Eletromobilidade

ENTREVISTA: Veículos elétricos no Brasil crescem, mas infraestrutura e preços precisam melhorar

Evento reuniu veículos elétricos de diferentes portes

De acordo com Ricardo Guggisberg, 100 mil veículos elétricos são comprados no Brasil por ano atualmente, desde patinetes até ônibus

ADAMO BAZANI/WILIAN MOREIRA

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O cenário dos veículos elétricos no Brasil tem melhorado, mas ainda é embrionário e há necessidade de muita coisa avançar, como na infraestrutura de recarga de baterias e redução de preços deste tipo de tração.

A opinião é do organizador de uma carreata de veículos elétricos,  Ricardo Guggisberg, em entrevista ao Diário do Transporte, na manhã deste sábado, 28 de maio de 2022.

“As pessoas vão entender porque a mobilidade elétrica é uma mobilidade efetiva, de baixo consumo, de melhorias na logística e utilização pelas famílias, mas o Brasil precisa melhorar a sua infraestrutura de recarga e os custos destes veículos, com isso, o brasileiro ingressará fielmente neste modal” – disse.

O evento ocorreu na capital paulista neste sábado (28), uma carreata com veículos elétricos que contou com patinetes, motos e carros, e também com veículos mais complexos e de maior porte como caminhões e ônibus.

Guggisberg destaca que quando foi feita a primeira carreata, há dez anos, em 2012, o Brasil consumida cerca de 800 veículos elétricos por ano, de diferentes portes. Atualmente, são aproximadamente 100 mil por ano.

As vendas no primeiro trimestre de 2022 foram 78% maiores que em relação aos três primeiros meses de 2021 levando em conta os veículos leves.

Mas os ônibus são ainda os grandes indutores de uma eletrificação em massa com avanço de tecnologia.

“A indústria brasileira de veículos pesados está preparada, com tecnologia nacional, para atender todo o consumo necessário nessa transição do ônibus a combustão para o elétrico” – disse.

A cidade de São Paulo prevê, para seguir a lei atual de mudanças climáticas e os contratos com as empresas de ônibus, que até o fim de 2024, terá ao menos 2,6 mil coletivos elétricos operando nas linhas municipais.

Em eventos anteriores, como mostrou o Diário do Transporte, a SPTrans (São Paulo Transporte), gerenciadora do sistema de ônibus municipais, informou que a gestão estuda alternativas para as viações atenderem a meta e o leasing é uma delas.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/11/11/sptrans-estuda-leasing-para-onibus-eletricos-testes-com-modelo-higer-vao-durar-seis-meses/

MENOS DE 2% DE ÔNIBUS ELÉTRICOS:

Atualmente, de acordo com os indicadores da SPTrans, a cidade de São Paulo tem uma frota contratada de 13.806 ônibus de diferentes portes.

Apenas 219 são não poluentes na operação, ou seja, menos de 2%; sendo 18 elétricos à bateria, operados pela Transwolff na zona Sul; e 201 trólebus (conectados à rede área), da Ambiental Transportes (Consórcio TransVida), que ligam a zona leste ao centro e parte das zonas Oeste e Sudeste.

CORREDORES:

omo mostrou o Diário do Transporte, em 05 de novembro de 2021, durante anúncio de parceria do Estado de São Paulo e da Prefeitura em investimentos em mobilidade, o prefeito Ricardo Nunes e o governador João Doria disseram que os novos corredores de ônibus da cidade serão servidos apenas por modelos elétricos.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/11/06/ouca-novos-corredores-de-onibus-de-sao-paulo-serao-operados-com-onibus-eletricos-diz-doria/

O Plano de Mobilidade Urbana da Cidade prevê 27 obras que totalizam mais de R$ 5,5 bilhões, entre a implantação de 11 novos corredores de ônibus, o que representa mais de 95 km de novas vias, 30 km de requalificação de corredores já existentes, além da construção de quatro novos terminais.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/11/05/prefeitura-de-sao-paulo-anuncia-brts-e-corredores-de-onibus-dentro-de-pacote-de-mobilidade-que-soma-r-55-bilhoes/

CENÁRIO DA INDÚSTRIA:

Apesar de os veículos elétricos também serem impactados pela falta de insumos e equipamentos, como também ocorre com automóveis a combustão, a demanda pelos modelos não poluentes tem aumentado.

No Brasil, já existem opções de produtos em plena atividade, algumas que apresentarão modelos e outras que estão se estabelecendo (por ordem alfabética):

BYD: Indústria de origem chinesa, com planta em Campinas (SP), que fabrica ônibus elétricos de diversos portes: micros, padrons e articulados, além de rodoviários, produzindo as baterias, tecnologia e chassis. Está entre as maiores produtoras mundiais na área de mobilidade elétrica e produz também no Brasil placas de energia solar. Existem diversas cidades que operam com ônibus BYD no Brasil, inclusive São Paulo.

CaetanoBus: A empresa portuguesa CaetanoBus trouxe para testes no sistema de transportes da cidade de São Paulo o chassi e.CC 100 C5845 E.E, 100% elétrico. O modelo recebeu carroceria Caio, de produção brasileira. O e.CC 100 pode ser receber carrocerias de comprimento mínimo de 9.5 metros e máximo de 12.7metros.

Eletra: Indústria 100% nacional, do Grupo ABC/Next Mobilidade, com planta em São Bernardo do Campo (SP). A empresa foi inaugurada oficialmente no dia 22 de agosto de 2000. Faz toda a integração e tecnologia para ônibus elétricos à bateria, trólebus, híbridos (motores elétricos e à combustão no mesmo veículo), Dual Bus (mais de um tipo de tração elétrica em mesmo ônibus, por exemplo: trólebus+baterias ou baterias+híbridos). Não produz os chassis e baterias. O BRT-ABC, entre São Bernardo do Campo e São Paulo, é uma concessão à Next Mobilidade terá ônibus 100% elétricos de 22 metros cada com tecnologia Eletra, chassis Mercedes-Benz e carroceria Caio.

Higer: Empresa de origem chinesa que apresentou um modelo elétrico de ônibus padron neste mês de novembro de 2021 na capital paulista. Diz que trará ao Brasil também vans, ônibus articulados e ônibus rodoviários elétricos. Os modelos são monoblocos (chassi, motores e carroceria formando um bloco só).

Marcopolo: Tradicional fabricante de carrocerias de Caxias do Sul (RS), testa em parceria com a empresa Suzantur, operadora de transportes de Santo André (SP), um ônibus 100% elétrico, projeto integral da Marcopolo. O modelo é padron com piso baixo. O veículo circula sem passageiros entre o Terminal Vila Luzita (bairro populoso de Santo André) e o terminal principal da cidade no centro (Terminal Santo André Oeste).

Mercedes-Benz: A gigante alemã lançou em 25 de agosto de 2021 o chassi de ônibus elétricos eO500U, de piso baixo, para carrocerias de até 13,2 metros, justamente os padrões de São Paulo. O modelo será produzido em São Bernardo do Campo (SP) e em 2022 já serão vistas as primeiras unidades. Para a capital paulista, já há um mercado previsto para ser iniciado com cerca de 150 unidades com carroceria Caio.  A empresa planeja lançar em breve ônibus articulados e superarticulados.

Volvo: A gigante sueca produziu em Curitiba (PR) um modelo de ônibus elétrico híbrido. O ônibus tem um motor a combustão, que gera energia, e o elétrico que atua na maior parte da tração. A tecnologia é híbrida paralela, quando o ônibus está parado, freia e até 20 km/h a atuação é do motor elétrico. A partir de 20 km/h, entra em operação o motor a combustão. Há unidades em circulação em Curitiba, Foz do Iguaçu e Santo André (Suzantur), por exemplo.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Willian Moreira, em colaboração especial para o Diário do Transporte

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