Há poucas semanas da estreia, ônibus zero quilômetro da JTP em Rio Branco já são vandalizados, diz prefeitura

Pichações e danos em bancos, lataria, vidros, luminárias e entradas USB marcam veículos, entre os Apache Vip 5 e os inéditos Vip 6; mais que um ato contra um veículo, vandalismo é sinal claro de desrespeito ao próximo

ADAMO BAZANI

Os novos ônibus da JTP Transportes, que começaram a operar no sistema municipal de Rio Branco, no Acre, em 2 de outubro de 2026, já apresentam sinais de vandalismo e mau uso, apesar de terem poucas semanas de circulação. A Prefeitura de Rio Branco divulgou imagens de veículos com sujeira, bancos riscados e danos em componentes internos, além de pedir a colaboração da população para preservar a frota recém-incorporada ao transporte coletivo da capital acreana.

Os problemas atingem justamente um período de renovação do sistema, que passou a contar com 80 ônibus zero quilômetro, sendo 60 Caio Apache Vip 5 e 20 unidades do recém-lançado Apache Vip 6, além de outros 40 veículos seminovos. Os novos coletivos oferecem ar-condicionado, entradas USB para carregamento de celulares, recursos de acessibilidade e monitoramento por GPS. Danificar esses equipamentos significa comprometer melhorias que foram implantadas para atender aos próprios passageiros.

A situação motivou uma manifestação da prefeitura, por meio da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (RBTrans), que publicou um alerta em 9 de outubro, apenas uma semana depois do início da operação da JTP.

Nas imagens divulgadas pela administração municipal, aparecem bancos riscados, sujeira espalhada pelo piso e sinais de danos no interior dos ônibus.

Há também relatos de pichações e avarias em componentes como lataria, vidros, luminárias e entradas USB, equipamentos que integram a estrutura dos novos veículos.

A divulgação da prefeitura documentou inicialmente sujeira, riscos em assentos e danos internos.

A administração municipal pediu que a população evite jogar lixo, riscar bancos ou danificar equipamentos, ressaltando que os veículos são utilizados diariamente por trabalhadores, estudantes e outros passageiros que dependem do sistema.

O alerta traz uma discussão que vai além da conservação dos ônibus: o transporte coletivo é um serviço de uso compartilhado, e a destruição deliberada de equipamentos representa desrespeito às outras pessoas que precisam deles.

Quem danifica um banco não prejudica apenas a empresa. Prejudica quem utilizará aquele mesmo assento depois. Quem inutiliza uma entrada USB retira de outro passageiro a possibilidade de carregar o celular durante a viagem. Quem quebra uma luminária ou um vidro compromete condições de conforto e segurança oferecidas a todos.

Além dos danos materiais, essas práticas podem provocar gastos com manutenção e até exigir a retirada temporária de veículos de circulação, dependendo da extensão das avarias.

Em sistemas de ônibus, a indisponibilidade de um coletivo para reparos também pode afetar a programação das linhas quando não há veículos de reserva suficientes para substituí-lo.

Por isso, a conservação da frota não é uma questão exclusivamente patrimonial. Está diretamente relacionada à qualidade e à continuidade do serviço oferecido aos passageiros.

Frota nova tem 20 Apache Vip 6, modelo que estreou comercialmente no Brasil com a JTP

O vandalismo ocorre justamente em um momento de renovação importante para o transporte coletivo de Rio Branco.

Como mostrou o Diário do Transporte, a JTP adquiriu 80 ônibus zero quilômetro da fabricante Caio, produzidos em Botucatu, no interior de São Paulo.

Desse total, 60 são da quinta geração da carroceria Apache Vip e outros 20 pertencem à sexta geração, que começou a ser comercializada em 2026.

O Diário do Transporte foi o primeiro veículo de imprensa a divulgar, em 2 de setembro de 2026, a aquisição dos dois modelos pela JTP para Rio Branco. Posteriormente, a reportagem também mostrou em primeira mão o primeiro Apache Vip 6 comercializado no Brasil, destinado à capital acreana.

Os novos ônibus utilizam chassis Mercedes-Benz OF-1721 BlueTec 6, com motores a diesel adequados à fase P8 do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve), equivalente à norma Euro 6.

Os veículos contam com ar-condicionado, bancos estofados, carregadores USB, recursos de acessibilidade para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, bilhetagem eletrônica e monitoramento por GPS.

No caso do Apache Vip 6, a carroceria apresenta uma nova identidade visual e soluções construtivas que buscam melhorar a experiência dos passageiros e facilitar a manutenção.

Entre os diferenciais está o sistema de portas embutidas denominado pela fabricante como Flor da Pele, concebido para favorecer o isolamento térmico e acústico e contribuir para o desempenho do ar-condicionado.

A sexta geração também apresenta mudanças no desenho interno, na iluminação e nos acabamentos, com foco na funcionalidade dos equipamentos e na utilização cotidiana.

Segundo as informações técnicas divulgadas pela prefeitura, os Apache Vip 5 destinados à cidade possuem capacidade de até 84 passageiros, enquanto os Apache Vip 6 comportam até 72 pessoas, considerando as diferentes condições de ocupação.

Os dois modelos têm duas portas e equipamentos de acessibilidade para atender passageiros com deficiência ou mobilidade reduzida.

A incorporação de veículos com essas características representa uma mudança no padrão oferecido à população, especialmente pelo uso de ar-condicionado em uma cidade marcada por temperaturas elevadas durante boa parte do ano.

Os danos registrados pouco depois da estreia chamam atenção porque atingem veículos que foram colocados em operação para substituir unidades antigas e melhorar as condições de deslocamento.

JTP assumiu operação em 2 de outubro, com 120 ônibus

A entrada da JTP Transportes no sistema de Rio Branco ocorreu após um processo de reorganização da operação municipal.

Em 6 de julho de 2026, a prefeitura anunciou a contratação da empresa, sediada em Rondônia, para assumir os serviços anteriormente prestados pela Ricco Transportes.

A nova operação passou a ser realizada pela COM Rio Branco, empresa ligada ao grupo JTP.

O planejamento divulgado pelo município estabeleceu uma frota total de 120 ônibus, dos quais 80 zero quilômetro e 40 seminovos.

Do conjunto, 110 veículos foram previstos para a circulação regular e dez para a reserva operacional.

Os primeiros ônibus novos começaram a deixar a fábrica da Caio, em Botucatu, no fim de setembro, em uma operação logística que envolveu o deslocamento rodoviário até a capital acreana.

No dia 29 de setembro, começaram a chegar os primeiros veículos.

A apresentação oficial da nova frota foi realizada pela Prefeitura de Rio Branco em 1º de outubro, e a operação da JTP começou no dia seguinte.

A mudança também envolveu a implantação de uma nova estrutura de bilhetagem eletrônica e a transferência de créditos mantidos pelos passageiros no sistema anterior.

Para facilitar a adaptação, a prefeitura anunciou dez dias de tarifa zero, permitindo que os usuários conhecessem os veículos e providenciassem a migração dos saldos.

Em 6 de outubro, um dos novos Apache Vip 6 foi apresentado no Via Verde Shopping, em Rio Branco.

Os veículos da sexta geração começaram a ser incorporados gradualmente à operação.

Em 15 de outubro, o Ministério Público do Estado do Acre realizou uma reunião com representantes da Prefeitura de Rio Branco para acompanhar a situação dos créditos dos usuários do antigo sistema de bilhetagem.

A atuação do órgão teve como objetivo verificar os procedimentos de transferência ou restituição dos valores, de modo a assegurar os direitos dos passageiros durante a mudança de operadora.

A renovação da frota e a substituição da empresa responsável pelas linhas representaram, portanto, alterações significativas para quem depende do transporte público na capital acreana.

Entretanto, a modernização não se resume à compra de veículos novos.

A manutenção, a limpeza, a regularidade dos horários, a conservação dos equipamentos e o atendimento aos passageiros precisam fazer parte do funcionamento cotidiano do sistema.

A preservação dos ônibus também exige responsabilidade de quem utiliza o serviço.

Vandalismo pode comprometer qualidade dos serviços e gerar custos para todo o sistema

A deterioração proposital dos ônibus tem consequências que ultrapassam o prejuízo financeiro imediato.

Um banco rasgado ou riscado pode exigir reparos ou substituição de peças. Danos em luminárias e vidros podem afetar a segurança e as condições de utilização dos veículos. Equipamentos eletrônicos inutilizados retiram funcionalidades que deveriam permanecer disponíveis durante toda a vida útil dos ônibus.

Dependendo da gravidade, os danos podem exigir a imobilização de um veículo para manutenção.

Mesmo quando os reparos são realizados sem retirar o ônibus de circulação, existem despesas com materiais e mão de obra.

Esses custos integram a operação do transporte coletivo, cujo financiamento depende das condições contratuais, da arrecadação tarifária e, quando existentes, dos recursos públicos destinados ao sistema.

Isso significa que o vandalismo pode produzir consequências econômicas para a operação e, indiretamente, para o conjunto da população.

Há ainda uma questão de comportamento coletivo.

O transporte público reúne pessoas de diferentes idades, condições econômicas e necessidades de deslocamento. Para muitos usuários, o ônibus é a única alternativa viável para chegar ao trabalho, à escola, a uma consulta médica ou a outros compromissos.

A preservação dos equipamentos é, portanto, uma forma de respeito a essas pessoas.

O fato de um veículo estar disponível ao público não significa que possa ser destruído ou utilizado de maneira inadequada.

Ao contrário, justamente por atender a milhares de pessoas, sua conservação depende de cuidados que não seriam diferentes daqueles esperados em escolas, hospitais, praças e outros espaços de uso coletivo.

Também é necessário distinguir o desgaste decorrente da utilização normal de um ônibus dos danos provocados deliberadamente.

Bancos, pisos, portas e componentes internos sofrem desgaste com o passar do tempo, especialmente em veículos submetidos a jornadas intensas.

Pichações, riscos intencionais, destruição de equipamentos e quebras deliberadas, entretanto, não podem ser classificados como desgaste natural.

Quando há intenção de destruir ou deteriorar o patrimônio, a conduta também pode caracterizar crime de dano, previsto no Código Penal, observadas as circunstâncias e a identificação da responsabilidade.

A apuração dessas ocorrências deve considerar as provas disponíveis, sem responsabilização generalizada dos passageiros.

Cabe às empresas e ao poder público manter os veículos em condições adequadas, fiscalizar a prestação dos serviços e adotar medidas de prevenção e manutenção.

Aos usuários, cabe respeitar os equipamentos e colaborar para que os ônibus permaneçam em boas condições.

No caso de Rio Branco, a preocupação é ainda mais significativa porque os veículos começaram a circular há menos de três semanas.

A renovação do sistema foi apresentada pela prefeitura como uma oportunidade de melhorar as condições oferecidas à população, com veículos novos, climatização, equipamentos de acessibilidade e recursos tecnológicos.

Preservar essas melhorias é fundamental para que os benefícios não desapareçam poucos meses depois da implantação.

Mais do que atacar um ônibus, o vandalismo prejudica o próximo passageiro: a pessoa que depende daquele veículo para chegar ao emprego, o estudante que precisa se deslocar diariamente ou alguém com mobilidade reduzida que necessita dos equipamentos de acessibilidade em funcionamento.

É esse o sentido do alerta divulgado pela Prefeitura de Rio Branco: o transporte coletivo é um serviço compartilhado e sua conservação interessa a toda a cidade.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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