Deic prende três por fraude de Bilhete Único de São Paulo

Publicado em: 23 de novembro de 2019

Equipamentos usados nas fraudes, segundo a Polícia Civil

Suspeitos negociavam HD com dados da SPTrans e de passageiros por R$ 150 mil.

ADAMO BAZANI

Policiais Civis da 3ª Delegacia da Divisão de Investigações Gerais (DIG), do Deic, o departamento que investiga o crime organizado prenderam na última sexta-feira, 22 de novembro de 2019, três homens que integravam uma quadrilha responsável pela recarga fraudulenta do Bilhete Único de São Paulo.

Segundo nota da SSP/SP – Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, os três suspeitos estavam tentando negociar um HD de computador, com aproximadamente 200GB de dados da SPTrans – São Paulo Transporte, gerenciadora do sistema de ônibus da cidade, que seriam utilizados para fraudes de bilhete de transporte.

O grupo pedia R$ 150 mil pelo dispositivo de memória externa.

Após a prisão, os policiais realizaram diligências nas quais apreenderam computadores, uma máquina eletrônica para realizar as recargas, cinco cartões de bilhete único, além de 88 unidades em branco e outra com crédito inserido por meio da fraude. Quatro celulares também foram recolhidos na ação.

As investigações para deter o grupo duraram cerca de um ano.

Os criminosos também tinham senhas que inseriram créditos de viagem que não eram gerados pela SPTrans, mas que eram aceitos pelo sistema de bilhetagem eletrônica, segundo a polícia.

Os cartões com os falsos créditos eram usados por vendedores ambulantes que atuavam em estações de trem e terminais de ônibus.

Um dos presos é, segundo a SSP, um hacker (com profundo conhecimento em informática) e um dos cabeças da quadrilha.

A Secretaria de Segurança ainda informou que a ocorrência foi registrada como localização e apreensão de objetos. Os suspeitos foram presos em flagrante e indiciados por furto qualificado e associação criminosa.

FRAUDES:

Como mostrou o Diário do Transporte, em 3 de outubro de 2019, a Polícia de São Paulo realizou uma operação contra fraude na bilhetagem eletrônica do transporte municipal da capital metropolitano da Grande São Paulo.

Foram aprendidos 1255 bilhetes, entre o Cartão BOM e o Bilhete Único.

Os policiais apreenderam ainda R$ 4 mil e quatro notebooks, além de descobrir uma central de clonagem.

Ao todo, 29 pessoas foram detidas, incluindo adolescentes.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/10/03/policia-faz-operacao-e-prende-29-pessoas-por-fraude-e-clonagem-no-bilhete-unico-e-cartao-bom/

Somente no ano passado, as fraudes na Bilhetagem Eletrônica da capital paulista resultaram em prejuízos de mais de R$ 150 milhões.

Em maio deste ano, o Diário do Transporte noticiou que CPTM e Metrô notificaram, perante a justiça paulista, a SPTrans – São Paulo Transporte sobre as perdas de receita pela bilhetagem eletrônica e também sobre a necessidade de apuração mais rígida das fraudes.

Na notificação, a CPTM alegou ter identificado. “diversos riscos relativos à forma como ocorre o controle de informação no âmbito do SBE [Sistema de Bilhetagem Eletrônica], de responsabilidade da notificada.”

Já o Metrô citou desequilíbrio financeiro de vultosos valores e argumentou que a SPTrans está sendo morosa no tratamento do assunto.

Importante atentar que, de pronto, a notificante observa um desequilíbrio entre a Arrecadação Financeira e a Receita Contábil das vendas de créditos eletrônicos do Bilhete Único em vultosos valores. Desde então, a Companhia do Metrô vem atuando junto à SPTrans para a solução desse desequilíbrio financeiro. Todavia, a complexidade da questão e morosidade no tratamento por parte da notificada, torna forçosa a presente interpelação, inclusive para resguardo da notificante em relação à eventual prescrição extintiva do seu direito.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/05/02/metro-tambem-notifica-sptrans-perante-a-justica-sobre-perdas-de-arrecadacao-e-pede-esclarecimentos-de-eventuais-fraudes-em-sistema-do-bilhete-unico/

A Companhia do Metrô contratou por R$ 630 mil uma auditoria da Ernst & Young que por quatro meses vai se debruçar sobre as movimentações financeiras do sistema dos últimos cinco anos.

Somente em 2018, a redução de receita do Metrô foi de R$ 160 milhões.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/05/02/receita-de-metro-de-sao-paulo-pode-ter-diminuido-por-fraude-em-bilhete-unico-e-companhia-contrata-auditoria-da-ernst-young-para-apurar/

Em nota, a STM – Secretaria de Transportes Metropolitanos, que engloba o Metrô e a CPTM, informou que a auditoria vai determinar se as duas companhias terão direito a ressarcimento.

Com a concordância de todos os participantes do Comitê Gestor do Bilhete Único, foi contratada uma empresa para auditar o sistema e apurar possíveis perdas.

O objetivo é garantir eventual direito de ressarcimento à CPTM e ao Metrô, se for constatado prejuízo às empresas no convênio de integração tarifária. 

A SPTrans é a responsável por combater possíveis fraudes por terceiros no sistema de integração do Bilhete Único, que causariam evasão de renda às empresas operadoras do transporte. Por isso o Metrô e a CPTM mandaram notificações extrajudiciais à SPTrans pedindo esclarecimentos. A notificação é um procedimento jurídico de rotina.

Sobre os dados do relatório,  a SPTrans respondeu ao Diário do Transporte que o Convênio de Integração (SPTrans/Metrô/CPTM) realiza reuniões para validar os dados e informações da bilhetagem eletrônica e diz que uma das possibilidades da diferença entre valores repassados ao Metrô e a CPTM pode ter origem na forma de remuneração das linhas privadas, como a 5 Lilás, recentemente concedida.

A SPTrans informa que os participantes do Convênio de Integração (SPTrans/Metrô/CPTM) estão realizando estudos e reuniões conjuntas para acompanhamento dos dados contábeis relativos aos 14 anos de uso dos créditos de Bilhete Único, de forma integrada, para validar as informações.

Vale esclarecer que os dados do relatório não são definitivos, pois são objeto das reuniões, sendo levantados nestes encontros a possibilidade de que grande parte da diferença entre valores repassados ao metrô e a CPTM  tenha origem na forma de remuneração das linhas privadas, que foram objeto de concessão feitas pelo metrô, como exemplo mais recente a Linha 5 Lilás.

Já sobre as perdas alegadas por Metrô e CPTM, a  SPTrans, em nota, diz que contratações de auditorias externas são comuns, mas que independentemente destes instrumentos, já adota medidas para erradicar as fraudes na bilhetagem eletrônica.

A SPTrans esclarece que pedidos de auditoria, como os feitos por Metrô e CPTM são comuns,  considerando que tratam-se de empresas públicas e a verificação periódica de seus contratos e convênios faz parte da rotina destes órgãos, bem como da própria SPTrans.

Independentemente da realização de auditorias externas, a SPTrans já trabalha para erradicar as fraudes no sistema de bilhetagem eletrônica e adota diversas medidas no combate a esta prática criminosa, como o reconhecimento facial por meio de câmeras instaladas em todos os ônibus da cidade, identificação de cartões com divergência entre recargas e utilizações, cancelamento de cartões com créditos temporais falsos, entre outras. 

Além das ações citadas, a SPTrans deixou de comercializar o Bilhete Único sem identificação.  Desde 1º de fevereiro, há limite de crédito do tipo comum em qualquer cartão do BU sem personalização, ou seja, sem dados pessoais impressos, além de modelos de estudante e Vale Transporte emitidos até 2013. A medida tem como objetivo restringir o acesso de fraudadores ao Bilhete Único e a comercialização irregular de créditos e cartões. 

A SPTrans já apresentou contranotificação judicial ao Metrô e irá fazer o mesmo com a CPTM a respeito dos itens questionados pelos órgãos.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

  1. Paulo Gil disse:

    Amigos, boa noite.

    Parabéns à Polícia Civil.

    Ué não mudaram todos os BU´s???

    Não resolveu nada?

    Com a palavra a fiscalizadora.

    Att,

    Paulo Gil

  2. ROSELI disse:

    Eu não sei o que acontece,porque a fraude ocorre dentro das estações da CPTM, nos terminais de ônibus na cara de todo mundo, e ninguém faz nada, não denuncia. Estranho né

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