Eletromobilidade

Recargas de oportunidade são tendência para ônibus elétricos no Brasil e, no mundo, já são comuns

Tecnologia permite menos baterias nos coletivos, que se tornam mais leves e espaçosos; Tempo de recarga nas garagens também fica menor

ADAMO BAZANI

Tecnologias que permitem com que ônibus elétricos consigam recarregar suas baterias em horário de operação estão cada vez mais despertando a atenção de gestores públicos e donos de viações em diferentes sistemas de transportes brasileiros.

A eletrificação de parte das frotas de ônibus urbanos em todo o País é um movimento que parece que não vai retroceder, apesar ainda de algumas inseguranças que os operadores relatam.

Entre estas dúvidas estão o tempo de recarga de baterias nas garagens e o espaço “roubado” pelos bancos de baterias que ainda deixam os ônibus mais pesados que os modelos a diesel.

Esta possibilidade de fazer carregamentos rápidos e parciais das baterias em terminais, estações, áreas de descanso (estocagens) entre outras regiões de parada, chamada de “recarga de oportunidade”, já é realidade em diversos países que há mais tempo que o Brasil possuem frotas mais significativas de ônibus elétricos.

Alguns sistemas brasileiros que entraram agora na eletromobilidade já estão “nascendo” com as recargas de oportunidade.

Na última terça-feira, 27 de setembro de 2022, o Diário do Transporte esteve na região Metropolitana de Vitória, onde foi apresentado o primeiro dos quatro ônibus elétricos para o sistema Transcol, que liga diferentes cidades.

A linha que terá a operação destes veículos é a 515 Terminal Laranjeiras (Serra) – Terminal Campo Grande (Cariacica), atravessando a capital Vitória, via Litoral.

Em ambos os extremos, haverá pontos para recargas rápidas.

Com isso, foi possível empregar nos veículos um banco de baterias menor, para uma autonomia de 150 km com uma única carga.

Se o banco fosse maior, a autonomia poderia ser entre 250 km e 300 km, mas com o carregamento nos terminais, um conjunto de baterias muito grande se torna desnecessário.

Como também não há necessidade de uma infraestrutura muito grande para recarga nas garagens.

Há também outras duas vantagens, segundo as fabricantes e especialistas.

A primeira é que, como os ônibus já chegam às garagens ao fim da operação do dia com as baterias já parcialmente “abastecidas”, o tempo de recarga será menor.

Os ônibus têm pouco tempo para serem preparados para o dia seguinte. Normalmente, os coletivos chegam às garagens entre 00h30 e 01h30 e precisam ser liberados entre 03h00 e 04h00 para as linhas. São entre três e quatro horas que não podem ser usadas apenas para carregar baterias. É necessário fazer também inspeções na parte mecânica, pneus, lataria, iluminação, lavar por fora, limpar por dentro, manobrar e posicionar na fila correta para a soltura de frota. Quanto menos tempo o ônibus ficar imóvel na garagem carregando baterias, é melhor.

Outro fator apontado como vantagem é que também haverá menor uso de uma única rede de distribuição de determinado local, ou seja, é como se houvesse a “distribuição” desse consumo de energia. Uma parte da carga é feita no bairro da garagem e as outras cargas nos bairros de terminais e estações.

Estes veículos de Vitória são produzidos pela Eletra (integração e tecnologia), Caio (carroceria), Mercedes-Benz (chassi) e WEG (motor, bateria e inversor).

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2022/09/27/grande-vitoria-es-recebe-onibus-eletricos-para-o-sistema-transcol-da-eletra-mercedes-benz/

O mesmo grupo de fabricantes entregou este modelo de ônibus, com 12,5 m de comprimento e autonomia de 150 km, para o sistema de BRT (Bus Rapid Transit) de Salvador na sexta-feira, 30 de setembro de 2022.

A encomenda inicial é de oito ônibus e também foi instalada a tecnologia de recarga de oportunidade em terminal.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2022/09/30/trechos-1-e-3-do-brt-de-salvador-comecam-testes-e-onibus-eletrico-eletra-caio-mbb-weg-e-apresentado-para-o-sistema/

Ao Diário do Transporte, a presidente da Eletra, Milena Braga Romano, disse que além das vantagens operacionais, as recargas de oportunidade reduzem custos, inclusive de aquisição.

“O custo-benefício das recargas de oportunidade mostram que é uma das soluções mais viáveis para a eletromobilidade. No Brasil, 40% das frotas de ônibus urbanos fazem paradas operacionais, ou seja, não rodam o dia todo, mas nem sempre voltam para a garagem. A recarga de oportunidade barateia inclusive o veículo, já que são menos baterias, menos packs. Mas ainda há um pouco de resistência a este modelo, muito por falta de conhecimento” – explicou.

Outras fabricantes instaladas no Brasil, como Mercedes-Benz, BYD e Marcopolo também oferecem a possibilidade.

Em novembro de 2021, o Diário do Transporte acompanhou os testes de um ônibus elétrico fabricado pela Marcopolo e operado pela empresa Suzantur, em Santo André, no ABC Paulista.

Hoje o modelo Attivi está homologado, mas na ocasião, os testes eram sem passageiros justamente para o ônibus conseguir a homologação para venda.

Em um dos terminais operados pela Suzantur, no bairro de Vila Luzita, um dos mais populosos de Santo André, foi instalada uma espécie de carregador “portátil”, transportado num carrinho com duas rodas. O equipamento permite também recargas de oportunidade e dispensa obras civis nos terminais e estações.

Veja os detalhes, inclusive em vídeo, neste link:

https://diariodotransporte.com.br/2021/11/03/video-saiba-como-funciona-e-como-e-o-carregamento-do-onibus-eletrico-da-marcopolo-testado-pela-suzantur/

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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