EM PRIMEIRA MÃO: Gontijo assume definitivamente concessão da Sertaneja por R$ 11,44 milhões e Minas formaliza transferências entre Santa Terezinha, Xavier, Expresso Divinopolitano e Viação Itaúna

Nova publicação da Seinfra confirma a transferência da linha Belo Horizonte–Unaí para a Gontijo após decisões judiciais e administrativas acompanhadas pelo Diário do Transporte; mudanças envolvem outras concessões intermunicipais e obrigações das transportadoras perante o Estado

ADAMO BAZANI

O Governo de Minas Gerais formalizou a transferência da concessão da linha de ônibus Belo Horizonte–Unaí, anteriormente pertencente à Viação Sertaneja, em recuperação judicial, para a Empresa Gontijo de Transportes, em mais um desdobramento de um negócio de R$ 11,44 milhões acompanhado em primeira mão pelo Diário do Transporte desde setembro de 2026. A publicação desta sexta-feira, 30 de outubro, representa uma nova etapa em relação à autorização prévia concedida pela Secretaria de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias (Seinfra) no último dia 24: agora, o contrato de concessão aparece formalmente transferido à Gontijo, que assume os direitos e as obrigações correspondentes à ligação entre a capital e o Noroeste mineiro.

O Estado também formalizou a transferência de outros dois contratos de concessão da Viação Santa Terezinha para a Viação Xavier e concedeu autorização prévia para a Expresso Divinopolitano transferir à Viação Itaúna a linha intermunicipal Bonfim–Itaúna. As quatro movimentações abrangem três operações empresariais distintas e mostram mudanças na titularidade e na organização dos serviços regulares de ônibus em Minas Gerais. Para os passageiros, o ponto fundamental é que as empresas que passam a deter os contratos também assumem as responsabilidades pela prestação dos serviços, observadas as condições de cada concessão e as etapas necessárias à transição operacional.

Gontijo: de uma negociação na recuperação judicial à transferência formal da concessão

O terceiro termo aditivo ao contrato SETOP/STI nº 31/2013 estabelece a transferência da titularidade da concessão anteriormente outorgada à Viação Sertaneja S/A, em recuperação judicial, para a Empresa Gontijo de Transportes S/A.

O documento identifica a Sertaneja como cedente e a Gontijo como cessionária, estabelecendo expressamente que a nova titular se sub-roga em todos os direitos e obrigações da concessão.

A expressão jurídica significa que a Gontijo passa a ocupar a posição contratual da Sertaneja perante o Estado. Não se trata apenas de autorização para vender passagens ou operar viagens em parceria com outra transportadora.

A concessão envolve a linha intermunicipal 1168, Belo Horizonte–Unaí, incluindo os respectivos serviços vinculados.

A novidade é importante porque o Diário do Transporte já havia revelado as sucessivas etapas da negociação, desde a autorização judicial para a venda até a manifestação favorável do conselho estadual e a anuência prévia da Seinfra.

Agora, com a formalização do termo aditivo, o procedimento alcança uma etapa contratual que não estava concluída nas publicações anteriores.

A transferência da titularidade não deve ser confundida com a comprovação de que todos os horários e veículos já estejam operando sob responsabilidade da Gontijo. A organização prática da transição também deve observar as exigências administrativas e operacionais do transporte intermunicipal.

Uma negociação de R$ 11,44 milhões para ajudar a Sertaneja a pagar credores

A negociação está diretamente ligada à recuperação judicial da Viação Sertaneja, que enfrenta dificuldades financeiras e busca reorganizar suas obrigações.

A empresa apresentou o pedido de recuperação judicial em 14 de dezembro de 2021. O processamento foi autorizado em 9 de março de 2022, e o plano de recuperação foi homologado em 19 de setembro de 2024.

Dentro desse processo, a venda dos direitos relativos à linha Belo Horizonte–Unaí foi apresentada como uma alternativa para gerar recursos destinados ao pagamento de compromissos da companhia.

Conforme documentos judiciais analisados anteriormente pelo Diário do Transporte, o negócio foi estruturado em aproximadamente R$ 11,44 milhões, levando em consideração o equivalente a 12 vezes o faturamento da linha em 2025.

A operação também envolve obrigações relacionadas à outorga da concessão.

Uma parcela de aproximadamente R$ 5,73 milhões está vinculada a essa dívida, cuja transferência de responsabilidade foi tratada no processo de negociação.

Outra informação relevante revelada pelo portal é que aproximadamente R$ 1,5 milhão seria destinado aos credores trabalhistas da Classe I.

Esse grupo compreende trabalhadores e outros titulares de créditos trabalhistas abrangidos pelas regras da recuperação judicial.

A destinação dos recursos é especialmente relevante porque a recuperação judicial não envolve apenas a sobrevivência de uma empresa de ônibus, mas também obrigações com empregados, ex-empregados, fornecedores e demais credores.

A venda da concessão representa, assim, uma tentativa de transformar parte dos ativos e direitos da Sertaneja em recursos para cumprir compromissos assumidos perante a Justiça.

Diário do Transporte revelou sucessivas etapas até a transferência desta sexta-feira

A operação entre Gontijo e Sertaneja passou por diferentes instâncias de análise.

Primeiro, a Justiça precisou examinar a possibilidade de alienação dos direitos no contexto da recuperação judicial.

Depois, coube ao Governo de Minas Gerais avaliar a transferência da concessão, já que a autorização judicial para a negociação patrimonial não substitui a manifestação do poder público responsável pelo serviço.

Em 11 de setembro de 2026, a Justiça autorizou a negociação no processo de recuperação judicial.

No dia 17 de setembro, o Diário do Transporte noticiou a operação de R$ 11,44 milhões e explicou as condições financeiras e a necessidade de concordância do Estado.

Em 19 de setembro, o Governo mineiro abriu prazo para manifestações de interessados. A medida foi detalhada pelo portal em reportagem publicada no dia seguinte.

Na reunião de 6 de outubro, o Conselho de Transporte Coletivo Intermunicipal e Metropolitano manifestou-se favoravelmente, por unanimidade, à transferência da concessão.

O parecer foi publicado em 8 de outubro e também recebeu cobertura do Diário do Transporte.

Posteriormente, em 24 de outubro, a Seinfra concedeu a anuência prévia necessária para a operação. A decisão foi novamente informada em primeira mão pelo portal.

A publicação desta sexta-feira, 30 de outubro, acrescenta um elemento decisivo: a transferência da titularidade foi formalizada por meio do terceiro termo aditivo ao contrato de concessão.

A sequência mostra a diferença entre uma negociação privada, a autorização judicial, a concordância administrativa e a formalização contratual.

Embora todas essas etapas façam parte da mesma operação, elas possuem efeitos jurídicos diferentes.

Gontijo amplia participação no transporte intermunicipal mineiro

Fundada em 1943 por Abílio Gontijo, a Empresa Gontijo de Transportes tem sede em Belo Horizonte e atuação histórica nos serviços rodoviários intermunicipais e interestaduais.

Ao longo das décadas, a empresa ampliou sua rede de ligações por meio da abertura de mercados e da incorporação de operações de outras transportadoras.

Um dos movimentos mais conhecidos foi a aquisição da Companhia São Geraldo de Viação, em 2003, que fortaleceu sua presença em serviços rodoviários de longa distância.

Em Minas Gerais, a empresa também possui atuação em ligações que atendem diferentes regiões do Estado, incluindo rotas entre Belo Horizonte, Patos de Minas e Pirapora.

A incorporação da concessão Belo Horizonte–Unaí amplia sua participação na ligação entre a capital e o Noroeste mineiro.

Para os passageiros, a mudança de titularidade significa a substituição da empresa responsável pelo contrato de concessão, com a preservação das obrigações regulatórias associadas ao serviço.

Horários, itinerários, tarifas e condições de operação continuam sujeitos às regras e decisões do poder concedente.

Santa Terezinha transfere dois contratos para a Viação Xavier

Além da operação entre Gontijo e Sertaneja, a Seinfra formalizou a transferência de duas concessões anteriormente pertencentes à Viação Santa Terezinha Ltda. para a Viação Xavier Ltda.

Os documentos correspondem aos quartos termos aditivos dos contratos SETOP/STI nº 445/2012 e nº 446/2012.

Ambos identificam a Viação Santa Terezinha, CNPJ 18.946.459/0001-48, como cedente, e a Viação Xavier, CNPJ 17.765.892/0001-14, como cessionária.

Nos dois casos, a redação confirma que a titularidade passa à Viação Xavier, que assume integralmente os direitos e obrigações contratuais.

O procedimento demonstra que as duas concessões foram objeto de formalização administrativa, diferentemente de uma mera solicitação de transferência.

A alteração da empresa titular não representa, por si só, uma autorização para modificar livremente as condições do serviço. A transportadora que assume o contrato também passa a responder pelas exigências estabelecidas pelo Estado.

Expresso Divinopolitano recebe anuência para transferir linha Bonfim–Itaúna

Outra movimentação envolve a Expresso Divinopolitano Ltda., identificada nos documentos estaduais também pela denominação Exdil, e a Viação Itaúna Ltda.

A subsecretária de Transportes e Mobilidade, Larissa de Albuquerque Sgarbi, concedeu anuência prévia para a transferência do contrato de concessão da linha intermunicipal 3732, Bonfim–Itaúna.

A decisão envolve o contrato SETOP/STI nº 379/2012.

Diferentemente das operações da Gontijo e da Viação Xavier, o documento publicado nesta sexta-feira registra a concordância prévia do Estado com a transferência.

Essa distinção é importante porque a anuência administrativa corresponde a uma etapa do procedimento e não deve ser apresentada como se a transferência contratual já estivesse formalizada.

O serviço liga Bonfim e Itaúna, na região Centro-Oeste de Minas Gerais, e a mudança envolve a possibilidade de a Viação Itaúna assumir a posição atualmente ocupada pela Expresso Divinopolitano perante o poder concedente.

Mudanças de empresas exigem atenção aos direitos dos passageiros

As quatro concessões citadas nas publicações mostram como as alterações societárias e contratuais podem modificar a organização do transporte intermunicipal.

Para os passageiros, a responsabilidade pela realização das viagens não desaparece quando uma concessão muda de titular.

A empresa que assume o contrato deve atender às exigências relativas à segurança, à regularidade do serviço, ao cumprimento dos itinerários e horários e às demais condições estabelecidas pela regulamentação.

Também é importante distinguir mudança de titularidade de concessão, transferência de frota, aquisição de empresa e simples contrato de parceria comercial.

No caso da Gontijo, a transferência integra uma negociação realizada no âmbito da recuperação judicial da Sertaneja, com reflexos financeiros sobre a companhia e seus credores.

Nas operações envolvendo Santa Terezinha, Xavier, Expresso Divinopolitano e Viação Itaúna, os documentos registram mudanças de titularidade ou autorização prévia de transferência de contratos administrativos.

O conjunto das decisões mostra uma reorganização de concessões do transporte intermunicipal mineiro, em um setor no qual a continuidade dos serviços e o cumprimento das obrigações perante os usuários precisam permanecer como prioridades, independentemente das movimentações empresariais.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Francisco Bastos disse:

    O curioso disso tudo é que a Gontijo pagou mais de 11 milhões em uma linha estadual, ou seja 12 vezes mais o faturamento da linha,conforme a reportagem, para adquirir a linha e de lambuja, ajudar a pagar credores e funcionários da Sertaneja, essa em recuperação judicial.Enquanto isso,a Suzantur paga míseros 200.000 reais por mês para operar dezenas de linhas interestaduais, o que somando tudo desde o início da operação das linhas, não chega nem ao valor total pago pela Gontijo por uma “mísera” linha estadual. Se continuar do jeito que está, até 2100 os credores da falida Viação Itapemirim,recebe os valores a qual tem direito!

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