Com tantos problemas envolvendo o TOP, gestão Doria cria comitê e cobra de associação de empresas explicações

Governo do Estado é também cobrado pelo Ministério Público: dúvidas sobre o saldo remanescente do BOM que não dá para pagar uma passagem, falta de papel para o QR Code, queda de sistema e fraudes estão entre as dificuldades que os passageiros são obrigados a enfrentar por causa do TOP

ADAMO BAZANI

Por causa de tantos problemas envolvendo a nova bilhetagem eletrônica dos transportes metropolitanos da gestão João Doria, chamada de TOP, o governo do Estado decidiu implantar um comitê para apurar a série de transtornos enfrentada pelos passageiros dos ônibus intermunicipais gerenciados pela EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos), da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), Metrô e monotrilho.

A criação foi publicada na edição do Diário Oficial de 08 de dezembro de 2021.

Além disso, a STM (Secretaria dos Transportes Metropolitanos) deu 72 horas para a ABASP (Associação Apoio Bilhetagem Arrecadação Serviços Públicos de Transportes Coletivos de Passageiros no Estado de São Paulo) explicar a série de defeitos e falhas que prejudicam os usuários diariamente desde a implantação do TOP.

A Secretaria dos Transportes Metropolitanos informou por meio de nota, após a veiculação pela imprensa oficial, que a notificação foi feita na noite de terça-feira (07) por meio de uma carta, segundo a qual, destacou ser imperativa a “adoção de todas as providências necessárias para assegurar o direito dos passageiros à aquisição dos bilhetes e ao consequente ingresso no sistema de transporte público metropolitano”.

Fundada em 2019, a ABASP reúne as empresas de ônibus do sistema EMTU reunidas no CMT (Consórcio Metropolitano de Transporte), a Companhia do Metropolitano de São Paulo – METRÔ e pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos – CPTM.

O COMITÊ:

O comitê será formado pelo secretário dos Transportes Metropolitanos, Paulo Galli; um membro representante da Coordenadoria de Relações Institucionais – CRI; um membro representante da Comissão de Monitoramento de Concessões e Permissões; um membro representante da Coordenadoria de Transportes Coletivos – CTC; um membro representante da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos – EMTU; um membro representante da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos – CPTM; e  um membro representante da Companhia do Metropolitano de São Paulo – METRÔ.

Entre as atribuições deste comitê estão:

– Monitorar a implantação bilhete “TOP”;

– Acompanhar a transição dos bilhetes “BOM” (Bilhete Ônibus Metropolitano) e Edmonson para o bilhete TOP;

– Solicitar informações, esclarecimentos e relatórios de conformidade aos gestores do sistema de bilhetagem;

– Analisar a solução de pendências técnicas e a mitigação de eventuais danos decorrentes da implantação do novo sistema de bilhetagem.

Esse Comitê deve dar explicações para o Ministério Público de São Paulo.

Como mostrou em primeira mão o Diário do Transporte, em 26 de novembro de 2021, o promotor da Promotoria de Justiça do Consumidor da Capital Paulista, Luiz Ambra Neto, instaurou um PPIC (Procedimento Preparatório de Inquérito Civil) com uma série de questionamentos sobre a mudança de cartões, em especial sobre o saldo residual que cada BOM pode ter e não será transferido para o TOP e nem será usado nos ônibus e trens, apesar de serem valores já pagos pelos passageiros.

A partir de janeiro de 2022, o Cartão BOM não poderá ser mais carregado, o saldo pode ser usado até o final. Entretanto, como não haverá transferência de saldo do BOM para o TOP, as sobras que ficarem no BOM e não forem suficientes para pagar uma passagem inteira poderão ser perdidas pelos passageiros, ficando nos bolsos do Governo do Estado de São Paulo e com as operadoras dos sistemas de trilhos e de ônibus. Na prática, é quase impossível zerar o Cartão BOM em muitos casos.

Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2021/11/26/entrevista-mp-entra-no-caso-da-mudanca-do-bom-para-o-top-e-cobra-da-gestao-doria-explicacoes-sobre-residual-que-pode-ser-perdido-por-passageiros/

TOP E A VIDA DIFÍCIL DO PASSAGEIRO:

A vida do passageiro dos transportes metropolitanos de São Paulo se tornou ainda mais difícil com a implantação do TOP.

Diariamente o Diário do Transporte tem acompanhado os problemas que não são poucos, ente os quais:

– Na hora de fazer o cadastro, ocorrem muitas falhas e muitos passageiros tiveram de tentar várias vezes e alguns desistiram;

– Mesmo após o sistema ter confirmado o cadastro, passageiros relatam que não conseguem fazer o acesso

– Falta papel constantemente nos totens do TOP para imprimir o QR Code;

– Aplicativo do TOP apresenta instabilidades de forma constante;

– Secretaria dos Transportes Metropolitanos não explica de forma clara o que vai ser feito com o saldo residual que não é suficiente para pagar uma passagem do Cartão BOM que não poderá ser carregado a partir de janeiro de 2022. A STM diz que não haverá perda de saldo, mas ao mesmo tempo diz que não haverá transferência do BOM para o TOP. Qual seria o mecanismo então para usar este residual? – Ainda sem explicações;

– Passageiros da EMTU estão confusos porque os ônibus estão aceitando gradativamente o TOP e não há informações amplamente divulgadas sobre o cronograma que varia de acordo com a viação

– Passageiros onde havia o BOM nos sistemas municipais estão perdendo as integrações com o sistema de trilhos já que o TOP não será usado nestes ônibus municipais;

– Fraudes estão sendo recorrentes, com criminosos conseguindo imprimir o QR Code sem pagar e vendendo os bilhetinhos de papel no mercado paralelo;

– O TOP, apesar de ser “nova bilhetagem”, foi implantado sem licitação ou qualquer tipo de concorrência pública. A operadora é a empresa Autopass, que já operava o BOM, por isso o estranhamento quanto ao fato de a STM (Secretaria dos Transportes Metropolitanos) dizer que não é possível transferir saldo do BOM para o TOP;

FALTA DE PAPEL:

A reportagem mostrou que nos últimos dias, o problema foi a falta de papel nos totens que imprimem o QRCode.

Entre as estações apontadas pelos passageiros, estão Sapopemba, Itaquera, Tietê e Osasco.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/12/02/passageiros-voltam-a-relatar-falta-de-papel-para-imprimir-o-qr-code-do-top-em-estacoes-de-trem-metro-e-monotrilho/

SALDO DO BOM COM O GOVERNO E EMPRESAS DE TRANSPORTES

Ministério Público que questionou a STM (Secretaria dos Transportes Metropolitanos) sobre os saldos residuais que vão sobrar no Cartão BOM, que será descontinuado, e não poderão ser transferidos para o TOP, novo cartão dos ônibus do sistema EMTU e nos trilhos: CPTM e Metrô.

O promotor da Promotoria de Justiça do Consumidor da Capital Paulista, Luiz Ambra Neto, instaurou um PPIC (Procedimento Preparatório de Inquérito Civil) com uma série de questionamentos sobre a mudança de cartões, em especial sobre o saldo residual que cada BOM pode ter e não será transferido para o TOP e nem será usado nos ônibus e trens, apesar de serem valores já pagos pelos passageiros.

A partir de janeiro de 2022, o Cartão BOM não poderá ser mais carregado, o saldo pode ser usado até o final. Entretanto, como não haverá transferência de saldo do BOM para o TOP, as sobras que ficarem no BOM e não forem suficientes para pagar uma passagem inteira poderão ser perdidas pelos passageiros, ficando nos bolsos do Governo do Estado de São Paulo e com as operadoras dos sistemas de trilhos e de ônibus. Na prática, é quase impossível zerar o Cartão BOM em muitos casos.

Em cada cartão, devem sobrar valores baixos, entre alguns centavos e R$ 4, R$ 5. Mas somados todos os milhões de cartões BOM que existem, os valores serão milionários.

Tudo dinheiro já pago diretamente pelo passageiro na modalidade Comum do BOM ou pelo empregador que comprou o Vale-Transporte do funcionário.

Ouça e entrevista em:

https://diariodotransporte.com.br/2021/11/26/entrevista-mp-entra-no-caso-da-mudanca-do-bom-para-o-top-e-cobra-da-gestao-doria-explicacoes-sobre-residual-que-pode-ser-perdido-por-passageiros/

Entidades de defesa do consumidor criticaram o fato de o Governo do Estado ficar com estes residuais por não haver transferência de saldo entre cartões, ainda mais porque tanto o BOM como o TOP são administrados pela mesma empresa, a Autopass.

O coordenador de mobilidade do Idec (Instituto de Defesa do Consumidor), Rafael Calábria, disse em entrevista ao Diário do Transporte que o ato é uma prática abusiva que que o passageiro não deve pagar por uma escolha do Governo do Estado em trocar o Cartão.

“O usuário não pode ter um ônus para continuar tendo acesso à bilhetagem porque o Governo do Estado decidiu mudar o bilhete. O que se espera é que o Governo do Estado dê transparência a este ponto da mudança, atenda a cada uma das pessoas e proceda eletronicamente uma transferência. O acesso ao dinheiro que é da pessoa é garantido por lei. “ – disse Calábria.

“É uma questão relevante sim. Podem ser valores pequenos por cartões, mas somando, no total é um valor grande” – complementou

Já o Procon, em nota ao Diário do Transporte, voltou a defender que o passageiro do transporte metropolitano não pode perder um centavo sequer no processo de descontinuidade do Cartão BOM e entrada de um novo bilhete, o TOP, a ser usado no Metrô, CPTM e ônibus do sistema EMTU.

Os créditos existentes no cartão BOM terão que ser esgotados, não pode haver cancelamento sem que eles sejam utilizados qualquer que seja o pretexto.

Sendo criado um novo cartão os créditos devem ser passados para o novo cartão ou o cartão anterior deve ser mantido com o usuário até o esgotamento dos créditos existentes.

Um abaixo-assinado virtual endereçado ao governador de São Paulo, João Doria, pede que a gestão estadual encontre uma forma para que sejam transferidos os créditos do Cartão BOM para o Cartão TOP nos transportes metropolitanos: ônibus do sistema EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos), Metrô e CPTM.

O endereço da petição é:  https://peticaopublica.com.br/pview.aspx?pi=BR121457

FRAUDES:

Policiais civis apreenderam em 03 de dezembro de 2021, 386 bilhetes QR Code do TOP, nova bilhetagem dos transportes metropolitanos de São Paulo, obtidos de forma irregular e que eram vendidos por um homem de 32 anos na estação Jardim São Paulo, na zona Norte da capital paulista.

A informação foi confirmada pela SSP (Secretaria de Segurança Pública) nesta segunda-feira, 06 de dezembro de 2021.

Foi a maior apreensão até o momento.

De acorro com a pasta, o suspeito vendia os bilhetes por valores entre R$ 4,40 e R$ 5.

Em 30 de novembro de 2021, uma operadora de telemarketing de 24 anos, foi presa em flagrante por estelionato na Avenida Brasil, no Parque das Américas, em Mauá. Policiais civis atenderam a ocorrência e localizaram a autora – ela havia acabado de imprimir 40 bilhetes de transporte sem ter efetuado o pagamento de nenhum deles. Os tickets e um cartão bancário foram apreendidos. O caso foi registrado pelo 1º Distrito Policial do município, que requisitou perícia aos institutos Médico Legal (IML) e de Criminalística (IC).

Foi o segundo caso de investigação de fraude da nova bilhetagem eletrônica lançada pelo governador João Doria para os transportes metropolitanos: ônibus EMTU, Metrô e CPTM.

Como mostrou o Diário do Transporte, um suspeito foi detido em 21 de novembro de 2021 nas proximidades da estação Mauá da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos).

A Polícia Civil obteve informações de que golpistas estariam nas máquinas de QR Code do TOP nas estações de CPTM e Metrô e terminais de ônibus fazendo um procedimento que permite a impressão dos códigos com o cancelamento da compra posteriormente, ou seja, conseguem imprimir, mas não pagam nada.

Segundo a Polícia, diversos destes bilhetes passaram normalmente nas catracas.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/11/25/policia-identifica-esquema-de-fraude-com-o-qr-code-do-top-dos-transportes-metropolitanos-de-sao-paulo/

IMPLANTÃÇÃO GRADATIVA NA EMTU CONFUNDE PASSAGEIROS

O Cartão TOP, novo sistema de bilhetagem eletrônica que vai substituir o Cartão BOM, está em processo de implantação nos ônibus do transporte intermunicipal de São Paulo, gerenciados pela EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos).

Isso tem deixado os passageiros confusos porque em algumas linhas o TOP funciona e, em outras, não.

Segundo cronograma obtido pelo Diário do Transporte, a aceitação do TOP nos ônibus é feita em um processo gradual, com grupos de empresas que atuam em determinadas regiões

No documento o processo tem previsão de ser concluído em 20 de dezembro deste ano, quando em teoria o TOP será usado em todos os ônibus.

Para o passageiro, além de falta de informação, confusão porque muitas vezes, o mesmo usuário numa mesma viagem usa uma linha com o TOP e outra que não aceita ainda.

Veja um exemplo:

O Next Mobilidade/Metra (trólebus) é estruturante e segundo o cronograma, aceita o TOP desde 29 de novembro de 2021. Dele, muita gente para as cidades de Mauá, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra e São Caetano segue de EAOSA e Ribeirão Pires, por exemplo. Apesar de haver a CPTM entre o Corredor ABD e estas cidades, algumas linhas destes ônibus metropolitanos fazem caminhos diferentes do trem que são mais convenientes para o passageiro. Só que o EAOSA e o Ribeirão Pires só vão aceitar o TOP a partir de 13 de dezembro.

Ocorre que o cronograma não é bem divulgado.

ADIAMENTO DA DESATIVAÇÃO DAS BILHETERIAS:

A Secretaria dos Transportes Metropolitanos decidiu suspender o prazo atual de fechamento para as bilheterias nas estações do Metrô e do sistema de trens da CPTM em São Paulo em meio aos constantes problemas com a bilhetagem TOP.

A previsão era de fechar todos os postos até o final deste ano, colocando totens de autoatendimento e pontos de venda perto dos locais de embarque para ofertar e permitir a compra do bilhete QR Code.

Porém, em 6 de dezembro de 2021, somente as estações Belém da Linha 3-Vermelha e Granja Julieta da Linha 9-Esmeralda foram fechadas.

Diário do Transporte questionou a secretaria a respeito do cumprimento deste prazo, sendo informados por meio de nota que em breve novo cronograma será divulgado.

Leia abaixo a nota recebida na íntegra no dia 06 de dezembro de 2021.

“A Secretaria dos Transportes Metropolitanos divulgará um novo cronograma do fechamento das bilheterias.”

A decisão ocorre em meio a uma série de problemas com o TOP, a nova bilhetagem eletrônica dos transportes metropolitanos que está sendo implantada no Metrô, CPTM e ônibus e trólebus do sistema da EMTU.

A não explicação da gestão João Doria sobre o que será feito com os saldos residuais do Cartão BOM que não são suficientes para comprar uma passagem, quedas constantes no sistema; confusão entre os passageiros; falta de papel reiteradas vezes nos totens que imprimem o QR Code para quem não quer ter o cartão; fraudes com a venda de bilhetes do QR Code que criminosos conseguem imprimir sem pagar e a implantação gradual e não uniforme nas linhas de ônibus gerenciadas pela EMTU estão entre alguns dos muitos problemas que o passageiro passou a ser obrigado a enfrentar com a implantação do TOP.

COMITÊ

Por causa de tantos problemas envolvendo a nova bilhetagem eletrônica dos transportes metropolitanos da gestão João Doria, chamada de TOP, o governo do Estado decidiu implantar um comitê para apurar a série de transtornos enfrentada pelos passageiros dos ônibus intermunicipais gerenciados pela EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos), da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), Metrô e monotrilho.

A criação foi publicada em Diário Oficial de 08 de dezembro de 2021.

Além disso, a STM (Secretaria dos Transportes Metropolitanos) deu 72 horas para a ABASP (Associação Apoio Bilhetagem Arrecadação Serviços Públicos de Transportes Coletivos de Passageiros no Estado de São Paulo) explicar a série de defeitos e falhas que prejudicam os usuários diariamente desde a implantação do TOP.

Fundada em 2019, a ABASP reúne as empresas de ônibus do sistema EMTU reunidas no CMT (Consórcio Metropolitano de Transporte), a Companhia do Metropolitano de São Paulo – METRÔ e pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos – CPTM.

O comitê será formado pelo secretário dos Transportes Metropolitanos, Paulo Galli; um membro representante da Coordenadoria de Relações Institucionais – CRI; um membro representante da Comissão de Monitoramento de Concessões e Permissões; um membro representante da Coordenadoria de Transportes Coletivos – CTC; um membro representante da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos – EMTU; um membro representante da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos – CPTM; e  um membro representante da Companhia do Metropolitano de São Paulo – METRÔ.

Entre as atribuições deste comitê estão:

– Monitorar a implantação bilhete “TOP”;

– Acompanhar a transição dos bilhetes “BOM” (Bilhete Ônibus Metropolitano) e Edmonson para o bilhete TOP;

– Solicitar informações, esclarecimentos e relatórios de conformidade aos gestores do sistema de bilhetagem;

– Analisar a solução de pendências técnicas e a mitigação de eventuais danos decorrentes da implantação do novo sistema de bilhetagem.

Esse Comitê deve dar explicações para o Ministério Público de São Paulo.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Flávio disse:

    Basta deixarem o controle com a EMTU.
    O cartão BOM não dava e não dá problemas.

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