Metrô também notifica SPTrans perante a Justiça sobre perdas de arrecadação e pede esclarecimentos de eventuais fraudes em sistema do Bilhete Único

Mesmo com aumento no número de passageiros, Metrô registrou perdas nos pagamentos pelo Bilhete Único. Foto: Adamo Bazani (Diário do Transporte) - Clique para Ampliar

Em outra notificação, CPTM demonstrou preocupação com segurança do sistema de bilhetagem eletrônica. Companhia do Metropolitano contratou auditoria da Ernst & Young

ADAMO BAZANI

A Companhia do Metropolitano de São Paulo também notificou a SPTrans – São Paulo Transporte perante a 11ª Vara da Fazenda Pública para pedir esclarecimentos quanto às perdas de receitas que vem registrando nos pagamentos de passagens pelo Bilhete Único.

Há suspeitas de que estes prejuízos têm sido gerados por fraudes no sistema de bilhetagem eletrônica.

Na manhã desta quinta-feira, 02 de maio de 2019, o Diário do Transporte revelou que outra empresa estatal prestadora de serviços de transportes, a CPTM, também tem se preocupado com as perdas que possam estar sendo geradas por possíveis fraudes no sistema do Bilhete Único.

A CPTM também notificou a SPTrans, alegando que identificou “diversos riscos relativos à forma como ocorre o controle de informação no âmbito do SBE [Sistema de Bilhetagem Eletrônica], de responsabilidade da notificada.”

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/05/02/cptm-ve-risco-em-sistema-do-bilhete-unico-e-justica-notifica-sptrans/

Na notificação por parte do Metrô, à qual o Diário do Transporte teve acesso na íntegra, a Companhia fala em desequilíbrio de vultosos valores e argumenta que a SPTrans está sendo morosa no tratamento do assunto.

Importante atentar que, de pronto, a notificante observa um desequilíbrio entre a Arrecadação Financeira e a Receita Contábil das vendas de créditos eletrônicos do Bilhete Único em vultosos valores. Desde então, a Companhia do Metrô vem atuando junto à SPTrans para a solução desse desequilíbrio financeiro. Todavia, a complexidade da questão e morosidade no tratamento por parte da notificada, torna forçosa a presente interpelação, inclusive para resguardo da notificante em relação à eventual prescrição extintiva do seu direito.

Perante o juízo na mesma notificação, o Metrô ainda diz que avisou várias vezes a SPTrans sobre a necessidade de apuração de fraudes

“Assim sendo, por óbvio, a Arrecadação Financeira tende a ser maior que a Receita Tarifária Contábil, em razão dos créditos eletrônicos que ficam em poder do usuário para posterior utilização. A Notificante já constatou alguns fatores responsáveis pela queda. Um deles é a ausência do reflexo dos reajustes tarifários no cômputo dos valores a serem repassados, apesar dos reajustes nas tarifas de integração e a manutenção da demanda. Além disso, há a necessidade de apuração de fraudes existentes no sistema eletrônico, o que vem sendo aferido e informado à SPTRANS, como se vê por diversas cartas encaminhadas aquele ente público (doc. 02 – carta CT DF 14, de 30/11/2016).”

O Metrô prossegue afirmando que foi registrado o que considera “sensível desequilíbrio” entre a quantidade de créditos em poder passageiros no sistema e a quantidade utilizada nas catracas.

Ocorre que a notificante, vem constatando sensível desequilíbrio entre a Arrecadação Financeira e a Receita Tarifária Contábil das vendas de créditos eletrônicos dos Sistemas de Bilhetagem Eletrônica (SBE) do Bilhete Único. Sobre esse ponto, importante esclarecer que a Arrecadação Financeira representa o produto da venda de créditos eletrônicos do Bilhete Único que efetivamente entraram no caixa da Companhia do Metrô. Por sua vez, a Receita Tarifária Contábil compreende a efetiva prestação do serviço de transporte metroviário, sendo o produto de cálculo envolvendo o produto do volume transportado de passageiros, a remuneração unitária paga pelo usuário pela utilização do serviço, levando-se em consideração ainda o tipo de bilhete e/ou crédito utilizado.”

 Continuando o documento o Metrô diz que pretende cobrar a SPTrans pelas diferenças caso seja comprovada responsabilidade da gerenciadora municipal pelas perdas.

De tal modo, a pretensão da notificante resta preservada, sendo possível a cobrança de seus créditos, na hipótese de se ver compelida a buscar provimento jurisdicional para tanto.

Além da notificação, o Metrô tomou outra atitude para tentar apurar os prejuízos com eventuais fraudes no Bilhete Único: contratou por R$ 630 mil uma auditoria da Ernst & Young que por quatro meses vai se debruçar sobre as movimentações financeiras do sistema dos últimos cinco anos.

Somente em 2018, esta redução de receita foi de R$ 160 milhões.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/05/02/receita-de-metro-de-sao-paulo-pode-ter-diminuido-por-fraude-em-bilhete-unico-e-companhia-contrata-auditoria-da-ernst-young-para-apurar/

Em nota, a STM – Secretaria de Transportes Metropolitanos informou que a auditoria vai determinar se Metrô e CPTM terão direito a ressarcimento.

Com a concordância de todos os participantes do Comitê Gestor do Bilhete Único, foi contratada uma empresa para auditar o sistema e apurar possíveis perdas.
O objetivo é garantir eventual direito de ressarcimento à CPTM e ao Metrô, se for constatado prejuízo às empresas no convênio de integração tarifária. 
A SPTrans é a responsável por combater possíveis fraudes por terceiros no sistema de integração do Bilhete Único, que causariam evasão de renda às empresas operadoras do transporte. Por isso o Metrô e a CPTM mandaram notificações extrajudiciais à SPTrans pedindo esclarecimentos. A notificação é um procedimento jurídico de rotina.
Já a SPTrans, em nota, diz que contratações de auditorias externas são comuns, mas que independentemente destes instrumentos, já adota medidas para erradicar as fraudes.

A SPTrans esclarece que pedidos de auditoria, como os feitos por Metrô e CPTM são comuns,  considerando que tratam-se de empresas públicas e a verificação periódica de seus contratos e convênios faz parte da rotina destes órgãos, bem como da própria SPTrans.

Independentemente da realização de auditorias externas, a SPTrans já trabalha para erradicar as fraudes no sistema de bilhetagem eletrônica e adota diversas medidas no combate a esta prática criminosa, como o reconhecimento facial por meio de câmeras instaladas em todos os ônibus da cidade, identificação de cartões com divergência entre recargas e utilizações, cancelamento de cartões com créditos temporais falsos, entre outras. 

Além das ações citadas, a SPTrans deixou de comercializar o Bilhete Único sem identificação.  Desde 1º de fevereiro, há limite de crédito do tipo comum em qualquer cartão do BU sem personalização, ou seja, sem dados pessoais impressos, além de modelos de estudante e Vale Transporte emitidos até 2013. A medida tem como objetivo restringir o acesso de fraudadores ao Bilhete Único e a comercialização irregular de créditos e cartões. 

A SPTrans já apresentou contranotificação judicial ao Metrô e irá fazer o mesmo com a CPTM a respeito dos itens questionados pelos órgãos.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

7 comentários em Metrô também notifica SPTrans perante a Justiça sobre perdas de arrecadação e pede esclarecimentos de eventuais fraudes em sistema do Bilhete Único

  1. Amigos, boa noite.

    Nem precisa contratar auditoria.

    A matemática que a Tia Cotinha ensinou a maioria de nós e a contabilidade; provam a falha em 1 minuto ou menos.

    Afinal, a todo débito corresponde um crédito.

    Eu tenho suspeitas no saldo do meu BU faz tempo.

    Lembrando que ao carregar o meu BU com centavos, a máquina não aceitos, pois só há moedas de cinco centavos.

    Rssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssss

    Só rindo mesmo tamanho absurdo ou …

    Vamos aguardar os resultados.

    Pra mim PREVISÍVELLLLLLLLLLLLLLLLLL

    Ahhhhhh e tem outra a PMSP não me ressarciu até hoje os meus créditos que eu tinha no meu BU que foi levado pelos assaltantes e nem o que a fiscalizadora fez eu pagar para adquirir um novo BU.

    Lembrando que o 156 me informou que eu receberia um cartão novo sem tarifas; mas na hora H no Terminal Pinheiros a realidade foi outra.

    Dinheiro antecipado para a PMSP; nunca mais.

    Só vou pagar quando usar; o BUcova, matou o BU e a bilhetagem eletônica no buzão de Sampa.

    Att,

    Paulo Gil

  2. Não entendi essa do metrô, sou agente de segurança do metrô de São Paulo e realizei inúmeras operações para prender as pessoas que comentem fraude e vendem as passagens dos bilhetes adulterados, inclusive com prisões as quadrilhas que detinham os programas que carregam bilhetes em seus notebook particular, mas a orientação do chefe de segurança e do depto de segurança do metrô é de liberar os criminosos desse tipo de delito e apenas aprender os bilhetes, o metrô alimentou a prática do crime com a impunidade! A DELPOM (delegacia de polícia do metropolitano) sabe de tudo isso e não tem interesse na coisa também.

    Estranho o Metrô agora querer cobrar isso quando na vdd estava sob seu domínio!

  3. O metro sempre da respaldo a criminalidade!

  4. A mais de 4 anos que esse fraudadores vem agindo .mais parece que só agora perceberam que estão perdendendo milhões .Isso e uma afronta a inteligência do povo.
    Isso se deu início em 2013 e nao conseguiram combater .
    Hoje vc adquiri cartão de crédito em muitas instituições financeiras e bancos. e o investimento em segurança digital e constante.garantindo ao cliente tranquilidade .
    Tem gente graúda por de trás desse crime. Somente com uma auditoria independente pra levantar essas enormes perdas e punir os responsáveis

  5. EDSON MACIEL DOS SANTOS // 3 de maio de 2019 às 12:36 // Responder

    PRIVATIZAÇÃO.
    A ÚNICA SOLUÇÃO

  6. Todos os governos municipais e o estadual deixaram o bicho correr solto e agora tem que tentar pegar o tigre à unha. A tecnologia dos bilhetes e a sua infraestrutura deveriam ter sido atualizadas à uma década atrás. Fora que o combate às fraudes deveria ser punida mais duramente, punindo os malandros à ressarcir o erário com seus bens ou com trabalhos comunitários.

  7. Cesar Carlos Rafarl // 4 de maio de 2019 às 08:20 // Responder

    Outro problema é a evasão de renda, sou motorista de ônibus e presencio várias fraudes, são passageiros que cedem a sua integração para outra pessoa e ainda exige que o motorista espere a entregar o cartão, são pais com criancas de 6,7,8,9,10 e mais anos de idade que sem avisar nada passam o bilhete uma vez só e descem pela frente achando que tem todo direito do mundo, idosos que acham que seu acompanhante tem direito a gratuidade, etc e infelizmente o motorista e o cobrador não tem autoridade pra falar nada.

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