Passageiros relatam falta de papel para imprimir QR Code do TOP em estação de Metrô e formam filas

Segundo as imagens, problema ocorreu na estação Tietê; mas outros usuários dizem que enfrentaram a mesma situação em vezes anteriores em outras estações

ADAMO BAZANI

Usuários os transportes públicos de São Paulo relatam que acabou o papel para imprimir os bilhetes QR Code do TOP na estação Tietê, da linha 1-Azul do Metrô.

Imagens divulgadas em redes sociais e mensagens recebidas pelo Diário do Transporte apontam que o problema já era sentido pelos usuários logo no início das operações da rede de metrô.

Foi formada fila na máquina que ainda tinha o papel.

O local ainda possui bilheteria com funcionários.

De acordo com reclamações mais antigas de passageiros também nas redes sociais, a mesma situação ocorreu em ocasiões anteriores em outras estações.

O sistema QR Code da Bilhetagem TOP está inserido na desativação gradativa de bilheterias da CPTM e Metrô com a presença de funcionários projetada pela gestão do Governador João Doria.

O Diário do Transporte questionou a STM (Secretaria dos Transportes Metropolitanos) sobre a falta de papel.

De acordo com a STM, em resposta às 17h50, o problema de falta de papel ocorreu em três das oito máquinas de autoatendimento na Estação Tietê. A pasta ainda afirmou que está aperfeiçoando a tecnologia para reduzir situações como esta que classificou como pontuais.

Veja na íntegra:

A Estação Tietê conta com 8 máquinas de autoatendimento e, neste momento, todas operam normalmente. Na manhã de hoje (29/11), três equipamentos precisaram de reposição de papel, que foi solucionado em um tempo médio de 1h30. Nesse período, as outras cinco ATMs estavam em pleno funcionamento.

 

Sobre a reposição de papel nas máquinas de autoatendimento, esclarecemos que as equipes são treinadas e dispõem de uma rede de suporte para evitar situações pontuais como essa. É uma estação com alto volume de passageiros e em nossa monitoria identificamos quando um ATM está com pouco papel. No processo atual são abertos os chamados preventivos para estas situações. Estamos com ações de melhoria no hardware do equipamento, além de novas atualizações que prevemos a redução destes chamados.

 

Vale lembrar que o Bilhete Digital não tem validade, mas orientamos que a versão em papel seja usada preferencialmente em até 72 horas – isso porque o papel é térmico e pode sofrer danos e prejudicar a leitura do QR Code no bloqueio. Para melhor conservação do bilhete, recomendamos não molhar, nem mesmo com álcool, rasgar, amassar ou dobrar na área impressa com o código. O passageiro que precisar pode reimprimir o Bilhete Digital QR Code em uma das máquinas de autoatendimento localizadas nas estações, que fazem a emissão do bilhete, e fazer a reimpressão da passagem usando o QR Code ID (sequência de números única para cada passagem). Já a versão digital, pelo aplicativo TOP ou pelo WhatsApp pelo número (11) 3888-2200 não tem validade e fica armazenado no celular do passageiro por tempo indeterminado.

Outra questão relativa ao TOP está nas mãos do Ministério Público que questionou a STM (Secretaria dos Transportes Metropolitanos) sobre os saldos residuais que vão sobrar no Cartão BOM, que será descontinuado, e não poderão ser transferidos para o TOP, novo cartão dos ônibus do sistema EMTU e nos trilhos: CPTM e Metrô.

O promotor da Promotoria de Justiça do Consumidor da Capital Paulista, Luiz Ambra Neto, instaurou um PPIC (Procedimento Preparatório de Inquérito Civil) com uma série de questionamentos sobre a mudança de cartões, em especial sobre o saldo residual que cada BOM pode ter e não será transferido para o TOP e nem será usado nos ônibus e trens, apesar de serem valores já pagos pelos passageiros.

A partir de janeiro de 2022, o Cartão BOM não poderá ser mais carregado, o saldo pode ser usado até o final. Entretanto, como não haverá transferência de saldo do BOM para o TOP, as sobras que ficarem no BOM e não forem suficientes para pagar uma passagem inteira poderão ser perdidas pelos passageiros, ficando nos bolsos do Governo do Estado de São Paulo e com as operadoras dos sistemas de trilhos e de ônibus. Na prática, é quase impossível zerar o Cartão BOM em muitos casos.

Em cada cartão, devem sobrar valores baixos, entre alguns centavos e R$ 4, R$ 5. Mas somados todos os milhões de cartões BOM que existem, os valores serão milionários.

Tudo dinheiro já pago diretamente pelo passageiro na modalidade Comum do BOM ou pelo empregador que comprou o Vale-Transporte do funcionário.

Ouça e entrevista em:

https://diariodotransporte.com.br/2021/11/26/entrevista-mp-entra-no-caso-da-mudanca-do-bom-para-o-top-e-cobra-da-gestao-doria-explicacoes-sobre-residual-que-pode-ser-perdido-por-passageiros/

Entidades de defesa do consumidor criticaram o fato de o Governo do Estado ficar com estes residuais por não haver transferência de saldo entre cartões, ainda mais porque tanto o BOM como o TOP são administrados pela mesma empresa, a Autopass.

O coordenador de mobilidade do Idec (Instituto de Defesa do Consumidor), Rafael Calábria, disse em entrevista ao Diário do Transporte que o ato é uma prática abusiva que que o passageiro não deve pagar por uma escolha do Governo do Estado em trocar o Cartão.

“O usuário não pode ter um ônus para continuar tendo acesso à bilhetagem porque o Governo do Estado decidiu mudar o bilhete. O que se espera é que o Governo do Estado dê transparência a este ponto da mudança, atenda a cada uma das pessoas e proceda eletronicamente uma transferência. O acesso ao dinheiro que é da pessoa é garantido por lei. “ – disse Calábria.

“É uma questão relevante sim. Podem ser valores pequenos por cartões, mas somando, no total é um valor grande” – complementou

Já o Procon, em nota ao Diário do Transporte, voltou a defender que o passageiro do transporte metropolitano não pode perder um centavo sequer no processo de descontinuidade do Cartão BOM e entrada de um novo bilhete, o TOP, a ser usado no Metrô, CPTM e ônibus do sistema EMTU.

Os créditos existentes no cartão BOM terão que ser esgotados, não pode haver cancelamento sem que eles sejam utilizados qualquer que seja o pretexto.

Sendo criado um novo cartão os créditos devem ser passados para o novo cartão ou o cartão anterior deve ser mantido com o usuário até o esgotamento dos créditos existentes.

Um abaixo-assinado virtual endereçado ao governador de São Paulo, João Doria, pede que a gestão estadual encontre uma forma para que sejam transferidos os créditos do Cartão BOM para o Cartão TOP nos transportes metropolitanos: ônibus do sistema EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos), Metrô e CPTM.

O endereço da petição é:  https://peticaopublica.com.br/pview.aspx?pi=BR121457

FRAUDE:

Outro problema envolvendo o TOP é uma investigação da Polícia Civil sobre fraude no sistema de QR Code da nova bilhetagem.

Um suspeito foi detido em 21 de novembro de 2021 nas proximidades da estação Mauá da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos).

A Polícia Civil obteve informações de que golpistas estariam nas máquinas de QR Code do TOP nas estações de CPTM e Metrô e terminais de ônibus fazendo um procedimento que permite a impressão dos códigos com o cancelamento da compra posteriormente, ou seja, conseguem imprimir, mas não pagam nada.

Segundo a Polícia, diversos destes bilhetes passaram normalmente nas catracas.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/11/25/policia-identifica-esquema-de-fraude-com-o-qr-code-do-top-dos-transportes-metropolitanos-de-sao-paulo/

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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