Banco Mercedes-Benz aprova R$ 1 bilhão pelo Move 2; R$ 300 milhões em ônibus e implementos

Linha do Governo Federal está quase no fim. Ajudou, mas não resolveu dificuldades de créditos e frota antiga, principalmente de caminhões

ADAMO BAZANI

O Banco da Mercedes-Benz divulgou nesta segunda-feira, 22 de junho de 2026, o balanço parcial das aprovações de recursos por meio da instituição de financiamento no âmbito do Move 2, do Governo Federal.

O banco da marca de origem alemã diz que, em duas semanas de programa, aprovou R$ 1,069 bilhão. Deste total, somente no banco da Mercedes-Benz, no período, R$ 768 milhões foram destinados à aquisição de caminhões e implementos rodoviários, enquanto R$ 301 milhões contemplaram ônibus e implementos.

O volume já supera os R$ 616 milhões submetidos ao BNDES pela instituição durante toda a primeira fase do programa (Move 1), que só abrangia caminhões.

Como mostrou o Diário do Transporte, com a intermediação de diversos agentes financeiros, o BNDES começou a aceitar as propostas de adesão ao Move 2 em 29 de maio de 2026.

No total, o Move 2 contou com R$ 21,2 bilhões, dos quais, R$ 2 bilhões somente para ônibus.

Para os “meros mortais”, parece muito, mas o valor não está nem arranhando as necessidades dos donos de empresas de ônibus e de caminhões (frotistas ou autônomos) e já está praticamente no final.

Ajudou, mas não o suficiente para sanar de forma significativa as dificuldades de acesso a crédito, ainda mais no atual cenário de altos juros e incertezas para os transportes, e menos ainda para renovar a frota de veículos comerciais pesados, acima da idade média habitual no Brasil no caso dos ônibus e extremamente elevada entre os caminhões, com veículos rodando há mais de 30 anos.

Isso indica mais uma vez que incentivos pontuais são ótimos, mas jamais vão superar políticas públicas de longo prazo e atemporais.

E o dinheiro já está acabando.

Como mostrou o Diário do Transporte, em balanço divulgado em 16 de junho de 2026, o BNDES informou que, até então, considerando todo o volume de R$ 21,1 bilhões para os mais variados tipos de veículos pesados, R$ 10 bilhões, ou 47,1%, tiveram aprovação.

Especificamente sobre os ônibus, os recursos vão acabar mais rapidamente. Até 16 de junho de 2026, dos R$ 2 bilhões para ônibus, o BNDES tinha aprovado R$ 1,6 bilhão, ou cerca de 80%

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2026/06/16/bndes-diz-que-80-das-verbas-para-onibus-no-move-2-ja-foram-comprometidos/

Na nota desta segunda-feira (22), o Banco Mercedes-Benz diz que no caso do segmento de ônibus, em especial, o resultado demonstra o momento positivo vivido pelo setor e consolida o Move Brasil como uma alternativa viável para apoiar investimentos, renovação de frota e ampliação da capacidade operacional das empresas.

O presidente e CEO do Banco Mercedes-Benz, Leonardo Piccinini, confirma que, além das condições mais vantajosas do Move 2, os resultados expressam a extrema carência que os operadores de transportes, seja de cargas ou passageiros; pequenos ou grandes, autônomos ou frotistas, possuem de crédito.

 “O desempenho inicial do BNDES Mais Mobilidade confirma a relevância da iniciativa para o setor de transporte. O volume aprovado revela uma demanda consistente por crédito em condições competitivas e aponta a confiança das empresas em retomar investimentos para renovar ou ampliar suas frotas, com foco em eficiência operacional e ganho de competitividade”, afirmou Piccinini, segundo a nota.

CARTILHA:

O BNDES ainda informou que lançou uma cartilha para esclarecer motoristas autônomos e proprietários de empresas para tirar a principais dúvidas quanto à linha de financiamento.

O material pode ser acessado neste link:  https://www.bndes.gov.br/wps/wcm/connect/site/129e2f3d-2777-48b7-a582-a1078c06a1dc/Cartilha+BNDES+Mais+Mobilidade.pdf?MOD=AJPERES

JUROS, PRAZOS E COMO ACESSAR:

Ainda na nota, o BNDES explica que as taxas de juros são até de 12,36% a.a. – ao ano – (ou 11,26% a.a. em caso de entrega do veículo usado para desmontagem).

Os prazos para o pagamento variam entre 60 meses (para transportadoras de cargas) e 120 meses (para caminhoneiros e para ônibus). Há possibilidade de financiamento de caminhões seminovos, fabricados a partir de 2012 (padrão de redução de emissões Euro V em diante).

Conheça o programa – Coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o programa Move Brasil amplia o apoio às iniciativas de renovação de frota no país. A iniciativa prevê reserva de R$ 2 bilhões para aquisição de ônibus e micro-ônibus, além de R$ 2 bilhões para transportadores autônomos de cargas e pessoas físicas associados a cooperativas. No novo programa, a compra de caminhões e caminhões-tratores seminovos será permitida apenas para transportadores autônomos e cooperados.

Para veículos novos, o programa exige fabricação nacional, credenciamento no CFI do BNDES e atendimento ao padrão Proconve P-8 (Programa de Controle de Emissões Veiculares). No caso de caminhões e caminhões-tratores seminovos, os veículos devem ter fabricação a partir de 2012, atender à fase P-7 do Proconve e observar critérios de rastreabilidade fiscal.

As condições de financiamento variam conforme o perfil do beneficiário. Para autônomos, o prazo total poderá chegar a 120 meses, com até 12 meses de carência. Para empresas do setor de transporte rodoviário ou urbano de cargas, o prazo poderá chegar a 60 meses, com até 6 meses de carência. Para empresas do setor de transporte rodoviário ou urbano de passageiros, o prazo poderá chegar a 120 meses, com até 6 meses de carência.

As taxas de juros podem alcançar patamares competitivos em relação às taxas praticadas no mercado, próximo a 13% ao ano. O programa prevê limite de financiamento de até R$ 50 milhões por cliente, sem valor mínimo, admite a utilização de fundos garantidores, conforme disponibilidade, regras específicas de cada fundo e política do agente financeiro.

Além dos veículos e implementos, poderão ser financiados itens associados à operação, como seguro do bem, seguro prestamista e comissão de fundos garantidores, desde que contratados em conjunto com o financiamento. Esses itens adicionais são elegíveis para clientes com receita operacional bruta de até R$ 300 milhões. 

Como acessar – Os interessados devem procurar uma instituição financeira credenciada ao BNDES. O Banco não realiza operações diretamente com os clientes finais nessa modalidade. Caberá ao agente financeiro analisar o crédito, negociar as condições finais da operação e encaminhar o pedido ao BNDES, conforme as regras do programa.

O prazo para protocolo das operações no sistema do BNDES vai até 28 de agosto de 2026, e a data limite para comunicação da contratação ao Banco é 28 de setembro de 2026. O programa poderá ser suspenso ou encerrado antes dessas datas em caso de esgotamento da dotação orçamentária disponível.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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