SPTrans cita futura licitação das linhas da antiga Transwolff em esclarecimento sobre plano de saúde para 3.641 trabalhadores dos lotes D10 e D11

Segundo boletim de esclarecimentos confirma que beneficiários serão somente os titulares, sem dependentes, e contratação faz parte da estrutura temporária mantida pela Prefeitura enquanto não são definidos os novos concessionários

ADAMO BAZANI

A SPTrans (São Paulo Transporte) publicou nesta segunda-feira, 31 de agosto de 2026, um novo boletim de esclarecimentos da licitação para contratar plano de saúde empresarial para os trabalhadores dos lotes D10 e D11, que correspondem às operações anteriormente concedidas à Transwolff, na zona Sul da capital. O atendimento será destinado a aproximadamente 3.641 empregados titulares e incluirá assistência médica, hospitalar, cirúrgica e obstétrica. Não haverá dependentes nem agregados e, segundo a própria SPTrans, esta será a primeira contratação deste tipo feita pela companhia especificamente para os empregados dos dois lotes.

O documento também reforça o caráter temporário da atual estrutura. Uma das empresas interessadas perguntou diretamente se o plano seria encerrado quando a Prefeitura concluir a nova licitação das linhas e os futuros concessionários assumirem D10 e D11. A SPTrans não confirmou a interpretação em uma resposta textual, remetendo a empresa à cláusula 3.2 da minuta do contrato. A própria documentação da concorrência, entretanto, já prevê a possibilidade de encerramento antecipado, enquanto a disputa definitiva para voltar a conceder as operações ainda não tem data anunciada.

Licitação será realizada nesta quarta-feira, 2 de setembro

A concorrência para o plano de saúde está marcada para quarta-feira, 2 de setembro de 2026, às 10h.

Como o Diário do Transporte mostrou em levantamento publicado em 26 de agosto, a disputa faz parte de uma sequência de contratações que a SPTrans precisou estruturar para manter em funcionamento os antigos lotes da Transwolff.

Além do plano médico, foram abertas licitações para vigilância e segurança patrimonial, manutenção dos ônibus e recapagem de pneus.

O segundo boletim de esclarecimentos publicado nesta segunda-feira informa que as respostas apresentadas não alteram a preparação das propostas e, por isso, os prazos da concorrência permanecem inalterados.

O valor estimado da contratação continua sob sigilo nesta etapa e deverá ser conhecido posteriormente ao encerramento da sala de disputa, de acordo com os documentos da concorrência analisados anteriormente pelo Diário do Transporte.

São 3.641 trabalhadores e não 3.641 famílias

Um dos esclarecimentos mais objetivos da SPTrans é sobre o número de beneficiários.

Uma empresa perguntou se a estimativa de 3.641 pessoas incluía empregados e dependentes.

A companhia respondeu que as 3.641 pessoas são titulares.

Em seguida, a SPTrans também informou que dependentes legais não são elegíveis e que o contrato não abrange agregados.

Portanto, o universo estimado da contratação é de aproximadamente 3,6 mil trabalhadores vinculados à operação de D10 e D11, e não de famílias que poderiam elevar significativamente o número total de usuários do plano.

SPTrans confirma que há motoristas entre os beneficiários

O boletim também ajuda a esclarecer quem integra este grupo.

Ao responder a uma empresa interessada, a SPTrans disse que esta é a primeira contratação de assistência médica feita pela companhia para os empregados desses lotes e confirmou expressamente que existem motoristas de ônibus entre os trabalhadores atendidos.

O Diário do Transporte já havia noticiado a informação em 21 de agosto, quando foi publicado o primeiro boletim de esclarecimentos da concorrência. Na ocasião, também foi informado que a base utilizada para estimar os 3.641 titulares era de junho de 2026.

A contratação atual ocorre porque, após a saída da Transwolff da concessão, a SPTrans passou a responder pela continuidade das operações e dos trabalhadores necessários para manter os ônibus circulando.

Cada lote terá faturamento separado

Apesar de D10 e D11 estarem sob a gestão da SPTrans, a futura operadora do plano deverá manter a identificação dos empregados de cada operação.

No esclarecimento, uma empresa perguntou sobre a necessidade de separar os cadastros dos beneficiários vinculados ao D10 e ao D11 para permitir faturamentos distintos.

A SPTrans respondeu positivamente.

A separação mostra que, administrativamente, os dois lotes continuam tratados de maneira individualizada, embora tenham pertencido à mesma concessionária e estejam atualmente sob responsabilidade municipal.

Plano terá abrangência estadual e não haverá plano para inativos

Entre os demais esclarecimentos, a SPTrans informou que o plano deverá ter abrangência estadual.

A companhia também respondeu que não está prevista uma categoria separada para beneficiários inativos e confirmou que a contratação não inclui dependentes ou agregados.

A documentação prevê ainda cobertura para acidentes de trabalho e doenças ocupacionais dentro dos procedimentos estabelecidos pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar).

Também há regras de coparticipação. Segundo o boletim, os valores de coparticipação serão revertidos à operadora e cobrados por fatura.

Documento volta a colocar a futura concessão no centro das contratações

Um dos trechos mais importantes do boletim está na pergunta 20.

A empresa interessada menciona a caducidade das concessões D10 e D11, a assunção emergencial dos serviços e dos trabalhadores pela SPTrans e uma previsão de rescisão antecipada presente nos documentos da contratação.

Em seguida, pergunta se o entendimento está correto de que, no momento em que a Prefeitura concluir a nova licitação das linhas e o novo concessionário assumir, o contrato do plano médico será antecipadamente encerrado.

A SPTrans respondeu apenas: “Vide item 3.2 do Anexo I – Minuta de Contrato”.

Assim, o novo boletim não oferece uma explicação adicional sobre a regra, mas confirma que o assunto está inserido formalmente na documentação da concorrência.

Em levantamento anterior, o Diário do Transporte mostrou que as minutas das contratações de plano de saúde, manutenção, vigilância e recapagem foram estruturadas para até 12 meses e permitem encerramento antecipado caso a nova concessão seja concluída antes.

Na prática, são contratos utilizados para manter funcionando uma operação que a administração pretende posteriormente devolver ao modelo de concessão privada.

Transwolff perdeu oficialmente D10 e D11 em dezembro de 2025

Os lotes D10 e D11 eram concedidos à Transwolff Transportes e Turismo.

A empresa sofreu intervenção da Prefeitura em abril de 2024 após a deflagração da Operação Fim da Linha, do Ministério Público de São Paulo.

A concessão permaneceu formalmente existente durante a intervenção até dezembro de 2025, quando a Prefeitura declarou a caducidade dos dois contratos.

O decreto municipal determinou a extinção das concessões e autorizou a SPTrans a ocupar e utilizar instalações, equipamentos, veículos, peças e demais bens necessários à continuidade das linhas, além de assumir a estrutura de pessoal e contratos indispensáveis ao serviço.

A página oficial dos contratos de concessão da Prefeitura continua identificando D10 e D11 como os dois lotes da Transwolff cuja concessão sofreu caducidade.

Na época da caducidade, a Prefeitura informou que a operação abrangia 133 linhas e aproximadamente 555 mil passageiros. A configuração do serviço sofreu alterações posteriormente.

Nova licitação já foi enviada ao TCM, mas disputa ainda não foi marcada

Em 15 de junho de 2026, o Diário do Transporte revelou em primeira mão que a Prefeitura havia encaminhado ao TCM-SP (Tribunal de Contas do Município) uma proposta de edital para uma nova concessão das linhas.

A proposta mantém a divisão em dois lotes operacionais e precisa passar pela análise da Corte de Contas antes do avanço da concorrência.

Posteriormente, o prefeito Ricardo Nunes informou ao Diário do Transporte que a rede deverá passar por reorganização antes da licitação.

Segundo a proposta apresentada pela gestão municipal, parte das linhas que apresentam sobreposições poderá ser transferida para outras concessionárias que já atuam na região. A estimativa apresentada é de redução de aproximadamente 20% no número de linhas diretamente vinculadas aos novos lotes e de uma frota atualmente próxima de 1,2 mil ônibus para aproximadamente 800 veículos, sem que, segundo a administração, haja diminuição da oferta aos passageiros.

Relembre:

RESPOSTA AO DIÁRIO DO TRANSPORTE: Rede de linhas da Transwolff vai ficar 20% menor e frota vai cair de 1,2 mil para 800 ônibus com licitação, diz Nunes

Até o fim de agosto, entretanto, ainda não havia data anunciada para a licitação definitiva.

Enquanto isso, a SPTrans continua tendo de administrar diretamente uma estrutura típica de empresa operadora de ônibus — trabalhadores, manutenção, segurança, pneus e, agora, assistência médica — para evitar que a indefinição contratual atinja os passageiros que dependem diariamente das linhas da zona Sul.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. JOÃO disse:

    QUE BELEZA HEIM PREFEITURA !! NEM CUMPRIR COM O ACORDO COLETIVO VOCES IRÃO !! UÉ !! O ACORDO COLETIVO PREVE ASSINTENCIA MEDICA PARA 2 DEPENDENTES, EAE SINDICADO ?? VCS IRÃO SE MANIFESTAR ?? COMO PODE FAZER UM ACORDO PELA METADE ? PAGAM O DISSIDIO IGUAL AO SINDICATO, PAGAM O VR, MASSS NÃOOOO PAGAM O VR DAS FERIAS E AGORA NÃO IRÃO CUMPRIR COM O ACORDO COLETIVO REFERENTE AO PLANO MEDICO !! VERGONHA ESSA PREFEITURA !! ESTÃO SÓ USANDO OS FUNCIONARIOS QUE SOBRARAM PARA ATENDER A POPULAÇÃO, E DEPOIS VÃO DAR UM PÉ NA BUNDA, DIZENDO, AGORA RESOLVEM COM A TRANSWOLFF, ACABRAM COM A EMPRESA….

    DIARIO DO TRANSPORTE, SINDICATO EAE VOCES VÃO QUESTIONAR ??

  2. JOÃO disse:

    PORQUE NA TRANSWOLFF TEM QUE SER DIFERENTE ?? NÃO É A MESMA CATEGORIA, DEVERIA SEGUIR O ACORDO COLETIVO ?? VERGONHA !! ACORDAAAAAAA FUNCIONARIOS, VCS ESTÃO SENDO PREJUDICADOS A TEMPO !!!

  3. Ah transwolff na verdade deveria se chamar transpcc ou trans bandidagem. Todo mundo sabe que dentro dessa estrutura de lavagem de dinheiro tem policial tem político tem ladrão tem traficante só gente boa. Já que o Nunes encheu a mão no respiro agora vai até o fim se eu fosse ele ia ferrar com todo mundo pois a gente sabe que tem nego que tem carro no nome de laranja tem todo tipo de gente lá dentro e tinha que acabar com essa estrutura deveriam restabelecer a cmtc e já era bater no peito enfrentar é o seguinte pegar assim nego depredando o ônibus ameaçando andar guarda civil botar na horizontal e acabou bandido não tem que se vez

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