Grande Recife recebe 100 ônibus com ar-condicionado em duas semanas e Raquel Lyra reafirma compra de 100 elétricos

Renovação atende oito municípios e ocorre após diagnóstico apresentado na ZURB apontar 51% da frota com mais de sete anos; eletrificação prevê veículos de piso baixo e 50 carregadores

ADAMO BAZANI

O Governo de Pernambuco, por meio do Grande Recife Consórcio de Transporte, apresentou nesta sexta-feira, 23 de outubro de 2026, mais 50 ônibus com ar-condicionado para o sistema metropolitano, completando 100 veículos em duas semanas. Destinados a linhas convencionais e ao BRT, os coletivos atenderão ligações entre Recife, Olinda, Abreu e Lima, Paulista, Igarassu, Ilha de Itamaracá, Itapissuma e Araçoiaba. Parte dessa renovação já começou a aparecer nas ruas, com veículos incorporados recentemente à operação.

Durante a apresentação, no Palácio do Campo das Princesas, a governadora Raquel Lyra também reafirmou o andamento da aquisição de outros 100 ônibus, estes elétricos, com recursos federais. A iniciativa tem orçamento estimado de R$ 310 milhões para veículos e carregadores e integra uma renovação que precisa enfrentar um problema mostrado presencialmente pelo Diário do Transporte em maio, na cobertura da ZURB: mais da metade da frota então apresentada no diagnóstico tinha mais de sete anos, enquanto a quantidade de ônibus em circulação havia diminuído.

Os 100 coletivos contabilizados nas duas últimas semanas são destinados à renovação das operações existentes. O número reúne os 50 apresentados nesta sexta-feira e os 50 da semana anterior, e não corresponde a 100 veículos que começaram a transportar passageiros simultaneamente no dia da cerimônia.

Segundo o diretor-presidente do Grande Recife, Matheus Freitas, a incorporação ocorre conforme os ônibus concluem os procedimentos de identificação, emplacamento e liberação para o serviço.

Os veículos elétricos fazem parte de outra aquisição. Sua chegada depende das etapas de contratação, fornecimento e preparação da operação, incluindo a infraestrutura de recarga.

De acordo com o balanço apresentado pelo Governo de Pernambuco, foram entregues aproximadamente mil ônibus novos desde 2023, cerca de metade deles com ar-condicionado. Esse acumulado reúne diferentes etapas de renovação ao longo da gestão.

Compra dos elétricos prevê piso baixo, maior capacidade e recarga nas garagens

O Diário do Transporte detalhou em 29 de maio a concorrência para os 100 ônibus elétricos e 50 carregadores. O procedimento foi dividido em seis lotes: cinco de 20 veículos e um para os equipamentos de recarga.

O aviso oficial estabeleceu orçamento estimado de R$ 310 milhões, com recursos federais vinculados a termo de compromisso entre União, Pernambuco e Caixa Econômica Federal.

A previsão inicial destinava R$ 298 milhões aos ônibus, com teto de R$ 2,98 milhões por unidade, e R$ 12 milhões aos carregadores. Esses valores eram referências da licitação, e não preços de veículos já entregues.

O registro de preços formalizado em outubro ficou em aproximadamente R$ 291,2 milhões: R$ 284,9 milhões para os ônibus e R$ 6,3 milhões para os carregadores. A distribuição registrada contempla 60 veículos da Marcopolo e 40 da Caio-Induscar.

A ata registra fornecedores, quantidades e condições para a aquisição. A entrega efetiva depende das ordens de fornecimento, a partir das quais são contados os prazos previstos.

Item Previsão da aquisição
Ônibus elétricos 100 unidades
Divisão dos veículos Cinco lotes de 20
Categoria Padron
Comprimento previsto De 12 a 13 metros
Configuração Dois eixos, piso baixo e três portas
Climatização Ar-condicionado
Autonomia mínima exigida 250 km por carga
Carregadores 50 equipamentos
Potência mínima de recarga 240 kW por equipamento
Orçamento inicial R$ 310 milhões
Valor registrado em outubro Aproximadamente R$ 291,2 milhões

Relembre:

Pernambuco divide em seis lotes a compra de 100 ônibus elétricos por R$ 2,98 milhões cada e 50 carregadores

A governadora afirmou nesta sexta-feira que o fornecimento dos elétricos deve levar de seis meses a um ano. A sinalização coloca a chegada dos veículos em 2027, diferentemente da expectativa de início de operação ainda em 2026 mencionada quando a concorrência foi lançada.

Além da troca de tecnologia de propulsão, o edital prevê mudança nas condições de acesso: o piso baixo facilita o embarque e o desembarque, especialmente para pessoas com mobilidade reduzida.

A autonomia exigida precisa ser compatibilizada com a quilometragem das linhas, o relevo, a lotação, o uso do ar-condicionado e o período disponível para recarga. A compra dos equipamentos e a preparação das garagens são parte da implantação, assim como a disponibilidade dos próprios ônibus.

Na ZURB, diagnóstico mostrou frota envelhecida e menor

A necessidade de renovar os ônibus foi um dos pontos da cobertura presencial do Diário do Transporte na ZURB — Seminário de Mobilidade Urbana, realizada em maio no Recife.

Na ocasião, o secretário de Ordem Pública da Prefeitura do Recife, Alexandre Rebelo, apresentou um diagnóstico segundo o qual 51% da frota tinham mais de sete anos. A idade média informada era de 5,6 anos, uma das maiores da história recente do sistema.

Também foi apontada redução de 7,5% na frota em circulação, de 1.826 para 1.689 veículos.

São dados daquele momento, que ajudam a dimensionar o passivo enfrentado pelas entregas posteriores. O percentual de maio não deve ser tomado como uma medição atualizada após as incorporações dos últimos meses.

Indicador apresentado na ZURB, em maio Situação informada
Parcela da frota com mais de sete anos 51%
Idade média 5,6 anos
Frota em circulação no comparativo apresentado De 1.826 para 1.689 ônibus
Redução registrada 7,5%

A referência de sete anos tem relação com as regras de renovação do sistema. Os documentos de concessão estabelecem esse limite para veículos leves, médios e pesados, com tratamento diferente para articulados e biarticulados, cujo limite previsto é de dez anos.

Por isso, a análise da idade precisa considerar a categoria de cada ônibus e as autorizações aplicáveis à operação. Ainda assim, o diagnóstico apresentado na ZURB mostrava uma necessidade ampla de reposição de veículos.

Relembre:

ZURB: 51% da frota de ônibus da Grande Recife têm mais de sete anos de idade e quantidade de ônibus em operação caiu 7,5%

Renovar e ampliar a oferta são medidas relacionadas, mas diferentes. Um ônibus novo pode substituir outro retirado de circulação, melhorando conforto, acessibilidade e disponibilidade sem aumentar a frota operacional.

Para recuperar capacidade de atendimento, também contam a quantidade de viagens programadas, os intervalos, o tamanho dos veículos e o tempo necessário para completar os percursos.

Renovação também envolve escolher ônibus adequados à demanda

Outro enfoque acompanhado pelo Diário do Transporte na ZURB foi a oportunidade de associar novos corredores à aquisição de ônibus de maior porte e capacidade.

O economista e especialista em mobilidade urbana e estruturação de projetos do BNDES, Paulo Alexandrino, discutiu no evento as possibilidades abertas pelo Estudo Nacional de Mobilidade Urbana, o ENMU, desenvolvido pelo banco e pelo Ministério das Cidades.

A cobertura mostrou que os projetos de BRT identificados pelo estudo poderiam estimular a demanda por veículos de maior capacidade e valor agregado. As alternativas incluem elétricos, biometano e modelos a diesel com tecnologia Euro VI, conforme as características dos projetos e suas condições de financiamento.

Naquele momento, foram apontados quatro projetos de BRT para a Região Metropolitana do Recife. A carteira nacional identificava potencial de até R$ 80 bilhões em investimentos nesse tipo de sistema, valor que representa uma perspectiva de projetos, e não recursos automaticamente contratados.

Relembre:

ZURB: ENMU do BNDES será oportunidade para indústria de ônibus comercializar veículos urbanos de maior categoria e capacidade

A compra pernambucana dos elétricos prevê veículos padron. A escolha da categoria precisa acompanhar a demanda de cada ligação: linhas alimentadoras, serviços convencionais e eixos de maior carregamento têm necessidades diferentes de espaço, frequência e infraestrutura.

Nos corredores mais movimentados, capacidade por veículo e regularidade das partidas precisam ser analisadas juntas. Um ônibus maior pode transportar mais passageiros por viagem, mas o atendimento também depende de intervalos adequados e de condições para que a frota circule sem ficar retida nos congestionamentos.

Esse foi outro ponto do diagnóstico apresentado em maio: a Prefeitura do Recife indicou intervenções em gargalos e monitoramento das vias para ajudar a melhorar a circulação do transporte coletivo.

As entregas das últimas duas semanas e a aquisição dos elétricos respondem a partes desse problema. A renovação reduz a presença de veículos antigos e amplia a climatização; a melhora do serviço diário depende também de transformar essa frota em viagens regulares, com capacidade e frequência compatíveis com a procura dos passageiros.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Assine

Assine para receber as notícias do Diário do Transporte direto em seu e-mail.

Digite seu endereço de e-mail para assinar este blog e receber notificações de novas publicações por e-mail.

Informe Publicitário
Comentários

Deixe um comentário

Descubra mais sobre Diário do Transporte

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo