Pedágios da Dutra ficam mais caros nesta sexta-feira (23) na Grande São Paulo e reajuste pode pressionar custos das passagens de ônibus; veja valores
Publicado em: 23 de outubro de 2026
Primeiro aumento do sistema Free Flow desde dezembro de 2025 atinge pistas expressas entre São Paulo, Guarulhos e Arujá; novas tarifas variam conforme o horário, o trecho e a categoria do veículo, enquanto pistas marginais continuam gratuitas
ADAMO BAZANI
Os motoristas e as empresas de transporte que utilizam as pistas expressas da Rodovia Presidente Dutra, na Região Metropolitana de São Paulo, passaram a pagar novas tarifas de pedágio eletrônico a partir da zero hora desta sexta-feira, 23 de outubro de 2026. O reajuste, autorizado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), atinge o sistema Free Flow entre os quilômetros 205 e 230 da BR-116, no trecho que conecta São Paulo, Guarulhos e Arujá. Os valores dependem do segmento percorrido, sentido da viagem, horário, dia da semana e categoria do veículo. As pistas marginais permanecem sem cobrança desse pedágio eletrônico.
A atualização poderá representar aumento das despesas operacionais para transportadoras que utilizam os trechos tarifados, incluindo empresas de ônibus rodoviários e eventuais serviços metropolitanos que circulem pelas pistas expressas. Como o pedágio compõe os custos do transporte, reajustes podem ser considerados nos cálculos tarifários ou em processos de revisão dos contratos, conforme a regulamentação aplicável a cada serviço. Isso não significa, entretanto, aumento imediato das passagens, já que as tarifas cobradas dos passageiros dependem de critérios próprios de formação de preços e, nos serviços regulados, dos procedimentos estabelecidos pelo poder público competente.
O reajuste foi aprovado pela Deliberação nº 298 da ANTT, de 16 de outubro de 2026, publicada em edição extra do Diário Oficial da União de terça-feira (20).
A cobrança é administrada pela concessionária RioSP, responsável pelo sistema rodoviário Rio–São Paulo e integrante da Motiva, antiga CCR.
Trata-se do primeiro reajuste das tarifas do Free Flow metropolitano desde o começo da operação, em dezembro de 2025.
A atualização considera a quarta revisão ordinária do contrato de concessão e o 15º termo aditivo, que disciplina condições específicas do pedágio eletrônico no trecho da Grande São Paulo.
Entre os parâmetros utilizados pela ANTT estão a correção inflacionária de 4,44%, baseada no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), e a revisão do fator de gerenciamento utilizado no cálculo da cobrança.
Também foram considerados a tarifa básica quilométrica de R$ 0,14024 e a distância percorrida nos segmentos tarifados.
Por isso, o aumento não corresponde necessariamente à aplicação de 4,44% sobre cada valor anteriormente pago pelo motorista.
A tarifa final considera diferentes componentes do contrato de concessão e pode variar de acordo com o período de utilização da rodovia.
Pistas expressas são tarifadas, mas marginais continuam gratuitas
O sistema de pedágio eletrônico funciona sem cancelas ou necessidade de parada dos veículos.
A identificação das passagens é realizada por equipamentos instalados na rodovia, com reconhecimento dos veículos e cobrança conforme o percurso.
Na Grande São Paulo, o sistema foi implantado para as pistas expressas da Dutra entre São Paulo, Guarulhos e Arujá.
A divisão oficial compreende sete segmentos de cobrança, identificados como SP1, SP2, SP3, RJ1, RJ2, RJ3 e RJ4.
As siglas identificam segmentos conforme o sentido de circulação.
Os valores podem variar ao longo do dia e conforme o tipo de calendário, como dias úteis, sábados, domingos, saídas de feriados, emendas e retornos de feriados.
Quem utilizar exclusivamente as pistas marginais não paga o pedágio eletrônico desse sistema.
Também permanece a regra que evita cobrança adicional para o motorista que passa pela praça de pedágio de Arujá e segue diretamente pela pista expressa.
Quando o motorista sai da expressa para a marginal, por exemplo, para abastecer, pode retornar em até duas horas sem incidência da cobrança adicional abrangida por essa regra.
Essa condição é importante para evitar que determinadas movimentações de acesso sejam tratadas como uma nova viagem tarifada.
Novos valores dependem do trecho, do horário e do tipo de veículo
Diferentemente das praças convencionais de pedágio, o sistema Free Flow da Grande São Paulo não possui uma tarifa única aplicável a todos os deslocamentos.
A ANTT aprovou uma tabela com valores específicos para cada segmento de cobrança e hora do dia. Os preços também mudam conforme o período, com diferenciação entre dias úteis, sábados, domingos e feriados.
A tabela oficial utiliza valores com várias casas decimais como parâmetros de cálculo, aplicados conforme o percurso realizado e a categoria do veículo.
Para dar uma dimensão dessas diferenças, no segmento SP1, o valor de referência para automóveis é de aproximadamente R$ 0,52 fora do pico, podendo chegar a aproximadamente R$ 1,05 em determinados horários de dias úteis e R$ 1,57 em situações de maior cobrança previstas para feriados.
Esses valores correspondem a um segmento específico, e não ao custo total para atravessar o trecho metropolitano da Dutra.
Tabela 1 — Como funciona a cobrança por categoria
| Tipo de veículo | Critério tarifário |
|---|---|
| Automóvel, caminhonete e furgão de dois eixos, rodagem simples | Tarifa básica da categoria 1 |
| Caminhão leve e ônibus de dois eixos, rodagem dupla | Multiplicador de 2 vezes |
| Automóvel com semirreboque, três eixos e rodagem simples | Multiplicador de 1,5 vez |
| Ônibus e caminhão de três eixos, rodagem dupla | Multiplicador de 3 vezes |
| Automóvel com reboque, quatro eixos e rodagem simples | Multiplicador de 2 vezes |
| Veículo comercial de quatro eixos | Multiplicador de 4 vezes |
| Veículo comercial de cinco eixos | Multiplicador de 5 vezes |
| Veículo comercial de seis eixos | Multiplicador de 6 vezes |
| Veículo comercial de sete eixos | Multiplicador de 7 vezes |
| Veículo comercial de oito eixos | Multiplicador de 8 vezes |
| Motocicleta | Metade da tarifa correspondente |
| Veículos abrangidos por isenção legal ou contratual | Sem cobrança, nas condições aplicáveis |
A tabela apresenta os multiplicadores das categorias rodoviárias. O preço final no Free Flow depende da identificação do veículo, do segmento percorrido e dos fatores de cobrança aplicáveis.
Portanto, não seria correto apresentar um único preço para todos os ônibus, já que um veículo convencional de dois eixos e um ônibus rodoviário de três eixos podem ter cobranças diferentes.
Para ônibus articulados e veículos de outras configurações, o enquadramento depende das características registradas e das regras tarifárias aplicáveis.
Tabela 2 — Exemplo do segmento SP1, sem desconto de tag
| Veículo | Fora do pico, fator 1 | Fator 2 | Fator 3 |
|---|---|---|---|
| Automóvel | R$ 0,52 | R$ 1,05 | R$ 1,57 |
| Ônibus de dois eixos | R$ 1,05 | R$ 2,10 | R$ 3,15 |
| Ônibus de três eixos | R$ 1,57 | R$ 3,15 | R$ 4,72 |
| Veículo comercial de quatro eixos | R$ 2,10 | R$ 4,20 | R$ 6,29 |
| Veículo comercial de cinco eixos | R$ 2,62 | R$ 5,25 | R$ 7,87 |
| Veículo comercial de seis eixos | R$ 3,15 | R$ 6,29 | R$ 9,44 |
| Veículo comercial de sete eixos | R$ 3,67 | R$ 7,34 | R$ 11,01 |
| Veículo comercial de oito eixos | R$ 4,20 | R$ 8,39 | R$ 12,59 |
Valores exemplificativos calculados sobre os parâmetros publicados pela ANTT para o segmento SP1, arredondados a centavos. Não representam o total de uma viagem, nem uma tabela única para todos os segmentos da Dutra.
A tabela aprovada pela agência possui valores específicos para os sete segmentos, distribuídos por 24 horários e seis classificações de dia. Assim, uma relação completa de preços precisa considerar também qual percurso será realizado.
Reajuste pode aumentar custos de ônibus rodoviários e metropolitanos
Um dos efeitos do reajuste deve ser observado no transporte de passageiros.
Empresas rodoviárias que circulam entre São Paulo, o Vale do Paraíba e o Rio de Janeiro utilizam a Rodovia Presidente Dutra como ligação entre diferentes mercados.
Também há serviços que conectam Guarulhos, cidades do Alto Tietê e outras localidades da Região Metropolitana de São Paulo.
Entretanto, o impacto dependerá do trajeto realizado por cada linha e da utilização efetiva das pistas expressas tarifadas.
Uma empresa que opere exclusivamente pelas marginais do trecho abrangido pelo Free Flow não terá cobrança desse pedágio eletrônico.
Já uma transportadora que utilize as pistas expressas poderá ter uma despesa variável conforme o horário, sentido e quantidade de eixos do ônibus.
Para uma empresa rodoviária que realiza viagens diariamente, pequenas diferenças no custo de cada passagem pelo sistema podem representar aumento acumulado das despesas operacionais ao longo do mês.
O valor pago em pedágios integra a composição de custos das operações, ao lado de combustível, salários, manutenção, aquisição e financiamento de ônibus, seguros, terminais e outras despesas.
No transporte rodoviário interestadual regular sob o regime de autorização, as empresas possuem liberdade tarifária dentro das condições regulamentares.
Isso significa que podem considerar alterações de custos em suas estratégias de preços, mas não existe uma determinação automática de reajuste das passagens em decorrência do novo pedágio.
Nos serviços metropolitanos, a situação depende das regras de cada contrato e da política tarifária definida pelo órgão responsável.
Um aumento das despesas operacionais poderá ser considerado em processos de revisão de remuneração ou reequilíbrio econômico-financeiro, caso existam previsões contratuais e justificativas técnicas.
Ainda assim, eventual aumento da remuneração das empresas não significa necessariamente aumento direto da tarifa paga pelo passageiro, porque os sistemas podem ter subsídios e outras fontes de financiamento.
O efeito dependerá dos contratos e das decisões dos poderes concedentes.
Dutra já teve outro reajuste em setembro, mas nas praças convencionais
A atualização desta sexta-feira é diferente do reajuste aplicado em 1º de setembro de 2026 nas praças convencionais da Dutra.
Naquela ocasião, foram alteradas as tarifas de Arujá, Arujá Rodoanel, Guararema, Jacareí, Moreira César e Itatiaia.
Os valores para automóveis passaram de R$ 4,50 para R$ 4,60 nas praças de Arujá, Arujá Rodoanel e Guararema; de R$ 8,10 para R$ 8,20 em Jacareí; de R$ 16,90 para R$ 17,10 em Moreira César; e de R$ 14,50 para R$ 14,70 em Itatiaia.
Tabela 3 — Valores vigentes nas praças convencionais desde setembro
| Praça | Automóvel | Ônibus 2 eixos | Ônibus 3 eixos |
|---|---|---|---|
| Arujá | R$ 4,60 | R$ 9,20 | R$ 13,80 |
| Arujá Rodoanel | R$ 4,60 | R$ 9,20 | R$ 13,80 |
| Guararema Norte | R$ 4,60 | R$ 9,20 | R$ 13,80 |
| Guararema Sul | R$ 4,60 | R$ 9,20 | R$ 13,80 |
| Jacareí | R$ 8,20 | R$ 16,40 | R$ 24,60 |
| Moreira César | R$ 17,10 | R$ 34,20 | R$ 51,30 |
| Itatiaia | R$ 14,70 | R$ 29,40 | R$ 44,10 |
Valores por passagem, conforme os multiplicadores das categorias indicadas. Para veículos com outras quantidades de eixos, aplicam-se as regras próprias de classificação.
Na ocasião, o reajuste de setembro não foi aplicado aos pórticos eletrônicos metropolitanos de São Paulo, Guarulhos e Arujá.
Essa mudança ocorreu somente agora, em 23 de outubro, quando entraram em vigor os novos valores do Free Flow.
Motoristas com tag mantêm desconto de 5% e prazo para pagamento sem tag é de 30 dias
O reajuste não modifica as principais condições de pagamento do pedágio eletrônico.
Veículos equipados com tag continuam tendo desconto de 5% sobre a tarifa correspondente à passagem.
O débito é realizado automaticamente pela operadora contratada pelo usuário.
Quem não possui tag poderá pagar a tarifa pelos canais disponibilizados pela concessionária, em até 30 dias após a passagem.
A concessionária utiliza sistemas eletrônicos de identificação para registrar o trânsito dos veículos, sem necessidade de parada em cabines.
A ANTT também orienta os usuários a verificarem os valores pelos canais oficiais, evitando cobranças fraudulentas encaminhadas por mensagens ou outros meios.
A concessionária não envia boletos de cobrança do Free Flow.
Para saber o valor de uma viagem específica, é necessário considerar o trecho de entrada e saída da pista expressa, o horário, o sentido e a categoria do veículo.
A combinação dessas informações determina o total devido.
O novo reajuste amplia a importância desse planejamento principalmente para motoristas que utilizam diariamente a rodovia e para empresas que realizam viagens frequentes pelo corredor metropolitano.
No caso do transporte coletivo, será necessário acompanhar se o aumento dos custos aparecerá nas planilhas das operadoras e se haverá reflexos nas tarifas cobradas dos passageiros ou na remuneração dos serviços.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


