EXCLUSIVO: Com 130 ônibus acima de 10 anos e entre as mais multadas de São Paulo, A2 não renova frota porque diz que ENEL não traz energia para elétricos – VÍDEO E ENTREVISTA
Publicado em: 6 de março de 2025
Empresa mostrou infraestrutura pela qual alega que pagou R$ 10 milhões. Para minimizar idade, trouxe 36 ônibus usados, mas não podem ser inseridos seminovos de outros sistemas. Viação ainda diz que encomendou 169 ônibus elétricos a R$ 400 milhões que não podem ser entregues
ADAMO BAZANI
Colaboraram Yuri Sena e Vinícius de Oliveira
Um problema que interfere diretamente nos transportes e na qualidade de vida de 200 mil passageiros que usam todos os dias as 35 linhas operadas pela empresa A2 Transportes, na zona Sul da capital paulista.
Com 130 ônibus com idades entre 10 anos e 13 anos de fabricação, o que representa quase 1/4 de todos os 505 veículos da frota total, a A2 está entre as empresas com maior número de multas e reclamações da cidade. A idade média da frota da companhia hoje é de oito anos.
O presidente da companhia, Paulo Farias, explicou que pediu para a ENEL em 12 de março de 2024 a ligação necessária para fazer funcionar a infraestrutura instalada na garagem para a recarga de ônibus elétricos. Desde 17 de outubro de 2022, as empresas de ônibus são proibidas pela prefeitura de comprar modelos a diesel para o cumprimento de metas de redução de poluição. Por causa dessa dificuldade, relatada por outras viações também, a SPTrans (São Paulo Transporte), gerenciadora pública do sistema, aumentou de 10 anos para 13 anos a idade limite de toda a frota municipal. Sem isso, nem os 130 ônibus estariam rodando na A2.
O Diário do Transporte mostrou que a cidade possuía, em janeiro, mais de 2,7 mil ônibus com dez anos ou mais em circulação, considerando todas as empresas da capital paulista.
Relembre:
Para entender a situação, o Diário do Transporte esteve na garagem da empresa, na Estrada do Alvarenga, Jardim Pedreira, quase limite com o município de Diadema, na região do ABC Paulista.
As adequações da rede de fornecimento pela ENEL, segundo as empresas de ônibus, são necessárias para não haver falta de energia nos bairros das garagens. É preciso elevar a potência e tensão na distribuição para dar conta da recarga das baterias.
O Diário do Transporte viu que a garagem já está com os 20 carregadores, que podem atender entre 60 e 80 ônibus de uma só vez, em fase final de instalação. O local também já conta com um By Pass, que é uma espécie de no-break para evitar que os ônibus deixem de ser carregados caso haja falta de energia no bairro. A cabine blindada e um transformador também serão instalados. Hoje, já seria possível ter em torno de 50 ônibus novos elétricos já em operação com tranquilidade, de acordo com o que alegou a empresa.
Paulo Farias disse que até agora, a A2 desembolsou cerca de R$ 10 milhões para esta infraestrutura.
O valor deve aumentar para R$ 15 milhões, uma vez que vai ser ampliada a capacidade para mais ônibus elétricos.
A empresa ainda mostrou documentos de encomendas de ônibus elétricos já assinadas. São 169 veículos, que somam mais de R$ 400 milhões, dos quais 100 BYD, 30 Eletra, de “tamanho padron” e 29 micro-ônibus da chinesa ANKAI.
Nenhuma destas compras, entretanto, pode ser faturada enquanto a ligação elétrica não é viabilizada. É uma regra para a liberação do dinheiro do financiamento da frota.
Paulo Farias disse também que a empresa tem o crédito, mas necessita desta ligação para receber o aval final.
Para minimizar o problema de frota, a A2 trouxe 36 ônibus usados, sem ar-condicionado, de outras empresas da cidade, mas segundo Farias, isso vai até mesmo na contramão da busca pela redução de poluentes. Destes 36 veículos, 26 são fabricados entre 2013 e 2016, de uma tecnologia chamada Euro 5 (mais poluentes que os modelos a diesel 0 km atuais Euro 6) e 10 são mais poluentes ainda, Euro 3, fabricados em 2012.
Outra dificuldade é que, por causa das exigências da SPTrans quanto a configurações como de bancos, balaústres, portas e janelas, por exemplo, as companhias de ônibus da cidade só podem comprar ou alugar veículos usados de outras viações da capital paulista, que já estão bem rodados. Ônibus um pouco mais novos de outras cidades, nem provisoriamente, podem entrar no sistema.
O Diário do Transporte procurou a ENEL para saber sobre a ligação que a empresa de ônibus diz ser necessária.
Em nota, a SPTrans diz que a frota mais antiga não compromete o atendimento, que em diversas cidades são autorizados ônibus de 15 anos e que realiza mais vistorias nos antigos.
A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria de Mobilidade e Transporte (SMT) e da SPTrans, acompanha as tratativas entre as concessionárias operadoras e a Enel visando a disponibilização de energia elétrica para o carregamento da frota de ônibus neste importante projeto para a cidade. A SPTrans aguarda uma definição para a garagem da A2 no menor prazo possível.
Em São Paulo os ônibus podem circular por até 10 anos, com autorização de circulação por mais três anos. Ainda assim, São Paulo está entre as regras de menor idade limite para ônibus urbano no Brasil, em que grande parte das cidades adota 15 anos como limite. Assim, na capital, os passageiros tem à sua disposição uma frota moderna, confortável e eficiente. Caso fosse autorizada a compra de novos ônibus a diesel, a cidade contaria com estes veículos por mais 10 anos emitindo poluentes.
A autorização permite às concessionárias planejar a aquisição dos veículos elétricos sem impacto na operação das linhas. Por determinação da SPTrans, esses veículos são utilizados preferencialmente na reserva técnica das concessionárias e são vistoriados com maior frequência do que veículos mais novos.
Já a ENEL informou que as obras na garagem da A2 começam agora em março e que se reúne com as empresas de ônibus semanalmente
“A Enel São Paulo esclarece que obra na A2 Transportes está programada para ocorrer ao longo do mês de março. Em relação à infraestrutura para o abastecimento de energia das garagens, a distribuidora tem participado de reuniões semanais com os Operadores, sempre com o acompanhamento da SPTrans. A companhia vem trabalhando junto aos Operadores, analisando cada uma das possíveis soluções em função das necessidades específicas, seja para a conexão elétrica individual de cada uma das garagens ou mesmo para possíveis hubs compartilhados de carregamento. As soluções a serem implementadas para cada garagem podem variar, de acordo com aspectos técnicos, econômicos e a definição dos operadores. Há soluções de curto e médio prazo, todas devidamente compatibilizadas com o avanço gradual do aumento da frota elétrica.”
Dos 36 ônibus “velhos extras” que a A2 trouxe para minimizar a defasagem da frota, são oito unidades OF1519 ano 2014 – Euro 5 compradas da Express Transportes, da zona Leste; 18 ônibus alugados da Sambaíba, da zona Norte, modelo OF-1721 ano 2016 – Euro 5; e 10 unidades alugadas da Transppas, empresa da zona Oeste, os mais velhos, ano 2012, modelo OF1722M, Euro 3, os mais poluentes também. Todos estes ônibus são chassis/motor a diesel Mercedes-Benz, carroceria Caio Apache Vip.

Equipamentos de infraestrutura interna

Equipamentos de infraestrutura interna

Carregadores de baterias

Empresa tem rodado com frota usada de outras viações da capital

Frota de outras companhias tem sido alternativa paliativa, de acordo com A2


Ônibus mais antigos reduzem conforto e, segundo a empresa, são mais sujeitos a quebras
METAS DA CIDADE:
As metas da prefeitura de São Paulo de 2,6 mil ônibus elétricos entre todas as empresas da cidade rodando até o fim de 2024 não foram alcançadas principalmente pela falta de infraestrutura de recarga e distribuição de energia da ENEL para dar conta da demanda. Em toda a cidade, são atualmente, em fevereiro de 2025, menos de 500 unidades não poluentes a bateria e 201 trólebus, que precisam estar conectados à fiação aérea para rodarem.
Em 23 de janeiro de 2025, durante a entrega de um lote de 100 coletivos com baterias, o prefeito Ricardo Nunes que a cidade deve receber cerca de 600 ônibus totalmente elétricos com bateria ainda neste ano. Isso elevaria a frota para cerca de 1.200 unidades, contando com os trólebus, mas ainda assim seria bem inferior aos 2.600 coletivos anunciados para até o final de 2024. Na ocasião, Nunes disse, em resposta ao Diário do Transporte que esteve no evento, que é preferível ampliar a idade dos ônibus atuais em até três anos a admitir a volta da compra de veículos a diesel, já que caso fossem comprados, poderiam operar por mais dez anos no sistema.
Relembre:
No fim de 2024, a Câmara Municipal de São Paulo aprovou um projeto de lei, de autoria do ex-presidente da Casa, Milton Leite, que permitiria a volta da compra de 50% da frota a diesel Euro 6. Por causa da falta de infraestrutura para elétricos, a frota geral de ônibus da cidade tem envelhecido, uma vez que as viações estão proibidas de comprar modelos a diesel desde 17 de outubro de 2022. A SPTrans ampliou a idade máxima permitida dos ônibus de 10 anos para 13 anos.
O prefeito Ricardo Nunes aprovou apenas parcialmente o projeto de lei, vetando a possibilidade da volta de compra de modelos a diesel, mas sancionou outros pontos, como um que abre mais segurança para a busca de outras alternativas menos poluentes, como GNV (Gás Natural Veicular) e biometano (gás obtido pela decomposição de resíduos). As empresas de ônibus devem apresentar em 90 dias as necessidades de infraestrutura para a ENEL, no caso dos elétricos, ou para a COMGÁS, no caso do GNV. Estas distribuidoras têm 90 dias para concluir os projetos, mas não há prazo para execução e entrega das obras.
As metas intermediárias foram ajustadas, mas as finais, como zerar as emissões de CO2 até 2038 foram mantidas. Com isso, as alternativas que não sejam eletricidade ou hidrogênio são encaradas como para o momento de transição.
GÁS NATURAL PARA ÔNIBUS:
Empesas como a Sambaíba, na zona Norte, estudam aderir projetos de GNV para ônibus e, como mostrou o Diário do Transporte, preparou um modelo a diesel para ser convertido.
O prefeito Ricardo Nunes disse em 11 de fevereiro de 2025, que determinou estudos para verificar a viabilidade da implantação de ônibus a gás natural na cidade.
Os trabalhos estão sob responsabilidade do Secretário Executivo de Mudanças Climáticas, José Renato Nalini, e as discussões serão no âmbito do Comfrota (Comitê Gestor do Programa de Acompanhamento da Substituição de Frotas por Alternativas Mais Limpas).
O Comitê é vinculado à Seclima (Secretaria Executiva de Mudanças Climáticas).
Relembre:
LEI BARRADA POR AÇÃO DO PSOL:
A nova lei sobre descarbonização da frota, Lei Municipal nº 18.225, de 15 de janeiro de 2025, oriunda do projeto de Milton Leite de dezembro de 2024 e aprovada parcialmente por Nunes em janeiro de 2025, no entanto, teve seus efeitos temporariamente suspensos por determinação do desembargador Mário Devienne Ferraz do Órgão e Câmara Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo, que atendeu parcialmente Ação Direta de Inconstitucionalidade movida pelo PSOL.
A lei não está anulada. A decisão, publicada em 10 de fevereiro de 2025, suspende a aplicação da lei até o julgamento final da ação.
Relembre:
Entre outras alegações, o partido alega que o Projeto de Lei 825/2024, de autoria do ex-presidente da Câmara Municipal, Milton Leite, não apresentou estudo de impacto ambiental e que flexibiliza regras, reduzindo a obrigatoriedade da compra de modelos de ônibus menos poluentes.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes




Conversa fiada!! Serio que a culpa dos ônibus sem freio é da Enel??? Era só o que faltava!
Daí a importância que se flexibilizasse a compra de ônibus Euro-6, para que eles fossem parte da necessária “ponte” nessa transição que é complexa e demorada.
Mas o (des)prefeito Desastre Nunes é tapado demais para entender o óbvio, e prefere persistir nas suas fracassadas decisões burras.
Talvez querendo mostrar a todos uma “firmeza” que ele jamais teve.
Coitados de nós…
Conversa fiada. Esses carros da A2 chegam a quebrar 2 na mesma via. Já aconteceu de quebrar em um bairro e pasmem, era falta de combustível. Vários carros velhos nas linhas e fora os atrasos constantes. Convido a reportagem a ir na estação Conceição do metrô e verificar o tamanho das filas.
Baita conversa fiada Felipe! Essa A2 ai nunca prestou na vida. Desde quando era Cooper-pam Alvarenga, ela sempre foi desse jeito. E outra: querer justificar a falta de manutenção da frota por causa dessa regra? E mesmo que fosse, por que só agora estão reclamando?
Ele era sócio do cara faccionado que morreu perto zoológico?
Fazer orçamento de ônibus elétrico com a mamãe prefeitura bancando é fácil. Mas antes da proibição de 2022, essa cooperativa mão de vaca já estava negligenciando a operação. Fez uma compra irrisória de midis, que estão rodando em poucas linhas. De lá pra cá, algumas linhas como 5012, 5015, 5757-51, 627J, dentre outras, apresentaram um aumento de demanda muito grande que a frota não acompanhou. Ou seja, além de não renovar a frota, a cooperativa foi sequer capaz de pelo menos aumentar um pouco a quantidade de carros nas linhas com qualquer frota que seja. O resultado disso é vermos diariamente motoristas pulando pontos por rodarem cheios demais, filas enormes para embarque, pessoas desistindo dos ônibus pra usar carro de aplicativo (moto de aplicativo também, naquela época na qual a 99 desafiou a prefeitura), fora a demora de algumas linhas e a falta de manutenção os ônibus. No mês de janeiro, um micro-ônibus quebrou exatamente no meio de uma rua estreita do Jardim Luso que é rota de diversas linhas. Isso formou uma fila de mais de 200 metros de ônibus que ficaram parados travando o bairro por mais de 5 horas! O carro quebrado só foi rebocado no começo da noite. Não sei se o mais absurdo foi essa demora, ou a imperícia do motorista de conseguir quebrar o mais longe possível da guia. Essa cooperativa só quer saber de rodar com custo mínimo. Ué, já não estão lucrando bastante? O custo de financiamento dos carros desabou, afinal a renovação da frota emperrou na cidade toda. A SPTrans tem culpa também por fazer vista grossa pra essa palhaçada toda. A região dessa cooperativa está apresentando um aumento populacional muito grande. A população precisa de um serviço que acompanhe decentemente essa demanda.
Que conversa é essa que a prefeitura banca alguma coisa?? deixa de falar sem saber!
Outra empresa da facção igualmente a Transwolff pq o Ricardo Nunes já não descredencia essa bosta também so o prefeito nao sabe ou finge nao saber que todas ex-cooperativas sap da bandidagem….
A verdadeira razão da ineficiência dos nossos transportes, é que na prática são os empresários de ônibus é quem mandam no sistema. Há décadas que eles têm a Prefeitura na coleira, e são eles que decidem o que a Prefeitura pode ou não determinar.
As multas que eles recebem são troco-de-pão perto do que eles faturam (incluindo aí os bilionários subsidios). Praticamente um acordo-de-cavalheiros entre as partes.
Diante disso, a nossa desmoralizada e combalida SP-Trans nada pode fazer. Pois ela não tem a efetiva retaguarda do “chefe e outros de cima”, que ela precisaria para ter as rédeas do nosso transporte publico.
Ao contrário, o atual (des)prefeito vem acenando com a estultice de extinguir a SP-Trans e repassar as suas atribuições à SP-Regula (aquela mesma que “fiscaliza” os cemitérios).
Os empresários de ônibus agradecem, e riem à toa.
Mais fácil esperar alguma solução do Papai Noel.
Trabalhei muito tempo aí, fui um dos fundadores esse cara sempre ficado dá a vida pela empresa, o que falam por aí é inveja, excelente administrador. Abraço!
Sucatas voadoras, continuarão rodando vencidas e colocando a vida dos passageiros em risco c/motoristas q acham q são pilotos de fórmula 1 e não diminuem a velocidade nem nas curvas, principalmente em rodovias c/passageiros jogados pra lá e pra ca dentro dessas latas q não tombam p/milagre. Uma verdadeira tragédia anunciada e o prefeito não resolve nada.
Eu não entendo porque a cidade de São Paulo! com tantas cidades menores pra se iniciar um processo de eletrificação dos ônibus! o problema é planetário e tanto faz se vc anda com um ônibus a diesel em São Paulo ou em Campinas por exemplo a polução vai afetar lá em cima do mesmo jeito! então porque não começar por cidades menores, pelo interior do estado está cheio de cidades ricas que podiam estar implementando isso, e já iam servindo de testes para se saber quais seriam as dificuldades que teríamos antes de jogar esse BO em uma cidade caótica como São Paulo!
O indicado é que a descarbonização comece mesmo pelas grandes cidades, aonde há escala de demanda para testes e ajustes.
O que determina o seu sucesso é a adoção indispensável de estudos técnicos e de planejamentos de médio-longo prazo. Exatamente o que NÃO SE FEZ aqui em São Paulo!!!
Esses ônibus velhos precisam ser tirados de circulação antes q acontecam grandes tragédias. Superlotados, carregam as pessoas como entulho, barulhentos, sem ar condicionado, sem segurança e pior, tem motorista q se acha piloto de fórmula 1 e fazem retas e as curvas a milhão, principalmente em rodovias. aquela plaquinha escrito quantos passageiros podem ir sentados e em pé não serve pra nada!!
A solução são trólebus que tem tecnologia nacional, não necessitam de aumento de carga elétrica para alimentar a rede aérea vide corredor do ABC que tem pequenas estações desenvolvida pela Eletropaulo. O principal trólebus NÃO GERA LIXO TÓXICO que são as baterias de lítio.