Rio Ônibus estuda implantar sistema de ônibus rodoviários por demanda na capital fluminense

Nos três primeiros dias do Rock in Rio, foram mais de 63 mil pessoas transportadas com o Transporte Primeira Classe. Foto: Divulgação.

Serviço já está em operação para atender passageiros no Rock in Rio e intenção é estender para outros itinerários

JESSICA MARQUES

O presidente do Rio Ônibus, sindicato das empresas de ônibus da cidade do Rio de Janeiro, Cláudio Callak, informou que está estudando implantar um sistema de ônibus rodoviários por demanda na capital fluminense.

Em entrevista ao Diário do Transporte, Callak afirmou que o serviço já está em operação para atender passageiros no Rock in Rio e está sendo um sucesso. Agora, a intenção é estender para outros itinerários. Contudo, ainda não há um prazo estipulado para que isso ocorra.

“Fechamos o primeiro fim de semana com sucesso. Vou esperar fechar a segunda semana e vamos fazer o mesmo esquema no carnaval. Em seguida, vamos começar a reunir algumas empresas para um projeto-piloto”, contou.

Nos três primeiros dias do Rock in Rio, foram mais de 63 mil pessoas transportadas com o Transporte Primeira Classe, serviço operado por ônibus rodoviários, com ar-condicionado, que pode ser solicitado por meio de um aplicativo ou agendado em um site.

Na última edição do Rock in Rio, cerca de 115 mil passagens foram compradas para utilização ao longo dos sete dias de festival. Neste ano, o número de compras antecipadas do serviço Transporte Primeira Classe ultrapassou 127 mil solicitações.

Na ida, o serviço é operado com 350 ônibus, enquanto na volta o serviço chega a operar com 700 veículos.

Atualmente, no Rio de Janeiro, já é disponibilizado aos passageiros o transporte executivo, chamado pelos cariocas de “Frescão”. Os modelos são mais caros que os veículos urbanos, possuem ar-condicionado e poltronas mais confortáveis, mas não atuam sob demanda. É preciso dar sinal e eles só param no ponto.

TECNOLOGIA AGILIZA EMBARQUE

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Para entrar no Rock in Rio, basta encostar pulseira no validador, ao sair do ônibus.

Segundo Callak, a tecnologia de embarque nos ônibus utilizados para o Transporte Primeira Classe, que está sendo utilizado no Rock in Rio, agiliza a validação da passagem e a entrada dos passageiros.

No caso do evento, as catracas não estão localizadas no interior dos ônibus, mas na entrada do festival. Desta forma, o visitante apenas encosta a pulseira do evento no validador e, por meio desta tecnologia, comprova que efetuou a compra da passagem.

“Um validador leva de 3 a 4 segundos para liberar um passageiro no caso de um embarque convencional. Contratamos uma empresa nova para esse serviço e, com a tecnologia, o passageiro leva um quinto de um segundo para validar o cartão. Isso acaba com as filas”, afirmou Callak.

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Segundo Rio Ônibus, tecnologia agiliza embarque.

Ao Diário do Transporte, o presidente do Consórcio Primeira Classe, Vinicius Colonese, explicou que o pagamento é feito por meio de cartão de crédito no site ou aplicativo. A identificação do passageiro, por sua vez, pode ser feita por meio de QR Code e NFC (tecnologia que permite a troca de informações entre dispositivos apenas por aproximação).

“A gente ampliou o atendimento para o Rock in Rio de três para 17 bairros. A ideia é levar o serviço com ônibus executivos on demand também para o dia a dia, o que beneficia tanto os passageiros quanto as empresas de ônibus”, explicou Colonese.

“No entre-pico, quase não tem passageiros e esse serviço seria bom para ambas as partes: não teria ônibus vazios na rua e o passageiro teria um transporte sob demanda”, disse.

Para que o projeto entre em vigor, é preciso autorização da SMTR (Secretaria Municipal de Transportes). Após o fim da operação no Rock in Rio, o sindicato das empresas vai enviar um projeto apresentado os dados coletados ao longo da prestação do serviço para o festival.

Após o envio dos dados, começarão os trâmites para que o serviço entre em operação na cidade. Contudo, não há prazo ainda para que isso ocorra.

ÔNIBUS URBANOS

Callak afirmou ainda que o sistema de embarque rápido será testado nos ônibus urbanos. Algumas empresas serão selecionadas para participarem de um projeto-piloto com os novos validadores.

Atualmente, o sistema de bilhetagem é 100% offline e os novos validadores exigiriam uma alteração neste modelo. Os testes serão feitos em linhas com menor demanda, com o objetivo de reduzir o tempo de embarque.

COMO FUNCIONA O TRANSPORTE PRIMEIRA CLASSE

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O Transporte Primeira Classe é operado por um pool de empresas: pela Expresso Recreio, Grupo Real, Grupo Guanabara (Tijuca Auto Ônibus) e Grupo Redentor (Transporte Barra).

A passagem de ida e volta para o Rock in Rio custa R$ 100 e pode ser comprada por intermédio do site https://evoucher.cubo.mobi, ou por meio do aplicativo e-Voucher.

O passageiro garante uma passagem de ida e volta a partir de um dos 17 pontos de embarque, em direção a um ponto exclusivo dentro da Cidade do Rock, em um portão sem filas para acesso.

A volta para casa, por sua vez, começa às 22h e não precisa ser agendada, podendo ser feita em até 2 horas após o fim do último show, com entrada nos ônibus por ordem de chegada.

O passageiro pode, no retorno do evento, escolher qualquer uma das opções de destino, exceto as rotas para Petrópolis.

Os pontos de embarque são: BOTAFOGO PRAIA SHOPPING; SHOPPING NOVA AMÉRICA; PONTO MIX FM; AEROPORTO GALEÃO; NITERÓI; PETRÓPOLIS; IPANEMA; COPACABANA; TIJUCA; RIO DESIGN BARRA; SHOPPING DOWNTOWN – BARRA; BARRA DA TIJUCA – PRAIA; MÉIER; RODOVIÁRIA NOVO RIO; RECREIO; CENTRO e LAGOA RODRIGO DE FREITAS.

O Rio Ônibus enviou ao Diário do Transporte um vídeo institucional sobre a operação do serviço. Confira:

TRANSPORTE SOB DEMANDA

Atualmente, o transporte sob demanda por ônibus no Brasil está em fase inicial. Entre as ferramentas já disponíveis, está o UBus, que começou a operar oficialmente na quarta-feira, 25 de setembro de 2019. O serviço faz a ligação entre São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, e a Berrini, na zona Sul de São Paulo.

Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2019/09/25/ubus-da-metra-tem-mais-de-3-mil-downloads-em-dois-dias-e-ja-transportou-750-passageiros/

Neste caso, porém, o aplicativo está causando polêmica. Isso porque a Prefeitura de São Paulo considera o serviço como clandestino, apesar de a empresa afirmar que está regulamentado.

Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2019/10/01/gestao-bruno-covas-chama-ubus-de-clandestino/

Outra ferramenta nestes moldes é o CityBus 2.0, que já opera comercialmente em Goiânia, e foi criado por meio da concessionária HP Transportes.

Em agosto, o Diário do Transporte esteve em Goiânia para conhecer os serviços do CityBus 2.0.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/08/26/video-servico-de-aplicativo-de-transporte-coletivo-sob-demanda-de-goiania-tem-atraido-usuarios-de-carros-e-pretende-ampliar-area-de-atuacao-e-frota/

Jessica Marques para o Diário do Transporte

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Comentários

Comentários

  1. Renato Cardoso disse:

    A Viação Ideal também está fornecendo ônibus executivos para o transporte de primeira classe, tanto que o veículo da foto o B28715 é deles.

    1. Luiz Henrique disse:

      Pra mim, ônibus primeira classe são de empresas como 1001, Útil, Fácil, Única, Reitur, não desses empresas urbanas da cidade do Rio.

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