Viação Piracicabana completa 89 anos, data é lembrada pelo Grupo Comporte e companhia já está entre as maiores do Brasil
Publicado em: 9 de outubro de 2026
Do sonho da Expresso Piracicabana enfrentando estradas de terra, passando pela icônica pintura dos “peixinhos” até fazer parte de um dos maiores grupos operadores de transportes do País, companhia se tornou estratégica na atuação da família de Constantino de Oliveira e hoje atua praticamente em todos os segmentos do setor de ônibus
ADAMO BAZANI
Colaborou Yuri Sena
Ônibus rodoviários de linhas regulares, fretamento, urbanos, metropolitanos…
Estado de São Paulo, Distrito Federal, dezenas de cidades.
Quando surgiu apenas de um sonho de, sim, ganhar dinheiro, mas integrar cidades, unir pessoas, levar histórias, a então Expresso Piracicabana, em 1937, era predestinada a se tornar uma das maiores companhias de transportes de passageiros do País.
O Grupo Comporte, da família do empresário Constantino de Oliveira e atual proprietário da companhia, lembrou nesta sexta-feira, 09 de outubro de 2026, os 89 anos de trajetória da empresa que não somente é uma história em si, mas mostra diversas faces dos transportes ao longo de décadas.
O Diário do Transporte mostrou que o nome Piracicabana se tornou estratégico para a expansão do Grupo Comporte. A companhia tem sido utilizada para incorporar outras marcas do grupo, comprar empresas concorrentes e abrir novas operações.
Mas você sabe qual é a história desta que se tornou uma verdadeira potência em mobilidade? E as diferentes pinturas, com a mais icônica, a dos “peixinhos” de Piracicaba?
Os irmãos Giannetti e uma ligação de seis horas até São Paulo

A origem da companhia está ligada aos irmãos Atílio Raimundo Giannetti e Francisco Giannetti, também conhecido como Frank. Embora diversas referências apresentem Atílio como fundador, os registros da Prefeitura e da Câmara Municipal de Piracicaba reconhecem a participação de Francisco na criação do Expresso Piracicabano, em 1937.
Francisco nasceu em Cabreúva (SP), em 1905, viveu na Itália e nos Estados Unidos e retornou ao Brasil em 1932, fixando-se em Piracicaba. Antes de trabalhar com passageiros, dedicou-se ao transporte de aguardente. A ligação com São Paulo passava por Santa Bárbara d’Oeste, Americana, Campinas e Jundiaí.
O histórico institucional da Piracicabana descreve uma frota inicial de oito automóveis Ford e viagens de aproximadamente seis horas. Poeira em tempo seco e lama durante as chuvas faziam parte do percurso. Para proteger as roupas dos passageiros, eram distribuídos guarda-pós.
Era um transporte distante da experiência atual de embarcar em um rodoviário climatizado. A duração da viagem e a proteção contra a sujeira mostram quanto as condições das estradas interferiam no serviço.
A memória de Francisco permaneceu na cidade. Em junho de 2009, o Terminal Cecap/Eldorado recebeu seu nome, em homenagem à atuação no transporte de passageiros.
Em 1962, o nome Viação Piracicabana

O nome Viação Piracicabana foi adotado em 1962. Segundo a cronologia da empresa, já eram oferecidos 15 horários diários na ligação São Paulo–São Pedro.
A mudança acompanhou a consolidação do negócio. O serviço que começara com automóveis passou a ter nos ônibus a base de sua expansão.
O Dicionário dos Piracicabanos registra que, no fim dos anos 1980, a organização transportava mais de 100 mil passageiros por mês, com 75 ônibus, ligando Piracicaba à capital, São Pedro, municípios próximos e ao litoral.

A expansão para o litoral e a entrada nos transportes urbanos

Na cronologia institucional, 1984 marca a expansão dos serviços para Santos, São Vicente, Praia Grande, Mongaguá e Itanhaém, com Nova Odessa também citada nessa etapa. A história da companhia passava a se relacionar cada vez mais com a Baixada Santista.
É necessário distinguir essa ampliação das viagens rodoviárias da entrada posterior nos sistemas urbanos e metropolitanos da região.
Conforme o histórico recuperado pelo Diário do Transporte a partir de documentos municipais, as operações na Baixada Santista começaram em 1993. Em 1994, a Piracicabana assumiu parte das linhas municipais de Santos. Depois dos processos licitatórios de 1997 e 1998, passou a operar a totalidade das linhas municipais.

A empresa registra ainda a ampliação de sua atuação para São Caetano do Sul, Santo André, São Bernardo do Campo e Osasco, em 2011, e para linhas de Campinas, em 2016.
Assim, o nome passou a identificar tanto viagens entre cidades quanto deslocamentos cotidianos para trabalho, estudo e serviços.
Um exemplo recente dessa diversidade apareceu em Santos em 21 de setembro de 2026, quando foram apresentados 14 micro-ônibus Caio Foz sobre chassis Volkswagen 9.180 OD para as linhas dos morros. Os veículos substituíram unidades antigas, mantendo a frota municipal em 224 ônibus, entre operação e reserva.
Os “peixinhos”: uma identidade ligada à cidade de origem

Entre as diferentes pinturas usadas ao longo da trajetória, a dos “peixinhos” tornou-se uma das referências mais conhecidas da Piracicabana.
Os desenhos de peixes nas laterais faziam o nome da cidade viajar junto com a empresa. A associação visual remete ao rio Piracicaba e à identidade do município, cujo nome é tradicionalmente explicado como “lugar onde o peixe para”, em referência ao salto e à dificuldade de os peixes prosseguirem na piracema.
Para quem acompanhava os ônibus nas estradas e rodoviárias, o grafismo permitia reconhecer a companhia além da leitura do nome. Também tornou essa fase de sua identidade visual especialmente lembrada por passageiros, trabalhadores e entusiastas de ônibus.

A história das pinturas, porém, não se resume aos peixes. A expansão para diferentes sistemas e a reorganização dentro do Grupo Comporte trouxeram outras padronizações. Nos serviços urbanos e metropolitanos, a aparência dos veículos também acompanha as exigências de cada rede.
A aquisição pela família Constantino ocorreu em 1992

A passagem da Piracicabana para os negócios da família de Constantino de Oliveira ocorreu em 1992.
O Dicionário dos Piracicabanos registra que o controle acionário, mantido pelos Giannetti até aquele ano, foi transferido para uma empresa do grupo Constantino de Oliveira.
A data deve ser distinguida da constituição formal da Comporte Participações S.A., em 10 de junho de 2002. A holding — empresa que concentra participações em outras companhias — surgiu depois de negócios de transporte que a família já controlava.
Sob esse comando, a Piracicabana deixou de ser apenas uma empresa com expansão própria e passou a ocupar uma posição central na reorganização de operações do conglomerado.
Essa função aparece na absorção de marcas tradicionais, na compra de empresas e na conquista de contratos. São movimentos diferentes: incorporar uma empresa do próprio grupo reorganiza estruturas existentes; adquirir outra companhia amplia o controle sobre negócios; assumir uma conta de fretamento transfere a prestação de um serviço contratado.
Distrito Federal e Blumenau ampliaram a presença fora de São Paulo
No Distrito Federal, a operação da Piracicabana começou em 20 de outubro de 2013, na Bacia 1 do sistema de transporte coletivo.
A entrada em Brasília ampliou a presença da companhia fora do Estado de São Paulo e abriu espaço para experiências posteriores com novas tecnologias de propulsão.
Em sua apresentação institucional consultada para esta reportagem, a Piracicabana DF informa uma frota de 596 veículos, sendo 90 elétricos, e mais de 2.800 colaboradores. São números dessa operação, e não de toda a Piracicabana ou do Grupo Comporte.
Outra expansão ocorreu em Blumenau (SC). Em 25 de janeiro de 2016, a Prefeitura assinou contrato emergencial com a Piracicabana para iniciar o atendimento em 1º de fevereiro, enquanto preparava a licitação do sistema.
A etapa seguinte ocorreu em 1º de julho de 2017, com o início da concessão sob a marca BluMob, como noticiou o Diário do Transporte. O caso mostra que a expansão dos negócios ligados à Piracicabana também pode resultar em uma identidade própria para a operação local.
Ônibus elétricos em Brasília desde 2018

A Piracicabana esteve entre as operadoras que introduziram ônibus elétricos a bateria fora da capital paulista quando essa tecnologia ainda tinha presença reduzida nas frotas brasileiras.
Em 17 de março de 2018, lançou o primeiro ônibus 100% elétrico de Brasília. Segundo o histórico da operação local, o veículo passou a atender a linha 109, entre a Rodoviária do Plano Piloto e a Esplanada dos Ministérios. No fim de agosto daquele ano, um segundo elétrico começou a circular na linha 110, para a Universidade de Brasília.
Os veículos utilizavam chassis BYD D9W e carrocerias Marcopolo Torino. A experiência antecedeu a atual ampliação das compras de ônibus a bateria em diferentes capitais.
Em 24 de junho de 2026 começou outra etapa: os primeiros 12 veículos de um lote de 90 ônibus elétricos da chinesa CRRC passaram a transportar passageiros no Distrito Federal, inicialmente em quatro linhas que partem da Rodoviária do Plano Piloto.
Em agosto, a avaliação também foi ampliada para trajetos mais extensos de Planaltina e Sobradinho. A incorporação da tecnologia envolve, além dos ônibus, infraestrutura de recarga e adequações da operação.
A CRRC também é parceira do Grupo Comporte na concessão do Trem Intercidades São Paulo–Campinas e da Linha 7-Rubi. A atuação conjunta nos trilhos passou a ter reflexos nos negócios de ônibus.
Do padrão BR Mobilidade à pintura inspirada no Expresso de Prata


As mudanças societárias também apareceram nas carrocerias. A Piracicabana utilizou a identidade associada ao projeto BR Mobilidade, compartilhada com outras empresas do grupo, e passou a adotar nos rodoviários uma pintura inspirada no Expresso de Prata.
A aproximação tem um marco empresarial: em janeiro de 2022, o Diário do Transporte noticiou a aquisição do Expresso de Prata pelo Grupo Comporte. A companhia de Bauru (SP), originada em 1927 com Angelo Franciscato, manteve sua marca na operação anunciada.
Posteriormente, a identidade visual do Prata passou a servir de referência para ônibus com o nome Piracicabana, inclusive na grafia da marca. O próprio Grupo Comporte reconheceu publicamente essa inspiração ao divulgar, no encerramento de 2025, premiações recebidas pela companhia.
Há também variações entre modalidades. Em 2024, um novo Busscar destinado ao fretamento apresentou uma composição mais simplificada que a pintura rodoviária, preservando a aproximação na grafia.
Já em setembro de 2026, a Piracicabana recebeu seis Busscar Panorâmico DD NB1 com diferentes personalizações: duas unidades nas cores da Mobifácil, duas predominantemente pretas com referências a Araçatuba e à região de Três Lagoas e do Pantanal, e duas prateadas.
Os ônibus de dois andares foram configurados para 54 passageiros, com 46 poltronas no piso superior e oito no inferior. São veículos para linhas regulares, mostrando outra face da companhia além dos urbanos e fretados.
Fretamento: aquisições, contratos e reorganização de marcas
Enquanto cresce por sistemas de transportes urbanos em diversas regiões do País, como recentemente no Rio de Janeiro, e em outros ramos que não são de ônibus, como concessões metroferroviárias e energia, o Grupo Comporte tem investido também em ampliar sua participação no fretamento.
No início de 2026, chamou a atenção do mercado ao assumir as operações de transporte de funcionários da Volkswagen no lugar da Viação Cometa, do Grupo JCA.
A aposta em ampliação no fretamento não é de hoje. A sequência de negócios mostra uma estratégia que reúne compra de frotas, absorção de serviços e reorganização de companhias que já pertenciam ao conglomerado, em um mercado com concorrentes tradicionais, como o Grupo JSL, originado da Júlio Simões.
O Diário do Transporte tem mostrado operações assumidas e empresas compradas pela Piracicabana, cuja marca incorporou o tradicional nome Breda, que já pertencia ao Grupo Comporte. A oficialização ocorreu em 1º de julho de 2021.
Relembre: Grupo Comporte confirma incorporação da Breda pela Piracicabana.
Esse movimento reuniu duas trajetórias distintas. A Breda foi criada por Ítalo Breda nos anos 1950 e cresceu com o transporte de funcionários das indústrias, especialmente com o atendimento à Volkswagen em 1955. Já integrava os negócios da família Constantino desde os anos 1990. Em 2021, portanto, houve uma incorporação dentro do próprio grupo.
Na série recente de aquisições do fretamento, um marco ocorreu em junho de 2020, quando o Grupo Comporte assumiu serviços e ônibus da Suzantur Fretamento. A transferência foi anunciada com período de transição, enquanto a Suzantur concentrava sua atuação no transporte urbano naquele momento.
O Diário do Transporte mostrou à época: Grupo Comporte assume serviços e ônibus da Suzantur Fretamento.
Pouco mais de um ano depois, foi a vez da Firenze Transportes, de Santo André (SP). Em novembro de 2021, a reportagem confirmou que a Piracicabana assumiria suas operações e a maior parte da frota, formada por cerca de 30 veículos entre ônibus, micro-ônibus e vans. O atendimento aos contratos existentes seria preservado durante a transição.
Relembre: Piracicabana assume operações e frota de fretamento da Firenze.
O fechamento de fábricas e a mudança do mercado de fretados no ABC
O encerramento de atividades de empresas menores também abriu espaço para a Piracicabana. Mas esses episódios não podem ser explicados somente pela concorrência entre viações.
No caso da Galo de Ouro, de Santo André, o proprietário Aladino Pisaneschi confirmou ao Diário do Transporte, em dezembro de 2019, o encerramento gradual das atividades e apontou o fechamento da Ford no ABC como motivo.
Na ocasião, informou que os serviços prestados à Mercedes-Benz de São Bernardo do Campo, juntamente com 20 ônibus, passariam para a Breda/Piracicabana em janeiro de 2020.
Relembre: Galo de Ouro confirma fim gradativo das atividades por fechamento da Ford no ABC.
Outra tradicional empresa que deixou o fretamento contínuo foi a Bonini, de São Bernardo do Campo (SP).
A Planetatur, de Santo André, conhecida por atender indústrias de grande porte, como a antiga Pirelli, hoje Prometeon, também encerrou suas operações. A conta passou para a Piracicabana.
A Tursan, Turismo Santo André, por sua vez, deslocou sua atuação do ABC para o Vale do Paraíba e parte do Rio de Janeiro, buscando outras oportunidades.
A chamada desindustrialização do ABC, com a saída de parques fabris de uma região que concentrou montadoras e plantas de autopeças, ajuda a explicar parte das mudanças. Menos unidades industriais ou menos trabalhadores transportados alteram a demanda das viações dependentes desses contratos.
Ao mesmo tempo, existem empresas menores que ampliaram sua presença. É o caso da Opinião Turismo, de Rio Grande da Serra (SP), que expandiu contas de fretamento contínuo e passou a comprar ônibus zero-quilômetro, além de manter veículos de gerações anteriores.
Entre seus diferenciais observados está o cuidado com a apresentação da frota, incluindo detalhes como acabamento e conservação dos pneus.
A Turismo Santa Maria, de São Bernardo do Campo, com mais de 50 anos de atuação, também se destaca nesse mercado pela conservação dos veículos e pelo perfil dos serviços.
Esses exemplos mostram que a concentração de contratos em grandes grupos convive com estratégias de empresas menores baseadas em atendimento, conservação e escolha dos mercados em que atuam.
São Paulo–São Pedro e Empresa Cruz: incorporações no rodoviário
O crescimento da Piracicabana também ocorreu nas linhas regulares.
Em fevereiro de 2020, o Grupo Comporte anunciou a incorporação da Viação São Paulo–São Pedro pela Piracicabana. A operação também aparece na cronologia institucional da companhia.
Outra incorporação importante foi a da Empresa Cruz, de Araraquara (SP), que já pertencia ao grupo. A Artesp aprovou o movimento em 25 de outubro de 2023, e sua oficialização foi anunciada em 1º de abril de 2024.
Na ocasião, também foram informados 20 ônibus novos para serviços com partidas de Araraquara e São Carlos em direção a São Paulo, Campinas e Ribeirão Preto.
A Cruz tinha origem em 1938, quando Leonardo Cruz iniciou a operação com duas jardineiras Chevrolet Tigre na ligação Araraquara–Nova Europa. Sua absorção levou mais uma trajetória histórica para a estrutura da Piracicabana.
Relembre: Grupo Comporte oficializa incorporação da Empresa Cruz à Piracicabana.
Reunidas Paulista e Fênix: novas aquisições aprovadas em 2026
Em 2026, o histórico ganhou mais dois negócios. Em 8 de abril, o Diário do Transporte mostrou que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Cade, aprovou sem restrições as aquisições da Reunidas Paulista e da Rápido Fênix Viação pela Piracicabana.
Na Reunidas Paulista, a operação envolveu 100% do capital social, então detido por Aurivânia Constantino. A companhia já estava ligada a outro braço da família, mas passou para o núcleo empresarial do Grupo Comporte.
Na Fênix, a aquisição também envolveu a totalidade do capital da empresa-alvo. O negócio dizia respeito ao braço rodoviário, ligado à família Chedid, e não deve ser generalizado para todas as operações que utilizam nomes semelhantes.
A aprovação concorrencial é um marco distinto da troca da pintura e da marca dos ônibus, que pode ocorrer em outra etapa.
Relembre: Cade aprova compras da Reunidas Paulista e da Fênix pela Piracicabana.
Linha do tempo: os principais marcos dos 89 anos
| Ano/data | Marco |
|---|---|
| 1937 | Atílio e Francisco Giannetti criam o serviço entre Piracicaba e São Paulo. |
| 1962 | Adoção do nome Viação Piracicabana. |
| 1984 | Expansão rodoviária para a Baixada Santista, conforme a cronologia institucional. |
| 1992 | Transferência do controle para negócios da família Constantino. |
| 1993–1998 | Entrada na operação da Baixada Santista e ampliação no sistema municipal de Santos. |
| 2011 | Ampliação da atuação para cidades do ABC e Osasco. |
| 2013 | Início da operação na Bacia 1 do Distrito Federal. |
| 2016–2017 | Atendimento emergencial em Blumenau e início da concessão sob a marca BluMob. |
| 2018 | Primeiros ônibus elétricos a bateria da Piracicabana em Brasília. |
| 2019 | Início do serviço leito com ônibus de dois andares na ligação Piracicaba–São Paulo. |
| 2020 | Incorporação da São Paulo–São Pedro e anúncio da aquisição de serviços e frota da Suzantur Fretamento. |
| 2021 | Incorporação da Breda e aquisição de operações e frota da Firenze. |
| 2022 | Aquisição do Expresso de Prata pelo Comporte, cuja identidade visual inspiraria rodoviários da Piracicabana. |
| 2023–2024 | Aprovação e oficialização da incorporação da Empresa Cruz. |
| 2026 | Conta de fretamento da Volkswagen; aprovação das compras da Reunidas Paulista e da Rápido Fênix; nova etapa de elétricos no DF. |
| 9 de outubro de 2026 | Grupo Comporte lembra os 89 anos da companhia. |
Uma marca que reúne diferentes histórias do transporte
Aos 89 anos, a Piracicabana reúne em seu percurso a formação das ligações rodoviárias do interior paulista, a expansão para o litoral, o crescimento dos sistemas urbanos, o transporte de trabalhadores das indústrias e a introdução de ônibus elétricos a bateria.
Também passou a reunir histórias de outras companhias, por meio de incorporações e aquisições. Breda, São Paulo–São Pedro, Empresa Cruz, serviços da Suzantur e da Firenze, além dos negócios aprovados envolvendo Reunidas Paulista e Fênix, ajudam a explicar o tamanho alcançado pela empresa.
Para os passageiros, essa história aparece em experiências distintas: na viagem regular entre cidades, no ônibus para o trabalho, no coletivo urbano e no veículo que transporta funcionários de uma fábrica.
Do guarda-pó usado nas estradas de terra à infraestrutura de recarga dos elétricos, mudaram as tecnologias, as estruturas e as marcas. A ligação de pessoas e cidades continua sendo o serviço que dá sentido à trajetória iniciada em 1937.
*SOBRE O GRUPO COMPORTE E HISTÓRIA DE CONSTANTINO DE OLIVEIRA EM RESUMO*
*(Adamo Bazani)*
Resumo: O Grupo Comporte é liderado pela família do fundador da GOL, Constantino de Oliveira, detém mais de 7 mil ônibus em todo o País, com empresas como Viação Piracicabana, Penha e Expresso União; venceu os leilões do TIC (Trem Intercidades), incluindo a linha 7-Rubi da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), em São Paulo, das linhas 11,12 e 13 também da CPTM, e detém, concessões de trilhos, como o Metrô da Grande Belo Horizonte e o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) entre Santos e São Vicente, no Litoral Paulista.
O Grupo Comporte, liderado pela família de Constantino de Oliveira, fundador da GOL Linhas Aéreas, é gigante em ônibus. Tem mais de sete mil coletivos, entre urbanos e rodoviários em todo o País.
Na área de trilhos, o Grupo de Constantino cresceu em mercados importantes com concessões.
O Grupo Comporte foi também declarado vencedor do leilão de concessão das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) realizado em 28 de março de 2025, na B3, na capital paulista.
O Grupo Comporte obteve a concessão da malha do TIC (Trem Intercidades) entre a capital paulista, região de Franco da Rocha, Francisco Morato, passando por Jundiaí, no interior paulista, até Americana e Campinas, também no interior.
A concessão, que envolve também a operação e modernização da linha 7-Rubi da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), foi obtida por meio de leilão n 29 de fevereiro de 2024, na sede da B3 (antiga Bolsa de Valores de São Paulo), na região central da capital paulista, pelo Consórcio C2 Mobilidade sobre Trilhos (liderado pelo Grupo Comporte com participação da chinesa CRRC Hong Kong).
Relembre:
Esta parceria rendeu outro fruto: a importação de cerca de 90 ônibus elétricos da chinesa CRRC, com uma unidade apresentada em Santos, no litoral paulista, e a maioria indo para o sistema de transportes do Distrito Federal, todos operados pela Viação Piracicabana, do Grupo Comporte.
Relembre:
Ainda pela BR Mobilidade opera o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) na Baixada Santista, no Litoral de São Paulo, e em 22 de dezembro de 2022, arrematou a concessão do Metrô da Grande Belo Horizonte, também sendo a única a participar.
Relembre:
Entre as empresas de ônibus do Grupo Comporte e com participação estão Expresso União – Patrocínio/MG; Viação Piracicabana – Piracicaba/SP; Empresa Cruz – Araraquara/SP; Princesa do Norte – Santo Antônio da Platina/PR; Penha – Curitiba/PR; Expresso Maringá – Maringá/PR; Expresso Itamarati – São José do Rio Preto/SP; Expresso de Prata – Bauru/SP; Expresso Caxiense – Caxias do Sul/RS; e urbanos, suburbanos e metropolitanos como Viação Piracicabana – Santos/SP; Viação Piracicabana – Praia Grande/SP; BR Mobilidade Baixada Santista – Ônibus Intermunicipais e VLT – São Vicente/SP; Expresso Maringá do Vale – São José dos Campos/SP; Joseense Transportes – São José dos Campos/SP; Princesa do Norte Mogi das Cruzes – Mogi das Cruzes/SP; Empresa Cruz – Araraquara/SP; Viação Luwasa – Catanduva/SP; Expresso Itamarati – São José do Rio Preto/SP; Expresso Itamarati – Votuporanga/SP; Expresso de Prata – Bauru/SP; TCGB – Transporte Coletivo Grande Bauru – Bauru/SP; Cidade Verde Transporte Rodoviário – Sarandi/PR; TCCC – Transporte Coletivo Cidade Canção – Maringá/PR; VAL – Viação Apucarana – Apucarana/PR; BluMob – Blumenau/SC; Viação Piracicabana – Brasília/DF; Empresa de Transportes Líder – Uberaba/MG; Viação São Geraldo Sacramento – Uberaba/MG, entre outras em sociedade ou de controle único.
Em primeira mão no jornalismo profissional, o Diário do Transporte noticiou na última semana de janeiro de 2026 mais duas aquisições/incorporações anunciadas pela Viação Piracicabana, integrante do Grupo Comporte, fundado por Constantino de Oliveira, pendentes de aprovação final do CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), do Ministério da Justiça: Da Reunidas Paulista, tradicional companhia de ônibus da região de Araçatuba, no interior de São Paulo, que já tinha parte da família Constantino no comando, mas não a ligada diretamente ao núcleo de negócios dos futuros herdeiros do fundador, e também do braço rodoviário da Expresso Fênix com atuação em cerca de 50 cidades do interior e litoral de São Paulo e Sul de Minas Gerais, de um braço da família Chedid.
Relembre:
Fundada formalmente em 10 de junho de 2002, a Comporte Participações S. A., teve origem nos negócios de transportes rodoviários fundados por Constantino de Oliveira, conhecido como Nenê Constantino, natural da cidade mineira de Patrocínio, nascido em 08 de agosto de 1931.
Os braços do Grupo Comporte estão indo além dos transportes e focam setores estratégicos, como de energia.
O próprio pedido ao CADE sobre a Reunidas e Fênix cita esta estratégia.
A Comporte Participações S.A, com a Illian Energias Renováveis adquiriu o controle indireto das companhias pré-operacionais das cinco empresas que formam a Usina Eólica Vitória S.A. do Complexo Eólico Santa Vitória do Palmar, um empreendimento de geração de energia renovável localizado em Santa Vitória do Palmar (RS) com capacidade para abastecer cerca de 400 mil residências. Atuando desde 2015, o complexo utiliza aerogeradores de grande porte (120m de altura) e torres de concreto produzidas localmente.
Tudo tem sido fruto de uma estratégia que, no mundo dos negócios, é considerada um risco: a mescla entre o caráter familiar do núcleo e controle dos negócios com a profissionalização dos processos e a ampliação de sociedades, parceiros e alianças.
A diversificação da atuação em diferentes ramos na família não é de hoje. Um dos maiores marcos foi o início das operações em 2001 da Gol Linhas Aéreas, que “revolucionou” a aviação no Brasil, trazendo o conceito de “low cost” (baixo custo) para o mercado nacional, hoje não tão mais baixo como ocorre em outros países.
O Diário do Transporte tem mostrado no seu noticiário factual essa diversificação: na área de mobilidade, a operação do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) da Baixada Santista, da concessão do Metrô da Grande Belo Horizonte e, mais recentemente, da concessão da construção e operação do TIC (Trem Intercidades) entre a capital paulista e Campinas, no interior de São Paulo, que engloba a linha 7-Rubi de trens metropolitanos, em parceria com a fornecedora de trens CRRC (China Railway Rolling Stock Corporation). O Grupo Comporte é o sócio majoritário.
Esta parceria rendeu outro fruto: a importação de cerca de 90 ônibus elétricos da chinesa CRRC, com uma unidade apresentada em Santos, no litoral paulista, e a maioria indo para o sistema de transportes do Distrito Federal, todos operados pela Viação Piracicabana, do Grupo Comporte.
Na área de tecnologia, mas ainda com vistas para os transportes de passageiros, a Mobifácil, do ponto de vista de negócios, é uma empresa de vendas de passagens (marketplace) com vida própria, ofertando até mesmo bilhetes de empresas que não são do grupo empresarial.
No relatório de administração (2024) obtido pelo Diário do Transporte, a Mobifácil é destaque. Foram quase 1,5 milhão de clientes e associações com buscadores como “Quero Passagens” e “De Ônibus”.
A área de tecnologia para fretamento, por meio da plataforma Mobiuse, também foi outro destaque do relatório:
A plataforma Mobiuse dedicada ao fretamento corporativo alcançou novos patamares, dobrando sua base de passageiros ativos de 18.578 em 2023 para 35.106 em 2024. Com 2.158 novas linhas otimizadas via roteirização inteligente e o uso de calculadoras de emissões de carbono, a plataforma reduziu emissões e otimizou custos operacionais, consolidando-se como referência em fretamento corporativo sustentável.
No segmento rodoviário, a Viação Piracicabana tem se tornado a marca maior dos novos negócios, entre aquisições externas e incorporações dentro do próprio Grupo Comporte, como tem ocorrido.
É o que tem mostrado o Diário do Transporte nos últimos anos.
Marcas tradicionais que já pertenciam ao Grupo foram incorporadas por outras do mesmo conglomerado, como ocorreu com a incorporação da Breda pela Piracicabana e da Manoel Rodrigues pela Princesa do Norte.
– Piracicabana assumirá Reunidas Paulista e a Fênix – CADE torna público ato: VEJA A PETIÇÃO – relembre reportagem de 28 de janeiro de 2026
– A Empresa Cruz foi incorporada à Viação Piracicabana. As duas empresas já pertenciam ao Grupo Comporte e o ato foi oficializado em março de 2024 – relembre matéria de 1° de abril de 2024
Relembre:
– Em 23 de junho de 2021, por exemplo, o Grupo confirmou ao Diário do Transporte que a Breda Serviços se tornara Viação Piracicabana.
Relembre:
– Manoel Rodrigues pela Princesa do Norte – relembre matéria de 09 de fevereiro de 2021
O Grupo também já vinha adquirindo empresas e operações, como na área de fretamento e rodoviários.
– Em 22 de dezembro de 2020, o Diário do Transporte noticiou que a diretoria Colegiada da Agência Nacional de Transportes Terrestres – ANTT concedeu anuência prévia para a operação de transferência de controle societário da VCB Transportes Ltda (Viação Campo Belo) para a Expresso União Ltda, do Grupo Comporte.
– A tradicional Firenze, de fretamento de Santo André, no ABC Paulista, comprada pela Piracicabana, como noticiou o Diário do Transporte em 22 de novembro de 2021
Relembre:
– Em 29 de junho de 2020, o Diário do Transporte noticiava que a Suzantur de fretamento era adquirida pelo Grupo Comporte, que ainda mantinha a marca Breda, na ocasião. A Suzantur passou a se dedicar apenas ao transporte urbano, com operações em Santo André (SP), Mauá (SP), Diadema (SP), Ribeirão Pires (SP) e São Carlos (SP).
Relembre:
– Também em fevereiro de 2020, o Grupo anunciou a incorporação da Viação São Paulo-São Pedro pela Viação Piracicabana
Breve História de Constantino de Oliveira (Nenê Constantino):

Constantino de Oliveira nasceu na cidade de Patrocínio (MG), em 08 de agosto de 1931.
Sem ter concluído o primário e sendo obrigado a trabalhar desde muito novo, começou no ramo dos transportes efetivamente aos 18 anos, quando foi levar uma carga de manteiga da cidade de Paracatu (MG) para Recife (PE) e recebeu a sugestão de, na viagem de volta, trazer passageiros. Na época, longas viagens de pessoas em carrocerias de caminhão eram comuns num Brasil que se desenvolvia de forma desigual, com crescimento econômico e mais oportunidades de emprego e renda no Sul e Sudeste.
Do caminhão “pau de arara” a um império de transportes, hoje denominado Grupo Comporte, que reúne em torno de sete mil ônibus em todo País, entre urbanos e rodoviários, Constantino tem a trajetória marcada por conquistas e também polêmicas.
O Grupo Comporte reúne empresas de ônibus como Viação Piracicabana, Expresso de Prata, Empresa Nossa Senhora da Penha, Expresso União, entre tantas outras.
A família de “Nenê Constantino”, como é conhecido o empresário, não se limitou aos transportes por ônibus.
Em 2001, traz uma inovação ao setor aéreo brasileiro com a consolidação do conceito de preços menores para viagens de avião ao fundar a GOL Linhas Aéreas. O primeiro voo ocorreu no dia 15 de janeiro, às 6h56, quando um Boeing 737-700 decolou do Aeroporto de Brasília em direção ao Aeroporto de Congonhas, em São Paulo.
Dos pneus, para o ar até entrar para os trilhos.
Atualmente, o Grupo Comporte opera o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) entre Santos e São Vicente, no litoral paulista. Em 22 de dezembro de 2022, o Grupo Comporte arrematou a concessão do Metrô da Grande BH, na região metropolitana de Belo Horizonte. Já no dia 29 de fevereiro de 2024, na sede da B3 (antiga Bolsa de Valores de São Paulo), na região central da capital paulista, o Grupo Comporte, juntamente com a chinesa CRRC Hong Kong, venceu o leilão para a construção e operação do TIC (Trem Intercidades), entre a capital paulista, e a região de Campinas, no interior.
Em 28 de março de 2025, o Grupo Comporte foi declarado vencedor do leilão de concessão das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos).
Condenação por homicídios e julgamentos anulados:
Em 2017, o Tribunal do Júri do DF (Distrito Federal) Nenê Constantino a 28 anos de prisão pela morte de um líder comunitário e de um motorista de ônibus que trabalhava na antiga Viação Planeta, que também pertencia ao empresário.
Mas, em 22 de março de 2022, a 5ª Turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça) anulou os dois julgamentos.
Três ministros acolheram o recurso da defesa, que alegou falta de isenção do juiz do Tribunal do Júri na elaboração das perguntas para o Conselho de Sentença, “o que implicaria em nulidade absoluta dos julgamentos”.
O primeiro julgamento ocorreu no mês de maio de 2017. Constantino de Oliveira foi condenado a 16 anos de prisão pelo assassinato do líder comunitário Márcio Brito, em 2001, durante a invasão de uma área da empresa de ônibus Viação Planeta.
Em novembro de 2017 foi realizado o segundo julgamento sobre a morte do motorista Tarcísio Gomes Ferreira. Segundo o Ministério Público, Ferreira foi vítima de uma emboscada dentro de um trailer estacionado no terreno onde funcionava a garagem da Pioneira, no Setor Industrial de Taguatinga.
HOMENAGEM E APARIÇÃO EM PÚBLICO AOS 93 ANOS:
Em novembro de 2024, o patriarca do Grupo, Constantino de Oliveira, aos 93 anos, fez uma aparição em público na BBF (BusBrasil Fest), exposição de ônibus antigos e novos. Na oportunidade, recebeu uma homenagem dos organizadores
Relembre:

Cecílio Souza (com microfone na mão); funcionário há mais de 70 anos; ao meio, Joaquim Constantino (filho de Constantino de Oliveira) e o empresário de 93 anos, Constantino de Oliveira (Nenê Constantino), homenageado desta edição.
Recentemente, a BBF tem homenageado empresários de ônibus que formaram conglomerados do setor de transportes e se tornaram fortes e influentes na economia e até na política.
No ano de 2024, a homenagem foi a Constantino de Oliveira, o Nenê Constantino, fundador da GOL Linhas Aéreas e do Grupo Comporte, que hoje reúne mais de sete mil ônibus distribuídos em diferentes empresas como Viação Piracicabana, Nossa Senhora da Penha, Expresso União, Expresso de Prata, Itamarati, entre tantas outras e que marca presença no segmento de trilhos, com o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) na Baixada Santista, no Metrô da Grande Belo Horizonte e na concessão para construção e operação do TIC (Trem Intercidades) entre a capital paulista e as cidades de Jundiaí e Campinas, no interior, englobando a linha 7-Rubi da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) e, em março de 2025, o Grupo Comporte venceu o leilão das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da CPTM.
O empresário recebeu um troféu e uma placa. Nenê Constantino de 93 anos, nascido em 08 de agosto de 1931, em Patrocínio (MG), agradeceu e, ao final, brincou com um funcionário Cecílio Souza, que atua no grupo há mais de 70 anos e é responsável pelo Museu dos Transportes da família, que possui ônibus e trólebus de várias décadas.
“Só tenho de agradecer, agradecer e agradecer. Desejo a todos, muita saúde. Um abração” – agradeceu no meio da homenagem.
Ao final da apresentação, Nenê brincou.
“Aos colegas motoristas, muito obrigado pela boa vontade de todos. Aguentar os motoristas é fácil, o duro é aguentar o Cecílio … 70 anos já” – se divertiu com o funcionário e amigo.
Familiares e amigos também discursaram.
OUÇA:

Mesmo com a diversificação de negócios, o Grupo Comporte continua querendo crescer no segmento de ônibus e o fretamento também é um dos focos.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



