Receita de Metrô de São Paulo pode ter diminuído por fraude em Bilhete Único e companhia contrata auditoria da Ernst & Young para apurar
Publicado em: 2 de maio de 2019
Já CPTM notificou SPTrans por suspeitas de vulnerabilidade do sistema de segurança da bilhetagem eletrônica para cobrança de eventuais perdas
ADAMO BAZANI
O Metrô de São Paulo contratou a empresa Ernst & Young no último dia 16 de abril para fazer uma auditoria e verificar porque houve redução de receita em vendas de créditos do Bilhete Único, mesmo com aumento do número de passageiros.
A auditoria vai se debruçar sobre as movimentações dos últimos cinco anos. Somente em 2018, esta redução de receita foi de R$ 160 milhões.
Uma das suspeitas é que fraudes no sistema de bilhetagem eletrônica, de responsabilidade da SPTrans – São Paulo Transporte, da prefeitura da capital, tenham motivado o prejuízo.
A informação foi divulgada no início da tarde desta quinta-feira, 02 de maio de 2019, pelo repórter Fabrício Lobel, da Folha de S.Paulo.
Já na manhã, o Diário do Transporte revelou que outra empresa estatal prestadora de serviços de transportes, a CPTM, tem se preocupado com eventuais perdas que possam estar sendo geradas por possíveis fraudes no sistema do Bilhete Único.
A CPTM notificou extrajudicialmente a SPTrans na 11ª Vara da Fazenda Pública, alegando que identificou “diversos riscos relativos à forma como ocorre o controle de informação no âmbito do SBE [Sistema de Bilhetagem Eletrônica], de responsabilidade da notificada.”
“Nesse caso, o objetivo é garantir eventual direito de ressarcimento à CPTM e ao Metrô, se for constatado prejuízo às empresas no convênio de integração tarifária”. – explicou a CPTM em nota ao Diário do Transporte
Já a gerenciadora dos transportes da cidade informou também em nota ao Diário do Transporte que vai contestar os argumentos da CPTM, que classificou como não condizentes com a realidade do Bilhete Único.
“A SPTrans irá apresentar contranotificação judicial à CPTM rebatendo os argumentos contidos no processo por não serem condizentes com a realidade do Sistema de Bilhetagem Eletrônica.”
Relembre:
O contrato entre o Metrô e a Ernst & Young prevê “serviços de auditoria do Sistema de Bilhetagem Eletrônica – SBE do Bilhete Único e emissão de relatório circunstanciado com a quantificação e valoração de inconformidades encontradas nos últimos cinco anos”.
A auditoria deve durar quatro meses e o contrato é de R$ 629 mil (R$ 629.737,16).
Veja partes do contrato (que na íntegra tem 45 folhas)

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


