Niterói (RJ) estuda subsidiar veículos elétricos do corredor BHLS

Corredor de transporte da Transoceânica tem previsão de entrar em operação até o fim do ano. Prefeitura estuda adquirir parte da frota de ônibus elétricos para diminuir impactos sobre custos do Consórcio, e assim evitar aumento na tarifa

ALEXANDRE PELEGI

Completando neste domingo, dia 5 de maio de 2018, um ano de inauguração, o Túnel Charitas-Cafubá, em Niterói, encurtou a distância entre a Zona Sul e a Região Oceânica. O túnel integra um projeto cuja finalidade é privilegiar o transporte coletivo, o BHLS, corredor de ônibus cuja sigla em inglês indica “Bus with High Level of Service”, ônibus de serviço de alto nível.

A prefeitura de Niterói atua para concluir o projeto até o fim deste ano, e vai licitar a construção das nove estações que ainda faltam para o corredor, que deverá operar com ônibus elétricos.

O problema dos elétricos é seu valor de compra, o que incidirá num custo de operação maior para quem vai operar o Corredor. A prefeitura negocia com o consórcio TransOceânico como evitar que isso implique em aumento da tarifa, e já analisa a possibilidade de subsidiar metade da frota dos novos veículos movidos à eletricidade.

Segundo o prefeito Rodrigo Neves, em declaração ao jornal O Globo deste domingo (5), a Procuradoria avalia as possibilidades de o município adquirir parte da frota, e assim reduzir os custos do consórcio, evitando aumento nas passagens. “Estamos trabalhando para que não haja o realinhamento da tarifa além do previsto em contrato, que é o reajuste anual da inflação”, diz o prefeito.

Nas tratativas entre prefeitura e empresários, a negociação envolve a quantidade de ônibus necessários para operar no trajeto em que, hoje, circulam quatro linhas: 38 (Centro/Itaipu), 38A (Centro/Engenho do Mato), 39 (Centro/Piratininga) e 40 (Centro/Maceió).

A aquisição da frota elétrica por parte da prefeitura diminui o problema, mas não o resolve. Isso porque o consórcio encontra dificuldades para equilibrar os custos devido à comprar de parte da frota movida a diesel, com piso mais baixo, portas dos dois lados e maior custo de manutenção.

Se depender das empresas, no entanto, o problema será superado. O Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro (Setrerj) afirma que representantes do consórcio estão otimistas e trabalham para que o sistema comece a operar ainda em 2018.

Além da frota de veículo, falta ainda construir nove estações de embarque e desembarque de passageiros, a custo estimado de R$ 36,7 milhões. Anunciada pela prefeitura em novembro de 2017, a licitação foi adiada pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE). Os técnicos do órgão alegaram ser preciso que os serviços necessários para a implantação dos equipamentos de transporte tenham seus custos unitários definidos no edital.

O prefeito Rodrigo Neves garante agora que a prefeitura irá lançar novo edital nos próximos meses.

HISTÓRICO DE POLÊMICAS E ATRASOS:

A obra completa do Corredor Transoceânica está 17,6% mais cara do que o estimado inicialmente – de R$ 310 milhões, o custo atual é de R$ 417,6 milhões.

Vários aditivos foram feitos ao contrato firmado com o consórcio Constran-Carioca-Transoceânica, que incluiu desde a construção de um sistema de macrodrenagem para o Morro do Jacaré, novas galerias no trecho entre o Cafubá e Piratininga e intervenções não constantes no projeto inicial.

O prazo de entrega estava previsto para setembro de 2016, e agora a conclusão novembro é prometida para novembro de 2018.

No início deste ano, o TCE – Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro , por meio de um relatório técnico, apontou suspeitas de sobrepeço no Transoceânica na ordem de R$ 11,5 milhões, dos quais R$ 11 milhões nas obras e R$ 4,6 milhões nos aditivos.

A prefeitura de Niterói diz que todos os procedimentos são regulares e que respondeu aos questionamentos do TCE.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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