Eletromobilidade

Cidade de SP assume compromisso de não autorizar vendas de veículos a combustão a partir de 2040

Município é um dos signatários de acordo afirmado na COP-26, que é realizada em Glasgow; Ônibus elétricos foram destacados em evento

ADAMO BAZANI

A cidade de São Paulo deve proibir a venda de veículos que emitem gases de efeito estufa a partir de 2040.

De acordo com agências de notícias, o município é uma das 40 administrações públicas, entre cidades, Estados e Províncias que assinaram netsa quarta-feira, 10 de novembro de 2021, na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-26), que é realizada em Glasgow, Escócia, um acordo que prevê que a partir de 2040 só sejam comercializados motos, carros, caminhões e ônibus cuja fonte de tração não produza estes gases durante a operação.

No caso dos países desenvolvidos que assinaram o acordo, a transição para a comercialização apenas de automóveis não emissores de gases de efeito estufa dever acontecer até 2035.

Fabricantes como Mercedes-Benz, GM e Ford são alguns dos exemplos de produtoras que assinaram o acordo e se comprometeram a criar planos de negócios de vendas apenas de veículos que não produzam gases.

ÔNIBUS ELÉTRICOS:

Segundo a prefeitura, no painel “Brazil Climate Action Hub”, nesta terça-feira (09) a secretária  de Relações Internacionais, Marta Suplicy, apresentou as principais previsões do Plano de Ação Climática do Município de São Paulo 2020-2050 (PlanClima-SP), com destaque para o tema da eletrificação da frota de ônibus na capital.

Matra Suplicy disse que o terceiro inventário de emissões da cidade de São Paulo identificou que o setor de transportes representa 62% do total de gás carbônico emitido na atmosfera.

Até 2040, segundo a secretária, 20% da frota circulante devem ser livres de emissões.

“Já estamos sob trabalho intenso para ter uma frota de ônibus com matrizes energéticas limpas no curtíssimo prazo. Nosso programa de metas já considera que 20% da frota seja carbono zero até 2024. Um compromisso que exige planejamento, disponibilidade de recursos internacionais e locais”, disse, segundo nota da prefeitura.

ASSINARAM O COMPROMISSO

FABRICANTES

Avera Electric Vehicles

BYD Auto

Etrio Automobiles Private Limited

Ford Motor Company

Gayam Motor Works

General Motors

Jaguar Land Rover

Mercedes-Benz

MOBI

Quantum Motors

Volvo Cars

PAÍSES

Áustria

Azerbaijão

Cabo Verde

Camboja

Canadá

Chile

Chipre

Croácia

Dinamarca

El Salvador

Eslovênia

Finlândia

Gana

Holanda

Índia

Irlanda

Islândia

Israel

Lituânia

Luxemburgo

Marrocos

México

Noruega

Nova Zelândia

Paraguai

Polônia

Quênia

Reino Unido

República Dominicana

Ruanda

Suécia

Turquia

Uruguai

CIDADES, ESTADOS E GOVERNOS REGIONAIS

Akureyri

Ann Arbor

Atlanta

Território Capital da Austrália

Barcelona

Bolonha

Bristol

Colúmbia Britânica

Buenos Aires

Califórnia

Catalunha

Província de Catamarca

Charleston

Dallas

Florença

Província de Gangwon

Província de Jeju

La Paz

Lagos

Los Angeles

Nova York

Nova York (cidade)

Irlanda do Norte

Quebec

Reykjavik

Roma

San Diego

São Francisco

Santa Mônica

São Paulo

Escócia

Seattle

Sejong City

Governo Metropolitano de Seul

Governo de Sikkim

Província de Chungcheong do Sul

Cidade Metropolitana de Ulsan

Victoria

Gales

Washington (estado dos EUA)

2,6 MIL ÔNIBUS ELÉTRICOS E CORREDORES

Como mostrou o Diário do Transporte, em 05 de novembro de 2021, durante anúncio de parceria do Estado de São Paulo e da Prefeitura em investimentos em mobilidade, o prefeito Ricardo Nunes e o governador João Doria disseram que os novos corredores de ônibus da cidade serão servidos apenas por modelos elétricos.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/11/06/ouca-novos-corredores-de-onibus-de-sao-paulo-serao-operados-com-onibus-eletricos-diz-doria/

O Plano de Mobilidade Urbana da Cidade prevê 27 obras que totalizam mais de R$ 5,5 bilhões, entre a implantação de 11 novos corredores de ônibus, o que representa mais de 95 km de novas vias, 30 km de requalificação de corredores já existentes, além da construção de quatro novos terminais.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/11/05/prefeitura-de-sao-paulo-anuncia-brts-e-corredores-de-onibus-dentro-de-pacote-de-mobilidade-que-soma-r-55-bilhoes/

Diário do Transporte noticiou que durante o lançamento da Virada ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável), em 25 de setembro de 2021, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, disse que o transporte coletivo terá entre 2,6 mil e 2,8 mil ônibus elétricos até 2024, ano em que termina seu mandato.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/09/25/veiculos-eletricos-fazem-carreata-em-sao-paulo-neste-sabado-25-e-nunes-reafirma-promessa-de-28-mil-onibus-eletricos-na-capital-ate-2024/

CENÁRIO DA INDÚSTRIA:

Apesar de os veículos elétricos também serem impactados pela falta de insumos e equipamentos, como também ocorre com automóveis a combustão, a demanda pelos modelos não poluentes tem aumentado.

No Brasil, já existem opções de produtos em plena atividade, algumas que apresentarão modelos e outras que estão se estabelecendo (por ordem alfabética):

BYD: Indústria de origem chinesa, com planta em Campinas (SP), que fabrica ônibus elétricos de diversos portes: micros, padrons e articulados, além de rodoviários, produzindo as baterias, tecnologia e chassis. Está entre as maiores produtoras mundiais na área de mobilidade elétrica e produz também no Brasil placas de energia solar. Existem diversas cidades que operam com ônibus BYD no Brasil, inclusive São Paulo.

CaetanoBus: A empresa portuguesa CaetanoBus trouxe para testes no sistema de transportes da cidade de São Paulo o chassi e.CC 100 C5845 E.E, 100% elétrico. O modelo recebeu carroceria Caio, de produção brasileira. O e.CC 100 pode ser receber carrocerias de comprimento mínimo de 9.5 metros e máximo de 12.7metros.

Eletra: Indústria 100% nacional, do Grupo ABC/Next Mobilidade, com planta em São Bernardo do Campo (SP). A empresa foi inaugurada oficialmente no dia 22 de agosto de 2000. Faz toda a integração e tecnologia para ônibus elétricos à bateria, trólebus, híbridos (motores elétricos e à combustão no mesmo veículo), Dual Bus (mais de um tipo de tração elétrica em mesmo ônibus, por exemplo: trólebus+baterias ou baterias+híbridos). Não produz os chassis e baterias. O BRT-ABC, entre São Bernardo do Campo e São Paulo, é uma concessão à Next Mobilidade terá ônibus 100% elétricos de 22 metros cada com tecnologia Eletra, chassis Mercedes-Benz e carroceria Caio.

Higer: Empresa de origem chinesa que apresentou um modelo elétrico de ônibus padron neste mês de novembro de 2021 na capital paulista. Diz que trará ao Brasil também vans, ônibus articulados e ônibus rodoviários elétricos. Os modelos são monoblocos (chassi, motores e carroceria formando um bloco só).

Marcopolo: Tradicional fabricante de carrocerias de Caxias do Sul (RS), testa em parceria com a empresa Suzantur, operadora de transportes de Santo André (SP), um ônibus 100% elétrico, projeto integral da Marcopolo. O modelo é padron com piso baixo. O veículo circula sem passageiros entre o Terminal Vila Luzita (bairro populoso de Santo André) e o terminal principal da cidade no centro (Terminal Santo André Oeste).

Mercedes-Benz: A gigante alemã lançou em 25 de agosto de 2021 o chassi de ônibus elétricos eO500U, de piso baixo, para carrocerias de até 13,2 metros, justamente os padrões de São Paulo. O modelo será produzido em São Bernardo do Campo (SP) e em 2022 já serão vistas as primeiras unidades. Para a capital paulista, já há um mercado previsto para ser iniciado com cerca de 150 unidades com carroceria Caio.  A empresa planeja lançar em breve ônibus articulados e superarticulados.

Volvo: A gigante sueca produz em Curitiba (PR) um modelo de ônibus elétrico híbrido. O ônibus tem um motor a combustão, que gera energia, e o elétrico que atua na maior parte da tração. A tecnologia é híbrida paralela, quando o ônibus está parado, freia e até 20 km/h a atuação é do motor elétrico. A partir de 20 km/h, entra em operação o motor a combustão. Há unidades em circulação em Curitiba, Foz do Iguaçu e Santo André (Suzantur), por exemplo.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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