EXCLUSIVO: Gastos da CPTM com Operação PAESE subiram 72,8% em 2017 e chegaram a R$ 2,16 milhões

Ônibus da Operação PAESE, da Transkuba para a linha 5 Lilás do Metrô, na Capital Paulista. Foto: Thomas Souza da Silva/Ônibus Brasil – Clique na foto para ampliar

Já os gastos do Metrô com PAESE caíram 3,1% entre 2016 e 2017. Maior parte dos chamados dos ônibus para a CPTM ocorreu por causa de problemas

ADAMO BAZANI

Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência, ou simplesmente, PAESE.

O nome já é conhecido pelos usuários de transportes públicos da capital paulista e da Grande São Paulo e, quando é citado, deixa muita gente preocupada.

Afinal, como a nomenclatura diz, trata-se de situação de emergência, ou seja, não ideal.

Mas sem o PAESE, muitos problemas, principalmente na rede de trilhos, teriam resultados piores ainda. Assim, quando ocorre a operação PAESE, não adianta nada ficar comparando ônibus com trem e com metrô.

Ocorre que quando os ônibus da operação PAESE são acionados pelo Metrô e pela CPTM, na maior parte das vezes, é porque houve falhas mais graves nos sistemas metroferroviários. E isso custa dinheiro para a população.

No caso da CPTM, em 2017, o custo foi bem maior que em 2016.

Por meio da Lei de Acesso à Informação, o Diário do Transporte, obteve o total de acionamentos e os custos da operação PAESE para o Metrô e a CPTM entre 2013 e 2017. No caso do Metrô, os dados estão disponíveis somente a partir de 2014.

Entre 2016 e 2017, houve um aumento de 72,8% de gastos da CPTM com a operação PAESE.

No ano de 2016, os 33 acionamentos da operação custaram aos cofres da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, R$ 1,25 milhão enquanto que, em 2017, 31 acionamentos custaram R$ 2,16 milhões.

A STM – Secretaria de Transportes Metropolitanos, em resposta aos questionamentos do Diário do Transporte informou que tanto em 2016 como em 2017, do total de acionamentos pela CPTM, seis em cada ano foram por causa de obras de manutenção programadas. Assim, o restante, ocorreu por causa de problemas, isto é, 27 PAESE por problemas em 2016 e 25 em 2017.

Sobre o fato de o valor de 2017 ter sido 72,8% maior que do que o de 2016, mesmo com um número menor de acionamentos, ainda no caso da CPTM, a secretaria informou que o custo do PAESE não se dá pelo total de chamadas, mas sofre interferências de fatores como extensão do trajeto feito pelos ônibus, quantidade de veículos e duração do atendimento emergencial.

Os dados ainda mostram que no acumulado entre 2013 e 2017, os gastos da CPTM com os ônibus da PAESE somaram quase R$ 10,5 milhões (R$ 10.488.697,79). Somente no ano de 2013, a CPTM pagou R$ 5,33 milhões.

Os pagamentos ocorreram para viações que operam as linhas intermunicipais da EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos, na Grande São Paulo, porque a malha da CPTM abrange cidades vizinhas da capital, e para as companhias de ônibus da cidade de São Paulo, que operam o sistema de linhas da SPTrans – São Paulo Transporte.

A maior parte dos acionamentos da CPTM é de ônibus das empresas do sistema da EMTU.

Já em relação ao Metrô, os gastos com a operação PAESE caíram 3,1% entre 2016 e 2017.

No ano de 2016, os ônibus foram chamados quatro vezes pelo Metrô, o que resultou em gastos de R$ 128 mil. Em 2017, os seis acionamentos da operação PAESE pelo Metrô custaram R$ 124 mil.

Dos seis acionamentos dos ônibus pelo Metrô, cinco foram por ocorrências operacionais.

Houve ainda 62 acionamentos de PAESE por causa da realização de testes, mas, nestes casos, não é o Metrô que paga e, sim, as empresas responsáveis pela implantação dos sistemas, como de sinalização e controle.

Como a malha do Metrô se restringe apenas à capital, os pagamentos foram feitos apenas às empresas de ônibus do sistema SPTrans.

Ainda em resposta aos questionamentos do Diário do Transporte, a STM – Secretaria de Transportes Metropolitanos explicou como são feitos os pagamentos às empresas de ônibus.

Vale ressaltar que a operação PAESE também pode ser acionada entre as próprias viações, quando, por exemplo, os funcionários de uma empresa fazem greve, mas as outras companhias continuam operando normalmente.

Acompanhe as respostas da STM na íntegra:

1)    Entre 2016 e 2017, houve aumento nos custos com a Operação, de R$ 1.256.635,59 para 2.165.242,68, entre pagamentos para o sistema da SPTrans e da EMTU. Apesar de o valor ser mais alto, o total de acionamentos entre estes dois anos caiu de 33 acionamentos para 31. Qual o motivo de haver um crescimento tão significativo de valor?

R: O Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência (Paese) não é cobrado por acionamento do serviço. Fatores como quantidade de ônibus contratados, distância da prestação do serviço, tempo de duração (horas ou dias) e outros influenciam no valor da contratação. 

2)       Quais destes acionamentos ocorreram por causa de problemas, quando os ônibus foram acionados para atender às situações pontuais e quantos acionamentos foram por causa de manutenções programadas (em 2016 e em 2017)?

R: A CPTM acionou o sistema Paese 33 vezes em 2016 e 31 em 2017 por ocorrências emergenciais (casos fortuitos, como panes, avarias, eventos climáticos, etc.) e manutenções programadas.

Desses acionamentos, seis em cada ano foram feitos por conta das obras de manutenção programadas. Em 2016 as obras emergenciais foram de curta duração (horas), enquanto que em 2017 as intervenções foram de longa duração chegando a serem realizadas com a paralisação por todo um fim de semana.

Já O Metrô acionou o sistema Paese cinco vezes em 2017 devido a ocorrências operacionais. O custo desses acionamentos foi de R$ 124 mil.
No mesmo período, foram registrados 62 acionamentos de Paese devido à realização de testes,  que não são pagos pelo Metrô, mas pelas empresas responsáveis pela implantação de tais sistemas. 

3)    Por que a maior parte destes acionamentos dos ônibus das linhas da EMTU?

R: A SPTrans atende somente a capital e a EMTU, a região metropolitana. Como a CPTM atende a 23 municípios, a companhia precisa na maior parte das vezes do serviço da EMTU.

 O Metrô não aciona a EMTU para prestação de serviço Paese, pois não opera fora da cidade de São Paulo. O Metrô pode solicitar à EMTU apenas a desintegração dos ônibus com terminais integrados a estações de metrô que estejam interditadas no período solicitado.  

4)   Em 2013, o PAESE significou custos de R$ 5,3 milhões. Em 2014, houve queda, mas depois, a partir de 2015, os custos voltaram a subir. Por que?

R: Pelos motivos já explicados na questão 1. Cada Paese tem a sua característica e, portanto, um valor.

 5)   Como funciona o PAESE?
 R: O sistema Paese é a operação de outra empresa de transporte no lugar daquela que está impedida de operar no momento, por algum motivo. No caso da CPTM, pode ser feito com empresas de ônibus ou com o Metrô onde há integração de linhas que seguem paralelas ou atendem regiões próximas: a Linha 11-Coral e 12-Safira com a Linha 3-Vermelha do Metrô. Quando o Paese é com ônibus, a rota é traçada de forma similar ao que o trem faria, seguindo por vias paralelas aos trilhos e às estações, às vezes apenas “pulando” estações de menor movimento.
6)       Como são feitos os pagamentos, diretamente às empresas de ônibus que cederam os veículos e motoristas ou às gerenciadoras (EMTU e SPTrans):

R: O pagamento é realizado por quem aciona o Paese diretamente às empresas prestadoras do serviço, após análise das planilhas em comparação com as medições realizadas também pela contratante.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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