ÁUDIO: Nunes “passa o chapéu” e pede dinheiro a Tarcísio para “bonde-ônibus” – VLE do Centro de São Paulo

Declaração do prefeito foi ao lado de governador na apresentação do Boulevard São João. Ipiranga com São João será fechada aos fins de semana para carros

ADAMO BAZANI

Colaboraram Vinícius de Oliveira e Yuri Sena

ÁUDIO:

O prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes, quer apoio financeiro do Governo do Estado para implantar o “Bonde de São Paulo”, que deve ter duas linhas somando 12 km na região central.

E o pedido não foi nada discreto. Foi para todo mundo ouvir, ao lado do governador Tarcísio de Freitas, na tarde desta quinta-feira, 23 de abril de 2026, durante a entrevista coletiva de apresentação do projeto Boulevard São João, que está inserido no contexto dos planos da gestão pública para revitalizar a região central da cidade de São Paulo, há décadas marcada por degradação urbana e violência.

Como mostrou o Diário do Transporte, a prefeitura desistiu do modelo de VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) por um VLE (Veículo Leve Elétrico), que conta com “trilhos digitais”.

Conhecido como “ônibus-bonde” ou BUD (Bonde Urbano Digital), a concepção é semelhante ao modelo testado na região metropolitana de Curitiba.

Nunes disse que o Governador já deu a sinalização positiva para o apoio financeiro.

“Vocês precisam compreender que tudo o que está acontecendo é um conjunto de ações. Ontem, uma notícia muito boa. O Tarcísio vai pôr, inclusive, dinheiro no meu VLE. Não é? [risos]. Ontem ele falou, eu vou pensar, agora ele já falou que vai pôr.” – disse Nunes “em tom de brincadeira, mas tô falando sério.”

Tarcísio disse que vai ajudar e lembrou que houve aportes municipais em projetos de trilhos metropolitanos, tanto de metrô como de monotrilho.

“Na verdade, é uma troca. A gente ajuda no VLE, mas ele ajuda a gente na linha 5 e na linha 17. E é verdade, porque a gente pode usar as operações urbanas na mobilidade urbana. Então, aí funciona. A gente vai trocando fontes, vai colocando recursos da prefeitura, da operação urbana na mobilidade do estado, nas duas linhas de metrô. E a gente, ao mesmo tempo, ajuda na mobilidade aqui no Centro”. – falou Tarcísio.

Nenhum dos dois falou em valores.

Em 13 de abril de 2026, em agenda pública, o prefeito Ricardo Nunes disse que, com a troca do modal, o custo de implantação do sistema deve cair pela metade,

De acordo com Nunes, a implementação do VLE deverá custar cerca de R$ 2 bilhões e 100 milhões.

Antes de uma readequação, pré-estudos haviam apontado que o modal poderia chegar a R$ 4 bilhões e 100 milhões.

“A gente encaminhou essa semana ao Tribunal de Contas do município o documento que dá o processo inicial com relação a implementação do VLE. A gente tinha o pré-estudo de R$ 4 bilhões e 100 milhões, nós readequamos e agora caiu para R$ 2 bilhões e 100 milhões. Por que? Tem uma questão técnica nesse processo, iria fazer sobre trilhos, mas trilhos tem que ter no máximo 9 graus em todas as pistas, a gente tem locais com 7 graus, então ficava muito arriscado você colocar trilhos. Então vamos partir do VLE sobre rodas que é igual está sendo feito em vários locais, minha equipe foi visitar na China, no Japão, tem um processo experimental em Curitiba. Então, objetivamente, nós vamos fazer”, disse o prefeito o prefeito na ocasião.

Ainda segundo Nunes, o VLE será interligado aos sistemas BRT  (Bus Rapid Transit – corredor de ônibus com velocidade e capacidade maiores que os corredores comuns) da Radial Leste, a Linha 2-Verde do Metrô de São Paulo na região da Penha e as demais estações metroviárias localizadas no Centro do município.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2026/04/13/sao-paulo-sp-adotara-sistema-de-transporte-vle-segundo-prefeito-ricardo-nunes/

O projeto do Boulevard São João abrange o trecho entre a Praça Antônio Prado, o Largo do Paissandú e a Praça Júlio Mesquita, incluindo o tradicional cruzamento das avenidas São João e Ipiranga, em uma área de aproximadamente 42 mil metros quadrados.

A proposta inclui a implantação de quatro telões para exibição de programações de entretenimento e mensagens de patrocinadores, sendo comparados em uma animação por IA (Inteligência Artificial) com Tarcísio à Times Square, localizada no coração de Manhattan, entre a Broadway com a 7ª Avenida e entre as ruas West 42 e West 47, formando o cruzamento mais famoso de Nova Iorque, nos Estados Unidos. O material de IA é oficial e foi divulgado pelo próprio governador.

Além dos telões, haverá revitalização de calçadas, iluminação, reforço na segurança, espaços para eventos e o plano é fechar o famoso cruzamento das Avenidas Ipiranga e São João para carros aos fins de semana.

O custo do projeto é estimado em R$ 42 milhões e serão de responsabilidade da iniciativa privada.

INTERVENÇÕES PARA REVITALIZAR O CENTRO DE SÃO PAULO:

O projeto de revitalização do centro da cidade de São Paulo como um todo envolve diversas obras de mobilidade urbana, entre o VLE (ex VLT), corredores e terminais de ônibus, preferencialmente, elétricos, e o Boulervad São João, entre outros.

Com custo estimado total de R$ 6,3 bilhões, o projeto engloba o novo Terminal de Ônibus Parque Dom Pedro II, trecho do BRT Radial Leste, o Corredor Verde Nove de Julho/Santo Amaro e a polêmica desativação dos trólebus pelos modelos a bateria.

VLE: O sistema de VLE deve contar com 26 estações em 16 trechos espalhados em 12 km. Haverá impactos em 260 linhas de ônibus e o custo aproximado de implantação deve ser de R$ 4 bilhões. O projeto deve ser licitado neste ano de 2026 e inauguração é esperada para entre 2029 e 2030. Deste total, o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), do Governo Federal), deve financiar R$ 1,3 bilhão. A demanda estimada é de 134 mil passageiros por dia. o “Bonde de São Paulo” será integrado a cinco terminais de ônibus, nove estações de metrô e duas estações de trens já existentes. O trabalho também considera integração com o corredor de ônibus de alta capacidade BRT (Bus Rapid Transit) da Radial Leste e a futura linha 19-Celeste do Metrô: São Paulo (Anhangabaú) X Guarulhos (Bosque Maia).

A prefeitura estuda desativar os serviços de trólebus com a efetivação do VLT, o que gerou críticas por parte de especialistas que sustentam que em diversas partes do mundo, trólebus e VLTs dividem o mesmo espaço e até mesmo aproveitam infraestruturas e tensões de eletricidade.

Confira: https://diariodotransporte.com.br/2025/08/13/desativar-trolebus-por-causa-de-vlt-bonde-de-sao-paulo-e-um-desperdicio-e-vai-na-contramao-do-que-mundo-pratica-aponta-estudo-entrevista-e-video

Marquês de São Vicente: Outra proposta é prolongamento da Avenida Marquês de São Vicente, da região da Barra Funda, zona oeste, até a Avenida Salim Farah Maluf, perto da Penha, na zona leste.  O trajeto deve ter um boulevard arborizado e ciclovia no canteiro central. A proposta é que em cada sentido,  as vias tenham uma faixa para BRT (Bus Rapid Transit – corredor de ônibus com maior velocidade e maior capacidade), duas para carros e uma faixa azul para motos.

A obra será o caminho para a desativação do Elevado João Goulart, o Minhocão.

Centro Administrativo e novo Terminal Princesa Isabel: Já inserido na proposta do Novo Centro Administrativo do Governo do Estado, que deve custar R$ 6,6 bilhões, o projeto prevê a construção de um novo terminal de ônibus no centro da capital, que substituirá o atual Terminal Princesa Isabel. O novo espaço será construído próximo ao futuro complexo estadual nos Campos Elíseos, na região da Luz, facilitando a integração dos passageiros às linhas de metrô e de trens metropolitanos. O novo terminal integra o plano de requalificação do centro de São Paulo, já que a área atualmente ocupada pelo Terminal Princesa Isabel — o Parque Princesa Isabel, de propriedade da Prefeitura — foi doado ao Governo do Estado por meio da Lei nº 18.176, promulgada em 25 de julho de 2024. Além das obras físicas, a concessionária vencedora terá como obrigação realizar estudos focados na melhoria da mobilidade e tráfego do entorno, conforme previsto no contrato.

Novo Terminal Parque Dom Pedro II: O destaque deve ser a região do Parque Dom Pedro II, que pode receber R$ 678 milhões deste total. A proposta é não ser apenas uma reforma do terminal Parque Dom Pedro, mas envolve a criação de mais áreas verdes; a melhoria para o pedestre e o deslocamento do terminal ampliando em duas vezes e meia a área verde da região; uma praça panorâmica dentro do terminal que será um novo polo de lazer e serviços; retomada de um acesso ao pedestre na região do Gazômetro melhorando a infraestrutura e criando quiosques e o projeto também envolve a criação da ponte do Carmo, que vai substituir os atuais viadutos Nakashima e 25 de Março que serão demolidos para facilitar acesso de carros, pedestres e ônibus.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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