Lucro líquido da CCR sobe 401,2% no primeiro trimestre de 2022

Número de passageiros transportados nos negócios de mobilidade apresentou crescimento de 92,8% no período; Pagamento bilionário do Governo do Estado de SP à ViaQuatro (linha 4-Amarela) ajudou o resultado

ADAMO BAZANI

O primeiro trimestre de 2022 não foi nada mal para a gigante de concessões CCR, que controla trens metropolitanos, metrôs, VLTs (Veículos Leves sobre Trilhos), barcas, rodovias e aeroportos. Aliás, nada mal é eufemismo, já que o conglomerado lucrou e muito.

Balanço financeiro divulgado a investidores pela própria CCR mostra que no primeiro trimestre de 2022, seu lucro líquido praticamente quintuplicou, subindo 401,2% em relação ao mesmo período de 2021 e alcançando nos três primeiros meses deste ano, R$ 3,45 bilhões. No primeiro trimestre de 2021, o valor foi de R$ 688,9 milhões.

O reequilíbrio de R$ 1,1 bilhão (R$ 730 milhões líquidos de impostos) da ViaQuatro (Linha 4-Amarela de metrô de São Paulo), pago pelo governo do Estado de São Paulo, ajudou a explicar estes resultados positivos.

Em 23 de março de 2021, o Diário do Transporte mostrou que o Governo do Estado de São Paulo reconheceu o pagamento do equilíbrio por causa do atraso nas obras da linha 4 e a sobreposição de linhas de ônibus metropolitanos que não foram cortadas mesmo com estações abertas.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/03/23/governo-de-sao-paulo-pagara-divida-bilionaria-a-via-quatro-por-reequilibrio-economico/

O crescimento supera e muito os efeitos econômicos da pandemia de covid-19 que afetou a demanda de passageiros nos transportes públicos e aeroportos, mas não reduziu significativamente a circulação nas rodovias concedidas, em especial por causa dos transportes de cargas impulsionados pelo comércio eletrônico que gera necessidade de mais entregas.

Fazendo o recorte apenas da mobilidade urbana, apesar de a demanda ainda não ser a mesma apurada antes da pandemia, a CCR registrou no primeiro trimestre de 2022 altas expressivas em relação ao mesmo período de 2021.

Segundo a CCR, o número de passageiros transportados nos negócios de mobilidade apresentou crescimento de 92,8% no primeiro trimestre de 2022, o que significa dizer que os negócios da CCR nesta área transportaram 126 milhões de passageiros (126.020.353). No primeiro trimestre de 2021, foram 63 milhões de passageiros (65.359.002).

Excluindo-se as Linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda, assumidas integralmente pelo Grupo em 27 de janeiro de 2022, o crescimento foi de 39,7% no período.

O Diário do Transporte mostrou que a ViaMobilidade, responsável pela operação e manutenção das Linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda de trens metropolitanos, recebeu mais uma multa de R$ 3,6 milhões da STM (Secretaria dos Transportes Metropolitanos). Com isso, o total de penalidades por não cumprimento contratual é de R$ 7,9 milhões por falhas na operação destes serviços.

Não é de hoje que o Diário do Transporte e outros órgãos de imprensa, especializados em transportes ou de cobertura geral, destacam falhas e ocorrências que afetam as operações, com as redes sociais lotadas de reclamações, mas que, nestes momentos, os canais oficiais da operadora dizem que a situação é normal, não sendo verdade.

Diário do Transporte também revelou com exclusividade um problema sério envolvendo a concessão: a ViaMobilidade começou a operar as linhas 8 e 9 com 65% da frota de trens com revisão vencida. E muito vencida. Por exemplo, os rodeiros, conjunto de rodas dos trens que devem ser revisados a cada 1,2 milhão de quilômetros, estavam com até dois milhões de quilômetros sem revisão. Essa frota foi recebida da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos). As responsabilidades da estatal, da concessionária e da STM (Secretaria dos Transportes Metropolitanos – responsável por acompanhar a concessão) são apuradas pelo Ministério Público que pode sugerir à Justiça penalizações contra os envolvidos.

Entre estes trens com revisão vencida está aquele que bateu contra uma plataforma na estação Júlio Prestes da linha 8 em 10 de março de 2022. No mesmo dia, um funcionário morreu eletrocutado ao mexer em equipamentos da linha 9.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2022/05/05/viamobilidade-iniciou-operacoes-das-linhas-8-e-9-com-65-da-frota-de-trens-com-revisao-vencida-apontam-documentos/

MOBILIDADE URBANA:

Na área de mobilidade, a CCR controla (de forma única ou associada) diversos empreendimentos.

Em São Paulo controla a ViaQuatro – Linha 4 do metrô, ViaMobilidade – Linha 5 Lilás de Metrô de São Paulo e ViaMobilidade 8 e 9, de trens metropolitanos, estam uma concessão de 30 anos arrematada em 20 de abril de 2021, com um lance de R$ 980 milhões, das linhas 8 e 9 da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos).

Nestes empreendimentos, a CCR tem como sócio minoritário, o Grupo RuasInvest, liderado pela família Ruas que controla parte da frota dos ônibus municipais da capital paulista e possui empreendimentos como a Otima (mobiliário urbano), Banco Luso Brasileiro, as empresas de ônibus rodoviários Ultra e Rápido Brasil, que ligam a capital ao litoral paulista, e as fabricantes de carrocerias de ônibus Caio (urbanos) e Busscar (rodoviários).

O monotrilho da linha 15-Prata de São Paulo ainda não foi assumido pelo grupo por determinação judicial e o monotrilho da linha 17 ainda não está pronto, apesar das obras desde 2010/11.  Nestes empreendimentos em São Paulo, é sócio minoritário também é o RuasInvest.

A CCR ainda participa na área de mobilidade nas Barcas do Estado do Rio de Janeiro (CCR Barcas), no VLT Veículo Leve sobre Trilhos na cidade do Rio de Janeiro (VLT Carioca), no Metrô da Bahia.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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