ESPECIAL: As principais promessas dos governadores eleitos e o que o ENMU aponta como prioridade na Mobilidade e Transportes

Governadores eleitos terão de enfrentar déficit da mobilidade; estudo nacional aponta até R$ 433,8 bilhões em projetos para ônibus e trilhos

ADAMO BAZANI

Os governadores eleitos para o próximo mandato terão de enfrentar uma necessidade de investimentos em transporte coletivo que ultrapassa os quatro anos de governo. O Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), desenvolvido pelo BNDES em parceria com o Ministério das Cidades, identificou 187 projetos em 21 áreas metropolitanas, com investimentos estimados entre R$ 396,1 bilhões e R$ 433,8 bilhões. A carteira oferece uma referência técnica para confrontar as promessas de ônibus, corredores, metrôs e trens com as necessidades de deslocamento da população até 2054.

Com a conclusão das eleições neste domingo, 25 de outubro de 2026, estão definidos os responsáveis pelos 26 estados e pelo Distrito Federal no mandato que começa em 6 de janeiro de 2027. A execução das propostas dependerá de recursos, projetos e cooperação com as prefeituras e com o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva. Para passageiros e mercado, a cobrança envolve tanto entregar infraestrutura quanto assegurar frequência, integração, acessibilidade, segurança e condições financeiras para manter os serviços funcionando.

A ampliação da participação da União no transporte coletivo é uma demanda antiga. O financiamento federal pode ajudar a renovar frotas, construir corredores e expandir redes ferroviárias, mas precisa se combinar com decisões estaduais e municipais sobre operação, contratos, tarifas e manutenção.

O novo mapa político terá sete governadores eleitos que apoiaram Lula, 16 que estiveram com Flávio Bolsonaro e quatro que mantiveram neutralidade na disputa presidencial. O apoio eleitoral indica a posição de partida das negociações, mas não substitui a definição de responsabilidades e compromissos de investimento.

Depois de examinar as promessas da reeleição presidencial, o Diário do Transporte amplia o levantamento dos estados com o diagnóstico do ENMU. O estudo permite observar onde as propostas convergem com necessidades metropolitanas e onde será preciso avançar no planejamento.

O que o ENMU projeta e como interpretar os números

O estudo trabalha com transporte público coletivo de média e alta capacidade, incluindo corredores de ônibus, BRTs, VLTs, metrôs e trens. Não representa um levantamento de todas as linhas convencionais ou de todas as necessidades de transporte do país.

Sua abrangência é metropolitana, e não estadual. Uma projeção para Belo Horizonte, por exemplo, não corresponde ao conjunto dos transportes de Minas Gerais. Da mesma forma, os resultados de Manaus não abrangem toda a complexidade dos deslocamentos fluviais do Amazonas.

O horizonte de 2054 também não deve ser confundido com um prazo de entrega assumido pelos eleitos. Os projetos constituem uma referência de planejamento e precisam passar por estudos adicionais, decisões de prioridade, licenciamento, estruturação financeira e contratação.

O ENMU distingue a rede existente, a rede base — que incorpora empreendimentos em implantação com viabilidade institucional e financeira assegurada — e a rede futura proposta a partir das análises de demanda. Por isso, os valores de novos investimentos não devem ser somados indiscriminadamente aos anúncios de obras em andamento.

As diferenças de custo em determinadas regiões decorrem de alternativas tecnológicas, como BRT ou VLT. A escolha deverá considerar demanda, capacidade, inserção urbana, operação e custo ao longo da vida útil.

Raio X dos investimentos metropolitanos identificados pelo ENMU

Valores do Boletim Informativo nº 6, de fevereiro de 2026, para infraestrutura e frota do primeiro ciclo dos novos projetos. São estimativas de planejamento, não recursos já assegurados.

Área estudada Investimento estimado
Baixada Santista R$ 3,42 bilhões
Belém R$ 1,43 bilhão
Belo Horizonte R$ 35,57 bilhões
Campinas R$ 6,47 bilhões a R$ 7,76 bilhões
Curitiba R$ 11,73 bilhões a R$ 22,74 bilhões
Distrito Federal e Entorno R$ 21,34 bilhões
Florianópolis R$ 3,80 bilhões
Fortaleza R$ 21,56 bilhões
Goiânia R$ 4,72 bilhões
Grande Vitória R$ 4,71 bilhões a R$ 5,19 bilhões
João Pessoa R$ 1,74 bilhão a R$ 3,46 bilhões
Maceió R$ 1,40 bilhão a R$ 2,08 bilhões
Manaus R$ 2,85 bilhões
Natal R$ 2,55 bilhões a R$ 6,19 bilhões
Porto Alegre R$ 8,04 bilhões a R$ 10,34 bilhões
Recife R$ 5,61 bilhões a R$ 14,83 bilhões
Rio de Janeiro R$ 68,44 bilhões
Salvador R$ 11,47 bilhões a R$ 13,14 bilhões
São Luís R$ 2,05 bilhões a R$ 5,40 bilhões
São Paulo R$ 175,72 bilhões
Teresina R$ 1,49 bilhão a R$ 3,61 bilhões

As estimativas não abrangem toda a renovação dos ônibus convencionais, eventuais déficits operacionais ou uma política geral de subsídios tarifários. Portanto, não representam o custo completo para resolver os problemas da mobilidade.

Segundo a divulgação dos resultados pelo BNDES, a carteira tem potencial para demandar até 7.600 ônibus elétricos e 2.400 carros metroferroviários. São oportunidades condicionadas à execução dos projetos, e não encomendas já contratadas.

O estudo também estima benefícios sobre tempo de deslocamento, custo das viagens, emissões e sinistros de trânsito. A segurança viária deve ser distinguida da segurança pública: vítimas evitadas em sinistros não equivalem a projeções de redução de assaltos ou ataques contra ônibus.

Como ficaram definidos os governos e as responsabilidades

Acre, Amazonas, Distrito Federal, Espírito Santo, Rio Grande do Norte e Tocantins concluíram suas disputas no segundo turno. Os demais resultados já estavam definidos, incluindo o Rio de Janeiro após a retotalização que confirmou a vitória de Douglas Ruas no primeiro turno.

Mailza Assis, Celina Leão, Daniel Vilela, Otaviano Pivetta e Lucas Ribeiro eram vices, assumiram os governos em 2026 e venceram a eleição como titulares. Omar Aziz retorna ao Executivo amazonense. Os demais casos são identificados abaixo conforme a situação de cada eleito.

Na cobrança das promessas, é necessário respeitar a divisão de competências. Ônibus municipais são de responsabilidade local; os intermunicipais dentro de um estado estão na esfera estadual; os interestaduais e internacionais pertencem à competência federal. Redes metropolitanas exigem coordenação entre entes e serviços.

Metrôs e trens têm arranjos diferentes de titularidade e gestão. Rodovias e avenidas também podem ser federais, estaduais, municipais ou concedidas. Assim, uma promessa estadual pode depender de acordo com outra administração, sem que isso retire do governador a obrigação de apresentar sua parte do projeto.

Acre — Mailza Assis: garantir acessos durante o ano e enfrentar o isolamento

Mailza Assis, do PP, foi reeleita após assumir o governo em 2026. Apoiou Flávio Bolsonaro.

Seu programa prevê manutenção continuada de rodovias e ramais, substituição gradual de pontes de madeira por estruturas de concreto e recuperação de portos fluviais e aeródromos. Também propõe um Plano Estadual de Logística e Transporte, com participação das prefeituras, União e instituições financeiras.

Para o passageiro, o resultado precisa aparecer na possibilidade de viajar durante todo o ano. Interrupções de acessos afetam ônibus, transporte escolar e deslocamentos para atendimento de saúde, além de elevar custos e comprometer horários.

Na segurança, Mailza apresentou o Fronteiras 24 Horas, com inteligência, monitoramento e integração de informações. A relação com Brasília será relevante para as conexões federais e o enfrentamento ao crime nas fronteiras.

O Acre não tem uma área própria entre as 21 selecionadas pelo ENMU. Isso exige planejamento estadual específico, com diagnóstico das linhas, comunidades atendidas, pontos de embarque e condições de continuidade. O desafio é transformar obras dispersas em uma política de acesso, com prioridades e manutenção financiadas.

Alagoas — JHC: corredores metropolitanos, renovação e passe livre estudantil

João Henrique Caldas, o JHC, do PSDB, foi eleito governador pela primeira vez. Manteve neutralidade presidencial.

Seu programa propõe três corredores estruturantes de transporte coletivo na Região Metropolitana de Maceió, integração entre linhas intermunicipais, transporte complementar e redes municipais, além de modernização da frota com climatização e acessibilidade. Também promete o Passe Livre Estudantil Estadual.

O ENMU identifica para Maceió uma rede futura de aproximadamente 42 quilômetros de média e alta capacidade. Essa referência ajuda a cobrar o dimensionamento dos corredores, suas conexões e o público atendido, sem significar que os projetos do estudo sejam automaticamente os mesmos anunciados na campanha.

A existência de serviços ferroviários na região não autoriza interpretar o indicador de rede do ENMU como inventário de todos os trilhos: o levantamento utiliza critérios próprios de enquadramento.

Na segurança, JHC propõe integração das forças, videomonitoramento e análise de dados. Para o transporte, a cobrança deve alcançar terminais e percursos. O passe livre precisará de critérios e custeio; os novos corredores, de integração com os serviços existentes e de prioridade efetiva aos coletivos.

Amapá — Dr. Furlan: reorganizar o transporte metropolitano e preparar a eletrificação

Antônio Furlan, do PSD, foi eleito governador pela primeira vez. Permaneceu neutro na disputa presidencial.

Seu plano prevê modernizar o transporte intermunicipal da Região Metropolitana de Macapá por concessão, com integração tarifária, faixas e corredores exclusivos, renovação e eletrificação gradual dos ônibus.

Macapá e Santana aparecem na proposta de ações integradas de mobilidade, com terminais, calçadas acessíveis e melhorias dos deslocamentos. Na infraestrutura regional, o governador eleito defende cooperação com a União para avançar na BR-156.

O Amapá não tem recorte próprio no conjunto das 21 áreas do ENMU. A necessidade será produzir uma base local que permita escolher os corredores e dimensionar a frota, considerando a circulação entre municípios.

Para o mercado, a proposta abre uma perspectiva de novos contratos e veículos. Sua concretização dependerá do desenho da concessão, das receitas, dos subsídios eventualmente necessários e da infraestrutura energética.

Na segurança, o programa contempla fortalecimento das estruturas policiais e enfrentamento ao crime organizado. A reorganização do transporte deverá associar proteção ao usuário, conservação dos terminais e fiscalização dos serviços.

Amazonas — Omar Aziz: corredores de ônibus precisam acompanhar as obras viárias

Omar Aziz, do PSD, foi eleito para retornar ao governo do Amazonas. É aliado de Lula.

Sua agenda inclui a conclusão do Anel Leste e articulação com a Prefeitura de Manaus para a mobilidade. Na segurança, promete retomar o Ronda no Bairro e integrar as forças estaduais às guardas municipais.

O ENMU aponta para Manaus uma rede estruturante de cerca de 48 quilômetros, com quatro projetos e atendimento estimado em aproximadamente 339,7 mil passageiros por dia. A projeção reforça a necessidade de discutir prioridade ao transporte coletivo junto das intervenções viárias.

Uma ligação rodoviária pode melhorar a circulação, mas seu benefício aos passageiros dependerá do atendimento por ônibus, dos acessos e dos tempos de viagem. Estado e prefeitura precisarão definir como as intervenções se conectam à rede municipal.

No interior, o diagnóstico metropolitano não substitui uma política de transporte fluvial. Embarcações, terminais, acessibilidade e variações do nível dos rios precisam de planejamento próprio.

A proximidade com a União deverá ser cobrada em projetos, acordos e recursos, acompanhados das condições necessárias para manter os serviços depois da implantação.

Bahia — Jerônimo Rodrigues: ampliar trilhos e organizar as conexões metropolitanas

Jerônimo Rodrigues, do PT, foi reeleito e é aliado de Lula.

Seu programa prevê expansão do VLT de Salvador em direção a Camaçari, ampliação do metrô até Campo Grande e desenvolvimento da ligação ferroviária entre Camaçari e Alagoinhas. A Ponte Salvador–Itaparica também integra a agenda.

Para a Região Metropolitana de Salvador, o ENMU projeta uma rede de média e alta capacidade de aproximadamente 171 quilômetros, diante dos 64 quilômetros da referência utilizada na divulgação. São nove projetos, combinando metrô, VLT, BRT e corredor de ônibus, com atendimento estimado em 1,3 milhão de passageiros por dia.

O estudo admite alternativas de BRT elétrico para determinados eixos inicialmente examinados como VLT. A decisão tecnológica terá de ser fundamentada em demanda, capacidade, custo e condições de implantação.

A cobrança sobre o governador inclui distinguir o que está em obra, contratado ou ainda em estudo, além de organizar as linhas alimentadoras. Na segurança, Jerônimo defende inteligência, enfrentamento ao crime organizado e o Bahia pela Paz.

A expansão precisa preservar o atendimento durante as obras e resultar em conexões acessíveis, horários compatíveis e regras tarifárias compreensíveis.

Ceará — Elmano de Freitas: integrar gratuidades, ônibus e expansão ferroviária

Elmano de Freitas, do PT, foi reeleito e é aliado de Lula.

Propôs ampliar o Vai e Vem, avançar na integração tarifária e oferecer gratuidade aos fins de semana em ônibus, transporte complementar, metrô e VLT. A proposta de passagem gratuita em Fortaleza foi associada à cooperação entre estado, prefeitura e União.

O ENMU trabalha com uma rede futura de aproximadamente 158 quilômetros na área de Fortaleza, diante dos 70 quilômetros da referência apresentada no boletim. O levantamento reúne 11 projetos e evidencia uma agenda superior à entrega de um único empreendimento.

As promessas de redução de tarifa precisam vir acompanhadas de oferta. A expansão do acesso pode aumentar a procura e exige compatibilizar frota, viagens e integração.

O próximo mandato terá de combinar a conclusão de intervenções ferroviárias com o funcionamento cotidiano das linhas metropolitanas. Para cada benefício, será necessário conhecer público, abrangência e custeio.

Na segurança, Elmano apresentou o Quadrante Seguro e defendeu cooperação nacional contra facções. A avaliação deverá alcançar a continuidade dos serviços nos bairros e a proteção de passageiros e trabalhadores.

Distrito Federal — Celina Leão: expansão metropolitana exige acordo com Goiás e União

Celina Leão, do PP, foi reeleita depois de assumir o governo em 2026. Apoiou Flávio Bolsonaro.

Seu programa prevê tarifa zero para a população de baixa renda, expansão da Linha 1 do metrô e uma nova ligação em direção ao Gama. Durante a campanha, apresentou uma estimativa de R$ 29 bilhões para metrô e VLT ao longo de dez anos, prazo que ultrapassa o próximo mandato.

O ENMU identifica para o Distrito Federal e sua área de influência uma rede futura próxima de 354 quilômetros, ante 101 quilômetros da referência do boletim, com 13 projetos. O recorte reforça a necessidade de combinar trilhos e corredores de ônibus.

A proposta de trem Brasília–Luziânia depende de articulação com Goiás e União. As linhas entre as duas unidades atravessam uma divisa estadual, exigindo tratamento institucional específico.

Na segurança, Celina promete ampliar o DF 360 com novas câmeras, modernizar centros de operações e reforçar policiamento preventivo.

A cobrança envolve ampliar capacidade junto da gratuidade, integrar o Entorno e apresentar cronogramas distintos para obras contratadas, projetos em preparação e propostas de longo prazo.

Espírito Santo — Lorenzo Pazolini: transformar terminais em uma rede integrada

Lorenzo Pazolini, do Republicanos, foi eleito governador pela primeira vez. Apoiou Flávio Bolsonaro.

Promete modernizar terminais do Transcol, melhorar acessibilidade e manutenção e ampliar a fiscalização das empresas. Também defende trabalhar com os municípios para integrar os deslocamentos.

O ENMU identifica aproximadamente 66 quilômetros de rede futura estruturante para a Grande Vitória, distribuídos em quatro projetos. O indicador não significa ausência de transporte coletivo na situação de referência: corresponde ao enquadramento de infraestrutura de média e alta capacidade adotado pelo estudo.

O contraste entre a rede de ônibus existente e a infraestrutura proposta permite cobrar prioridade de circulação, conexões e redução de esperas. Reformar um terminal precisa melhorar o percurso completo, incluindo acesso a pé e transferência.

Na segurança, Pazolini propõe aproximar forças estaduais e guardas municipais. Para o transporte, a cooperação pode ser avaliada nos terminais e pontos de conexão.

A relação com a União deverá apoiar a estruturação financeira, enquanto o estado precisará definir prioridades e condições para que os investimentos se traduzam em maior regularidade.

Goiás — Daniel Vilela: eletrificação e biometano precisam de corredores eficientes

Daniel Vilela, do MDB, foi reeleito após assumir a titularidade em 2026. Apoiou Flávio Bolsonaro.

Seu plano prevê continuidade da renovação com ônibus elétricos e a biometano, modernização dos terminais e ferramentas digitais de informação. A segurança aparece diretamente na proposta de fortalecer o Batalhão de Terminal.

Para Goiânia, o ENMU aponta uma rede futura de aproximadamente 134 quilômetros, diante dos 31 quilômetros da referência utilizada, com sete projetos de implantação ou extensão de BRT. O atendimento estimado é de 269,8 mil passageiros por dia.

O diagnóstico mostra que a mudança energética deve caminhar com prioridade viária. Veículos novos continuam sujeitos a atrasos quando operam sem infraestrutura ou programação adequadas.

No Entorno do Distrito Federal, Vilela propõe o BRT Luziânia–Santa Maria e uma nova solução entre Águas Lindas e Ceilândia. Essa agenda precisa ser negociada com o governo distrital e com a União.

Para a indústria, a renovação representa mercado potencial; para o passageiro, o resultado deverá aparecer em viagens cumpridas, integração e menor tempo de deslocamento.

Maranhão — Eduardo Braide: o ENMU aponta uma agenda de corredores para São Luís

Eduardo Braide, do PSD, foi eleito governador pela primeira vez. Manteve neutralidade presidencial.

Seu programa prevê o Estrada Nova, o Asfalto Novo e o Trânsito Livre, em parceria com municípios, além de anéis rodoviários e modernização de pontes.

Para a área de São Luís, o ENMU identifica uma rede futura estruturante de aproximadamente 53 quilômetros, com seis projetos. O intervalo de investimentos varia conforme as alternativas tecnológicas examinadas.

Essa referência amplia a discussão para além da pavimentação: será necessário organizar as viagens metropolitanas e estabelecer prioridades para os ônibus. Intervenções viárias devem ser relacionadas a linhas, terminais, acessibilidade e condições de transferência.

Na segurança, Braide promete a Muralha Digital, integração das forças policiais, ampliação de efetivos e modernização de equipamentos. O atendimento metropolitano deverá ser considerado na distribuição das ações.

A cobrança ao novo governo será transformar os programas em uma carteira territorialmente definida, com metas e recursos. A União pode apoiar a estruturação e o investimento, enquanto estado e municípios precisam combinar responsabilidades e operação.

Mato Grosso — Otaviano Pivetta: concluir o BRT e comprovar seu funcionamento

Otaviano Pivetta, do Republicanos, foi reeleito após assumir o governo em 2026. Apoiou Flávio Bolsonaro.

O BRT entre Cuiabá e Várzea Grande é uma das principais responsabilidades de mobilidade. Durante a campanha, Pivetta afirmou que pretendia colocar o primeiro trecho em funcionamento até o fim de 2026, com ônibus elétricos, inclusive articulados.

O prazo pertence ao período anterior ao novo mandato e precisa ser verificado pela operação entregue. O governo seguinte terá de assegurar continuidade e funcionamento dos demais trechos, com integração às linhas existentes.

Cuiabá não está entre as 21 áreas metropolitanas selecionadas pelo ENMU. Portanto, não cabe atribuir ao estudo um orçamento ou uma projeção específica para o BRT local.

A avaliação dependerá de dados próprios de demanda, viagens, intervalos, custo e acessibilidade. A implantação também exige recarga, manutenção e equipes preparadas.

Na segurança, a agenda contempla fortalecimento das forças e atuação territorial. Para o passageiro, a cobrança será por uma viagem integrada e previsível, além da conclusão das estruturas físicas.

Mato Grosso do Sul — Eduardo Riedel: rodovias precisam melhorar o serviço intermunicipal

Eduardo Riedel, do PP, foi reeleito. Apoiou Flávio Bolsonaro.

Seu programa prevê elaborar o Programa Estadual de Logística e Transportes e ampliar a pavimentação para que mais da metade da malha rodoviária estadual seja asfaltada. Também contempla corredores logísticos e investimentos em diferentes modos.

O estado não tem uma área própria entre as 21 do ENMU. Isso torna necessário acompanhar a mobilidade por diagnósticos estaduais e municipais, distinguindo transporte de passageiros de infraestrutura voltada predominantemente ao escoamento de cargas.

Para os usuários de ônibus intermunicipais, conservação, sinalização e segurança das rodovias afetam horários, conforto e custo. As concessões devem ser avaliadas pelas obras e serviços efetivamente entregues.

A proteção das viagens também exige articulação entre fiscalização rodoviária, policiamento e atendimento a emergências.

A relação com a União será importante nas vias federais e nos financiamentos. Ao estado caberá apresentar prioridades para os passageiros, fiscalizar seus contratos e demonstrar como os investimentos alcançarão os municípios menores.

Minas Gerais — Cleitinho: necessidade metropolitana vai além das obras já anunciadas

Cleitinho Azevedo, do Republicanos, foi eleito governador pela primeira vez. Apoiou Flávio Bolsonaro.

Sua agenda inclui integração tarifária, física e operacional e fiscalização de concessões. Nas rodovias, propõe investimentos estaduais e fortalecimento do DER-MG.

O ENMU projeta para Belo Horizonte uma rede de média e alta capacidade de aproximadamente 314 quilômetros, diante dos 84 quilômetros da referência divulgada. São 14 projetos envolvendo BRT, VLT e metrô, com atendimento estimado em 1,4 milhão de passageiros por dia.

Esse recorte não abrange todo o transporte mineiro, mas dimensiona a necessidade de coordenação metropolitana. Expansões ferroviárias precisam se combinar com linhas de ônibus, terminais e horários.

Na segurança, Cleitinho propõe ampliar o policiamento territorial e integrar bases de dados. A proteção de usuários e profissionais deve ser incorporada à gestão dos corredores e conexões.

A cobrança será por avanços na rede existente enquanto as expansões são preparadas, com metas públicas de regularidade e custeio. A articulação federal precisará resultar em projetos e compromissos financeiros definidos.

Pará — Dr. Daniel: integrar a infraestrutura de Belém aos deslocamentos regionais

Daniel Santos, o Dr. Daniel, do Podemos, foi eleito governador pela primeira vez. Apoiou Flávio Bolsonaro.

Seu programa propõe um Plano Estadual de Infraestrutura e Logística, com rodovias, hidrovias, portos e aeroportos, além de cooperação federal nos corredores que atravessam o Pará.

O ENMU trabalha com uma rede estruturante futura de aproximadamente 50 quilômetros para Belém, diante dos 30 quilômetros da referência do boletim, e três novos projetos.

O diagnóstico deve ser relacionado à operação metropolitana, sem generalizar seus resultados para todo o estado. O passageiro depende também de acessos, conexões e distribuição das linhas.

Na segurança, Dr. Daniel prevê fortalecer inteligência e integração das forças. A cobrança deverá incluir a proteção dos percursos e a capacidade de manter o atendimento.

Fora da área metropolitana, a importância do transporte fluvial exige planejamento complementar. O próximo governo terá de combinar essa diversidade com uma carteira de investimentos, apresentando responsabilidades, prioridades e condições de manutenção.

Paraíba — Lucas Ribeiro: grandes ligações viárias precisam incorporar os ônibus

Lucas Ribeiro, do PP, foi reeleito após assumir o governo em 2026. É aliado de Lula.

Defende a continuidade da Ponte do Futuro e uma nova ligação entre o complexo e o Arco Metropolitano de João Pessoa. Seu programa também prevê o Passe Livre Universitário.

O ENMU identifica para João Pessoa uma rede estruturante futura próxima de 63 quilômetros, em cinco projetos, com atendimento estimado em 600,55 mil passageiros por dia.

A referência permite cobrar como as intervenções viárias se relacionarão com os corredores de transporte coletivo. Novas conexões podem alterar trajetos e tempos, exigindo revisão das linhas e acessibilidade nos pontos de embarque.

O passe livre deverá apresentar público, regras e financiamento. Na segurança, o plano prevê centros integrados de comando, câmeras e articulação entre forças estaduais e órgãos federais.

A proximidade com Lula será relevante na negociação de recursos, mas a gestão estadual precisará coordenar os investimentos com João Pessoa e os demais municípios metropolitanos.

Paraná — Sergio Moro: reorganizar linhas e compatibilizar novas tecnologias

Sergio Moro, do PL, foi eleito governador pela primeira vez. Apoiou Flávio Bolsonaro.

Seu plano propõe apoiar a reestruturação de linhas e eixos de transporte em cidades metropolitanas e aglomerados urbanos, revitalizar terminais e pontos e ampliar acessibilidade.

O ENMU reúne sete projetos para Curitiba, envolvendo alternativas como BRT, VLT e metrô. A divulgação do BNDES de julho de 2026 aponta uma rede futura de aproximadamente 206 quilômetros, com atendimento estimado em 915,19 mil passageiros por dia.

A escolha dos empreendimentos deverá considerar a rede existente e as viagens entre Curitiba e os municípios vizinhos. Novos contratos e tecnologias precisam funcionar com a integração física, operacional e tarifária.

Na segurança, Moro promete ampliar inteligência, compartilhamento de dados e combate ao crime organizado e à lavagem de dinheiro.

A cobrança inclui apresentar prioridades, recursos e critérios de implantação. Para o passageiro, mudanças de linhas devem ser explicadas previamente e avaliadas pelo tempo total da viagem, incluindo transferências.

Pernambuco — Raquel Lyra: ônibus climatizados e metrô precisam funcionar como rede

Raquel Lyra, do PSD, foi reeleita. Manteve neutralidade na disputa presidencial.

Sua agenda prevê climatização integral da frota metropolitana, incorporação de ônibus elétricos, melhorias em terminais e corredores e continuidade da integração tarifária. Também defende a recuperação do Metrô do Recife.

O ENMU identifica uma rede futura próxima de 150 quilômetros para Recife, diante dos 68 quilômetros da referência apresentada, com seis projetos. As alternativas tecnológicas explicam parte da amplitude das estimativas de investimento.

O estado terá de combinar sua atuação nos ônibus com a negociação federal sobre os trilhos. A recuperação ferroviária precisa caminhar com conexões confiáveis, manutenção e oferta.

Na segurança, Raquel defende continuidade do Juntos pela Segurança. A avaliação dos transportes deverá observar proteção nos coletivos, estações e acessos.

Para os elétricos, a entrega de veículos precisa ser acompanhada de carregadores, infraestrutura e disponibilidade operacional. A cobrança será por climatização e renovação que permaneçam funcionando durante o serviço.

Piauí — Rafael Fonteles: iniciar a expansão e apresentar etapas verificáveis

Rafael Fonteles, do PT, foi reeleito e é aliado de Lula.

Após a eleição, afirmou que pretende iniciar a expansão do metrô de Teresina para outras zonas. Classificou o empreendimento como de longo prazo e distinguiu começar a expansão de garantir sua conclusão integral no próximo mandato.

O ENMU trabalha com uma rede futura estruturante de aproximadamente 45 quilômetros para Teresina, diante dos 14 quilômetros da referência, com três projetos.

A cobrança pode ser organizada por etapas: definição dos eixos, estudos, recursos, contratação e execução. A política de mobilidade precisa conectar a ferrovia às linhas municipais e aos acessos a pé.

Fonteles também prevê continuidade de pavimentação e investimentos em segurança, com inteligência e prevenção.

A cooperação entre estado, Prefeitura de Teresina e União será necessária para transformar a expansão em uma viagem integrada. O estudo oferece referência de longo prazo, enquanto o governo deverá demonstrar quais entregas são viáveis até 2030.

Rio de Janeiro — Douglas Ruas: recuperar a confiança no serviço e estruturar expansões

Douglas Ruas, do PL, foi eleito governador pela primeira vez. Apoiou Flávio Bolsonaro.

Seu programa prevê modernização do Bilhete Único e integração de metrô, trens, barcas, BRT e ônibus intermunicipais, com tarifa social focalizada. A Linha 3, no eixo Niterói–São Gonçalo, integra suas propostas, condicionada aos projetos e recursos.

O ENMU trabalha com uma rede estruturante futura próxima de 695 quilômetros para a Região Metropolitana do Rio de Janeiro, diante dos 500 quilômetros da referência, e 15 novos projetos.

O desafio envolve expansão e confiabilidade do atendimento existente. A integração tarifária precisa de compensação entre operadores e compatibilidade entre sistemas, enquanto a infraestrutura exige conservação e execução contratual.

A segurança ocupa posição central na campanha de Ruas. Para o transporte, deverá alcançar ameaças a trabalhadores, restrições territoriais e proteção dos passageiros.

A relação com a União terá peso no financiamento e na cooperação contra organizações criminosas. O governo precisará apresentar prioridades que combinem melhorias imediatas e projetos de longo prazo.

Rio Grande do Norte — Cadu de Lula: organizar ônibus e trilhos em escala metropolitana

Cadu de Lula, nome eleitoral de Carlos Eduardo Xavier, do PT, foi eleito governador pela primeira vez. É aliado do presidente.

Seu programa propõe integrar deslocamentos urbanos, metropolitanos, intermunicipais e rurais, relacionando transporte ao acesso a trabalho, educação e saúde.

O ENMU identifica para Natal uma rede estruturante futura próxima de 77 quilômetros, em cinco projetos, com atendimento estimado em 533,17 mil passageiros por dia. O intervalo de custos reflete alternativas tecnológicas.

O estudo amplia a necessidade de coordenação entre estado, municípios e responsáveis pelo sistema ferroviário. A integração deverá tratar de linhas, horários, tarifas e terminais.

Durante a campanha, Cadu recebeu a agenda da Fetronor sobre financiamento e renovação. Essas reivindicações são propostas do setor e precisarão de decisões governamentais.

Na segurança, o programa defende inteligência, prevenção e atuação integrada. A proximidade com Lula deverá ser cobrada em acordos concretos, mantendo a responsabilidade estadual pela organização e fiscalização dos serviços sob sua competência.

Rio Grande do Sul — Zucco: integração e resiliência precisam orientar a recuperação

Luciano Zucco, do PL, foi eleito governador pela primeira vez. Apoiou Flávio Bolsonaro.

Seu plano apresenta integração de ônibus municipais, metropolitanos e Trensurb, bilhetagem interoperável, coordenação de conexões e gestão compartilhada.

O ENMU trabalha com uma rede futura de aproximadamente 171 quilômetros para Porto Alegre, diante dos 81 quilômetros da referência, com 13 projetos.

A reorganização exigirá acordos sobre receitas, compensações e responsabilidades. A infraestrutura também precisa considerar riscos climáticos e continuidade operacional, incluindo alternativas para interrupções.

Na segurança, Zucco propõe integração das forças e inteligência contra o financiamento de organizações criminosas. Nos transportes, essa política deverá alcançar passageiros, trabalhadores e instalações.

A relação com a União será relevante na articulação ferroviária e nos investimentos. Para o usuário, o resultado deve aparecer em menos espera, menores custos de transferência e capacidade de preservar o atendimento diante de emergências.

Rondônia — Marcos Rogério: acessibilidade e proteção exigem fiscalização cotidiana

Marcos Rogério, do PL, foi eleito governador pela primeira vez. Apoiou Flávio Bolsonaro.

Seu programa prevê recuperação de vias, conexões regionais e fiscalização da acessibilidade nos ônibus intermunicipais. Também apresenta o Rota Protegida, para profissionais do transporte, com recursos de comunicação e localização em emergências.

Rondônia não tem área própria entre as 21 selecionadas pelo ENMU. O estado precisará de diagnóstico específico de demanda e atendimento, incluindo municípios menores e acessos sujeitos a interrupções.

A acessibilidade deve ser conferida na viagem: equipamentos funcionando, embarque adequado e profissionais preparados. A proteção dos trabalhadores precisa ser combinada com resposta policial e prevenção.

Na segurança pública, Marcos Rogério defende recomposição de quadros, inteligência e enfrentamento às facções.

A relação com Brasília será importante nas rodovias federais e na cooperação policial. A cobrança estadual envolve conservação, fiscalização e oferta regular, com informações para que o passageiro programe seus deslocamentos.

Roraima — Arthur Henrique: transformar a promessa de transporte em serviço previsível

Arthur Henrique, do PL, foi eleito governador. Apoiou Flávio Bolsonaro.

Entre os compromissos está implantar transporte público de passageiros e cargas para comunidades do Baixo Rio Branco. Seu programa também prevê recuperação de acessos, pontes permanentes e melhorias no transporte escolar.

Roraima não tem recorte próprio no ENMU. O planejamento deverá considerar a combinação entre rios e estradas, as distâncias e a necessidade de acesso a serviços essenciais.

A proposta para o Baixo Rio Branco exigirá rotas, frequência, contratação, custeio e condições de embarque. A continuidade do atendimento deverá ser avaliada ao longo do ano.

Na segurança, Arthur propõe ampliar o monitoramento por câmeras e leitura de placas para o interior.

A articulação com a União terá importância nas fronteiras e na infraestrutura. Para os moradores, o resultado será a possibilidade de viajar com regularidade e segurança, com horários e condições de atendimento conhecidos.

Santa Catarina — Jorginho Mello: a agenda rodoviária precisa incorporar o transporte coletivo

Jorginho Mello, do PL, foi reeleito. Apoiou Flávio Bolsonaro.

Seu programa prevê continuidade do Estrada Boa e avanço da Viamar. As etapas de projeto, licenciamento, contratação e execução deverão ser acompanhadas separadamente.

Para Florianópolis, o ENMU identifica uma rede estruturante futura de aproximadamente 77 quilômetros, em seis projetos, com atendimento estimado em 300,67 mil passageiros por dia.

A projeção coloca o transporte coletivo no centro da discussão metropolitana. Melhorias rodoviárias precisam ser relacionadas à circulação dos ônibus, às conexões e aos deslocamentos entre Ilha e Continente.

Na segurança, o programa mantém investimentos em tecnologia e monitoramento. A proteção de passageiros e instalações deverá ser incorporada à coordenação regional.

O governo precisará negociar com prefeituras e União para estruturar os projetos. A cobrança será por ganhos de capacidade e regularidade que complementem as intervenções destinadas ao tráfego geral.

São Paulo — Tarcísio de Freitas: maior carteira exige prioridade e capacidade de execução

Tarcísio de Freitas, do Republicanos, foi reeleito. Apoiou Flávio Bolsonaro.

Seu programa prevê expansão de metrôs, trens, VLTs, Trens Intercidades, BRTs e terminais, além de integração tarifária e uso de dados para planejamento.

São Paulo concentra a maior estimativa de novos investimentos do ENMU. Na região metropolitana da capital, o estudo trabalha com rede futura próxima de 1.268 quilômetros e 41 projetos. O estado também tem recortes próprios para Campinas e Baixada Santista, com redes futuras de aproximadamente 161 e 61 quilômetros, respectivamente.

Esses números não correspondem a entregas prometidas para um único mandato. Exigem uma sequência de prioridades, estruturação e financiamento, sem interromper o atendimento existente.

O governo deverá acompanhar expansões contratadas, concessões, corredores e conexões com ônibus municipais. No ABC, a execução do BRT permanece ligada à fiscalização contratual e à continuidade do serviço.

Na segurança, Tarcísio propõe integração de bases, câmeras e inteligência. A cobrança alcança a proteção dos sistemas e o enfrentamento às organizações criminosas.

Sergipe — Fábio Mitidieri: o VLT precisa sair da articulação para a estruturação

Fábio Mitidieri, do PSD, foi reeleito. É aliado de Lula.

Reafirmou o compromisso com um VLT para a Grande Aracaju, articulado com a União e com aproveitamento de parte da malha ferroviária existente. Durante a campanha, mencionou cerca de R$ 600 milhões de investimentos federais e expectativa de viabilização em dois anos.

Esses valores e prazos são compromissos apresentados pelo governador e precisam ser confrontados com estudos, recursos e contratação.

Aracaju não integra as 21 áreas selecionadas pelo ENMU. Portanto, a proposta local não pode receber automaticamente as projeções de outra região.

O empreendimento exigirá definir operador, frequência, manutenção, tarifa e conexão com ônibus. O benefício dependerá dos deslocamentos que atenderá e dos acessos às estações.

Na segurança, Mitidieri prevê integração entre forças estaduais. A relação política com Lula deverá se traduzir em instrumentos que sustentem a implantação e o funcionamento do serviço.

Tocantins — Vicentinho Júnior: projetos e conservação precisam anteceder os anúncios

Vicentinho Júnior, do PSDB, foi eleito governador pela primeira vez. Apoiou Flávio Bolsonaro.

Seu programa prevê recuperação rodoviária, tecnologia na gestão das vias e estudos para pedágio sem cancelas. Também apresenta uma “Fábrica de Projetos” para apoiar municípios na elaboração de engenharia e busca de recursos.

O Tocantins não tem área própria entre as 21 do ENMU. O diagnóstico estadual deverá observar a oferta intermunicipal, os acessos aos centros regionais e a segurança dos percursos.

A capacidade de estruturar projetos pode ajudar a captar financiamento, desde que resulte em prioridades executáveis e manutenção continuada.

Na segurança, Vicentinho propõe tecnologia e inteligência artificial para apoiar as forças policiais. Para o transporte, a cobrança envolve prevenção, resposta a ocorrências e condições de atendimento nas rodovias.

A relação com a União será relevante nas conexões federais e nos investimentos. Novas formas de cobrança rodoviária precisarão de contrapartidas, fiscalização e metas públicas.

O que os próximos quatro anos precisam entregar

O ENMU oferece uma perspectiva de longo prazo, mas permite organizar cobranças imediatas. Os governadores podem avançar na estruturação dos projetos, regularização dos contratos, integração das redes e preparação do financiamento antes de grandes inaugurações.

O primeiro compromisso deve ser uma carteira pública de prioridades, com estágio de cada empreendimento, responsável, custo estimado e próximos passos. Isso permite ao passageiro acompanhar as entregas e à indústria planejar sua capacidade de atendimento.

A participação maior da União deverá combinar financiamento para investimento com discussão sobre custeio. Comprar ônibus ou construir trilhos não resolve, por si, a manutenção, energia, combustível, pessoal e operação.

A integração tarifária exige regras financeiras. Um cartão comum facilita o uso, mas o benefício depende do preço das conexões e da compensação entre operadores. A integração física precisa de terminais e acessos; a operacional, de linhas e horários compatíveis.

As gratuidades prometidas também precisam ser associadas à oferta. O passageiro deve ter condições de embarcar e concluir a viagem, com capacidade suficiente para a demanda.

Na transição energética, as encomendas deverão considerar infraestrutura, manutenção e disponibilidade. Para a indústria, os números do ENMU indicam uma oportunidade; a transformação em mercado depende de projetos contratados e pagamentos sustentáveis.

A segurança pública precisa preservar o direito de circular. Assaltos, ataques, ameaças e controle territorial afetam horários e linhas. Já a segurança viária exige infraestrutura, fiscalização e operação que reduzam sinistros. As duas políticas se complementam, mas devem ter metas próprias.

O avanço poderá ser acompanhado por indicadores de viagens cumpridas, intervalos, disponibilidade da frota, acessibilidade, ocorrências e execução financeira. Esses dados permitirão verificar se a cooperação entre governadores, União e prefeituras está chegando ao trajeto diário dos passageiros.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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