Fernando MacDowell, vice-prefeito e secretário dos transportes, afirma que não haverá reajuste da tarifa no início do ano

No dia 5 de dezembro, prefeito Marcelo Crivella recebeu os empresários de ônibus, e afirmou que contrataria auditoria externa para definir o valor final da tarifa dos ônibus

ALEXANDRE PELEGI

A tarifa dos ônibus municipais no Rio de Janeiro, assim como em São Paulo, é tradicionalmente reajustada nos primeiros dias de janeiro. É o que determina o contrato de concessão.

Assim como São Paulo, entretanto, o prefeito Marcelo Crivella iniciou seu mandato em 2017 determinando o congelamento da tarifa. Desde então uma série de fatos determinaram uma intensa disputa entre empresas e prefeitura.

Hoje, em entrevista à TV Globo pela manhã, o vice-prefeito do Rio e secretário de Transportes, Fernando Mac Dowell, jogou mais um balde água fria na expectativa das empresas, ao afirma de forma contundente que não haverá aumento no início do ano de 2018.

Desta forma, a prefeitura do Rio de Janeiro definiu que continuará a queda-de-braço com as empresas de ônibus que operam no município.

A questão do reajuste tarifário tem sido a maior reivindicação dos empresários para equilibra sua contas. Eles alegam que, ao lado dos custos operacionais e às reduções do valor da tarifa este ano, o setor está à beira de um colapso. Em cerca de dois meses a tarifa dos ônibus municipais foi reduzida de R$ 3,80 para R$ 3,40 obedecendo a determinações judiciais.

No primeiro caso, ocorrido em setembro de 2016, Em setembro, a redução da tarifa em R$ 0,20 se deu porque o valor estava vinculado à climatização da frota até o fim de 2016, o que não aconteceu.

No segundo caso, a nova redução, em 9 de novembro, ocorreu porque a Justiça considerou inexato o cálculo da tarifa.

RIO ÔNIBUS ACUSA CRIVELLA DE FLAGRANTE DESRESPEITO AO CONTRATO DE CONCESSÃO

Em 20 de novembro deste ano, o presidente do Rio Ônibus, Claudio Callak, recebeu o editor do Diário do Transporte, jornalista Adamo Bazani, para uma longa entrevista. Na ocasião, Callak afirmou que a entidade empresarial que representa quer transparência da prefeitura nos números quanto aos custos dos transportes. E afirmou ainda que o Rio Ônibus quer que a prefeitura contrate uma empresa de auditoria para atualizar os custos do sistema e o valor da tarifa.

Callak queixou-se da crise no setor e divulgou uma estimativa do sindicato patronal, que aponta que se forem levadas em conta todas as gratuidades, integrações e exigências atuais do sistema municipal, a tarifa-técnica do sistema de transportes da cidade seria de R$ 5,30.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2017/11/20/entrevista-15-empresas-de-onibus-do-rio-de-janeiro-podem-atrasar-13o-dos-rodoviarios-diz-presidente-do-rio-onibus/

Dois depois, o Rio Ônibus divulgava dados, após questionamentos do Diário do Transporte, que mensuravam o prejuízo acumulado pelo setor desde 2013.  O sindicato informou que o prejuízo pode atingir até o final deste ano R$ 384 milhões, em valores corrigidos, somente com congelamentos e reduções das tarifas. Depredações, perda de passageiros e incêndios a ônibus não entram nesta conta. Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2017/11/22/exclusivo-empresas-de-onibus-do-rio-estimam-prejuizo-acumulado-de-quase-r-400-milhoes-ate-o-final-do-ano/

No dia 29 de novembro de 2017, o sindicato das empresas de transportes de passageiros do Rio, divulgou uma carta pública direcionada ao prefeito Marcelo Crivella, na qual acusava a administração de ter cometido “flagrante desrespeito ao contrato de concessão assinado em 2010”, em referência ao congelamento da tarifa municipal.

No mesmo dia, a assessoria de imprensa da prefeitura informou que haveria um encontro entre os representantes dos empresários de ônibus do município e o prefeito. Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2017/11/29/rio-onibus-diz-em-carta-ao-prefeito-crivella-que-congelamento-de-tarifa-e-flagrante-desrespeito-ao-contrato/

Antes do encontro que prometera, e logo no dia 30 de novembro, o prefeito Marcelo Crivella usou uma página no Facebook para responder em vídeo às reclamações dos empresários de ônibus.

Apesar de haver informado que se reuniria com as empresas para discutir o assunto, Crivella afirmou que “o preço das passagens está justo” em relação ao serviço prestado pelas linhas da cidade, e lembrou ainda que as concessionárias não instalaram ar-condicionado nos veículos, conforme acordo em contrato com a prefeitura. Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2017/11/30/crivella-responde-a-criticas-dos-empresarios-de-onibus-preco-da-tarifa-esta-de-acordo-com-a-qualidade-do-servico-prestado/

Finalmente, no dia 5 de dezembro, Crivella recebeu representantes dos empresários de ônibus, e afirmou que contrataria auditoria externa para definir, em pouco mais de 3 semanas, o valor final da tarifa dos ônibus. Não sem antes, na véspera, marcar e não comparecer a um encontro agendado com os empresários, que esperaram o prefeito aparecer por mais de 5 horas.

Após a reunião finalmente realizada, Cláudio Callak, do Rio ônibus, informou que o prefeito Crivella se comprometeu a realizar reuniões semanais até o fim de 2017 com os representantes das empresas.

Em nota emitida ao fim da reunião, Crivella informou:

“Acabei de fazer uma reunião com os representantes das companhias de ônibus e acertamos que vamos concluir os estudos técnicos para termos a tarifa justa. Uma tarifa que seja adequada com os melhores serviços e melhor qualidade para o povo da nossa cidade. Vamos continuar as conversas e, sobretudo, concluir os estudos científicos”.

As declarações do vice-prefeito Fernando MacDowell à TV Globo neste sábado (16) deixaram a questão dos ônibus municipais ainda mais confusa, e sem perspectiva de solução.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transporte

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