Contrato dos projetos do BRT Amazonas, de Belo Horizonte (MG), aumenta R$ 1,62 milhão para levantamentos, sondagens e ensaios
Publicado em: 7 de outubro de 2026
Aditivo de 7,88% incorpora serviços necessários à elaboração do corredor; empreendimento integra programa financiado pelo Banco Mundial e prevê conexão com a Linha 2 do metrô
ADAMO BAZANI
A Prefeitura de Belo Horizonte aumentou em R$ 1,62 milhão o contrato responsável pelos estudos e projetos do BRT Amazonas, corredor planejado para dar prioridade aos ônibus que ligam o Centro ao Vetor Oeste da capital e atendem deslocamentos do Barreiro e de Contagem. A alteração, publicada nesta terça-feira, 6 de outubro de 2026, incorpora levantamentos, sondagens e ensaios necessários ao desenvolvimento dos projetos, após a administração identificar limitações na estrutura inicialmente prevista para realizar esses serviços.
O acréscimo corresponde a 7,88% e foi assinado na segunda-feira, 5 de outubro. O empreendimento reúne infraestrutura para ônibus, estações, integração com outros sistemas e melhorias para pedestres, dentro do Programa de Mobilidade e Inclusão Urbana. A programação divulgada pela prefeitura prevê conclusão dos estudos em 2027 e operação do Move Amazonas em 2030; o aditivo publicado agora trata da preparação técnica do projeto.
Prefeitura inclui serviços no contrato após identificar limitações para realizar os ensaios no prazo necessário
O valor exato do aumento é de R$ 1.619.145,05. A mudança foi formalizada pelo segundo termo aditivo ao contrato DJ 004/2025, conduzido pela Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura, a Smobi.
A contratada aparece na publicação como Consórcio Oficina–ITDP–Lareda–GPA&A, inscrito no CNPJ 59.037.565/0001-96. Seu objeto é a elaboração dos estudos e projetos de mobilidade urbana do BRT Amazonas.
A justificativa técnica informa que a capacidade operacional disponível era insuficiente para o volume de ensaios exigido em prazo compatível com o cronograma do empreendimento. Também foram identificadas limitações nas condições necessárias à realização de parte dos ensaios especializados, o que inviabilizou o fornecimento dos insumos pela estrutura inicialmente considerada.
A prefeitura avaliou a possibilidade de contratar esses serviços separadamente. Essa alternativa, porém, exigiria outro procedimento de contratação, etapas de formalização e mobilização de uma empresa executora, além de criar uma nova relação contratual para atividades diretamente ligadas aos projetos em desenvolvimento.
A solução adotada foi executar os levantamentos, sondagens e ensaios dentro do contrato existente. Segundo a justificativa, isso permite compatibilizar os serviços com as necessidades e o cronograma dos projetos e assegurar sua continuidade.
| Informação | Detalhe |
|---|---|
| Contrato | DJ 004/2025 |
| Instrumento publicado | Segundo termo aditivo |
| Acréscimo financeiro | R$ 1.619.145,05 |
| Percentual informado | 7,88% |
| Assinatura | 5 de outubro de 2026 |
| Contratante | Prefeitura de Belo Horizonte, pela Smobi |
| Contratada no extrato | Consórcio Oficina–ITDP–Lareda–GPA&A |
| Finalidade da alteração | Readequar a planilha para executar levantamentos, sondagens e ensaios |
O aditivo prevê ainda a adequação do seguro do consultor à alteração contratual. Os demais termos do contrato-base são mantidos.
Levantamentos e sondagens fornecem os dados para dimensionar a infraestrutura e elaborar os projetos de execução
Na engenharia, os levantamentos caracterizam a área onde a intervenção será implantada. As sondagens investigam as condições do subsolo, enquanto os ensaios fornecem informações sobre propriedades e comportamento de materiais e terrenos.
Esses dados ajudam a reduzir incertezas no dimensionamento de pavimentos, fundações e outras estruturas. Em um corredor de ônibus, também precisam ser compatibilizados com o desenho das estações, a circulação viária, as redes existentes e as intervenções urbanísticas.
O extrato municipal não discrimina quais métodos ou quantidades de ensaios serão utilizados. A justificativa demonstra, entretanto, que esses serviços estão diretamente associados aos projetos em desenvolvimento e foram considerados necessários para sua continuidade.
O contrato envolve o trabalho técnico que antecede a execução física: estudar a operação, definir soluções e produzir projetos e documentos que permitam contratar e realizar as intervenções.
Projeto contempla 39,7 quilômetros de intervenções viárias, com trecho de BRT nas avenidas Amazonas e Olegário Maciel
A configuração divulgada pela prefeitura contempla 39,7 quilômetros de intervenções viárias. Dentro desse conjunto, 8,64 quilômetros nas avenidas Amazonas e Olegário Maciel terão solução de BRT, sigla em inglês para transporte rápido por ônibus.
Os demais trechos abrangem vias de acesso às regiões que concentram viagens. A proposta também prevê 8,65 quilômetros de bolsões de caminhabilidade, com melhorias urbanísticas, paisagísticas e de acessibilidade para os deslocamentos a pé.
Essas medidas são relevantes para o passageiro porque a viagem começa antes do embarque: o acesso à parada ou estação depende das condições das calçadas e travessias.
O planejamento municipal prevê estudos e projetos até agosto de 2027, licitação das obras do corredor em 2027 e execução estimada entre 2028 e 2030. São previsões divulgadas pela prefeitura, sujeitas à evolução dos projetos e contratações.
Integração com o metrô e terminais exige coordenar projetos, rede de ônibus e acesso dos passageiros
O BRT Amazonas foi concebido para atender deslocamentos que atravessam diferentes áreas da capital e sua conexão metropolitana. Por isso, a implantação depende tanto das obras quanto da organização dos serviços.
Em abril de 2025, a prefeitura abriu procedimento para estudos e projetos do Terminal de Integração do BRT Amazonas e do sistema viário do entorno, incluindo conexão com a Linha 2 do metrô. O objeto também contemplava projetos das áreas necessárias à desapropriação e estudos para o licenciamento ambiental.
Em maio de 2026, foram divulgados chamamentos para a contratação dos estudos, projetos, obras e serviços do terminal e das intervenções viárias próximas. A seleção inicial previa avaliar experiência, capacidade técnica e condições financeiras das empresas antes da apresentação de propostas detalhadas.
A organização tronco-alimentada combina linhas que levam passageiros dos bairros aos terminais com serviços de maior capacidade nos corredores. Para funcionar adequadamente, essa integração precisa compatibilizar horários, capacidade dos veículos, frequência e condições de transferência.
O ganho esperado com a prioridade viária depende, assim, de uma rede que distribua os passageiros e ofereça conexões adequadas. A localização e o funcionamento dos terminais fazem parte dessa preparação.
Estudos atuais foram contratados depois da rescisão do primeiro consórcio; Banco Mundial autorizou convocar o segundo colocado
O histórico dos projetos inclui uma substituição de contratada.
Em resposta encaminhada à Câmara Municipal em maio de 2025, a Sudecap informou que o contrato anterior, DJ 017/2024, havia sido rescindido por descumprimento das obrigações contratuais. O ato de rescisão foi publicado em 17 de dezembro de 2024.
Documento do Banco Mundial identifica o primeiro contratado como Consórcio Certare–Architectus–TTC e registra problemas no cumprimento do cronograma e na gestão do projeto.
A prefeitura consultou o financiador sobre a possibilidade de convocar o segundo colocado. Segundo a resposta municipal, o Banco Mundial admitiu a contratação desde que o consórcio mantivesse interesse e disponibilidade e fosse utilizado o preço de sua própria proposta.
O contrato seguinte, divulgado em abril de 2025, tinha valor inicial de aproximadamente R$ 20,5 milhões. Naquele momento, a documentação municipal identificava o consórcio como Oficina–ITDP–Pitmen–GPA&A. Na publicação de outubro de 2026, a denominação apresentada é Oficina–ITDP–Lareda–GPA&A, com o mesmo CNPJ.
O histórico ajuda a explicar por que o planejamento do corredor passou por revisão de cronograma e nova mobilização técnica antes do aditivo atual.
Financiamento integra programa de US$ 100 milhões que também contempla urbanização e inclusão social
O BRT Amazonas integra o Programa de Mobilidade e Inclusão Urbana, cuja estrutura original previa US$ 100 milhões: US$ 80 milhões de financiamento do Banco Mundial e US$ 20 milhões de recursos municipais.
O acordo de empréstimo foi assinado em 14 de setembro de 2022. Além da mobilidade no eixo Amazonas, o programa contempla urbanização da Vila Cabana do Pai Tomás, planejamento para a região do Jatobá e fortalecimento da gestão pública.
| Componente do programa | Principais frentes |
|---|---|
| Corredor Amazonas | Estudos, projetos, infraestrutura para ônibus e melhorias urbanísticas |
| Vila Cabana do Pai Tomás | Urbanização, infraestrutura, habitação e trabalho social |
| Região do Jatobá | Planejamento estratégico e desenvolvimento urbano |
| Fortalecimento institucional | Gestão, capacitação e acompanhamento do programa |
A plataforma municipal também registra uma etapa de financiamento adicional, voltada a intervenções complementares, como terminal de integração, requalificação do Barro Preto, estações na Área Hospitalar e melhorias para deslocamentos a pé.
O programa envolve, portanto, diferentes contratos e frentes. O aumento de R$ 1,62 milhão publicado agora corresponde especificamente aos estudos e projetos do BRT Amazonas.
Desapropriações na Gameleira fazem parte da preparação de áreas para terminais e conexões
Como mostrou o Diário do Transporte, a prefeitura declarou imóveis da Gameleira de utilidade pública para implantação de terminais e pontos de conexão do BRT Amazonas.
A medida integra a preparação das áreas necessárias à infraestrutura. A declaração de utilidade pública é uma etapa do procedimento de desapropriação; a obtenção dos imóveis e a implantação das estruturas dependem dos atos seguintes.
O novo corredor amplia para o Vetor Oeste a lógica de prioridade aos ônibus utilizada pelo Move, cuja operação começou em março de 2014. A fase atual reúne preparação de projetos, áreas e contratações necessárias para executar essa expansão.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



