Monotrilho do ABC deve ficar para próximo governo e secretário diz que não houve avanço

Consórcio VEM ABC seria responsável pela construção e futura operação do monotrilho

Segundo Clodoaldo Pelissioni, prioridade do governo é concluir projetos que já estão em execução em São Paulo

REPORTAGEM: ADAMO BAZANI

REDAÇÃO: JESSICA SILVA

A linha 18-Bronze do monotrilho, que deveria ligar São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, à estação do Tamanduateí na capital, deve ficar para o próximo governo. De acordo com o Secretário de Transportes Metropolitanos do Estado de São Paulo, Clodoaldo Pelissioni, neste ano não houve avanço no projeto, que também prevê a passagem do meio de transporte por Santo André e São Caetano do Sul.

Em entrevista coletiva concedida nesta quarta-feira, 4 de abril de 2018, Pelissioni disse que o projeto pode ser “alvo do novo governo” e que a prioridade do Governo do Estado é concluir linhas que já estão em execução.

“Temos dois projetos que estão suspensos e podem ser alvo do novo governo, a linha 18-Bronze, que é o monotrilho para o ABC, e a estação da linha 2-Verde até Guarulhos” – disse Pelissioni.

Um relatório de riscos fiscais sobre as PPPs – Parcerias Público-Privadas divulgado anteriormente pelo Governo do Estado aponta que o projeto pode custar ao menos R$ 252,4 milhões a mais aos cofres públicos estaduais.

Conforme publicado em maio de 2017 pelo Diário do Transporte, o governo paulista encontrou dificuldades no financiamento das desapropriações para a colocação dos elevados por onde deveriam circular os trens e para as estações.

A  Cofiex  – Comissão de Financiamento Externo, do Ministério do Planejamento, desde 2015, não dá aval para o Governo do Estado de São Paulo obter empréstimo internacional de US$ 128,7 milhões junto ao BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento.

Segundo Pelissioni, o financiamento ainda não foi definido. “Nós estamos em tratativas, não tem avanço ainda. Até temos possibilidade de pagar as apropriações, mas precisamos fechar o financiamento inteiro” – afirmou o secretário.

Inicialmente, o monotrilho do ABC deveria custar, contando os recursos públicos e privados, R$ 4,2 bilhões em 2014. Em 2016, o valor foi corrigido para uma estimativa de R$ 4,8 bilhões e, se forem realizadas outras mudanças, a linha 18 do ABC pode ter custo que ultrapasse R$ 5 bilhões.

RELEMBRE: Com risco fiscal, monotrilho do ABC deve precisar de mais de R$ 250 milhões dos cofres públicos, diz relatório do Governo

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SOBRE O MONOTRILHO

A linha 18-Bronze deveria ter 15,7 quilômetros de extensão, com 13 estações entre a região do Alvarenga, em São Bernardo do Campo, até a estação Tamanduateí, na Capital Paulista.

Em 2015, orçamento estava em R$ 4,8 bilhões, sem previsão de entrega. A previsão de demanda é de até 340 mil passageiros por dia, quando completo. Como as obras não começaram, especialistas defendem outro meio de transporte para a ligação, como um corredor de ônibus BRT, que pode ser até cinco vezes mais barato com capacidade de demanda semelhante.

O Consórcio VEM ABC, composto pelas empresas Primav, Cowan, Encalso e Benito Roggio, seria responsável pela construção e futura operação do monotrilho da linha 18-Bronze.

Leia mais em: Consórcio Intermunicipal ABC vai formalizar proposta de BRT no lugar de monotrilho na linha 18 do monotrilho

RELEMBRE: Alckmin admite que não há mais data para início do monotrilho no ABC

PRIORIDADES

De acordo com o secretário, a prioridade do governo é concluir as linhas 4-Amarela e 5-Lilás do Metrô, a linha 15-Prata e as oito estações que faltam na linha 17-Ouro, ambas do monotrilho. “Nós devemos lançar uma licitação para uma nova estação na linha 15, a estação Jardim Colonial, que já tem pilares e vigas prontas. Já concluímos o projeto executivo da estação” — disse Pelissioni.

Para a linha 9-Esmeralda da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), havia uma agenda nesta quarta-feira, 4 de abril, com o Ministério das Cidades, para retomar as obras por meio do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), mas a reunião foi cancelada, segundo Pelissioni.

O secretário também falou sobre o processo de caducidade na linha 6-Laranja. RELEMBRE: Governo do Estado pretende finalizar caducidade de contrato de PPP da linha 6-Laranja em maio

A entrevista coletiva foi concedida durante a inauguração da estação Oscar Freire, em São Paulo. O Diário do Transporte esteve no local para acompanhar. Confira: Governo de São Paulo entrega estação Oscar Freire com apenas um acesso

Reportagem: Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Redação: Jessica Silva

1 comentário em Monotrilho do ABC deve ficar para próximo governo e secretário diz que não houve avanço

  1. Que grande sonho seria para nossas cidades de ABC!

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