São Paulo dá 30 dias à CPTM para esclarecer conservação de estações e exige ajustes em projeto de restauro em Perus
Publicado em: 8 de outubro de 2026
Exigências abrangem Luz, Brás, Juventus-Mooca e três passarelas; em Perus, projeto deverá manter túnel aprovado e detalhar intervenções com elevador, passarela e sanitários
ADAMO BAZANI
O Departamento do Patrimônio Histórico da Prefeitura de São Paulo deu prazo de 30 dias à CPTM para informar providências relacionadas à conservação e ao restauro das estações Brás e Juventus-Mooca e de três passarelas, além de corrigir o manual de manutenção da Estação Luz. As exigências foram publicadas no Diário Oficial da cidade desta quinta-feira, 8 de outubro de 2026.
Em outro procedimento, também com prazo de 30 dias, o departamento solicitou complementações ao projeto na Estação Perus, incluindo a manutenção de uma transposição por túnel anteriormente aprovada, a apresentação de projeto de restauro e o detalhamento de sanitários, caixas-d’água e uma estrutura de elevador e passarela. As publicações tratam da análise de documentos e projetos, sem estabelecer início de obras ou alteração na circulação dos trens.
CPTM deverá informar providências para processos específicos de conservação e restauro
O comunicado dirigido à Companhia Paulista de Trens Metropolitanos determina que a empresa informe quais providências tomou para a abertura de processos administrativos específicos destinados aos manuais de conservação das estações Brás e Juventus-Mooca.
A mesma exigência abrange as passarelas das ruas do Bucolismo, Visconde de Parnaíba e da Mooca.
O departamento também pede informações sobre a abertura de processos para os projetos de restauro dessas três passarelas e da parte interna da Estação Brás.
A abertura de processos específicos permite que cada conjunto de documentos seja analisado conforme a estrutura e o tipo de intervenção. No comunicado, o órgão distingue os manuais de conservação dos projetos de restauro, que têm finalidades diferentes: os primeiros organizam os cuidados e procedimentos de preservação; os segundos detalham as intervenções propostas para recuperar o bem.
| Estrutura | Providência solicitada |
|---|---|
| Estação Brás | Informações sobre processo para manual de conservação e projeto de restauro da parte interna |
| Estação Juventus-Mooca | Informações sobre processo para manual de conservação |
| Passarela da Rua do Bucolismo | Informações sobre processos para manual de conservação e projeto de restauro |
| Passarela da Rua Visconde de Parnaíba | Informações sobre processos para manual de conservação e projeto de restauro |
| Passarela da Rua da Mooca | Informações sobre processos para manual de conservação e projeto de restauro |
| Estação Luz | Adequação do manual de manutenção e conservação |
O procedimento da CPTM tramita sob o número 6025.2024/0033223-1. O prazo publicado é de 30 dias para atendimento das exigências, e não para conclusão das obras de restauro.
Manual da Luz deverá prever inspeções diárias e resposta imediata às necessidades de reparo
Para a Estação Luz, o Departamento do Patrimônio Histórico apresentou sete exigências de alteração do manual.
Uma delas é a revisão da periodicidade das vistorias de tetos, colunas e paredes nos saguões e nas bilheterias. O órgão determina que a inspeção seja diária e que sejam tomadas imediatamente as medidas necessárias para reparar os locais afetados.
Também deverá ser revista a frequência de remoção de vegetação invasiva. Segundo o comunicado, a retirada deve ocorrer assim que a presença dessa vegetação for observada.
As demais exigências envolvem materiais, acabamentos e métodos de conservação:
| Elemento | Alteração exigida |
|---|---|
| Pisos de granito | Especificar os tipos e as cores dos revestimentos existentes |
| Telhas metálicas | Retirar as indicações de reparos com enxerto e de tratamento neutralizador ou contra ferrugem |
| Tijolos | Substituir a indicação de reaplicação de cera antipichação pelo mesmo produto antipichação usado no último restauro, respeitando sua periodicidade |
| Argamassas das fachadas | Identificar as cores efetivamente utilizadas em cada trecho, com tipo de tinta, código da cor e fabricante |
| Pedras dos muros | Retirar a indicação de limpeza com peróxido de hidrogênio |
A identificação precisa de materiais e cores cria referências para a aquisição dos produtos e para a execução dos serviços de conservação. No caso das fachadas, o departamento exige que as especificações sejam individualizadas por trecho, em lugar de descrições genéricas.
O comunicado não apresenta laudo de risco estrutural nem determina fechamento da estação. Seu objeto é a adequação dos procedimentos documentados de manutenção e conservação.
Projeto em Perus deverá manter passagem por túnel já aprovada
O segundo comunicado refere-se à Estação Perus, na Avenida Doutor Sylvio de Campos, e identifica Filipe de Olival como interessado no processo.
A publicação exige a manutenção, no projeto, da transposição por meio do túnel anteriormente aprovado. Também determina o atendimento de duas diretrizes de um despacho parcialmente deferido em procedimento anterior.
Como o texto dessas diretrizes não é reproduzido no comunicado, a publicação não permite detalhar seu conteúdo.
O interessado deverá apresentar, ainda, um projeto de restauro da estação e um desenho ilustrativo ou uma fotomontagem tridimensional que mostre o resultado proposto. A representação deverá demonstrar como a estação ficará após as intervenções, em vez de retratar apenas sua situação existente.
O procedimento atual tem o número 6025.2026/0001391-1 e faz referência a uma análise anterior, registrada no processo 6025.2024/0004865-7.
Elevador, passarela e sanitários exigem detalhamento das intervenções no antigo leito ferroviário
O Departamento do Patrimônio Histórico pede projeto técnico detalhado para a implantação do bloco de sanitários, das caixas-d’água e da estrutura de elevador e passarela previstos na área do antigo leito da Estrada de Ferro Perus-Pirapora.
A documentação deverá permitir a delimitação das áreas onde haverá intervenção no solo e a avaliação pelo Centro de Arqueologia de São Paulo, o CASP.
Entre as informações exigidas estão plantas de implantação e localização, dimensões, cotas, profundidades, métodos construtivos, fundações e identificação dos locais sujeitos a escavação, perfuração, corte, remoção ou movimentação de terra.
Com esses elementos, o órgão poderá avaliar a necessidade de medidas de proteção, acompanhamento ou investigação arqueológica prévia, conforme a intensidade das intervenções propostas.
O comunicado não informa orçamento, empresa executora ou cronograma de implantação desses equipamentos.
Análise patrimonial exige diagnóstico e documentação das intervenções
A exigência de projeto de restauro em Perus está fundamentada na Resolução 54/Conpresp/2018, que estabelece a documentação necessária para intervenções em bens sob competência do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo.
Para projetos de restauro, a norma prevê, entre outros documentos, levantamento histórico e fotográfico, identificação dos materiais e sistemas construtivos, diagnóstico do estado de conservação, mapeamento dos danos e desenhos que diferenciem os elementos a preservar, modificar ou construir.
As exigências publicadas nesta quinta-feira integram essa análise patrimonial. O atendimento dos comunicados deverá fornecer os elementos necessários ao prosseguimento dos respectivos procedimentos.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



