EXCLUSIVO: Empresas de ônibus do Rio estimam prejuízo acumulado de quase R$ 400 milhões até o final do ano

Ônibus alimentador do BRT virando sucata

Cálculo é do Rio Ônibus e leva em consideração congelamentos tarifários e reduçõs desde 2013. Somente neste ano, déficit deve ser de R$ 180,5 milhões, o que daria para comprar 451 ônibus com ar-condicionado

ADAMO BAZANI

As empresas de ônibus do sistema municipal do Rio de Janeiro devem fechar o ano de 2017 no vermelho.

Segundo cálculos do Rio Ônibus, o sindicato que reúne as companhias que operam na cidade, após questionamentos do Diário do Transporte, o prejuízo acumulado desde 2013, pode atingir até o final deste ano R$ 384 milhões, em valores corrigidos, somente com congelamentos e reduções das tarifas. Depredações, perda de passageiros e incêndios a ônibus não entram nesta conta.

Em 2013, o então prefeito Eduardo Paes determinou congelamento do valor em R$ 2,75. A tarifa chegou a ser reajustada para R$ 2,95 em 1º de junho, mas depois das manifestações que ocorreram em todo o País naquele ano, no dia 21 de junho voltou a R$ 2,75.

Nos anos seguintes foram aplicados reajustes. O prejuízo do congelamento de 2013 é de cerca de R$ 203,5 milhões (valores corrigidos), diz o sindicato

Somente em 2017, o prejuízo poderá chegar a R$ 180,5 milhões, ainda de acordo com cálculos do Rio Ônibus, se forem mantidas as duas decisões judicias, uma que reduziu o valor de R$ 3,80 para R$ 3,60 e, a segunda, de R$ 3,60 para R$ 3,40.

A entidade dos empresários de ônibus tentar reverter as decisões e faz uma comparação entre o prejuízo que alega que terá neste ano e investimentos que poderiam ser realizados.

Com os R$ 180 milhões de déficit projetado para este ano, seria possível comprar 451 ônibus com ar-condicionado, considerando o valor médio de R$ 400 mil por veículo.

Segundo o Rio Ônibus, no período das reduções e congelamentos tarifários, houve aumento nos custos operacionais, com elevação de preços como do litro do óleo diesel, dos pneus, lubrificantes, peças e de veículos novos.

Os funcionários das empresas de ônibus se queixam de estar sem reajustes salarias há 17 meses e que algumas companhias têm atrasado os salários e benefícios.

Em entrevista ao Diário do Transporte na semana passada, o presidente do Rio Ônibus, Cláudio Callak, revelou que ao menos 15 empresas não terão condições de pagar os 13º salários dos rodoviários e voltou a acusar a gestão Crivella de falta de diálogo. Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2017/11/20/entrevista-15-empresas-de-onibus-do-rio-de-janeiro-podem-atrasar-13o-dos-rodoviarios-diz-presidente-do-rio-onibus/

As reduções determinadas pela Justiça atendem a ações do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro que considerou irregulares decretos do ex-prefeito Eduardo Paes, que determinavam os reajustes.

Em 08 de fevereiro de 2014, a passagem municipal passou de R$ 2,75 para R$ 3. No dia 03 de janeiro de 2015, a tarifa de ônibus do Rio de Janeiro passou de R$ 3 para R$ 3,40 e, em 02 de janeiro de 2016, a passagem de ônibus municipal foi de R$ 3,40 para R$ 3,80.

No início do ano, o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, e o vice, Fernando Mac Dowell, que também é secretário de transportes da cidade, anunciaram o congelamento da tarifa de ônibus.

O Rio Ônibus entrou na Justiça para aumentar a tarifa de R$ 3,80 para R$ 3,95. O valor tinha sido cogitado por Eduardo Paes em seus últimos dias de mandato, mas ele deixou a decisão para o sucessor, Marcelo Crivella, que optou pelo congelamento.

Em 25 de maio de 2017, a juíza da 15ª Vara de Fazenda Pública do Rio, Roseli Nalin, concedeu liminar favorável aos quatro consórcios operacionais das empresas: Internorte, Intersul, Santa Cruz e Transcarioca para aumentar a tarifa para R$ 3,95. Mas a Procuradoria Geral do Município do Rio de Janeiro recorreu e os desembargadores da 17ª Câmara Cível Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro cassaram liminar em 27 de julho de 2017 e proibiram o reajuste.

Já no final de outubro de 2017, atendendo ação do Ministério Público, a desembargadora Mônica Sardas, da 20ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio, determinou redução do valor da passagem de R$ 3,80 para R$ 3,60. O MP considerou abusivo o reajuste incluir em 2014 a meta de 100% da frota de ônibus com ar-condicionado, o que não foi cumprido.

No dia 09 de novembro de 2017, a juíza Luciana Losada Lopes, titular da 13ª Vara de Fazenda Pública do Rio, determinou nova redução, de R$ 3,60 para R$ 3,40. O Ministério Público também sustentou que o decreto 41.190/2015, que autorizava o aumento da tarifa desde 1º janeiro de 2016, considerando o custo do ar-condicionado na frota também foi abusivo. O argumento foi aceito pela juíza.

RETORNO DE INVESTIMENTOS DE EMPRESÁRIOS CHEGA A 10%

Também a pedido do Diário do Transporte, o Rio Ônibus informou a TIR – Taxa Interna de Retorno do contrato assinado com as empresas em 2010. Os números são ajustados para haver reequilíbrios de contratos.

A TIR não é propriamente o lucro dos empresários, mas demonstra o quanto rende um projeto de investimento, considerando a mesma periodicidade dos fluxos de caixa do projeto. Por exemplo, se a TIR de um contrato é de 10% e seu fluxo é anual, então a prestação de serviço terá de entregar 10% de retorno ao ano. A TIR, assim, é a taxa necessária para igualar o valor de um investimento (valor presente), como compra de ônibus, com os seus respectivos retornos futuros ou saldos de caixa.

Segundo o Rio Ônibus, os consórcios possuem TIRs diferentes:

TIR da Proposta Comercial do Contrato de Licitação – 2010

 

INTERSUL 10,02%
INTERNORTE

9,23%

TRANSCARIOCA 10,22%
SANTA CRUZ 6,36%

Também na entrevista ao Diário do Transporte na semana passada, o presidente do Rio Ônibus, Claudio Callak, diz que a cláusula que determina a reavaliação do contrato a cada quatro anos não está sendo observa pela prefeitura.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

3 comentários em EXCLUSIVO: Empresas de ônibus do Rio estimam prejuízo acumulado de quase R$ 400 milhões até o final do ano

  1. Importante ressaltar que os principais empresários de ônibus da cidade estão presos ou com mandatos de prisão por corrupção, fraude e desvio de recursos do bilhete eletrônico e que a decisão de cancelar o aumento anterior se deu pelo não cumprimento do TAC por parte das empresas. Eles que devolvam à cidade aquilo que roubaram antes de pleitearem novos sacrifícios aos trabalhadores cariocas.

  2. Amigos, boa noite.

    Pelo buzão semi novo e com ar condicionado da foto, largado, sem roda e sem janela; está mais para relaxo do que para prejuízo.

    Tá certo que o buzão trabalha quase 24 horas direto, mas um buzão semi novo num chega nessas condições do nada.

    Tá mais para trajédia anunciada, ou melhor, “fabricada”.

    Tá faltando é VERGONHA nesse nosso Barsil

    MUDA BARSIL.

    Att,

    Paulo Gil

  3. Se eles estão insatisfeitos, abram pra outros empresários, garanto que vai aparecer empresário topando operar a R$ 2 com ar condicionado na frota.

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