São Paulo detalha faixa exclusiva de ônibus, ciclovias e espaço para monotrilho em projeto de R$ 2,33 bilhões para Paraisópolis

Esclarecimentos publicados nesta quinta-feira (22) definem larguras da Avenida Hebe Camargo e integração das obras com drenagem e futuras estruturas de transporte; Prefeitura prevê melhorar ligação com a estação São Paulo-Morumbi do Metrô

ADAMO BAZANI

A Prefeitura de São Paulo detalhou nesta quinta-feira, 22 de outubro de 2026, as características viárias do Programa Nova Paraisópolis, que prevê a implantação de faixa exclusiva de ônibus, ciclovias segregadas, ampliação de calçadas e adequações para uma possível futura infraestrutura de monotrilho. Os esclarecimentos, publicados pela São Paulo Urbanismo durante a licitação das obras, definem dimensões mínimas para o alargamento e prolongamento da Avenida Hebe Camargo, uma das principais intervenções de mobilidade previstas no projeto, estimado em aproximadamente R$ 2,33 bilhões.

O programa contempla intervenções em Paraisópolis, Jardim Colombo e Porto Seguro, na Zona Sul da capital, incluindo urbanização, habitação, saneamento, drenagem, requalificação de ruas e implantação de equipamentos públicos. Na área de transportes, a proposta é melhorar a ligação de Paraisópolis com a estação São Paulo-Morumbi, da Linha 4-Amarela do Metrô, e facilitar a circulação de ônibus, pedestres e ciclistas. A estimativa divulgada pela Prefeitura é reduzir de aproximadamente 45 para 15 minutos o tempo de deslocamento considerado para essa ligação, após a execução das melhorias.

Os esclarecimentos foram apresentados em resposta a questionamentos de interessados na concorrência pública.

As manifestações abordam características geométricas das vias, extensão das intervenções, compatibilidade com obras de drenagem, responsabilidades das empresas executoras e condições necessárias para futuras instalações de transporte sobre trilhos.

A documentação também esclarece pontos que podem influenciar o custo, a execução e a integração das obras.

Avenida Hebe Camargo terá faixa exclusiva para ônibus de 3,50 metros

O anteprojeto de ampliação da Avenida Hebe Camargo prevê a reorganização do espaço viário, com prioridade para o transporte coletivo e infraestrutura destinada à circulação de pedestres e ciclistas.

Entre as características previstas estão:

  • Faixa exclusiva de ônibus com largura de 3,50 metros.
  • Faixa destinada ao tráfego geral de veículos, com 3 metros.
  • Espaço para motocicletas com 1,10 metro.
  • Ciclovias unidirecionais segregadas, com 1 metro de largura cada.
  • Calçadas com largura mínima de 2 metros.
  • Faixas destinadas à arborização com 1,20 metro.

A faixa exclusiva de ônibus representa uma das principais mudanças em relação à circulação convencional, na qual os coletivos disputam espaço com automóveis e outros veículos.

A separação dos ônibus pode contribuir para reduzir interferências do trânsito geral, melhorar a regularidade das viagens e aumentar a previsibilidade dos tempos de deslocamento.

A largura prevista de 3,50 metros permite reservar espaço específico para circulação dos coletivos, respeitadas as demais características geométricas e operacionais do projeto.

As ciclovias segregadas também fazem parte da proposta de reorganização viária, assim como as calçadas e os espaços de arborização.

A implantação desses elementos depende da elaboração dos projetos básicos e executivos e da realização das obras.

Prefeitura esclarece largura mínima de 26,80 metros

Um dos questionamentos apresentados à São Paulo Urbanismo envolveu diferenças entre a largura total da seção viária indicada nos documentos e a soma dos elementos previstos.

A documentação original mencionava uma seção de 25 metros para o primeiro trecho da intervenção.

Entretanto, o cálculo dos espaços previstos, incluindo faixa exclusiva de ônibus, circulação geral, ciclovias, calçadas e demais elementos, resultava em uma largura de 26,80 metros.

Em resposta, a São Paulo Urbanismo esclareceu que o trecho 1 deverá considerar seção mínima de 26,80 metros, incluindo os componentes previstos.

Em situações específicas, poderá ser admitida largura total de 25 metros, desde que a solução seja devidamente justificada no projeto básico.

Para os trechos 2 e 3, a seção deverá apresentar largura igual ou superior a 28 metros, conforme definição posterior do projeto básico.

Existe uma ressalva relacionada ao ponto previsto para a Estação Américo Maurano do monotrilho, onde as condições de implantação exigem avaliação específica.

Essa definição é importante porque a largura disponível influencia a distribuição de faixas, calçadas, ciclovias e equipamentos urbanos.

Também pode interferir nas necessidades de desapropriação, nos limites das intervenções e nos custos de execução.

Projeto considera espaço para eventual implantação de monotrilho

Outro componente dos esclarecimentos diz respeito à possibilidade de implantação de infraestrutura de monotrilho na região.

O anteprojeto menciona a necessidade de considerar pontos específicos que possam receber futuramente instalações desse sistema.

A documentação faz referência a uma faixa de aproximadamente 3,20 metros para a implantação do modal e a áreas de estação que podem alcançar 45 metros de largura.

O ponto citado nos esclarecimentos é a previsão da Estação Américo Maurano.

Essas informações indicam que o desenho viário deverá levar em consideração a possibilidade de implantação futura de estruturas ferroviárias elevadas.

Entretanto, a compatibilização urbanística não significa que a construção de uma nova linha de monotrilho esteja contratada como parte das obras do Programa Nova Paraisópolis.

A execução de um sistema de transporte sobre trilhos depende de decisões e projetos específicos, envolvendo definição de traçado, engenharia, licenciamento, financiamento e responsabilidades operacionais.

No projeto atual, a exigência consiste em considerar as condições de espaço e compatibilidade previstas nos documentos da licitação.

Essa preocupação busca reduzir o risco de que obras viárias recentes dificultem ou encareçam futuras intervenções de transporte.

Trecho inicial terá 900 metros e poderá combinar alargamento e requalificação

Os esclarecimentos também confirmam a extensão de 900 metros para o primeiro trecho da Avenida Hebe Camargo.

A dúvida surgiu porque o memorial descritivo apresentava esse comprimento, enquanto a representação gráfica de uma parte da intervenção sugeria aproximadamente 450 metros.

A São Paulo Urbanismo confirmou a prevalência dos 900 metros indicados no memorial.

Também esclareceu que, nos locais em que a avenida já apresenta largura compatível com a seção exigida, a intervenção poderá consistir na requalificação da via existente, sem necessidade de novo alargamento.

Nos demais segmentos, deverão ser realizadas as adequações necessárias para atingir as características previstas.

A distinção é importante porque as obras não exigirão necessariamente o mesmo tipo de intervenção em toda a extensão.

Alguns trechos poderão demandar ampliação física da via, enquanto outros poderão receber modificações no pavimento, nos espaços de circulação e nos elementos de urbanização.

Avenida terá projeto próprio, separado de outras requalificações viárias

A São Paulo Urbanismo também esclareceu que as obras da Avenida Hebe Camargo possuem objeto específico na contratação.

A avenida não integra o conjunto de aproximadamente 4.600 metros de requalificação de vias previsto separadamente para o lote 1.

Entre as vias identificadas nesse conjunto estão as ruas João Avelino Pinho Melão, Antônio Júlio dos Santos, José Dias da Costa, Leandro Teixeira, Sebastião Francisco, Clementine Brenne, Vitu Giorgi, Bom Jesus e Francisco Thomaz de Carvalho, além da continuação da Avenida Dom Jaime de Barros Câmara.

O esclarecimento procura evitar sobreposição entre quantitativos de obras e serviços orçados em diferentes partes da concorrência.

Na execução de empreendimentos urbanos de grande porte, essa separação é importante para estabelecer responsabilidades, medir serviços efetivamente realizados e controlar os pagamentos.

Obras deverão ser compatibilizadas com canalização do Córrego Antonico

Outro ponto relevante envolve as intervenções de drenagem e canalização do Córrego Antonico.

Empresas interessadas questionaram como o alargamento e prolongamento da Avenida Hebe Camargo deverá ser compatibilizado com obras já previstas ou em execução.

A São Paulo Urbanismo esclareceu que a contratada deverá desenvolver soluções compatíveis com a canalização existente e considerar estudos de drenagem do próprio eixo viário.

Isso significa que as obras de mobilidade não poderão ser projetadas isoladamente, sem levar em conta a infraestrutura de águas pluviais.

A compatibilização é especialmente importante em regiões com histórico de ocupação densa e desafios relacionados à drenagem urbana.

As melhorias viárias precisam considerar a passagem das águas, a capacidade das galerias, os níveis dos terrenos e a interação com as estruturas de canalização.

Esses fatores influenciam tanto a conservação do pavimento quanto a segurança da circulação de veículos e pedestres.

Reservatório da Praça Alfredo Gomes também exige adequações

A documentação registra dúvidas sobre a interferência entre um reservatório em execução na região da Praça Alfredo Gomes e o traçado previsto para a Avenida Hebe Camargo.

A São Paulo Urbanismo esclareceu que o reservatório é uma obra da Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras e não integra o objeto da licitação do Programa Nova Paraisópolis.

Caberá à empresa contratada para as intervenções urbanísticas compatibilizar o projeto viário com essa estrutura.

A obrigação inclui considerar as condições da obra existente ou em execução na elaboração do projeto básico.

A mesma orientação vale para as interferências com a canalização do Córrego Antonico.

A necessidade de compatibilização demonstra a complexidade da intervenção, que reúne diferentes obras públicas em uma região densamente urbanizada.

Programa Nova Paraisópolis prevê R$ 2,33 bilhões e requalificação de 40,9 quilômetros de vias e vielas

O Programa Nova Paraisópolis foi anunciado pela Prefeitura de São Paulo como um conjunto de intervenções urbanísticas, habitacionais e de infraestrutura em Paraisópolis, Jardim Colombo e Porto Seguro.

O investimento global estimado divulgado para o programa é de aproximadamente R$ 2,33 bilhões.

A proposta prevê a requalificação de cerca de 40,9 quilômetros de ruas e vielas, sendo 21,5 quilômetros de vias e 19,4 quilômetros de vielas.

Também estão previstas melhorias em redes de abastecimento de água e esgoto, drenagem, espaços públicos e arborização.

Na área habitacional, os esclarecimentos da licitação mencionam a previsão de 650 unidades habitacionais em um dos conjuntos de serviços discutidos.

A localização definitiva dessas unidades dependerá das soluções apresentadas nos projetos e aprovadas pela São Paulo Urbanismo.

Segundo os esclarecimentos, poderão ser utilizados terrenos disponibilizados pela empresa municipal, áreas próximas a equipamentos públicos e terrenos remanescentes das intervenções.

O programa também contempla obras de canalização e intervenções voltadas à redução de problemas de drenagem.

A Prefeitura vinculou a viabilização do conjunto de obras à Operação Urbana Consorciada Faria Lima, após a inclusão do Complexo Paraisópolis no respectivo programa de investimentos.

O que pode mudar para os passageiros de ônibus

A reorganização da Avenida Hebe Camargo tem potencial para alterar as condições de circulação dos ônibus que atendem a região.

A existência de uma faixa exclusiva permite separar os coletivos de parte do congestionamento provocado pelo tráfego geral, mas os resultados dependem da continuidade da infraestrutura e das condições operacionais.

A melhoria de circulação também deverá considerar os acessos aos bairros, as travessias de pedestres, a localização dos pontos de parada e as conexões com a rede de transporte existente.

A ligação com a estação São Paulo-Morumbi é especialmente importante porque permite integração com a Linha 4-Amarela do Metrô e outros serviços de transporte coletivo.

A estimativa municipal de reduzir o tempo de deslocamento de aproximadamente 45 para 15 minutos representa uma projeção para as condições futuras, e não um resultado já obtido.

A efetivação desses benefícios dependerá da conclusão das intervenções e do funcionamento integrado entre o sistema viário e os serviços de transporte coletivo.

Além da circulação de ônibus, as obras deverão modificar a infraestrutura disponível para pedestres, ciclistas e demais usuários das vias.

O projeto permanece em fase de contratação, detalhamento e definição das soluções de engenharia, conforme os procedimentos da concorrência pública.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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