Entusiastas precisam de ajuda para restaurar o primeiro ônibus biarticulado do Brasil

Ônibus foi o primeiro biarticulado a operar no Brasil

Quem quiser ajudar pode entrar em contato com responsável pelo seguinte e-mail: eduardotows@vcsorriso.com.br . Ônibus é ícone de uma nova fase dos transportes e inspirou diversos sistemas em diversos países

ADAMO BAZANI

O primeiro sistema de BRT (Bus Rapid Transit), corredores de ônibus com maior eficiência, do mundo, teve início em Curitiba, no ano de 1974, quando o arquiteto e então prefeito, Jaime Lerner, quis organizar o crescimento da capital paranaense, por meio de eixos de transportes com uma configuração urbana que privilegiasse os deslocamentos coletivos e as pessoas.

O BRT foi um sucesso e até hoje é visto como uma das soluções de mobilidade em diversas partes do mundo, formando rede com metrô, trens, ônibus menores e micro-ônibus.

O BRT de Curitiba teve diversos marcos.

Um deles foi em 1992, quando começou a operar o primeiro ônibus biarticulado do País, testado um ano antes. Era um Volvo B 58, com 25 metros de comprimento. Hoje, os biarticulados disponíveis no mercado brasileiro possuem entre 27 e 30 metros, com capacidade que pode chegar a 300 passageiros, entre sentados e em pé.

O início das operações do biarticulado foi marcado por muito mistério.

O projeto foi desenhando em conjunto entre a Volvo, fabricante de chassis, e a prefeitura de Curitiba.

Os primeiros testes ocorriam de madrugada e, claro, não dava para esconder aquele gigante tão facilmente.

A primeira unidade recebeu carroceria Ciferal.

O primeiro lote teve 33 unidades, divido entre 23 ônibus e depois mais 10, e recebeu carrocerias Ciferal e Marcopolo.

Por pouco uma das peças mais importantes desta história não virou ferro-velho.

O primeiro veículo, um ônibus com carroceria Ciferal, conseguiu escapar e vai para o processo de restauração.

A unidade 001, da Auto Viação Nossa Senhora do Carmo, empresa que não opera mais, será recuperada.

Mas é agora que os entusiastas de transportes e da história precisam mostrar união.

Modelo ainda com a primeira pintura: prateada

Idealizador da restauração, o gerente corporativo do Grupo Sorriso, Eduardo Tows, conta que o conselho de administração do grupo da Viação São José, ao qual a Nossa Senhora do Carmo pertenceu, autorizou que o ônibus fosse recuperado, mas com uma condição: que os trabalhos não onerassem a empresa e o sistema de transportes.

“É muito importante esta restauração para preservação da memória dos transportes. Queremos que empresas, pessoas físicas e fabricantes, doem peças, sistemas, pintura, pneus. Estive entre os outros ônibus do mesmo modelo que irão para o desmanche e tirei todas as peças que o primeiro carro não tinha para aproveitar, mas ainda faltam. Este ônibus já está há 15 anos parado. Queríamos de início dar condições para o veículo andar dentro do pátio, para facilitar o deslocamento às áreas de manutenção”  – disse por telefone ao Diário do Transporte, o engenheiro que ainda contou que após o trabalho, será colocado no veículo um bussdor com os nomes e marcas de todos que colaboraram.

Não há previsão para o fim dos trabalhos.

O intuito é expor o veículo e manter a história dos transportes que reflete como as cidades se desenvolveram, inclusive, tendo o BRT como um dos exemplos para melhorar a mobilidade das pessoas.

Apaixonado por transportes, Eduardo atua há quase 20 anos no setor, em Curitiba. Passou pelas áreas de manutenção e foi motorista também.

Quem quiser ajudar no restauro do pioneiro ônibus biarticulado pode entrar em contato com Eduardo pelo seguinte e-mail: eduardotows@vcsorriso.com.br

 

CURIOSIDADES ÔNIBUS BIARTICULADOS:

  • O primeiro biarticulado do Brasil foi para Curitiba, lançado em 1991. Era um Volvo B58E, com carroceria Ciferal, de 25 metros de comprimento.
  • Em 1995, era testado o primeiro biarticulado da cidade de São Paulo. O modelo foi um Torino LS. – Relembre história: https://diariodotransporte.com.br/2016/08/21/historia-torino-nome-forte-que-vence-as-decadas/
  • No ano de 2000, um trólebus especialmente encarroçado pela Marcopolo, com design totalmente diferente dos demais, chegou a circular sobre o Rio Tamanduateí na Avenida do Estado, por um período de quatro meses. O modelo, que começou a ser desenvolvido em 1997, era para o “Fura-Fila” um sistema de trólebus com guias laterais que circularia em elevados. Hoje, incompleto em relação ao projeto original, o sistema não é de trólebus e nem tem guias lateriais, sendo um corredor de ônibus BRT denominado Expresso Tiradentes. A continuação da linha deve ser de monotrilho, mas o projeto de trens leves com pneus sofre atrasos de mais de cinco anos, está 83% mais caro e só tem duas estações em operação num trecho de apenas 2,3 km . Relembre a história: https://diariodotransporte.com.br/2017/03/12/historia-10-anos-de-expresso-tiradentes/
  • A ideia de ônibus biarticulado surgiu em Gunnar Marden (Suécia), no ano de 1947, quando a Scania-Vabis testou um protótipo de ônibus para puxar três trailers.
  • Em 1981, a Mercedes-Benz lançou o O305GG, um trólebus bidirecional (como no metrô, há cabine de condutor nos dois extremos), com guias laterais. Relembre neste link: https://diariodotransporte.com.br/2017/06/18/historia-um-onibus-de-duas-caras/
  • Em 1982, o primeiro ônibus biarticulado com características convencionais era lançado pela MAN. O modelo MAN Sgg280H tinha 24 metros. Eram 73 assentos e o motor ficava na parte traseira e era horizontal.
  • Em 1983, a fabricante Jieke Ka Lu Sha lançou o primeiro biarticulado com motor dianteiro do mundo, que se tem conhecimento. O modelo de 22,5 metros operou por dois anos na cidade de Shenyang, mas não deu certo porque era de difícil manobra.
  • O primeiro ônibus de motor vertical (parecido com o brasileiro B9SALF ou B360S) que se tem registro foi lançado em 1986. Era o modelo GX237, depois batizado de Megabus. O veículo foi feito numa parceria entre a chinesa Heuliez e a francesa Renault. O motor Mack de 6 cilindros, 11 litros e 280 cv vertical era na traseira. Depois de três anos de testes, o modelo começou a operar comercialmente na cidade de Bordeaux, na França. Em 1989, foram encomendadas dez unidades para linhas regulares. A cidade passou a deter, na época, a maior frota de biarticulados do mundo e a Renault era a maior fabricante.
  • No ano de 1988, a húngara Ikarus lança um biarticulado que ditaria as regras do mercado, apesar de, curiosamente ter sido um fracasso. Com 22,5 metros de comprimento, o ônibus tinha uma mecânica extremamente simples, o que serviu de base para as outras fabricantes adotarem soluções semelhantes e baratearem a aquisição e a manutenção dos seus modelos. O veículo foi um dos primeiros a ditar tendência também de motores de biarticulados, na posição horizontal entre os primeiro e segundo eixo. O fracasso se deu porque o motor usado era subdimensionado para o porte do veículo. Com motor fraco demais, o modelo Ikarus 293 foi vendido usado em 1992 para Teerã, no Irã. Mas em terras iranianas, o fraco motor Ràba/MAN foi trocado por um MAN turbo cooler mais potente. Em 1990, o Ikarus 293 chegou a ser produzido também em Cuba, com o nome Giron 293.
  • A belga Van Hool lançou em 1995, o modelo Agg300 de 25 metros, considerado o primeiro biarticulado com piso baixo total, igual aos usados em São Paulo. O motor era DAF turbo de 290cv, que ficava na posição vertical entre o primeiro e segundo eixos. Inicialmente, o modelo não fez sucesso e foi vendido para Luanda, na Angola.
  • Em agosto 2012, em Dresden, na Alemanha, é apresentado um ônibus biarticulado de 30 metros elétrico híbrido, o AutoTram Extra Grand. O projeto foi uma parceria da Goeppel Bus GmbH com o Instituto Fraunhofer. A tração vem por dois motores elétricos Wittur de 160kW (214cv) em conjunto com um motor Iveco 5 diesel Euro5 de 9 litros (295 cv) e com energia secundária de um pacote gerador de 235kW (315cv) , desenvolvido com motor diesel Mercedes-Benz de 4 litros. Com peso bruto de 44,7 toneladas, o biarticulado híbrido conta com baterias de íon e supercondensadores de descarga rápida.
  • Em junho de 2015, foi apresentado nas Filipinas um “quadriarticulado” . É um ônibus de 40 metros de comprimento, capacidade para mais de 300 passageiros, com quatro articulações e cinco “carros”. Chamado de Hybrid Road Train, espécie de trem da estrada, o projeto foi desenvolvido pelo DOST – Departament of Science e Technology’s das Filipinas. Relembre e veja vídeo acessando este link: https://diariodotransporte.com.br/2016/01/22/onibus-de-40-metros-de-comprimento-pode-ser-alternativa-para-sistemas-de-maior-capacidade/
  • Em 01º de novembro de 2016, a Volvo anuncia no Brasil o lançamento de um biarticulado de 30 metros de comprimento e capacidade para 300 passageiros. Com o nome comercial de Gran Artic 300, foi pensado inicialmente para os BRTs do Rio de Janeiro e tem a mesma mecânica do ônibus de 28 metros, mas a capacidade técnica aumentou de 40,5 toneladas para 45,3 toneladas. O Diário do Transporte foi o primeiro órgão feito por jornalistas a divulgar a novidade. Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2016/11/01/volvo-divulga-imagem-de-biarticulado-com-30-metros-e-confirma-lancamento/
  • Quebrando mitos, as configurações trólebus e biarticulado se uniram e demonstraram ser o transporte do futuro, mais uma vez. Na 24ª edição da Busworld Europe, a maior e mais importante exposição e conferência mundial da indústria do ônibus, em outubro de 2017, na cidade de Kortrijk, na Bélgica, a Van Hool apresentou seu novo trólebus biarticulado de 24 metros para o sistema de Linz, na Áustria. Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2017/10/30/corredor-trolebus-piso-baixo-e-conectividade-sao-tendencias-para-melhorar-transportes-nas-cidades-dizem-especialistas-internacionais/

 

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

5 comentários em Entusiastas precisam de ajuda para restaurar o primeiro ônibus biarticulado do Brasil

  1. Amigos, bom dia.

    Como o puuuuuuuuuuuuder e os Jestores do buzão cobram tantas taxas das empresas e interferem tanto no buzão, está na hora deles colaborarem para a história do buzão tai uma boa oportunidade para interferirem, mas desta vez positivamente.

    Tai uma boa oportunidade para a URBS e outras de todo o Barsil, aplicarem o dinheiro dos contribuintes numa ação nobre ao invés de desperdiçarem..

    Duas sugestões:

    1- Divulguem o nome do banco, agência e conta corrente, fica mias prático para quem quiser fazer doações.

    2- Mantenham a originalidade, né, pintem o VD 001 na cor prata, porque esse laranja é de doer.

    Att,

    Paulo Gil
    “Buzão e Emoção é a Paixão”

    • blogpontodeonibus // 22 de janeiro de 2018 às 06:46 // Responder

      Sobre a conta, o idealizador prefere que seja divulgado o-email e quem tiver interesse, entra em contato. Ele prefere explicar e se identificar para cada interessado.

  2. Complementando:

    Ou pintem com um design de pintura arrojado, igual aos do Rio de Janeiro antigamente, ficará bem mais legal do que tudo prata ou laranja.

    Apesar de eu saber que os curitibanos são conservadores, mas…

    Quem sabe não está ai uma oportunidade para alegrar o visual do buzão de Curitiba e desconservar.

    Rsssssssssssssssssssssssssssss.

    Att,

    Paulo Gil
    “Buzão e Emoção é a Paixão”

  3. Parabéns pela iniciativa Eduard twos , ass,(tunes)

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