Empresa pretende construir Centro Logístico em Santo André até 2024

Empreendimento será instalado em um bairro chamado Campo Grande, próximo a Paranapiacaba.

Projeto tem como intenção melhorar gargalos no transporte de cargas nos modais rodoviário e ferroviário

JESSICA SILVA PARA O DIÁRIO DO TRANSPORTE

A empresa Fazenda Campo Grande Logística e Participações apresentou um projeto para a construção de um centro logístico, em Santo André. A intenção é instalar o empreendimento, também chamado de Porto Seco, em um bairro andreense chamado Campo Grande, localizado entre Rio Grande da Serra e Paranapiacaba.

O projeto, orçado em R$ 780 milhões, tem como intenção melhorar os gargalos no transporte de cargas nos modais rodoviário e ferroviário da região. “A estação é mais ou menos a metade do caminho entre o porto de Santos e a Estação da Luz. É uma região estratégica sob o ponto de vista da distância e em frente ao pátio de manobras da ferrovia MRS” – disse Jael Rawet, responsável legal pelo empreendimento.

O início das operações no Porto Seco está previsto para 2024. A empresa estima que 60% do empreendimento estará ocupado em 10 anos e 90% em 25 anos.

“Segundo levantamentos realizados pela consultoria ambiental, o Estado de São Paulo conta com uma matriz de transporte que inclui rodovias, ferrovias, a hidrovia do Tietê, o maior aeroporto (Guarulhos) e o porto com maior movimentação de cargas do País (Porto de Santos). No entanto, 93% das cargas são transportadas pelo modal rodoviário e 50% das viagens têm origem ou destino na Macrometrópole.

Este projeto vem ao encontro da necessidade estratégica do Estado de São Paulo, que visa aumentar a participação ferroviária na matriz de transportes, com melhor distribuição da divisão modal, e aumento da participação dos modos mais econômicos e menos poluentes, sobretudo da ferrovia” – informou a empresa, em nota.

Veja a localização do projeto:

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O foco do projeto é atuar na malha ferroviária já existente. Contudo, nos primeiros anos de implantação da empresa, estima-se um total de 64 viagens de caminhões por dia, pela Rodovia Antônio Adib Chammas (SP-122), que dá acesso à Vila de Paranapiacaba, em Santo André.

Os caminhões terão que dividir a pista com as duas linhas de ônibus intermunicipais que atendem a região atualmente, a 040 (Paranapiacaba / Prefeito Saladino) e a 424 (Paranapiacaba / Rio Grande da Serra).

Os moradores da vila temem que a movimentação possa causar colisões. “Já tivemos essa experiência, caminhões-cegonha passavam pela pista e aconteceram vários acidentes. O número de caminhões na rodovia era bem menor do que esses que estão propondo agora” – disse um morador e monitor ambiental, que preferiu não se identificar.

A ferrovia, por sua vez, não será dividida com o transporte de passageiros na região, pois a CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) não atende a vila desde novembro de 2001.

Entre as intervenções previstas, será realizada a implantação de platôs para abrigar instalações logísticas, como pátios e galpões, implantação de ramais e desvios ferroviários. Além disso, também será necessário montar uma infraestrutura de apoio, incluindo sistemas de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgotos, sistemas de drenagem de águas pluviais, viário interno e melhorias no viário externo de acesso ao empreendimento.

FASES DO PROJETO

O projeto está previsto para ser colocado em prática em 2024 por conta dos trâmites necessários. A Secretaria Estadual do Meio Ambiente já analisou a proposta e já foi emitido o EIA/RIMA (Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental).

O Conselho Estadual do Meio Ambiente convocou uma audiência pública sobre os documentos para o dia 12 de abril de 2018, às 17h. A reunião será no Tênis Clube de Santo André, Rua Bernardino de Campos, 300, no Centro.

Segundo o conselho, cópia do EIA/RIMA estará à disposição dos interessados, para consulta, no período de 14 de março a 12 de abril de 2018, nos seguintes locais e horários:

– SEMASA – Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André, Avenida José Caballero, 143, Vila Bastos, Santo André/SP, de segunda a sexta-feira (exceto feriado), das 09h às 12h e das 13h às 17h.

– BIBLIOTECA DE PARANAPIACABA “Abia Ferreira Francisco”, Avenida Rodrigues Alves, s/nº, Vila de Paranapiacaba, Santo André/SP, de segunda a sexta-feira (exceto feriado), das 09h às 12h e das 13h às 16h.

Após a audiência pública, o Conselho vai avaliar o que foi discutido e emitir as licenças necessárias para o funcionamento do projeto. Após a licença de implantação, será iniciado um diálogo com a Prefeitura de Santo André.

A Prefeitura não participou da elaboração do projeto. É um empreendimento exclusivo da iniciativa privada. O licenciamento ambiental do projeto em questão está sob a tutela da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo). Todavia, coube à municipalidade, por meio da Secretaria de Meio Ambiente, a análise do EIA (Estudo de Impacto Ambiental) acerca da influência do projeto na área de amortecimento do Parque Municipal Nascentes de Paranapiacaba.

Se o Centro Logístico for autorizado, serão adotadas as legislações aplicáveis, em nível municipal, estadual e federal. A Secretaria do Meio Ambiente possui equipe técnica qualificada para atuar em qualquer tipo de empreendimento” – informou a Prefeitura de Santo André, em nota enviada ao Diário do Transporte.

MORADORES TEMEM DESMATAMENTO

A região que o projeto abrange trata-se de uma área particular, inserida na Macrozona de Proteção Ambiental de Santo André. Para a instalação da empresa no local, será necessário desmatar aproximadamente 91 hectares de mata nativa na região.

Os moradores estão mobilizados para tentar impedir que a intervenção ocorra, pois temem consequências ao meio ambiente. “O funcionamento desse porto seco vai aumentar o tráfego de caminhões e isso pode acarretar em atropelamento da fauna, vai dificultar o acesso para o visitante à Vila de Paranapiacaba. Aqui é famoso pelos passeios de ciclistas, porque eles usam a SP-122 para chegar até Paranapiacaba. Imagina um grupo de ciclistas com caminhões enormes passando ao lado” – disse um morador, que preferiu não se identificar temendo represálias.

Um abaixo-assinado online foi criado pelos moradores para evitar a instalação da empresa na região e está com mais de 17 mil assinaturas. O documento será entregue durante a audiência pública do dia 12 de abril.

“A área afetada faz limites ou influência direta a três Unidades de Conservação públicas, uma delas entre as mais antigas do Brasil: a Reserva Biológica do Alto da Serra de Paranapiacaba, a outra, o Parque Estadual da Serra do Mar, que pode ser considerada uma ‘máquina natural paulista de produção de água’ e outros serviços ecossitêmicos: sequestro de Carbono, redução de calor, prevenção de enchentes, e outra o Parque Natural Municipal Nascentes de Paranapiacaba. Todas abrigam incríveis espécies de fauna e flora, dentre elas mais de 23 espécies em algum grau de ameaça de extinção” – diz trecho da petição online.

A empresa Fazenda Campo Grande Logística e Participações, por sua vez, alega que a floresta será mantida e qualificada. “De cada cinco metros, haverá utilização de apenas um metro. Se em cada cinco, eu uso um, 80% da área vai ser mantida intacta. Além disso, o projeto prevê planos de manutenção e recuperação de toda a fauna e flora da região. Há uma necessidade de compensação da supressão de flora, somos obrigados a fazer uma complementação adquirindo ou investindo na recuperação de floresta em área praticamente igual a essa onde o projeto será implantado” – explicou Jael Rawet.

A empresa também afirma que houve um trabalho voltado à preservação das características da região. Segundo informações da companhia, serão feitas obras utilizando tecnologia de baixo impacto, com os pré-moldados e melhorias no sistema rodoviário e ferroviário.

4 comentários em Empresa pretende construir Centro Logístico em Santo André até 2024

  1. Antonio Idevano dos Santos // 1 de Abril de 2018 às 20:13 // Responder

    Isso significa detonar Paranabiacaba !

  2. é preciso ficar em cima,,,sem piscar, pois ja conhecemos bem o que a Alunorte fez em Barcarena_PA, e de Minhas em Mariana, pela Samarco até o rio Doce no ES…apesar que não mexem com produtos quimicos, mas podem sim mexer com as nascentes do local. Aguardamos mais informações…

  3. Corrigindo…Minas em Mariana…e outras cidades.

  4. Ronaldo R de Moraes // 12 de Abril de 2018 às 10:56 // Responder

    Como sempre a ganância dos grupos econômicos supera a preservação do meio ambiente. É lógico que toda a fauna do local será afetada; é lógico que o transito constante de enormes carretas causará diversos acidentes principalmente com ciclistas; é lógico que o lençol freático sofrerá impactos irreversíveis. Pobre Mata Atlântica, reduzida a 8% do que já foi um dia e agora está acabando com o que restou . País de merda!!!

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