Caram diz que portaria que daria aval a ônibus por aplicativo da Metra não foi assinada e que secretaria vai estudar impacto em corredores

Ônibus solicitado por aplicativo retido por carro da SPTrans. Foto: Redes Sociais.

Não há prazo para retomada da operação. Secretário nega pressão política e de empresários de ônibus contra atuação de novo modelo de transporte e voltou a chamar o serviço de clandestino

ADAMO BAZANI

O secretário de Mobilidade e Transportes da gestão do prefeito Bruno Covas, Edson Caram, disse ao Diário do Transporte em entrevista por telefone na manhã dessa sexta-feira, 04 de outubro de 2019, que a portaria que fixava o itinerário de um serviço de ônibus por aplicativo da empresa Metra, entre São Bernardo do Campo, no ABC Paulista e a região da Berrini, na zona Sul da capital, não chegou a ser assinada por ele e nem publicada em Diário Oficial, portanto, segundo Caram, a companhia não recebeu autorização para operar a modalidade com veículos de alto padrão nos trechos de corredor exclusivo de transporte coletivo.

Caram disse que não se trata de uma linha comum e, sim, de um novo modelo de transportes, por isso, suspendeu todo o procedimento para análise de impactos na cidade, mesmo com todas as anuências dadas pela SPTrans – São Paulo Transporte (que gerencia os serviços de ônibus), do DTP – Departamento de Transportes Públicos (que cuida do uso das vias) e da Procuradoria do Município que deu parecer favorável ao seviço.

O secretário também negou pressões políticas e de empresários de ônibus que atuam na cidade como motivações da decisão de impedir os veículos, com alguns sendo, inclusive, apreendidos pela SMT.

“Esse processo teve origem na EMTU [Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos], que cuida dos ônibus intermunicipais. A EMTU deu um “de acordo”. Partiu para a SPTrans, que fez a análise e nada a opor. Mas a SPTrans fez uma análise técnica de uma linha circulando com 12 ônibus e só, foi essa análise que a SPTrans fez. O DTP se baseou na análise da SPTrans, e a fez corretamente. Quando o processo chegou na minha mesa, um dia antes de sair a publicação, que já estava no sistema, inclusive com o “autorizo” da minha procuradoria, dando de acordo que poderia ser publicado, eu fui fazer a análise e eu verifiquei que era um serviço novo. Um serviço novo, eu não autorizei a publicação e parei para fazer a análise. Politicamente, nada. Nenhuma pressão, simplesmente é um trabalho técnico que a secretaria tem por obrigação de executar” – disse Caram.

Na manhã desta sexta-feira, o Diário do Transporte trouxe a documentação do processo na prefeitura de São Paulo com a portaria, com os pareceres favoráveis das áreas técnicas da prefeitura e também uma notificação da EMTU, assinada pelo diretor de gestão operacional da gerenciadora metropolitana, Francisco Wakebe, que considera que as apreensões pela SMT foram irregulares. No documento dirigido ao diretor-geral do DTP – Departamento de Transportes Públicos da prefeitura de São Paulo, Roberto Cimatti, Wakebe diz que a concessão da linha é da EMTU.

Relembre e veja os documentos, que são oficiais:

https://diariodotransporte.com.br/2019/10/04/exclusivo-documentos-da-gestao-bruno-covas-revelam-que-metra-recebeu-aval-para-operar-servico-de-onibus-por-aplicativo-em-sao-paulo/

Caram disse ainda ao Diário do Transporte que, mesmo sendo uma concessão da EMTU, a secretaria municipal tem de dar o aval porque o serviço usaria o espaço do corredor de ônibus da cidade.

O secretário diz temer que uma eventual disseminação deste tipo de serviço traga impactos na velocidade dos ônibus comuns nos corredores cidade.

“O corredor de ônibus da cidade de São Paulo foi feito para dar vazão ao transporte público coletivo da cidade de São Paulo. Agora, você imagina eu colocar uma linha, um ônibus que vai parar em qualquer lugar dentro do meu corredor de ônibus. Isso precisa ser analisado. Não dá para fazer de um dia para o outro” – disse Caram.

Durante a apresentação do serviço no dia 25 de setembro de 2019, na Arena ANTP, evento de mobilidade da Associação Nacional de Transportes Públicos, em São Paulo, a Metra informou que os ônibus só parariam nos pontos oficiais do corredor mediante a solicitação do passageiro pelo aplicativo de celular U-Bus.

O secretário não sabe quanto tempo vai ser necessário para decidir se libera ou não o ônibus por aplicativo da Metra.

“Eu não posso te garantir quanto tempo vai demorar. Eu preciso fazer uma análise, eu preciso juntar meu corpo técnico, ver de que forma esse serviço vai ser regulamentado, sentar com  pessoal da SPTrans, e verificar qual o impacto que isso pode ter. Além de verificar o real impacto dessa linha, ver o que pode impactar naquilo que virá para o futuro. Nós estamos tratando de um sistema público da cidade de São Paulo. Um sistema onde tem mais de 13 mil ônibus  circulando. Eu não posso sobrecarregar o meu sistema. O novo edital, a nova licitação, vieram também no sentido de tentar equacionar estas sobrecargas que estão acontecendo nos corredores. Então não é o momento de agora eu sobrecarregar mais ainda os corredores com um sistema novo que não diz respeito àquilo que foi licitado” – disse Caram.

O secretário voltou a dizer que a posição da pasta é considerar o serviço como clandestino.

“Todo o transporte não autorizado dentro da cidade de São Paulo é um transporte clandestino. Ele tem de ter autorização para rodar. Como dou autorização para caminhões, pra cargas específicas para rodar,se rodar de forma irregular é autuado, pode ser apreendido. O próprio carro que circula de forma irregular também é apreendido. Então, tudo aquilo que não está autorizado a circular no viário, é clandestino” – complementou Edson Caram.

OUÇA A ÍNTEGRA:

Em nota, no dia da primeira apreensão dos ônibus, a Metra informou que tem autorizações para operar e que todos os veículos são novos e registrados.

“A Metra esclarece que por decisão da Secretaria de Transporte e Mobilidade Urbana do Município de São Paulo, os serviços da MetraClass estão suspensos temporariamente. A empresa destaca que a linha 376 SBC operada pela Metra, tem todas as autorizações para circular entre São Bernardo do Campo e São Paulo, além disso todos os veículos são novos e estão em perfeitas condições para operar. É importante ressaltar que os ônibus estão circulando há uma semana e apenas nesta segunda-feira um veículo foi apreendido e proibido de rodar. O mesmo aconteceu na tarde desta terça-feira. Esperamos uma explicação e posicionamento da Secretaria de Transportes, para assim dar continuidade ao trabalho pioneiro, empreendedor e confortável para os cidadãos de São Bernardo do Campo e São Paulo”

Já nesta sexta-feira, 04, a empresa disse lamentar o que considerou prejuízo aos passageiros imposto pela prefeitura de São Paulo.

Conforme documentos já públicos e apresentados, a empresa recebeu anuência para começar a operar um serviço de ônibus executivos solicitado por aplicativo de celular entre São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, e a região da Berrini, na zona Sul da capital. Infelizmente, sem receber nenhuma notificação de mudança, teve alguns de seus veículos apreendidos irregularmente por suposta execução de qualquer tipo de transporte coletivo urbano de passageiros sem a correspondente delegação ou autorização do Poder Público, classificando o serviço como “Clandestino” nos autos da infração.

Para a Metra, o maior prejudicado está sendo o cliente que, desde o dia 30 de setembro, está impedido de utilizar uma linha diferenciada, exclusiva de transporte coletivo urbano por ônibus sob demanda, que criou uma nova e eficiente opção para quem faz o trajeto entre São Bernardo do Campo e a zonal sul da cidade de São Paulo. Por isso, a empresa espera que a situação seja resolvida o mais rápido possível pela SMT – Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes de São Paulo.

Empresa concessionária do Corredor ABD há mais de 20 anos e reconhecida internacionalmente pelos padrões de excelência no transporte, a Metra realizou significativos investimentos para oferecer aos clientes o novo serviço MetraClass solicitado pelo aplicativo Ubus. Foram adquiridos 15 novos ônibus com exclusivo padrão de acabamento e equipamentos inéditos para o transporte urbano, como Wi-Fi e sistema de entretenimento streaming (central multimídia), entre outros itens.

 

  

 

O SERVIÇO

O UBus começou a operar oficialmente na quarta-feira, 25 de setembro de 2019. O serviço faz a ligação entre São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, e a Berrini, na zona Sul de São Paulo.

Desde segunda-feira, 23, antes do início das operações oficiais, já foram mais de três mil downloads do aplicativo para celular UBus, conforme noticiado pelo Diário do Transporte.

Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2019/09/25/ubus-da-metra-tem-mais-de-3-mil-downloads-em-dois-dias-e-ja-transportou-750-passageiros/

A linha seletiva da Metra recebeu a nomenclatura 376E para operar no corredorentre São Bernardo do Campo e São Paulo.

Os ônibus foram programados para sair do Terminal Metropolitano São Bernardo e seguirem até a Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, com algumas paradas ao longo do percurso, determinadas pelas solicitações por meio do aplicativo. Durante a semana, o primeiro coletivo saiá às 5h e o último às 20h15, considerando partida do terminal do ABC Paulista.

O usuário pode baixar o aplicativo UBus gratuitamente, disponível nas versões Android e iOS. Para o cadastro, é preciso colocar dados pessoais e forma de pagamento preferencial.

Para utilizar o serviço, basta fazer a solicitação para o endereço desejado e colocar o ponto de partida. O aplicativo verifica a rota, dá as opções de reserva de assento, informa horário do embarque, mostra uma previsão do desembarque e o valor da passagem.

Os ônibus são do tipo rodoviário executivo, com poltronas reclináveis, mesas que podem ser utilizadas para apoio de notebooks, tomadas USB em cada poltrona, ar-condicionado, streaming (central multimídia) e sinal de Wi-Fi.

O pagamento da passagem é feito pelo aplicativo, com a possibilidade de uso de cartões de crédito ou do Cartão BOM, que é usado no sistema metropolitano convencional. Para a leitura do validador, é gerado no celular um Código QR Code.

Simultaneamente as informações aparecem para o motorista em um tablet que fica anexado ao painel do veículo. Assim, o profissional pode acompanhar todos os dados relacionados à viagem.

Os veículos possibilitam embarques e desembarques tanto pela direita como pela esquerda e são modelo Marcopolo Paradiso 1050, com 46 lugares, Mercedes-Benz O 500-R. Não há catracas e o UBus não terá serviço de bordo.

O transporte sob demanda tem sido uma alternativa encontrada pelas concessionárias de ônibus para tentarem reverter a queda no número de passageiros nos sistemas e atrair usuários que habitualmente não se deslocariam em coletivos comuns.

Entre as iniciativas já conhecidas, existe um projeto que a própria UBus possui no sistema de transporte público de São Bernardo do Campo, juntamente com a SBCTrans, concessionária da cidade. Neste caso, o serviço está em fase de testes.

Outra ferramenta nestes moldes é o CityBus 2.0, que já opera comercialmente em Goiânia, e foi criado por meio da concessionária HP Transportes.

Nos dois casos, porém, o transporte é feito por meio de vans e em vias comuns.

Em agosto, o Diário do Transporte esteve em Goiânia para conhecer os serviços do CityBus 2.0.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/08/26/video-servico-de-aplicativo-de-transporte-coletivo-sob-demanda-de-goiania-tem-atraido-usuarios-de-carros-e-pretende-ampliar-area-de-atuacao-e-frota/

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Joao Pedro Costa disse:

    Achei que assinatura eletrônica no documento, falando que o Secretário assinou, valia como assinatura do Secretário. Francamente…

    1. Yuri Viegas disse:

      Um absurdo!

    2. Cesar Dantas disse:

      Preço da Democracia……Propina…PSDB E PT JUNTOS, desde 1994 ate 2018.

  2. Yuri Viegas disse:

    Que absurdo o comentário desse secretário! O cara é secretário dos Transportes, e simplesmente não entende nada do assunto. A citação dele dos impactos nos corredores, com “pode parar em qualquer lugar” – é completamente falsa! O passageiros não podem descer em qualquer lugar, apenas nos pontos já utilizados pela linha 376 – e o impacto do ônibus no corredor nessa semana em que ele operou, foi zero! Essa entrevista só mostra como o secretário é AMADOR, suspendeu algo que ele não faz ideia de como funciona, não procurou utilizar o serviço – ou entender sobre ele – antes de se pronunciar. Uma vergonha.

    1. César disse:

      DEMOCRACIA…PROPINA…

  3. Anderson Araújo disse:

    Sabe o que acho: como é um serviço da alçada da EMTU (linha interminicipal operada pela Metra) que não vai gerar renda para a SPTrans, não deve estar disponível para uso. Ora, se eles quiseram restringir a circulação de linhas intermunicipais de SP (houve um período onde as linhas de Taboão da Serra, Embú e Itapecerica da Serra corriam o risco de serem “seccionadas” na região do Jd. Taboão, em SP e, para seguir até Pinheiros, por exemplo, seria necessário um ônibus da SPTrans e pagar outra passagem para seguir viagem), limitam o uso de ônibus fretados e transporte por aplicativos, porque eles apoiariam um serviço na qual eles não criaram e nem terão lucros com ele?
    O serviço de ônibos em SP é bem deficitário, onde a cada dia linhas estão sendo cortadas, obrigando a fazer um mesmo trajeto com várias trocas de veículo, ao invés de uso de um somente, com pouco ou nenhum conforto e sem regularidade nos horários.
    Não me causaria espanto se, daqui a alguns meses, ressucitarem o serviço Executivo com preços mais salgados que uma viagem SP x Campinas…

  4. Jorge disse:

    Politico que é dinheiro no bolso. (Os cara so andam de carro a nossas custas)
    Vai trabalhar cambada de hiena.

  5. Antonio carlos palacio disse:

    Mas o cort3dor não é da ANTI, porque o Caran estudará os impactos.

  6. JOSE LUIZ VILLAR COEDO disse:

    SERIA UM “RACHA ” NO PSDB? É tudo por conta de um belo serviço de APP de Transporte Metropolitano “estiloso” e diferenciadissimo..?? LEGAL! !! 😅😅😅 meu Deus do Céu!

  7. JOSE LUIZ VILLAR COEDO disse:

    TEM É QUE POR GENTE NÃO ENVOLVIDA COM PARTIDARISMOS E PARTIDOS…E QUE JÁ TRABALHOU E MUUUIIITTTOOO COM TRANSPORTES PÚBLICOS E ATÉ RODOVIÁRIOS E DE CARGAS PRA TOMAR CONTA DOS TRANSPORTES DE SP /SP! Assim fica muito difícil!

  8. Flávio Moura disse:

    O cara entro em varias contradições como nao pode sobrecarregar os corredores, uai tira os taxis, e outra o corredor Diadema x Shopping Morumbi é da EMTU/Metra…
    Se ja nao bastasse aquele metido a especialista em transportes da Globo agora esse ignorante… Esse cara é um troxa

  9. das falas do secretário Caram, acho correto, afinal SP está virando a casa da mãe Joana, não bastasse camelôs, marreteiros, barraqueiros, tomando calçadas, as ciclofaixas espremendo carros, patinetes em calçadas, sendo que a cidade já não comporta tanto (não há prá onde crescer, aumentar, expandir). Hoje é preciso muito estudos, reuniões e os empecilhos de pessoas da área jurídica só atrapalham, não conhece a real necessidade das pessoas que trabalham e querem um modelo mais eficiente de transportes, onde eles acabam indeferindo o que e necessário e deferindo algo que mal conhece, Neste caso houve desentendimento no esclarecimento do tipo de transporte, daí a enganação, o erro em ter logo autorizado. Tipo Vai que cola !

  10. Júlio Cesar Silva disse:

    Eu usei o serviço do metra class, tudo o que este secretário está falando não faz sentido. Os ônibus só param nos pontos e quando o corredor está travado eles saem do corredor, só vi ganho e agilidade não dificultou e nem piorou o trânsito para ninguém.
    O serviço é ótimo, essa interrupção só atrasou minha vida… eu levo 2hs pra chegar no trabalho no modelo atual, com o metraclass levo 1h e 10 minutos… nas 4 vezes que usei não passou disso.
    Infelizmente quando acontece algo que é bom para a população os políticos aparecem para atrapalhar.
    Damos um passo para frente e dois para trás.
    Que vergonha.

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