Eletromobilidade

Prefeitura de São Paulo altera contratos de ônibus para incluir remuneração de novos tipos de veículos elétricos

Medida publicada nesta sexta-feira (14) ocorre um dia após Senado autorizar US$ 496,6 milhões em financiamentos com BID e Banco Mundial para eletrificação; Prefeitura prevê mais de 1.100 novos ônibus elétricos com os recursos

ADAMO BAZANI

A Prefeitura de São Paulo autorizou mudanças nos contratos das concessionárias do transporte coletivo para permitir a remuneração de novos tipos de veículos elétricos no sistema municipal de ônibus. O despacho, publicado no Diário Oficial da Cidade desta sexta-feira, 14 de agosto de 2026, acolhe manifestações da SPTrans e da Assessoria Jurídica da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte e autoriza o aditamento dos contratos das empresas que operam o serviço.

A medida ocorre no momento em que a capital acelera a busca por recursos para ampliar a eletrificação. Nesta quinta-feira (13), o Senado Federal aprovou duas operações internacionais, de US$ 248,3 milhões cada, com o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e o BIRD, do Grupo Banco Mundial. Os US$ 496,6 milhões, equivalentes a aproximadamente R$ 2,56 bilhões, serão destinados ao Programa de Redução da Emissão de Gases Poluentes por meio da Eletrificação da Frota de Ônibus. Segundo a Prefeitura, os investimentos devem permitir a incorporação de mais de 1.100 novos veículos elétricos.

No despacho publicado nesta sexta-feira, a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte afirma que o aditamento será realizado nos contratos firmados com as concessionárias do Serviço de Transporte Público Coletivo de Passageiros do Município de São Paulo “para a remuneração de novos tipos de veículos elétricos”.

A Pasta também aprovou a minuta do termo de aditamento encaminhada pela SPTrans.

A publicação principal não detalha, entretanto, quais são esses novos tipos de veículos elétricos nem os critérios ou valores que passarão a ser adotados na remuneração. Essas informações estão relacionadas à minuta encaminhada pela SPTrans no documento SEI nº 160928665 e ao Anexo I nº 162867731.

A alteração é relevante porque a entrada de novas configurações de ônibus elétricos no sistema exige que os contratos tenham mecanismos de remuneração compatíveis com veículos que possuem características e custos diferentes dos modelos convencionais a diesel e dos elétricos já contemplados nas regras vigentes.

Mudança ocorre após aprovação de US$ 496,6 milhões

O despacho foi publicado um dia após o Senado Federal aprovar as duas operações de crédito externo voltadas especificamente à eletrificação dos ônibus paulistanos.

Como mostrou o Diário do Transporte nesta quinta-feira (13), são dois financiamentos de US$ 248,3 milhões cada: um com o BID e outro com o BIRD. Juntos, somam US$ 496,6 milhões.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2026/08/13/senado-aprova-us-4966-milhoes-para-onibus-eletricos-de-sao-paulo-diario-do-transporte-revelou-risco-aos-financiamentos/

As operações fazem parte de um pacote maior de créditos internacionais autorizado para a Prefeitura de São Paulo. Segundo a administração municipal, três operações somam US$ 701,9 milhões, aproximadamente R$ 3,62 bilhões. Além dos US$ 496,6 milhões para eletrificação dos ônibus, outros US$ 205,3 milhões do BID são destinados ao programa Avança Saúde II.

A Prefeitura afirma que os dois empréstimos destinados ao transporte permitirão ampliar a frota elétrica da cidade em mais de 1.100 ônibus, além de financiar ações relacionadas à redução de emissões, qualidade e confiabilidade do serviço e gestão do sistema.

Diário do Transporte revelou risco aos financiamentos

A aprovação pelo Senado ocorreu depois de um impasse que havia colocado o cronograma dos empréstimos em risco.

Em reportagem exclusiva publicada em 7 de agosto e retomada pelo Diário do Transporte na cobertura da votação do Senado, documentos mostraram que a Prefeitura havia recorrido ao próprio Senado e ao TCU (Tribunal de Contas da União) alegando demora no andamento dos financiamentos no âmbito do Governo Federal.

Segundo os documentos obtidos pelo Diário do Transporte, as duas operações já haviam passado pelas análises técnicas e jurídicas necessárias, mas a administração municipal afirmava que os processos permaneciam desde abril sem avanço suficiente para chegar ao Senado.

Os PVLs (Pedidos de Verificação de Limites e Condições) tinham validade até 25 de agosto de 2026. A Prefeitura sustentava que, caso o prazo fosse perdido, etapas administrativas poderiam ter de ser refeitas, com reflexos no cronograma de eletrificação. A Casa Civil da Presidência informou, por sua vez, ao Diário do Transporte que os processos seguiam os trâmites administrativos e técnicos previstos.

Com a votação desta quinta-feira, uma das etapas necessárias à contratação dos empréstimos foi vencida. A aprovação pelo Senado, entretanto, não significa que os recursos já tenham sido desembolsados; ela autoriza o município a avançar na contratação das operações externas com garantia da União.

Mais de 1.100 ônibus previstos

Em comunicado divulgado após a votação, a Prefeitura informou que os US$ 496,6 milhões serão empregados no programa de eletrificação e que os investimentos devem permitir a incorporação de mais de 1.100 novos veículos ao sistema municipal.

Segundo a administração, o objetivo é reduzir emissões de gases de efeito estufa e de poluentes locais, além do nível de ruído gerado pelo transporte coletivo.

A eletrificação, entretanto, não envolve apenas a aquisição dos veículos. A expansão da frota exige infraestrutura de recarga, disponibilidade de energia, adaptações nas garagens e mudanças operacionais e contratuais.

Nesse contexto, o ato publicado nesta sexta-feira acrescenta uma etapa contratual ao processo: a Prefeitura passa a prever a remuneração de novos tipos de ônibus elétricos que venham a ser incorporados pelas concessionárias.

Novos modelos chegam ao mercado

A mudança contratual ocorre também em um momento de ampliação da oferta de ônibus elétricos no mercado brasileiro, com diferentes comprimentos, capacidades, configurações de eixos, tipos de chassi e soluções de baterias.

A própria Lat.Bus 2026, realizada nesta semana em São Paulo e acompanhada pelo Diário do Transporte, mostrou uma ampliação significativa do número configurações de veículos elétricos disponíveis para operações urbanas.

Assim, a expressão usada no despacho  “novos tipos de veículos elétricos” ganha importância para o processo de renovação da frota paulistana, embora o ato publicado não especifique quais modelos ou categorias serão incluídos.

A cidade de São Paulo possui 1759 unidades. É a maior frota do País. Mesmo assim, o número é pequeno, representando apenas 13,07% da frota total de 13.460 coletivos e ainda é abaixo da meta de 2,6 mil elétricos que deveria ter sido alcançada em dezembro de 2024. Como há dificuldades de renovação de frota, a prefeitura permite ônibus a diesel mais velhos, de até 14 anos.

Na 1ª Reunião da Câmara Temática do Transporte Público do CMTT (Conselho Municipal de Trânsito e Transporte), da capital paulista, realizada na última quarta-feira (17), a SPTrans (São Paulo Transporte) admitiu que a idade dos ônibus está avançada, mais que o habitual na cidade: a média é de 6 anos e 11 meses.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2026/06/18/exclusivo-sptrans-e-questionada-sobre-onibus-eletricos-de-piso-alto-confirma-500-para-domingo-e-admite-que-somente-36-das-vias-tem-alguma-prioridade/

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Rodrigo Zika! disse:

    Só precisa ter várias tecnologias e obrigar as empresas a terem elas, porque se faltar energia quero ver a garagem funcionar só com elétrico.

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