Expansão da linha 2-Verde: Tatuzão vai avançar entre 10 e 15 metros por dia; Governo de São Paulo explica como vai ser operação

Primeiras partes do equipamento chegaram ao Brasil

Carregamento de todas as peças e equipamentos auxiliares deve ser concluído até agosto e escavações têm início até o fim do ano

ADAMO BAZANI

O Governo do Estado de São Paulo deu detalhes nesta sexta-feira, 09 de junho de 2023, da operação e montagem do Tatuzão que vai ser usado na ampliação da Linha 2-Verde do Metrô, na zona Leste. Nesta semana, as partes que compõem a máquina de fabricação chinesa começaram a ser transportadas do Porto de Santos até o canteiro de obras em São Paulo.

Segundo previsão do governo, o carregamento de todas as peças e equipamentos auxiliares deve ser concluído até agosto e as escavações têm início até o fim do ano.

O equipamento, que pesa quase três mil toneladas e vai fazer o túnel por onde passarão os trens da linha, terá capacidade de avançar entre 10 metros e 15 metros por dia, dependendo do tipo de solo.

A extensão da linha até a Penha será de 7,5 km.

O Tatuzão será montado no canteiro de obras da na Vila Carrão, onde futuramente funcionará uma base de manutenção, um estacionamento de trens e um poço de ventilação e saída de emergência.

Serão 150 pessoas que vão operar o equipamento dividias em três turnos. O funcionamento é 24 horas.

A tuneladora vai abrir a vala em duas direções.

Primeiro seguirá da Vila Carrão no sentido Vila Prudente, fazendo o trecho até a área de Ventilação e Saída de Emergência denominada de Falchi Gianini, que é um poço de ventilação localizado pouco antes da estação Vila Prudente. Nesse caminho, a máquina passará pelas estações Vila Formosa, Anália Franco, Santa Clara e Orfanato.

Depois, quando chegar ao poço de ventilação Falchi Gianini, o tatuzão será desmontado e levado para outra vala, na estação Penha, que é a outra “ponta” do trecho expandido.

Lá, este equipamento será remontado para escavar da estação Penha até a Vila Carrão e completar o trecho Penha-Vila Prudente, que compreende a primeira fase de expansão da Linha 2-Verde do Metrô.

A segunda fase, da Penha até Guarulhos ainda não terá tuneladora.

O Tatuzão tem diâmetro de 11,66 metros, comprimento de 98 metros e pesa 2,7 mil toneladas contando com uma peça chamada MainDrive, a maior do equipamento, que pesa 189 toneladas.

Por meio de nota, o Governo do Estado dá os detalhes do equipamento, montagem e operação:

Expansão da Linha 2-Verde: escavações do tatuzão terão velocidade de 10 a 15 metros por dia; saiba como será a operação da máquina

Tuneladora começou a ser transportada de Santos para SP para ser usada nas obras de ampliação do Metrô

Até o final do ano, as obras de expansão da Linha 2-Verde do Metrô passarão a contar com os trabalhos da tuneladora Shield – popularmente conhecida como tatuzão – nas escavações do trecho que vai cruzar a zona leste da capital da Vila Prudente à Penha, com oito novas estações.
Nesta semana, as partes que compõem a gigante máquina de fabricação chinesa, batizada de Cora Coralina, começaram a ser transportadas do Porto de Santos até o canteiro de obras em São Paulo. Para a primeira etapa do transporte, foram utilizadas quatro carretas de 42 metros de comprimento cada.
Com operação 24 horas por dia, o tatuzão consegue movimentar 154 m³ de terra por hora. A tuneladora aumenta gradualmente a velocidade de escavação, variando de acordo com a rigidez do maciço em cada trecho. A expectativa é de que esse avanço seja, em média, de 10 a 15 metros por dia.
“Essa é a velocidade que o Metrô conseguiu atingir nas Linhas 4 e 5, que usaram esse mesmo tipo de máquina”, afirma o engenheiro civil da companhia, Thiago Pires.
Ele ainda explica que os profissionais que operam o tatuzão — são 150 pessoas divididas em três turnos — conseguem “pilotar” a máquina pelo caminho planejado por meio de equipamentos topográficos e sensores que ficam na frente da tuneladora.
“Essa metodologia de escavação de túneis com tatuzão tem sido utilizada pelo Metrô nas últimas obras. É a metodologia mais indicada e também a mais rápida de escavação de túneis em trechos urbanos”, diz Pires.
Montagem e descida para a vala
Antes de começar a abrir os 7,5 km de túneis da futura extensão da Linha 2-Verde, o tatuzão será montado no canteiro de obras da na Vila Carrão, onde futuramente funcionará uma base de manutenção, um estacionamento de trens e um poço de ventilação e saída de emergência.
Essa é a primeira etapa de transporte das mais de 2,7 mil toneladas do litoral para a capital, incluindo o chamado MainDrive, maior peça do tatuzão e que pesa 189 toneladas. O carregamento de todas as peças e equipamentos auxiliares deve ser concluído até agosto.
Já a pré-montagem da máquina envolve trabalhos de solda e encaixes parafusados. “Essa pré-montagem a gente ainda faz na superfície. Essas peças vão chegando, a gente vai separando em uma ordem lógica e fazendo esse trabalho ainda fora da vala”, explica o engenheiro.
Algumas peças já podem ser colocadas inteiras na vala de início da escavação, enquanto outras serão montadas ainda na superfície. Pelo cronograma, em agosto começa a ser feita a montagem dentro da vala, que conta com uma laje de fundo. É lá que o tatuzão será montado já na posição em que começará a operar.
Operação
O tatuzão seguirá da Vila Carrão no sentido Vila Prudente, fazendo o trecho até o VSE Falchi Gianini, um poço de ventilação localizado pouco antes da estação Vila Prudente. Nesse caminho, a máquina passará pelas estações Vila Formosa, Anália Franco, Santa Clara e Orfanato.
Após a chegada no VSE Falchi Gianini, o tatuzão será desmontado e levado para outra vala, na estação Penha — a outra “ponta” do trecho expandido. Lá, ele será remontado para escavar da estação Penha até a Vila Carrão e completar o trecho Penha-Vila Prudente, que compreende a primeira fase de expansão da Linha 2-Verde do Metrô.
Depois que o tatuzão terminar a escavação, a estrutura do túnel já estará pronta. Isso porque, conforme escava, o equipamento também instala os anéis de concreto que revestem o trecho aberto pela máquina. “Tem diversas outras etapas que a gente faz depois da passagem da máquina. Mas essa metodologia permite que logo onde foi aberto o túnel, essa estrutura já esteja pronta”, diz Pires.
Outros serviços são feitos posteriormente, como o enchimento com concreto e a instalação dos sistemas eletrônicos para funcionamento das vias e das composições.
Ao fim dos trabalhos, o tatuzão poderá ser realocado em novas obras de expansão do Metrô ou mesmo desmontado para uso das peças metálicas para outros fins, como ocorreu com a máquina utilizada nas Linhas 4-Amarela e 5-Lilás.
Ficha técnica
A tuneladora conta com compartimentos como câmara de compressão; motores hidráulicos; parafuso sem fim (que faz a retirada do material escavado); esteira para o transporte do solo; eretor (equipamento que faz a montagem dos anéis de concreto) e cinco backups que contêm cabine de comando, painéis de controle, transformador de energia, tanque hidráulico, sanitários, refeitório e trailers para movimentação de materiais.
Diâmetro: 11,66 m
Comprimento: 98 m
Peso: 2,1 mil t
Ampliação da Linha 2-Verde
A ampliação da Linha 2-Verde ocorre entre a Vila Prudente e a Penha com mais 8,4 km de vias e oito novas estações, cruzando a zona leste de São Paulo. No momento, mais de 40% das obras das estações foram executadas. Quando estiver pronto, o novo trecho vai agilizar o deslocamento na própria zona leste e também e facilitar o acesso a outras regiões da capital, além de redistribuir a demanda no transporte sobre trilhos e oferecer mais conforto à população.

A EXPANSÃO DA LINHA 2-VERDE:

A linha 2-Verde do Metrô está sendo ampliada na zona Leste, mas projeto total contempla chegada até Guarulhos, na região metropolitana.

São duas fases:

A primeira fase é até Penha e está em obras. Quando este trecho estiver concluído, a Linha 2-Verde terá 23 km de extensão, com 22 estações desde a Vila Madalena. Passará a ser a linha de metrô mais extensa de São Paulo, conectando-se diretamente com as linhas 1-Azul de metrô  (Paraíso e Ana Rosa), 3-Vermelha de metrô (Penha), 4-Amarela  de metrô (Paulista), 5-Lilás (Chácara Klabin) de metrô, 15-Prata de monotrilho (Vila Prudente), 11-Coral de trem (Penha) e terminais de ônibus urbanos (SPTrans) e metropolitanos (EMTU), transportando mais de 1,1 milhão de pessoas por dia. A ordem de serviço para início das obras do trecho Vila Prudente-Penha foi assinada em 17 de janeiro de 2020. Somente a fase 1 tem 8,3 quilômetros de extensão e oito estações.

A fase 2, trecho final da obra, chegará a Guarulhos. Entre a Penha e a via Dutra, em Guarulhos, serão mais 5,9 km e cinco estações.

Em 2021, o então governador João Doria estimou que a fase 1 até a Penha estaria pronta até 2026 e a fase, até Guarulhos, seria entregue em 2028.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/08/19/gestao-doria-preve-que-linha-2-verde-do-metro-chegue-a-guarulhos-sp-em-2028/

O projeto é antigo e sofreu vários entraves.

A concessão de financiamento para a obra foi liberada, em 21 de junho de 2013, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no valor de R$ 1,5 bilhão à época.

O início das obras chegou a ser prometido para setembro de 2014 e a promessa inicial era de conclusão em 2020. Foram assinados contratos de obras com oito consórcios, cada um responsável por um trecho de intervenção.

Mas em 08 de janeiro de 2016, o Diário do Transporte noticiava que o então governador Geraldo Alckmin tinha anunciado o adiamento por um ano do início da expansão da linha 2 Verde do Metrô, de Vila Prudente, na zona Leste de São Paulo, até Guarulhos, na região metropolitana.

O motivo alegado, na época, foi a falta de verbas. A gestão culpava o Governo Federal, até então comandado pela presidente Dilma Rousseff, por atrasos nos repasses da União. Parte do financiamento da expansão da linha 2 Verde deveria vir do BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2016/01/08/alckmin-adia-por-um-ano-o-inicio-da-expansao-da-linha-2-verde-do-metro-ate-guarulhos/

As obras, que tinham sido iniciadas, ficaram paradas por falta de dinheiro até julho de 2019.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

 

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