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Em carta aberta, Sindicato dos Metroviários critica escolha de monotrilho para a linha 15-Prata

Ligação deve continuar até o extremo leste, segundo promessa de Doria

Entidade defende que trajeto deveria ser prestado por Metrô de alta capacidade, Distribuição ocorreu nesta sexta

ADAMO BAZANI

O Sindicato dos Metroviários de São Paulo distribuiu nesta sexta-feira, 17 de janeiro de 2020, uma “carta aberta à população” criticando a escolha pelo sistema de monotrilho na linha 15-Prata, que atualmente faz a ligação entre Vila Prudente e São Mateus, na zona leste da cidade.

A distribuição, segundo a entidade, ocorreu em estações como Barra Funda, Jabaquara e Itaquera do metrô e na estação Vila Prudente da Linha 15-Prata do monotrilho.

O comunicado cita a paralisação parcial do serviço da linha que ocorreu na primeira semana deste ano.

Segundo a companhia do Metrô, ocorreu “desgaste natural” de parafusos perto de um equipamento de mudança de via na região da Estação São Lucas, comprometendo a operação regular da linha.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2020/01/03/desgaste-natural-em-parafusos-e-causa-de-monotrilho-estar-com-problema-ha-tres-dias-diz-metro/

De acordo com a entidade trabalhista, o modal não seria o mais adequado para a ligação que necessitaria de metrô de alta capacidade.

Na verdade, a origem dos problemas foi o fato de o governo estadual escolher monotrilho e não o metrô. O Sindicato vem denunciando esse erro desde 2009, quando o governador Serra (PSDB) optou pelo monotrilho. – diz parte da carta (Veja Abaixo na Íntegra).

No dia 16 de dezembro de 2019, durante inauguração das estações Fazenda da Juta, Sapopemba e São Mateus, o governador de São Paulo, João Doria, e o secretário dos transportes Metropolitanos, Alexandre Baldy, prometeram a entrega da estação Jardim Colonial até 2021 e as intervenções para construção do trecho entre Jardim Colonial e Hospital Cidade Tiradentes, no extremo leste da cidade, até dezembro de 2022.

Já em relação ao outro extremo da linha, a estação Ipiranga na zona sudeste da cidade, o secretário de transportes metropolitanos do estado de SP, Alexandre Baldy, afirmou que as obras começam até dezembro de 2020.

A estação vai fazer integração com a Linha 10-Turquesa da CPTM, que atende a região do ABC paulista.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/12/16/joao-doria-promete-prolongamento-do-monotrilho-ate-cidade-tiradentes-no-ano-de-2022/

O total de recursos para a Linha 15-Prata será de R$ 5,4 bilhões.

Segundo João Doria, no dia da inauguração, foram investidos R$ 3,5 bilhões na linha até o momento.

O monotrilho, ao ser apresentado entre 2009 e 2010 na gestão do então governador José Serra, foi anunciado como opção mais barata e de rápida implantação que o metrô de alta capacidade. A promessa era de entrega de fases da linha em 2012 e a ligação completa em 2014, tudo ao custo de R$ 3,7 bilhões, entre Ipiranga e o Hospital Cidade Tiradentes.

A ligação é uma continuidade do projeto original do Fura-Fila (atual Expresso Tiradentes) que deveria fazer a ligação entre o Terminal Mercado, na região central, ao extremo leste de São Paulo por corredores suspensos de trólebus biarticulados com guias laterais.

O corredor também sofreu longos atrasos. Hoje só operam oito quilômetros entre o Terminal Mercado e o Sacomã, na zona Sudeste, ônibus comuns a diesel. Para a linha foi tentado um modelo de ônibus híbrido (com motores a diesel e elétricos), mas os veículos apresentavam problemas técnicos constantes.

Em vezes anteriores, o Governo do Estado defendeu a escolha pelo monotrilho por ser “adequado” à demanda de passageiros prevista para a ligação.

HISTÓRICO DE PROBLEMAS:

O monotrilho da linha 15-Prata coleciona uma série de problemas, além do atraso na conclusão das obras, que deveriam ter sido entregues em 2014, ainda para a Copa do Mundo.

1º de janeiro de 2020: Um problema em equipamento de via nas proximidades da Estação São Lucas causou transtornos para os passageiros por, pelo menos, cinco dias consecutivos. O Metrô explicou que o problema foi ocasionado pelo “desgaste natural” de parafusos perto de um equipamento de mudança de via na região da Estação São Lucas .A estação foi inaugurada em 6 de abril de 2018. Em nota, a Companhia de Metrô disse que os parafusos precisaram ser trocados e que pela fixação ser em concreto, sendo necessário aguardar.

15 de maio de 2019: A composição M 11 do monotrilho da linha 15-Prata, da zona Leste, se deslocou de uma viga no pátio Oratório no início das operações. O incidente ocorreu num equipamento de mudança de via. Ninguém se feriu.

29 de janeiro de 2019: No final da noite do dia 29 de janeiro de 2019,  duas composições M22 e M23 bateram na região da estação Jardim Planalto, na zona leste da capital paulista. Ninguém se feriu gravemente. A estação não recebia passageiros. Um laudo do Metrô, divulgado em 05 de fevereiro de 2019, trouxe a conclusão de que “não houve qualquer falha do sistema de sinalização e sim erro humano” .

Mas o resultado foi contestado pelo Sindicato dos Metroviários que sustenta que há uma lacuna no sistema que controla os trens do monotrilho.

Segundo a entidade sindical, o sistema de controle da Linha 15-Prata não permite que um trem identifique o outro quando um deles está desligado. “Ao se desligar o trem, ele desaparece para o sistema” – sustentou o sindicato.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/02/07/sindicato-dos-metroviarios-diz-que-acidente-com-monotrilho-foi-causado-por-ausencia-de-sistema-de-comunicacao/

Também no dia 29, uma peça do sistema elétrico do monotrilho da Linha 15-Prata se soltou da via no trecho entre as estações São Lucas e Vila União, mas por haver grades que retém quedas de objetos, a avenida professor Luís Inácio de Anhaia Melo, que passa embaixo, não foi atingida.

https://diariodotransporte.com.br/2019/01/29/metro-confirma-que-peca-de-sistema-eletrico-de-monotrilho-se-soltou-mas-diz-que-linha-15-possui-telas-que-evitam-queda-de-objetos-na-rua/

10 de outubro de 2016: No dia 10 de outubro de 2016, uma composição do monotrilho, que trafega em vias elevadas com cerca de 15 metros de altura,  partiu da estação Oratório com as portas abertas, conforme mostram as imagens do circuito do Metrô:

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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