Greve de ônibus atinge Petrópolis (RJ) nesta quarta (06)

Justiça proibiu greve, mas categoria mesmo assim cruzou os braços

ADAMO BAZANI

Uma greve de motoristas de ônibus afeta os transportes em Petrópolis, região Serrana do Rio de Janeiro, nesta quarta-feira, 06 de abril de 2022.

A paralisação ocorre mesmo com uma determinação judicial que proibiu a greve até o dia 25 de abril, data da próxima audiência, sob pena de R$ 100 mil de multa diária ao Sindicato dos Rodoviários em caso de descumprimento. A decisão foi de segunda-feira (04).

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2022/04/04/greve-de-onibus-em-petropolis-rj-e-proibida-pela-justica-do-trabalho-ate-o-dia-25-de-abril/

O sindicato dos rodoviários disse que recorreu e, por isso, mantém todos os ônibus parados.

Os trabalhadores pediram inicialmente reajustes salarial de 17%, cesta básica de R$ 700 e fim da hora fracionada do almoço.

Em nota, o Setranspetro, que reúne as empresas de ônibus, diz lamentar a greve e informa que ofereceu contraproposta em negociações.

A população petropolitana está sem os serviços de transporte público por ônibus, desde as primeiras horas da madrugada desta quarta-feira (6). Recusando quatro propostas do patronal, a categoria dos rodoviários instalou movimento de greve, mesmo com as negociações ainda em curso, descumprindo, inclusive, decisão liminar do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), que impede a paralisação, por entender que não foram esgotadas todas as possibilidades de negociação.

Por volta da meia-noite, trabalhadores aguardavam a chegada dos ônibus nos pontos e terminais para voltar às suas casas, o que não aconteceu, devido ao movimento ilegal adotado pelos rodoviários. Pela manhã, o deslocamento da população que depende do ônibus ficou comprometido, assim como os estudantes, que perderam mais um dia de aula neste período letivo.

Com as ruas vazias, o comércio volta a sofrer duras consequências da paralisação, que dificulta a recuperação da economia da cidade, podendo, inclusive, comprometer os postos de trabalho em diversos setores da economia.

Ao contrário do que acontece com muitos sindicatos do estado do Rio, que não apresentaram qualquer tipo de proposta de reajuste, neste ano, mesmo em um cenário de extrema crise, mas, novamente em respeito à categoria, o Setranspetro ofereceu um percentual de 10,54% de aumento nos salários e também 10% sobre o valor da cesta básica, entre outras condições de cláusulas sociais reivindicadas.

Com a greve ilegal, os prejuízos atingem o transporte público e todos os setores sociais e econômicos da cidade, que tentam se reerguer após duas catástrofes naturais, com perdas irreparáveis ao comércio, indústria, profissionais dos serviços essenciais e até aos estudantes, que não conseguirão se deslocar às escolas.

O movimento, além de ser considerado antidemocrático, também é sujeito às medidas e sanções cabíveis à categoria. Inclusive, a greve vai contra o diálogo traçado ao longo de toda a terça-feira (5), com o Governo Municipal, Câmara Municipal, Rodoviários e Empresários.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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