Bonde de São Paulo (VLE) vai contar com R$ 120 milhões do Metrô de São Paulo e BRT-Aricanduva terá integração física com extensão da linha
Publicado em: 30 de junho de 2026
Anúncios foram feitos pelo prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, em inauguração da estação Washington Luís de monotrilho
ADAMO BAZANI e ARTHUR FERRARI
Até a próxima quinta-feira, 03 de julho de 2026, o projeto do Bonde de São Paulo, o VLE (Veículo Leve Elétrico), de responsabilidade da prefeitura da capital paulista, deve contar com a assinatura de um repasse de R$ 120 milhões da Companhia do Metrô de São Paulo, do Governo do Estado.
O anúncio foi feito na manhã desta terça-feira, 30 de junho de 2026, pelo prefeito Ricardo Nunes, em discurso durante a inauguração da estação Washington Luís, das linha 17-Ouro de monotrilho, na zona sul.
Nunes ainda confirmou que o BRT-Aricanduva, corredor de ônibus de alta capacidade, na zona Leste da cidade, terá integração física com a extensão da linha 2-Verde do metrô.
Como mostrou o Diário do Transporte, o pedido de verbas estaduais para o bonde do centro foi divulgado pelo prefeito ainda em abril deste ano.
Relembre:
Já sobre o BRT-Aricanduva, Nunes prometeu inauguração do primeiro trecho ainda neste segundo semestre de 2026
Com 9,8 km de extensão, esse traçado conta com 12 estações de embarque e desembarque. A demanda de passageiros prevista para o BRT Radial Leste é de 400 mil pessoas por dia. O sistema, que conectará o Terminal Parque Dom Pedro II à Estação Penha do Metrô, foi projetado para reduzir o tempo de viagem entre o Centro e a Zona Leste em até 50%
O trajeto é de 9,8 km e o traçado está dividido em três lotes de construção:
- Lote 1: Do Terminal Parque Dom Pedro II até a Rua Almirante Brasil.
- Lote 2: Da Rua Almirante Brasil até a Rua Armando Gardenghi.
- Lote 3: Da Rua Armando Gardenghi até a Rua Professor Miguel Russiano (Estação Penha)
Relembre:
INTERVENÇÕES PARA REVITALIZAR O CENTRO DE SÃO PAULO:
O projeto de revitalização do centro da cidade de São Paulo como um todo envolve diversas obras de mobilidade urbana, entre o VLE (ex VLT), corredores e terminais de ônibus, preferencialmente, elétricos, e o Boulervad São João, entre outros.
Com custo estimado total de R$ 6,3 bilhões, o projeto engloba o novo Terminal de Ônibus Parque Dom Pedro II, trecho do BRT Radial Leste, o Corredor Verde Nove de Julho/Santo Amaro e a polêmica desativação dos trólebus pelos modelos a bateria.
VLE: O sistema de VLE deve contar com 26 estações em 16 trechos espalhados em 12 km. Haverá impactos em 260 linhas de ônibus e o custo aproximado de implantação deve ser de R$ 4 bilhões. O projeto deve ser licitado neste ano de 2026 e inauguração é esperada para entre 2029 e 2030. Deste total, o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), do Governo Federal), deve financiar R$ 1,3 bilhão. A demanda estimada é de 134 mil passageiros por dia. o “Bonde de São Paulo” será integrado a cinco terminais de ônibus, nove estações de metrô e duas estações de trens já existentes. O trabalho também considera integração com o corredor de ônibus de alta capacidade BRT (Bus Rapid Transit) da Radial Leste e a futura linha 19-Celeste do Metrô: São Paulo (Anhangabaú) X Guarulhos (Bosque Maia).
A prefeitura estuda desativar os serviços de trólebus com a efetivação do VLT, o que gerou críticas por parte de especialistas que sustentam que em diversas partes do mundo, trólebus e VLTs dividem o mesmo espaço e até mesmo aproveitam infraestruturas e tensões de eletricidade.
Marquês de São Vicente: Outra proposta é prolongamento da Avenida Marquês de São Vicente, da região da Barra Funda, zona oeste, até a Avenida Salim Farah Maluf, perto da Penha, na zona leste. O trajeto deve ter um boulevard arborizado e ciclovia no canteiro central. A proposta é que em cada sentido, as vias tenham uma faixa para BRT (Bus Rapid Transit – corredor de ônibus com maior velocidade e maior capacidade), duas para carros e uma faixa azul para motos.
A obra será o caminho para a desativação do Elevado João Goulart, o Minhocão.
Centro Administrativo e novo Terminal Princesa Isabel: Já inserido na proposta do Novo Centro Administrativo do Governo do Estado, que deve custar R$ 6,6 bilhões, o projeto prevê a construção de um novo terminal de ônibus no centro da capital, que substituirá o atual Terminal Princesa Isabel. O novo espaço será construído próximo ao futuro complexo estadual nos Campos Elíseos, na região da Luz, facilitando a integração dos passageiros às linhas de metrô e de trens metropolitanos. O novo terminal integra o plano de requalificação do centro de São Paulo, já que a área atualmente ocupada pelo Terminal Princesa Isabel — o Parque Princesa Isabel, de propriedade da Prefeitura — foi doado ao Governo do Estado por meio da Lei nº 18.176, promulgada em 25 de julho de 2024. Além das obras físicas, a concessionária vencedora terá como obrigação realizar estudos focados na melhoria da mobilidade e tráfego do entorno, conforme previsto no contrato.
Novo Terminal Parque Dom Pedro II: O destaque deve ser a região do Parque Dom Pedro II, que pode receber R$ 678 milhões deste total. A proposta é não ser apenas uma reforma do terminal Parque Dom Pedro, mas envolve a criação de mais áreas verdes; a melhoria para o pedestre e o deslocamento do terminal ampliando em duas vezes e meia a área verde da região; uma praça panorâmica dentro do terminal que será um novo polo de lazer e serviços; retomada de um acesso ao pedestre na região do Gazômetro melhorando a infraestrutura e criando quiosques e o projeto também envolve a criação da ponte do Carmo, que vai substituir os atuais viadutos Nakashima e 25 de Março que serão demolidos para facilitar acesso de carros, pedestres e ônibus.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

