Congonhas terá ponto de táxi ampliado para 52 vagas e uso de mais 100 no bolsão; Câmara discute impactos da expansão do aeroporto

Prefeitura autoriza operação compartilhada entre táxis comuns, elétricos, híbridos, acessíveis e especiais; Comissão de Trânsito analisa nesta quinta (3) pedido de audiência sobre aumento de voos, novo terminal, funcionamento após as 23h e reflexos na mobilidade

ADAMO BAZANI

A Prefeitura de São Paulo ampliou a estrutura destinada aos táxis no Aeroporto de Congonhas, na zona sul, elevando para 52 o número de vagas físicas do principal ponto da categoria comum e permitindo ainda que os permissionários utilizem outras 100 vagas do bolsão de estacionamento do aeroporto. A operação poderá ser compartilhada com táxis elétricos e híbridos, acessíveis e da categoria especial. A mudança foi publicada no Diário Oficial desta quinta-feira, 3 de setembro de 2026, e depende da implantação da sinalização para entrar efetivamente em funcionamento.

A ampliação ocorre no mesmo dia em que a Comissão de Trânsito, Transporte, Mobilidade Urbana e Atividade Econômica da Câmara Municipal de São Paulo analisa um pedido de audiência pública para discutir os impactos do crescimento das operações de Congonhas. O requerimento, apresentado pelo vereador Nabil Bonduki (PT), cita aumento de voos, construção de um novo terminal, possibilidade de operações depois das 23h, impactos sobre os bairros do entorno e a necessidade de discutir soluções de transporte e infraestrutura para atender à expansão do aeroporto. A reunião da comissão está marcada para as 14h desta quinta-feira.

As duas publicações mostram, por caminhos diferentes, como as mudanças previstas para Congonhas começam a repercutir sobre a mobilidade da região: enquanto o Executivo reorganiza e amplia a oferta para táxis, o Legislativo municipal pretende aprofundar o debate sobre os efeitos do aumento da movimentação do aeroporto sobre circulação, transporte público, infraestrutura urbana e moradores.

Ponto passa a ter sete segmentos e capacidade calculada para 468 táxis

A determinação do Departamento de Transportes Públicos (DTP) amplia o Ponto Privativo nº 606, destinado a táxis da categoria comum.

A estrutura passa a ser distribuída por sete segmentos, alguns dentro do próprio aeroporto e outros em vias próximas.

No piso superior de Congonhas, haverá três áreas: uma com 10 vagas, outra com três e uma terceira com oito. No piso inferior, outra área terá três vagas.

Também estão previstas oito vagas na Rua Estevão Baião, 12 na Rua Sapoti e oito na Avenida da Invernada. Somadas, as áreas têm 259 metros de extensão e capacidade física para 52 veículos.

O DTP adotou índice de rotatividade de nove carros por vaga, o que corresponde a uma capacidade operacional calculada em 468 táxis vinculados ao ponto. Isso não significa que haverá 468 automóveis estacionados simultaneamente: o número resulta da rotatividade estabelecida pelo órgão para as 52 vagas físicas.

Além disso, os permissionários ficam autorizados a utilizar 100 vagas existentes no bolsão de estacionamento do aeroporto. Essas vagas adicionais não foram consideradas no cálculo de rotatividade dos 468 veículos.

Elétricos, híbridos, acessíveis e táxis especiais poderão compartilhar operação

Outra mudança é a autorização para que a gestão e a operação sejam feitas de maneira compartilhada entre diferentes modalidades.

A medida envolve o Ponto Privativo 606, de táxis comuns; o Ponto Livre 0001 TC, destinado a veículos elétricos e híbridos; o Ponto Livre Táxi Acessível; e o Ponto Livre Táxi Especial.

Na prática, a decisão procura integrar as diferentes categorias que atendem Congonhas dentro da reorganização operacional estabelecida pelo município.

A nova configuração começa a valer após a publicação e a implantação das sinalizações horizontal e vertical correspondentes. A portaria também substitui regras estabelecidas em maio de 2026 para o ponto.

Câmara analisa audiência para discutir crescimento do aeroporto

Enquanto a Prefeitura reorganiza os táxis, a Comissão de Trânsito da Câmara Municipal incluiu na pauta desta quinta-feira um requerimento para realização de audiência pública específica sobre Congonhas.

O pedido é do vereador Nabil Bonduki e ainda precisa ser analisado pela comissão. Portanto, a publicação no Diário Oficial não significa que a audiência já esteja aprovada ou marcada.

Na justificativa, o parlamentar menciona o aumento recente do número de voos e afirma que a ampliação das operações tem provocado impactos sobre a população do entorno, entre eles a poluição sonora.

Bonduki também cita dispositivos do Plano Diretor Estratégico que tratam da necessidade de Plano de Transporte e de Infraestrutura Aeroviária e de estudos ambientais e de impacto de vizinhança para instalação, reforma ou ampliação de aeródromos.

Novo terminal, mais pousos e decolagens e possível operação depois das 23h estão no debate

No requerimento, o vereador relaciona a discussão à concessão de Congonhas e afirma que estão previstas ampliação do número de pousos e decolagens e construção de um novo terminal.

O documento também menciona pedido de empresas aéreas para flexibilização dos horários de pousos e decolagens para além das 23h. Esses pontos aparecem como fundamentos apresentados pelo autor do requerimento e deverão ser objeto do debate caso a audiência seja aprovada.

O texto ainda relaciona a situação à oferta de alternativas de transporte regional, reforçando que a discussão não está limitada ao ruído provocado pelas aeronaves, mas envolve também o acesso ao aeroporto e os efeitos sobre o sistema de mobilidade.

A proposta é debater a eventual flexibilização dos horários em contraponto às regras municipais e buscar medidas capazes de reduzir os impactos provocados pelas operações de Congonhas.

SMT, Aena, Anac e Decea estão entre os convidados propostos

Caso o requerimento seja aprovado, a audiência ainda terá data e local definidos posteriormente.

Bonduki propõe convidar representantes da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte, Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento e Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente.

A lista inclui também a concessionária Aena, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) e o Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo.

Também são citadas diversas organizações de moradores de regiões próximas ao aeroporto, entre elas Associação dos Moradores do Entorno do Aeroporto de Congonhas, Viva Moema, Associação de Moradores da Vila Mariana, Sociedade dos Amigos do Planalto Paulista e entidades de Vila Nova Conceição, Paraíso e Jardim Lusitânia.

A reunião ordinária da Comissão de Trânsito, Transporte, Mobilidade Urbana e Atividade Econômica está prevista para começar às 14h, no Salão Nobre Presidente João Brasil Vita e também em ambiente virtual.

O Diário do Transporte acompanha os desdobramentos da expansão de Congonhas e os reflexos previstos para o transporte e a mobilidade urbana da zona sul de São Paulo.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Rodrigo Zika! disse:

    Eu que moro na zona leste, uma vez voltando de viagem foi por Congonhas e não foi bacana, talvez agora com o monotrilho da linha 17 funcionando pode ter melhorado o deslocamento.

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