Comissão Urbana da Prefeitura de SP autoriza Metrô a permitir que empresas associem suas marcas a uma estação

Contratos de concessão de ‘naming rights’ possibilitarão à companhia aumentar a arrecadação e economizar R$ 20 milhões anuais com comunicação visual

WILLIAN MOREIRA

O Metrô de São Paulo deu um passo importante em 10 de fevereiro de 2021, para viabilizar o seu projeto de concessão do naming rights das estações da companhia por um período de até vinte anos. Nesse dia a Comissão de Proteção à Paisagem Urbana (CPPU) da Prefeitura de São Paulo aprovou a proposta.

O aceite do projeto foi obtido com sete votos a favor e três abstenções, e era fundamental para os próximos passos. Foram analisadas questões como possíveis poluições visuais, mudanças estéticas e urbanísticas das estações e seu entorno, tomando como direção da discussão os fundamentos presentes na Lei Cidade Limpa.

Na justificativa da Companhia do Metropolitano de SP (Metrô) na reunião em que participou o Diretor Comercial Cláudio Roberto Ferreira, foi colocado como exemplo a queda notável de receitas da empresa no ano passado devido à pandemia do coronavírus, caindo de R$ 2,126 bilhões em 2019 para R$ 957 milhões de receita tarifária em 2020. Ou seja, estes valores foram obtidos apenas com a comercialização e cobrança de bilhetes de embarque para viagem.

Outra intenção é aproximar as grandes marcas do modal, modelo similar presente nos sistemas metroviários de Nova Iorque, Dubai, Mumbai, Kuala Lumpur, Chicago, Boston e já no Rio de Janeiro, que conta com a estação Botafogo-Coca Cola.

Relembre:

MetrôRio concede nome da estação Botafogo para a Coca-Cola

A premissa do projeto não inclui a troca do nome das estações, o que é proibido pois causaria grandes problemas da localização e referenciamento de determinada região, mas sim no acréscimo de um nome ou marca agregado ao nome da estação, conforme exemplificado abaixo, não comprometendo a identificação do serviço.

O valor financeiro dos ‘naming rights’ será revertido em atividades e serviços da companhia, como operação, limpeza, manutenção e expansão do Metrô paulista, ao mesmo tempo em que gerará uma economia de R$ 20 milhões anuais com comunicação visual.

Isso demandaria uma padronização em todas as linhas, alterando o modelo atualmente empregado de cada linha ter sua cor, uma “esquizofrenia de comunicação” como disse Cláudio Roberto. Entretanto, nem todas as estações seriam destinadas para a medida, já que um estudo do Metrô aponta somente 15 estações com potencial de venda do naming rights. São aquelas que possuem um grande fluxo de passageiros. O contrato será no prazo de até 20 anos pelo formato de 10 + 10.

O formato de concessão será de contrato longo, já que não haverá renovação desta concessão, fechando o acordo com o vencedor pelo maior valor ofertado pelo período, mediante pagamento mensal. Durante o certame os interessados não terão acesso ao valor mínimo estimado para não influenciar nas ofertas.

A consultoria contratada pelo Metrô para identificar as estações com potencial e o valor que vale esse patrocínio, levou em conta atributos qualitativos como história, consistência do negócio, estrutura de gestão, política de comunicação, avaliação do serviço e imagem e audiência, junto aos atributos quantitativos da demanda local, as externalidades dos avisos sonoros e publicidade no lado exterior e por fim a localização da estação em si.

PREMISSA TÉCNICA DESTA COMUNICAÇÃO

Os totens de acesso que ficam na entrada das estações deverão ter a ocupação da marca na testeira no tamanho de 30x30cm ou 30x60cm seguindo a fonte de letra utiliza pela companhia, a “Frutiger”. Já as placas testeiras no acesso terão a mesma medida, com 30x30cm ou 30x60cm.

A coloração por linha como mencionado anteriormente será removida, ficando um toten na cor preta com o nome da estação em letras brancas, a marca ao lado em local visível e abaixo uma tarja branca com as integrações no local, não alterando o informe de conteúdo ao passageiro.


Durante a reunião o CPPU pautou, após aprovação do projeto, colocar um limite de estações na concessão, mas a proposta foi rejeitada pela maioria dos presentes com direito a voto. A partir da aprovação o Metrô de SP pode agora avançar na intenção de conceder o uso de estações para fins comerciais e prosseguir nas discussões do tema.

Willian Moreira em colaboração especial para o Diário do Transporte

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Comentários

Comentários

  1. laurindo junqueira disse:

    Bela desculpa para sujar os nomes das estações!

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