Severo Turismo cobra R$ 2 milhões da Itapemirim por aluguel de ônibus. Piva nega atraso

Severo atua junto con outras empresas

Segundo atual gestor, valor trata-se de “colchão financeiro” previsto em contrato por uso de combustível e infraestrutura. Gerente da Severo vê risco de empresas não cederem mais ônibus

ADAMO BAZANI

A Severo Turismo, empresa de Belo Horizonte (MG), cobra aproximadamente R$ 2 milhões da Viação Itapemirim, do Espírito Santo, com atuação nacional e que está em recuperação judicial desde março de 2016.

Segundo a companhia mineira, a dívida é correspondente ao que classifica de  atrasos nos aluguéis de ônibus à empresa capixaba.

O atual diretor-presidente da Itapemirim, Sidnei Piva, nega os débitos e diz que há uma distorção dos fatos.

O Diário do Transporte (forma de créditos) conversou na manhã desta sexta-feira, 31 de janeiro de 2020, com Piva e com o gerente operacional da empresa Severo Turismo, Anderson Viveiros Ribeiro.

Viveiros coordena um grupo de 36 empresas, entre as quais a Severo, para atendimento em temporadas de alta demanda de passageiros para a Itapemirim/Kaissara.

O gerente diz que foi feita uma notificação extrajudicial cobrando o valor. Segundo o executivo, têm sido feitos depósitos em torno de R$ 150 mil pela quilometragem rodada dos ônibus com abatimento de combustível.

Atualmente, de acordo com ele, são entre 50 e 60 ônibus em operação por meio deste aluguel.

Anderson Viveiros diz que a intenção não é provocar um tumulto ou denegrir a imagem da Itapemirim, mas que atualmente as empresas parceiras estão passando dificuldades e pensam em retirar os veículos de operação pela Itapemirim.

“Nós fizemos uma notificação à empresa Itapemirim, mostrando que precisamos receber para poder dar seguimento ao trabalho. Não digo  paralisação dos serviços da Itapemirim, mas a retirada dos veículos e enviá-los para o turismo para fazer fonte de renda. Eles (donos dos ônibus) têm compromissos a honrar e se a Itapemirim não está olhando o lado deles, eles têm de realmente fazer uma mudança de estratégia de trabalho. Eles têm de voltar de fazer o turismo. Algumas empresas não estão fazendo suas viagens para poder atender a Itapemirim” – disse.

Sidnei Piva, entretanto, diz que não há como se falar em notificação porque este valor não se trata de um atraso ou dívida, mas de ajustes de contas que criam uma espécie de “colchão financeiro”, previsto em contrato, porque as empresas, inclusive a Severo, usam óleo diesel e infraestrutura das garagens da Itapemirim.

“Não existe nenhum tipo de atraso. Existe sim um valor que é para um encontro de contas que ele e estas empresas devem nos repassar e que não é considerado dívida e sim é um caução, é um ‘colchão’ que vai se ajustando todo o mês e todo final de temporada. É uma prática comum. Nós colocamos o diesel, nós pagamos os postos todos os dias e nós entregamos o combustível para estas empresas e depois abatemos no contrato do quilômetro rodado que eles têm.” – explicou.

Piva reiterou que a Itapemirim está em crescimento e que a companhia está recuperando a credibilidade no mercado, citando também uma possível tentativa de pessoas para “denegrir a imagem da Itapemirim” “tentando” usar outras empresas.

Sidnei Piva retomou ao controle da Itapemirim/Kaissara após a Justiça destituir, em dezembro de 2019, Camila de Souza Valdívia do comando das empresas do Grupo da Viação Itapemirim.

A empresária continua sócia da empresa, mas recorre da decisão.

A Severo presta serviços à Itapemirim desde 2012, segundo Anderson Viveiros Ribeiro, que ainda constesta a versão do “colchão financeiro”, já que, de acordo com ele, quando a proprietária dos ônibus recebe a planilha, já viria descontada uma prévia de uso de combustível que se aproximaria do uso real. Viveiros acrescentou ainda que a esturutura de gagarem seria uma obrigação da Itapemirim.

OUÇA AS ENTREVISTAS NA ÍNTEGRA:

– Gerente operacional da empresa Severo Turismo, Anderson Viveiros Ribeiro

– Diretor-presidente do Grupo Itapemirim, Sidnei Piva

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Geraldo Jurandyr Ferreira disse:

    Esta história não terá final feliz.

  2. Wilson disse:

    Sinceridade, Carrinho que vende pipocas, sorveteria e empresa de onibus não podem dar prejuizo pois recebem do cliente ” a VISTA ” . O grande problema no Brasil é a ANTT , pois se uma empresa não tem onibus , não tem creditos não deveria estar em operação. é mais uma confusão a vista………………..rs!

  3. Gilson Das Dores de Souza disse:

    Para que tudo dê certo, é preciso transparência e compromisso com a verdade. Muitos dependem desta empresa e do seu sucesso , dando à volta por cima .e voltando ser a grande Itapemirim que tanto colaborou com o crescimento deste país.

  4. narlon braga disse:

    Se desse para saber o crescimento do mercado de passagens, que ao meu ver, houve em 2019, dá para entender que há uma gordura para as empresas. Aquelas que tem tradição de custos reduzidos são as que tem maior chance. Agora, houve um movimento político na Itapemirim em dezembro, trocando os diretores. E , no final de janeiro, esta bomba dos pagamentos não realizados. Fica uma pulga atrás da orelha. Quem está com a verdade, neste imbróglio!

  5. SAMUEL DA CRUZ NEVES disse:

    Eu não compraria um carro usado desse tal de Piva !

  6. Daniel Forte disse:

    Deixa eu ver se entendi. A Itapemirim aluga os ônibus da severo e quem deve é a severo pra Itapemirim. Claro que tem que lavar e abastecer.

  7. Marcelo disse:

    Resumindo… oque conseguiram fazer, com essa grande empresa…😐 Só resta agora é torcer, para que ela consiga sobreviver, o que conversamos, será bem difícil…😔 #ForcaItapemirim

  8. Julião da Costa Aguiar disse:

    Isso é acordado em contrato ,lavar e abastecer mais a contratada tem que reembolsar a contratante,fim doa serviços e feito o abatimento dos valores tais valores que são lavagem ,combustível e manutenção “peças “.

  9. MARLENE FRANCISCA DE ALMEIDA SOARES disse:

    Olá moro em MG acho um absurdo já que é lei o benefício de 50%UE vender no preço da passagem pra SP porque Kaissara ou itapemerim só vende meia passagem pra idosos na terça feira ?porque não todos os dias é direito do idoso. Se tem vaga no ônibus eles tinha q

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