Prefeitura de São Paulo destina R$ 14,22 milhões para manter três contratos de apoio ao Aquático-SP por mais um ano

Serviços na Represa Billings são prestados por F. Andreis Neto, Internacional Marítima e BK Consultoria; cada prorrogação representa R$ 4,74 milhões. Sistema hidroviário já transportou mais de 1,1 milhão de passageiros

ADAMO BAZANI

A Prefeitura de São Paulo destinou mais R$ 14,22 milhões para manter por 12 meses três contratos de apoio à operação do Aquático-SP na Represa Billings, na zona Sul da capital. Cada prorrogação representa R$ 4,74 milhões e envolve as empresas F. Andreis Neto Ltda., Internacional Marítima Ltda. e BK Consultoria e Serviços Ltda., contratadas originalmente em 2024 para ampliar a oferta de embarcações no sistema administrado pela SPTrans.

As publicações desta sexta-feira, 4 de setembro de 2026, mostram que os novos períodos começam neste mês. Os aditivos da Internacional Marítima e da F. Andreis Neto já aparecem formalizados no Diário Oficial, enquanto, no caso da BK Consultoria, a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte publicou a autorização para o segundo aditamento e convocou a companhia para assinar o documento. O Aquático-SP liga Cantinho do Céu ao Parque Mar Paulista Bruno Covas e, segundo o balanço mais recente da Prefeitura, já havia superado 1,1 milhão de passageiros em dois anos de funcionamento.

R$ 4,74 milhões para cada empresa

A Internacional Marítima terá o contrato prorrogado por mais 12 meses a partir desta sexta-feira (04). O novo aditamento é de R$ 4,74 milhões e faz o valor acumulado do contrato passar de R$ 9,48 milhões para R$ 14,22 milhões. O acordo foi firmado originalmente por meio de credenciamento realizado pela Prefeitura em 2024.

No caso da F. Andreis Neto, a nova vigência começa no domingo, 6 de setembro de 2026. Também são mais R$ 4,74 milhões, elevando o valor acumulado desse contrato de R$ 9,48 milhões para R$ 14,22 milhões.

Já o contrato com a BK Consultoria e Serviços terá a vigência prorrogada a partir de 11 de setembro. A SMT autorizou o segundo aditamento, também no valor de R$ 4,74 milhões, e convocou a empresa para a assinatura. A publicação desta sexta-feira, diferentemente dos outros dois casos, é o despacho autorizatório e não o extrato do termo já assinado.

Somando os três novos períodos de 12 meses, a Prefeitura prevê R$ 14,22 milhões para a continuidade desses serviços.

Contratos começaram em 2024 e incluem embarcação, tripulação e manutenção

As três empresas foram selecionadas no processo de credenciamento aberto em 2024 para prestação de apoio à travessia de passageiros na Billings.

Como mostrou o Diário do Transporte à época, os contratos previam o fornecimento de uma embarcação por empresa, com tripulação devidamente habilitada e os serviços de manutenção necessários à operação. F. Andreis Neto e Internacional Marítima foram as duas primeiras contratadas, seguidas pela BK Consultoria. Cada contrato inicial também foi estabelecido em R$ 4,74 milhões por 12 meses.

Em setembro de 2025, os três acordos já haviam recebido uma primeira prorrogação pelo mesmo valor individual, novamente totalizando R$ 14,22 milhões para mais um ano. Os atos publicados agora correspondem, portanto, à continuidade desses contratos pelo terceiro período anual.

A publicação desta sexta-feira informa que a decisão sobre a BK considerou manifestações da Gerência do Sistema Hidroviário da SPTrans, da área de Finanças e da Assessoria Jurídica da SMT. As despesas de 2026 serão cobertas pelo orçamento vigente e os valores correspondentes ao exercício seguinte deverão constar do orçamento de 2027.

Aquático-SP tem atualmente seis embarcações e mais de 1,1 milhão de passageiros

O Aquático-SP entrou em operação em 13 de maio de 2024 e se tornou o primeiro sistema público de transporte hidroviário da cidade de São Paulo.

A ligação atravessa a Represa Billings entre os terminais hidroviários Cantinho do Céu e Parque Mar Paulista Bruno Covas, na zona Sul. O percurso tem cerca de 5,6 quilômetros e reduziu para aproximadamente 17 minutos uma viagem que, por meios terrestres, poderia chegar a 1h20.

No balanço divulgado pela Prefeitura em maio de 2026, quando o sistema completou dois anos, mais de 1,1 milhão de passageiros já haviam utilizado as embarcações. A administração municipal informou ainda que seis barcos operavam diariamente e que somente em abril de 2026 foram registrados mais de 61 mil embarques.

Pesquisa divulgada pela SPTrans apontou aprovação de 90,3% entre os usuários, enquanto 97,5% avaliaram positivamente a limpeza das embarcações e 93,7%, o conforto. Mais de 92% dos entrevistados disseram que recomendariam o modal.

Marfort também foi contratada e cadastro já reúne sete empresas

A contratação das três empresas prorrogadas agora não esgota o grupo de companhias habilitadas para o Aquático-SP.

Em junho de 2025, a Prefeitura contratou também a Marfort Serviços Marítimos Ltda., quarta colocada no credenciamento original. O contrato foi estabelecido em R$ 4,74 milhões por 12 meses para apoio ao serviço de travessia de passageiros. A Marfort não integra o pacote de três prorrogações publicado nesta sexta-feira.

O credenciamento continuou recebendo interessados. Em outubro de 2025, a Prefeitura informou que sete empresas estavam habilitadas, na seguinte ordem: F. Andreis Neto, Internacional Marítima, BK Consultoria, Marfort Serviços Marítimos, Bravo Serviços Marítimos, Vilhena Serviços e Transporte por Navegação Rio Paraguai.

A própria Prefeitura ressaltou, na ocasião, que estar credenciada não significa contratação automática. As empresas ficam habilitadas e podem ser chamadas de acordo com a necessidade do sistema.

Aquático foi implantado em meio à intervenção na Transwolff

O desenvolvimento do Aquático-SP também se relaciona à concessão de ônibus da zona Sul. A operação hidroviária estava prevista entre as responsabilidades da Transwolff no contrato decorrente da licitação do sistema municipal de ônibus de 2019.

Em abril de 2024, antes do início da operação comercial do Aquático-SP, a Prefeitura informou que a SPTrans havia assumido a continuidade do sistema hidroviário durante a intervenção na Transwolff. Naquele momento, a administração municipal preparava a entrada em funcionamento do transporte pela Billings, inaugurado no mês seguinte.

Posteriormente, a Prefeitura adotou o credenciamento de empresas especializadas em navegação para reforçar e dar continuidade ao serviço, processo que resultou nos contratos agora novamente prorrogados.

Prefeitura estuda ampliar transporte pelas represas

O sistema poderá ganhar novas ligações. Em abril de 2026, a Prefeitura abriu licitação para contratar estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental para quatro novos atracadouros, dentro das metas municipais de expansão do transporte hidroviário.

Os projetos abrangem a ampliação do Aquático-SP na própria Billings e estudos para levar o modelo também à Represa Guarapiranga. Em maio, ao divulgar o balanço de dois anos do sistema, a administração municipal citou ainda estudos para atendimento da região do Apurá.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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