Marcopolo na Argentina registra crescimento de 321% em 2020 mesmo em ano de pandemia

Planta da Metalsur, pertencente à Marcopolo

Metalsur vinha acumulando queda de encomendas e paralisação na produção por causa da covid-19. Mercado de veículos comerciais argentino está bem diferente do Brasil e acumula alta no primeiro bimestre de 2021

ADAMO BAZANI

Diferentemente do que ocorreu no Brasil, onde a Marcopolo registrou no acumulado de 2020, receita operacional líquida 17,8% menor que em 2019 e queda na produção de 26,8%; na Argentina, a fabricante obteve ano passado desempenho 321,8% superior ao de 2019.

Os dados foram divulgados pela empresa que, no país vizinho, atua por meio da Metalsur, cujo controle acionário foi adquirido em julho de 2019. (Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2019/07/17/marcopolo-compra-participacao-na-metalsur-fabricante-de-carrocerias-da-argentina-por-us-9-milhoes/ )

Segundo a Marcopolo, foram produzidas em 2020 na Argentina, 232 unidades contra 55 em 2019.

O mercado brasileiro para a marca é bem maior em volume, mas houve queda na produção no consolidado do ano passado. Para o Brasil, em 2020, a Marcopolo produziu 8.934 unidades, número 15,8% inferior aos 10.616 ônibus de 2019.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/02/25/marcopolo-tem-queda-na-producao-lucro-e-receita-no-consolidado-de-2020/

Em nota ao Diário do Transporte, a Marcopolo atribui a alta a fatores como a retomada da compra de ônibus urbanos e rodoviários diante de renovações de frota abaixo do habitual nos anos anteriores e ao represamento de encomendas porque a fábrica ficou fechada em razão da covid-19.

Depois de alguns anos com significativa retração de demanda, que inclusive levaram a fabricante brasileira a fechar, em fevereiro de 2019, a sua unidade Metalpar naquele país, o desempenho do ano passado foi 321,8% superior ao de 2019. A empresa produziu 232 unidades contra 55 em 2019. O principal motivo para tal desempenho foi a retomada dos pedidos dos clientes locais, tanto de urbanos quanto rodoviários, o que ocorreu depois de julho, pois a fábrica estava fechada devido à pandemia de covid. Segundo a direção da companhia, houve represamento de pedidos em função de as aquisições nos últimos anos estarem abaixo da necessidade de renovação de frota do país. Também o fechamento provocado pela Covid no primeiro semestre acabou concentrando ainda mais esse represamento.

Ainda por causa deste represamento, a Marcopolo estima a continuação do crescimento de vendas e produção na Argentina em 2021.

ARGENTINA COMO UM TODO CRESCE NO MERCADO DE VEÍCULOS COMERCIAIS:

O ano de 2021 promete ser positivo para o mercado de veículos comerciais, como de ônibus e caminhões, como um todo na Argentina, englobando diferentes marcas.

No Brasil, a Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) registrou no primeiro bimestre de 2021, alta de 0,21% em relação ao mesmo período de 2020, considerando os veículos pesados (ônibus e caminhões) com 17.733 unidades. Quando, porém, é feito o recorte somente do mercado de ônibus, os emplacamentos no primeiro bimestre de 2021 foram 31,18% menores em comparação com o mesmo período de 2020.

Enquanto que no primeiro bimestre de 2020 foram emplacados 3.999 ônibus, no mesmo período deste ano, foram 2.752 unidades.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/03/02/vendas-de-onibus-registram-queda-de-3118-no-primeiro-bimestre-de-2021-diz-fenabrave/

Na Argentina, porém, de acordo com a ACARA (Associação de Concessionários de Autoveículos da República Argentina), que equivale a Fenabrave do Brasil, o segmento de veículos comerciais registrou no primeiro bimestre de 2020, vendas de 2.489 unidades, o que representa crescimento de 30,9% em relação às 1.901 unidades comercializadas do primeiro bimestre de 2020, antes da pandemia.

A ACARA não faz a divisão entre ônibus e caminhões.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Claudio Boff disse:

    321% de crescimento! Uauuu!
    Fui ler a matéria e … isso representa menos de uma unidade por dia útil de trabalho.
    Definitivamente são novos tempos para a MP.

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