médios são afetados diariamente com este aumento descontrolado de valores, não visto nem mesmo no emblemático período econômico do cruzado e cruzeiro. Que diremos dos Transportadores Rodoviários de Carga setor preambular da economia que movimenta 60% de tudo que é produzido e consumido no país, e que possui o combustível como insumo básico de operação?”.

Por fim, o sindicato ressalta que “não organiza ou ampara movimentos que restrinjam a liberdade de ir e vir dos cidadãos, bloqueios de vias públicas, atos de violência ou que possam afetar a integridade física ou o patrimônio de outrem”.

“Espera o Sindicarga que haja uma urgente manifestação governamental sobre a alastrada situação de insatisfação que pode gerar, conforme noticiado, desabastecimento de todos os setores e paralisação da economia” – finaliza a nota do sindicato.

REIVINDICAÇÕES DOS CAMINHONEIROS

A CNTA (Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos), que reúne 120 sindicatos, faz protesto contra o reajuste no preço do óleo diesel e à cobrança de pedágio, quando eles trafegam vazios e com os eixos dos caminhões suspensos.

Os caminhoneiros pedem também a criação de um subsídio ou redução da carga tributária, Programa de Integração Social e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, que custa 13% sobre o valor do diesel e ICMS, mais 16%. Somados representam mais de 50% do custo do frete praticado, segundo informações da Agência Brasil.

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