Pátio da Linha 5-Lilás de Metrô vira “extensão” da garagem da Viação Campo Belo para recarga de ônibus elétricos em São Paulo
Publicado em: 22 de setembro de 2026
Motiva investiu R$ 5 milhões em 12 carregadores no Pátio Guido Caloi, que poderão atender 24 coletivos simultaneamente e cerca de 40 veículos da empresa por dia
ADAMO BAZANI
Os ônibus elétricos da Viação Campo Belo passaram a contar com uma estrutura de recarga fora das garagens da empresa, instalada no Pátio Guido Caloi, usado pela Linha 5-Lilás de metrô, na zona Sul de São Paulo. O local recebeu 12 carregadores e tem capacidade para abastecer até 24 coletivos simultaneamente.
A Motiva, controladora da ViaMobilidade, investiu R$ 5 milhões no projeto e firmou com a Viação Campo Belo seu primeiro contrato para prestação desse tipo de serviço. A expectativa é receber aproximadamente 40 ônibus elétricos da operadora municipal por dia, com recargas que podem ser concluídas em até três horas.
Estrutura metroviária passa a apoiar a operação dos ônibus
O novo arranjo cria uma ligação operacional entre dois sistemas de transporte coletivo. A Viação Campo Belo continua responsável pelos ônibus e pela movimentação dos veículos, mas parte do abastecimento elétrico passa a ser realizada em uma área pertencente à infraestrutura da Linha 5-Lilás.
O Pátio Guido Caloi é usado para manobras das composições do metrô e dispõe de subestação de energia e área disponível para receber os ônibus. Segundo a Motiva, a recarga dos coletivos não interfere nas atividades operacionais ou de manutenção da Linha 5-Lilás.
A escolha também levou em consideração a localização do pátio, próxima das áreas atendidas pela Viação Campo Belo na zona Sul da capital paulista.
A instalação funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, e possui entrada própria para os ônibus, além de banheiro e copa para os motoristas.
Doze carregadores podem atender 24 ônibus ao mesmo tempo
Cada um dos 12 carregadores instalados no Pátio Guido Caloi possui potência de 180 quilovolt-amperes (kVA). Como cada equipamento pode atender dois ônibus, a capacidade máxima é de 24 veículos em recarga simultânea.
A Motiva ficou responsável pela compra e instalação dos equipamentos, pelas adaptações na rede elétrica, pela gestão do fornecimento de energia e pela manutenção do sistema.
A Viação Campo Belo, por sua vez, realiza a movimentação dos ônibus dentro do eletroposto e remunera a Motiva pela utilização da estrutura. As condições financeiras do contrato e o período de vigência não foram divulgados.
Segundo a companhia, a energia usada nas recargas é de fonte renovável e vem do Complexo Eólico Oitis, localizado entre o Piauí e a Bahia, empreendimento do qual a Motiva é sócia. O fornecimento possui certificação internacional de energia renovável, denominada I-REC.
Motiva estreia serviço de recarga e busca novas receitas
O contrato com a Viação Campo Belo marca a entrada da Motiva no mercado de prestação de serviços de recarga para frotas elétricas. A empresa pretende aproveitar terrenos, instalações elétricas e áreas remanescentes de suas concessões de metrô, trem e rodovias para desenvolver novos pontos.
De acordo com o diretor Comercial da Motiva, João Pita, o modelo concentra em um único fornecedor a instalação da infraestrutura, a energia, os carregadores e a manutenção.
“Para o operador de ônibus, a proposta é simplificar uma operação que envolve várias etapas e fornecedores. Podemos integrar infraestrutura elétrica, carregadores, energia e manutenção em uma única solução, reduzindo a complexidade na transição das frotas”, declarou.
A avaliação representa a posição da empresa responsável pelo investimento.
Nesse modelo, a operadora de ônibus não precisa assumir diretamente todo o investimento necessário para reforçar a rede elétrica de sua garagem. A Motiva faz o aporte inicial e é remunerada pelo consumo de energia e pelo uso da estrutura, conforme o contrato de longo prazo.
Áreas das linhas 4, 5, 8 e 9 podem receber novos eletropostos
A Motiva avalia implantar estruturas semelhantes em terrenos associados às linhas 4-Amarela e 5-Lilás de metrô e às linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda de trens metropolitanos.
A empresa citou as regiões de Vila Sônia e Capão Redondo como locais com potencial para novos eletropostos, por reunirem estações, terminais de ônibus e áreas operacionais.
A estratégia é usar a capacidade elétrica já contratada para as operações ferroviárias e os terrenos disponíveis no entorno das linhas para reduzir dois dos entraves à eletrificação dos ônibus: a insuficiência da rede de distribuição e a falta de espaço em algumas garagens.
A companhia também estuda oferecer recarga para frotas de empresas de comércio eletrônico, operações logísticas e plataformas de transporte por aplicativo. Em uma etapa posterior, pretende instalar pontos destinados a automóveis e caminhões elétricos nas rodovias que administra.
Infraestrutura de recarga é um dos desafios da frota elétrica
Segundo dados apresentados pela Motiva, a cidade de São Paulo encerrou junho de 2026 com aproximadamente 1.570 ônibus movidos a bateria. A perspectiva considerada pela empresa é de uma frota próxima de 13 mil coletivos elétricos ao longo da próxima década.
A ampliação, entretanto, depende não apenas da aquisição dos veículos, mas também do reforço das redes de distribuição, da construção de subestações e da disponibilidade de terrenos para estacionamento e recarga.
Garagens de ônibus nem sempre possuem área suficiente ou capacidade elétrica para abastecer uma grande quantidade de veículos durante o mesmo período. Esse problema já provocou atrasos na entrada em operação de ônibus elétricos adquiridos por empresas do sistema municipal de São Paulo.
Com o projeto, o Pátio Guido Caloi passa a desempenhar uma função adicional: além de apoiar a operação dos trens da Linha 5-Lilás, torna-se uma base externa de abastecimento para parte da frota elétrica da Viação Campo Belo.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



Se isso expandir-se demais, e começarem a recarregar muitos ônibus nessas redes, corre-se o risco disso impactar as próprias operações ferroviárias.
Vale lembrar que frotas de ônibus a baterias requerem muita eletricidade! E as subestações dos trens e metrôs são projetadas para suprir somente as operações das respectivas linhas, com uma margem de segurança pra eventuais intercorrências.
Esses novos pontos de recarga Não me parecem ser uma solução lá muito promissora.