Justiça determina frota mínima em caso de greve de ônibus na Grande Vitória contra retirada de cobradores

Novos ônibus não terão cobradores em linhas troncais. Foto: Divulgação: Secom/ES - Texto: Adamo Bazani – Clique para Ampliar

Paralisação foi anunciada para a segunda-feira. Aos menos 75% dos coletivos devem circular e não pode haver bloqueios de ruas. Multa é de R$ 100 mil por dia ao sindicato

ADAMO BAZANI

O juiz Aldary Nunes Júnior, do plantão do judiciário do TJ-ES – Tribunal de Justiça do Espírito Santo determinou que ao menos 75% dos ônibus do sistema Transcol, da Grande Vitória, circulem nesta segunda-feira, 12 de agosto de 2019.

O Sindirodoviários/ES – Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários no Espírito Santo anunciou greve de ônibus por causa da retirada de cobradores do sistema e inclusão de veículos sem o posto do cobrador.

De acordo ainda com a decisão do juiz plantonista, o sindicato não poderá realizar “catraca livre” (não cobrar passagem do usuário), bloqueios em ruas e impedir os ônibus de saírem das garagens.

Em caso de descumprimento, o sindicato pode receber uma multa de R$ 100 mil por dia.

A ação foi movida pelo Governo do Estado do Espírito Santo.

O governo do Estado anunciou que nesta segunda-feira devem entrar em circulação nas linhas troncais novos ônibus com ar-condicionado sem o posto do cobrador. Só poderão embarcar passageiros com bilhete eletrônico CartãoGV. Entre as linhas que devem contar com estes veículos estão: 591; 523; 503; 508; 501; 504; 516 e 572

Até o final do ano devem ser inseridos na frota 100 ônibus nestas condições.  Até 2022, serão 600 veículos. A previsão para esta segunda-feira é de 26 coletivos sem cobradores.

A Secretaria de Mobilidade e Infraestrutura informou que a eventual paralisação será uma ação dos dirigentes sindicais e que a população não pode ser prejudicada. A pasta disse ainda que não haverá demissões de cobradores.

Ainda por meio de nota, a Semobi informou haverá um programa de qualificação de cobradores.

CAPITAL PAULISTA:

O fim da atuação dos cobradores de ônibus é polêmico em todo o País.

Se de um lado, há o aumento da bilhetagem eletrônica e das novas tecnologias, que têm reduzido o uso de dinheiro nos ônibus, há de outro lado, o acúmulo de funções para o motorista e os impactos sociais com a extinção de uma categoria em muitos sistemas de transportes.

Na capital paulista, o secretário municipal de Mobilidade e Transportes, Edson Caram, revogou um ofício da SPTrans – São Paulo Transporte, gerenciadora do sistema, que autorizava que os ônibus novos padron e básico fossem incluídos no subsistema estrutural (das viações tradicionais) sem o posto do cobrador a partir de 02 de setembro.

A gestão Bruno Covas voltou atrás na circular após ameaça de paralisação dos terminais pelo Sindmotoristas.

A circular foi mandada por e-mail para as empresas que, na ocasião, pelo SPUrbanuss (sindicato das viações), também se disseram surpresas.

Houve mal-estar na Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes, já que foi instituída uma comissão para debater a requalificação dos cobradores em outras funções e a circular foi emitida antes de qualquer medida definida pela comissão formada por representantes da prefeitura, viações e trabalhadores.

Em entrevista ao Diário do Transporte no início do mês, o secretário Edson Caram disse que a prefeitura não vai admitir demissões dos atuais cobradores, mas uma das propostas e não repor mais este profissional, com a extinção gradativa da função no sistema.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/08/02/entrevistas-em-primeira-reuniao-de-comissao-sobre-cobradores-de-onibus-secretario-edson-caram-garante-que-profissionais-nao-vao-ser-demitidos-em-sao-paulo/

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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