Em novo decreto de restrição a covid, Rio suspende escalonamento de horários que seria para evitar aglomerações nos transportes públicos

Equipe de Saúde do Rio de Janeiro em entrevista coletiva

Atividades poderão ser realizadas até 22h; praias estão parcialmente liberadas e ônibus de fretamento continuam proibidos, a não ser para trabalhadores e hóspedes de hotéis

ADAMO BAZANI

A prefeitura do Rio de Janeiro publicou nesta sexta-feira, 23 de abril de 2021, decreto com medidas mais flexíveis de restrição para conter o avanço da covid-19.

A permanência em praias, parques e cachoeiras fica liberada durante a semana e segue proibida aos fins de semana e feriados.

Não haverá mais restrição de estacionamento na orla.

O Aterro do Flamengo ficará aberto aos fins de semana também.

A maior parte das atividades econômicas fica permitida até 22h e não há mais recomendação sobre os horários de entrada. Com isso, cai o escalonamento das jornadas de trabalhadores para evitar superlotação dos transportes públicos.

Não houve com o escalonamento de trabalhadores os resultados esperados para reduzir as aglomerações nos ônibus, trens e metrô, segundo a prefeitura.

De acordo com o secretário Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, Daniel Soranz, as medidas de ampliação dos serviços, em especial do BRT, terão mais efeito para reduzir a lotação que o escalonamento. Entretanto, não descartada a volta do revezamento dos trabalhadores

“Sua preocupação é aquelas imagens dos BRTs lotados, aquela quase que um covidário no sistema de transporte. Quando tomamos essas medidas de escalonamento, nós ainda não estávamos iniciando o processo de intervenção. O sistema colapsou; nós tínhamos cerca de 400 ônibus articulados do BRT antes e depois nós chegamos a ter 120 ônibus, então a prefeitura, o prefeito Eduardo Paes, tomou a decisão da intervenção, nós já estamos colocando muito mais ônibus disponíveis, nós estamos alugando ônibus, disponibilizando mais para a população. Existe o planejamento para que até setembro nós possamos praticamente dobrar a disponibilidade de veículos, mas só a reorganização das estações, a disponibilidade de ônibus ainda que não articulados deram muito mais fluidez ao sistema de BRT, mas imaginamos que mesmo retirando essa restrição, esse escalonamento do horário, as aglomerações não voltarão. Nós vamos estar monitorando isso e se for necessário nós voltamos ao escalonamento para evitar essas aglomerações”

Ouça:

No Estado de São Paulo, por exemplo, permanece o escalonamento, mas não como obrigação, sendo apenas uma recomendação.

O secretário dos Transportes Metropolitanos de São Paulo, Alexandre Baldy, porém, defende que o escalonamento dos horários dos trabalhadores seja obrigatório.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/03/11/audio-baldy-acredita-que-so-recomendacao-de-escalonamento-de-horarios-nao-vai-reduzir-lotacao-do-transporte-publico-e-defende-determinacao/

O decreto do Rio de Janeiro ainda estabelece que as atividades autorizadas a funcionar até às 22h tenham apenas 40% de ocupação nos ambientes fechados e 60% nas áreas ao ar livre

Entre as atividades estão supermercado, laticínios, açougue, peixaria, comércio de gêneros alimentícios e bebidas, hortifrutigranjeiro, quitanda, padaria, confeitaria, bombonier, comércio varejista de doces, balas e confeitos, loja de conveniências, mercearia, mercado, armazém e congêneres, estando o consumo no local condicionado às restrições previstas para bares, lanchonetes, restaurantes e similares; entre outros.

Permanecem no decreto algumas proibições, como para os ônibus e vans de fretamento, com exceção dos veículos usados por trabalhadores e hotéis.

Assim, continuam proibidas outras modalidades de fretamento, como de turismo e o fretamento colaborativo, como os intermediados pelos aplicativos.

“Permanece suspensa (…) a entrada de ônibus e demais veículos de fretamento no Município, exceto aqueles que prestem serviços regulares para funcionários de empresas ou para hotéis, cujos passageiros comprovem, neste caso, reserva de hospedagem;”

Veja o decreto na íntegra:

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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