Justiça nega pedido da São João que quer deixar Votorantim antes da metade de 2022, conforme determinou 1ª instância

Na decisão, 8ª Câmara de Direito Público cita, entre outros fatores, o risco de descontinuidade dos serviços de transportes

ADAMO BAZANI

A 8ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo negou pedido da Auto Ônibus São João que tentava derrubar uma decisão de 1ª Instância que a obriga a ficar operando no sistema de transportes municipais de Votorantim, no interior paulista, até maio de 2022.

A companhia de ônibus, alegando desequilíbrio econômico e suposto descumprimento desta cláusula financeira do contrato por parte da prefeitura, quer deixar cidade.

Como reportou o Diário do Transporte, em primeira instância no dia 26 de novembro de 2021, a juíza Graziela Gomes dos Santos Biazzim, da Segunda Vara Cível de Votorantim, atendeu parcialmente o pedido da prefeitura e determinou que a empresa Auto Ônibus São João continue operando na cidade por, no máximo, 180 dias até o município concluir uma nova licitação do transporte.

A magistrada ainda determinou que se parar de operar neste período, a empresa de ônibus será multada em R$ 30 mil por dia. A prefeitura havia pedido permanência de dois anos e a determinação de multa de R$ 200 mil.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/11/26/justica-determina-que-sao-joao-continue-operando-em-votorantim-por-mais-ate-180-dias/

A São João recorreu e, entre outros argumentos, alegou “não ser obrigada a permanecer prestando serviço deficitário, por ineficiência do Município em inaugurar procedimento licitatório ou efetivar contratação emergencial”

A empresa de ônibus ainda sustentou no recurso que “o contrato contempla cláusula expressa definindo como condição para a continuidade de sua vigência e eficácia a conclusão dos estudos de revisão tarifária para fins de reequilíbrio econômico-financeiro a que o Município não procedeu”

Entretanto, seguindo o entendimento da primeira instância, o desembargador relator Bandeira Lins, destacou a necessidade da continuação dos serviços de transportes coletivos que são essenciais.

Demais disso, a decisão se assenta em risco de descontinuidade de serviço público essencial, que necessita ser prestado sem interrupção; e, ante esse traço de premência, o prazo estipulado não se afigura abusivo ou desarrazoado frente à providências a serem tomadas pela Municipalidade para regularizar a prestação

O relator ainda destacou que o contrato com vigência restante de 19 anos após três aditivos ainda está em vigor e que a ação deve ir até o final, quando, se realmente for comprovado que houve prejuízos, a São João poderá cobrá-los.

O deferimento da proteção liminar tampouco representa dano imediato à concessionária que não se vê impedida de pleitear, à frente, eventuais prejuízos que entenda ter sofrido, nos termos do parágrafo único, do artigo 59, da Lei 8.666/93.

Assim, o processo continua, mas, por ora, fica mantida a determinação de a São João continuar em Votorantim até maio de 2022.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. vagligeiro disse:

    Não sei se algum juiz vai ler este comentário, mas penso o seguinte: se a própria empresa está pedindo para sair, é porque ela não tem condições de operação. É simples a lógica!

    Dias atrás fui em Votorantim e, dado que esqueci de consultar o Diário do Transporte, não sabia que a situação do transporte lá estava grave, com redução de horários e uso de veículos originalmente EMTU para serviços municipais, tanto que tive problemas com isso.

    Se a empresa já pediu para sair, é porque ela precisa sair. Espero que a prefeitura de Votorantim e órgãos regionais da Região Metropolitana de Sorocaba se organizem para ajudar a criar uma forma de Votorantim ter uma migração de sistema de transporte público sem percalços, e que tal migração acompanhe também formas de uso integrado aos serviços da Região Metropolitana, ligando a cidade a vizinhos inclusive. Provocar investidores ou interessados para operar os serviços seria uma boa, ou até mesmo já estudar a possibilidade de migrar as operações para algo estatizado, tal como várias cidades no Brasil vem adotando – operações subsidiadas pelo Governo Municipal e gratuitas a população.

    Bons políticos pensam antecipado e tomam atitudes corretas. E justiça também não deixa de ser uma forma de participação política, querendo ou não.

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