Terminal de Ônibus Princesa Isabel recebe licença ambiental de operação válida por dez anos em São Paulo

Equipamento atende 16 linhas e integra PPP de R$ 1,79 bilhão do Bloco Noroeste; concessionária terá de cumprir exigências ambientais determinadas pela Prefeitura

ADAMO BAZANI

O Terminal de Ônibus Princesa Isabel, na região central de São Paulo, recebeu licença ambiental de operação com validade de dez anos. A autorização foi concedida pela Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente à SPE SP Terminais Noroeste S.A., concessionária responsável pela administração, manutenção, conservação, exploração comercial e requalificação do equipamento.

A decisão foi publicada no Diário Oficial da Cidade desta quarta-feira, 16 de setembro de 2026. O terminal atende 16 linhas municipais e funciona como importante ponto de distribuição de passageiros entre bairros das zonas norte e leste e a região central. A licença não significa renovação da concessão nem autorização irrestrita: a empresa deverá cumprir as exigências ambientais estabelecidas pela Prefeitura durante todo o período de validade.

Localizado na Alameda Glete, número 433, o terminal funciona diariamente das 4h à 1h30. Segundo a SPTrans, o posto de atendimento aos passageiros opera das 6h às 22h.

Licença ambiental terá validade até 2036, mas depende do cumprimento de exigências

A Coordenadoria de Licenciamento Ambiental deferiu o pedido apresentado pela SPE SP Terminais Noroeste e concedeu a Licença Ambiental de Operação nº 16/CLA-SVMA/2026.

A autorização terá validade de dez anos, contados a partir da emissão, e está condicionada ao atendimento das exigências indicadas pela área técnica da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente.

O extrato publicado no Diário Oficial não detalha quais são as obrigações impostas à concessionária. Essas condições constam de documento técnico anexado ao processo administrativo.

Em terminais de ônibus, o licenciamento ambiental pode abranger aspectos como controle de ruídos, destinação de resíduos, manutenção dos sistemas de drenagem, prevenção de contaminação do solo, armazenamento de produtos, limpeza das instalações, consumo de água e energia e medidas para evitar impactos sobre a vizinhança.

A licença ambiental de operação comprova que o empreendimento foi analisado pelo órgão municipal competente e pode continuar funcionando desde que respeite as condições estabelecidas. O documento também pode ser revisto, suspenso ou cancelado caso sejam identificadas irregularidades ou descumprimento das exigências ambientais.

Terminal atende 16 linhas que conectam diferentes regiões ao centro

O Terminal Princesa Isabel recebe 16 linhas municipais. O equipamento atende principalmente ligações com bairros das zonas norte e leste, além de conexões com outros terminais da cidade.

Entre as linhas que utilizam o local estão serviços com destino ou origem no Parque Edu Chaves, Parque Vila Maria, Terminal Sapopemba, Jardim Pery Alto, Vila Sabrina, Jardim Brasil, Jardim Japão e outras regiões atendidas pelo sistema municipal.

Por estar próximo às avenidas Rio Branco e Duque de Caxias e às alamedas Glete, Barão de Piracicaba e Dino Bueno, o terminal possui importância para a circulação no centro e para o acesso à região dos Campos Elíseos.

O equipamento também atende uma área marcada por intervenções urbanas, concentração de serviços públicos, comércio, equipamentos sociais e mudanças nos padrões de ocupação. Por isso, as condições de limpeza, segurança, iluminação, acessibilidade, circulação e integração com as calçadas do entorno têm impacto direto sobre passageiros e moradores.

Equipamento integra PPP de 30 anos do Bloco Noroeste

O Terminal Princesa Isabel integra o Bloco Noroeste da PPP dos terminais de ônibus da capital paulista. O contrato foi assinado pela Prefeitura de São Paulo em abril de 2022 e tem duração de 30 anos.

A SPE SP Terminais Noroeste S.A., liderada pela Socicam, ficou responsável pela administração, manutenção, conservação, exploração comercial e requalificação dos equipamentos incluídos no bloco.

O contrato do Bloco Noroeste possui valor de R$ 1,789 bilhão e previa investimentos estimados em R$ 174,4 milhões. A concessão não envolve a operação das linhas ou dos ônibus, que continua sob responsabilidade das empresas do sistema municipal e gerenciamento da SPTrans.

A concessionária administra nove terminais e duas paradas:

Equipamentos do Bloco Noroeste
Terminal Amaral Gurgel
Terminal Campo Limpo
Terminal Casa Verde
Terminal Jardim Britânia
Terminal Lapa
Terminal Pinheiros
Terminal Pirituba
Terminal Princesa Isabel
Terminal Vila Nova Cachoeirinha
Parada Eldorado
Parada Clínicas

Pelo modelo da parceria, a empresa privada pode explorar comercialmente os espaços, mas também deve cumprir indicadores de desempenho e obrigações relacionadas à manutenção, limpeza, segurança, conservação e requalificação dos terminais.

A Prefeitura permanece responsável pela fiscalização do contrato e pelo pagamento das contraprestações previstas, que dependem do cumprimento das metas e dos padrões de qualidade.

Como mostrou o Diário do Transporte na época da assinatura, a PPP transferiu à iniciativa privada atividades que antes eram executadas diretamente ou contratadas separadamente pela administração municipal. A operação dos ônibus, a definição das linhas, os intervalos, os itinerários e a política tarifária não fazem parte da concessão dos terminais.

Relembre:

Prefeitura de São Paulo assina contratos de concessão dos blocos Sul e Noroeste dos terminais de ônibus

Autorização ambiental é diferente do contrato de concessão

A validade de dez anos da licença ambiental não altera o prazo de 30 anos da PPP. São instrumentos com finalidades diferentes.

O contrato de concessão define por quanto tempo a SPE pode administrar os terminais e quais serviços, investimentos e padrões de atendimento devem ser cumpridos. Já a licença ambiental trata das condições necessárias para que o Terminal Princesa Isabel opere sem causar impactos ambientais incompatíveis com a legislação.

Assim, mesmo com o contrato de concessão em vigor, a empresa precisa manter válidas as autorizações ambientais e atender às determinações dos órgãos municipais. Antes do fim dos dez anos, a responsável deverá solicitar a renovação da licença dentro dos prazos estabelecidos.

O ato desta quarta-feira está relacionado ao processo administrativo nº 5010.2025/0012941-7. A decisão foi baseada no Parecer Técnico nº 44/DAIA/GTANI/2026 e está registrada no documento municipal nº 165104123.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Pedro Henrique disse:

    Esse contrato de concessão passará para o futuro Terminal na Luz? Esse terminal Princesa Isabel já está com os dias contados…

  2. MARCELO FIGUEIREDO PEREIRA disse:

    Ué, o terminal não será extinto?

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