Justiça determina frota mínima em caso de greve de ônibus na Grande Vitória contra retirada de cobradores
Publicado em: 10 de agosto de 2019
Paralisação foi anunciada para a segunda-feira. Aos menos 75% dos coletivos devem circular e não pode haver bloqueios de ruas. Multa é de R$ 100 mil por dia ao sindicato
ADAMO BAZANI
O juiz Aldary Nunes Júnior, do plantão do judiciário do TJ-ES – Tribunal de Justiça do Espírito Santo determinou que ao menos 75% dos ônibus do sistema Transcol, da Grande Vitória, circulem nesta segunda-feira, 12 de agosto de 2019.
O Sindirodoviários/ES – Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários no Espírito Santo anunciou greve de ônibus por causa da retirada de cobradores do sistema e inclusão de veículos sem o posto do cobrador.
De acordo ainda com a decisão do juiz plantonista, o sindicato não poderá realizar “catraca livre” (não cobrar passagem do usuário), bloqueios em ruas e impedir os ônibus de saírem das garagens.
Em caso de descumprimento, o sindicato pode receber uma multa de R$ 100 mil por dia.
A ação foi movida pelo Governo do Estado do Espírito Santo.
O governo do Estado anunciou que nesta segunda-feira devem entrar em circulação nas linhas troncais novos ônibus com ar-condicionado sem o posto do cobrador. Só poderão embarcar passageiros com bilhete eletrônico CartãoGV. Entre as linhas que devem contar com estes veículos estão: 591; 523; 503; 508; 501; 504; 516 e 572
Até o final do ano devem ser inseridos na frota 100 ônibus nestas condições. Até 2022, serão 600 veículos. A previsão para esta segunda-feira é de 26 coletivos sem cobradores.
A Secretaria de Mobilidade e Infraestrutura informou que a eventual paralisação será uma ação dos dirigentes sindicais e que a população não pode ser prejudicada. A pasta disse ainda que não haverá demissões de cobradores.
Ainda por meio de nota, a Semobi informou haverá um programa de qualificação de cobradores.
CAPITAL PAULISTA:
O fim da atuação dos cobradores de ônibus é polêmico em todo o País.
Se de um lado, há o aumento da bilhetagem eletrônica e das novas tecnologias, que têm reduzido o uso de dinheiro nos ônibus, há de outro lado, o acúmulo de funções para o motorista e os impactos sociais com a extinção de uma categoria em muitos sistemas de transportes.
Na capital paulista, o secretário municipal de Mobilidade e Transportes, Edson Caram, revogou um ofício da SPTrans – São Paulo Transporte, gerenciadora do sistema, que autorizava que os ônibus novos padron e básico fossem incluídos no subsistema estrutural (das viações tradicionais) sem o posto do cobrador a partir de 02 de setembro.
A gestão Bruno Covas voltou atrás na circular após ameaça de paralisação dos terminais pelo Sindmotoristas.
A circular foi mandada por e-mail para as empresas que, na ocasião, pelo SPUrbanuss (sindicato das viações), também se disseram surpresas.
Houve mal-estar na Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes, já que foi instituída uma comissão para debater a requalificação dos cobradores em outras funções e a circular foi emitida antes de qualquer medida definida pela comissão formada por representantes da prefeitura, viações e trabalhadores.
Em entrevista ao Diário do Transporte no início do mês, o secretário Edson Caram disse que a prefeitura não vai admitir demissões dos atuais cobradores, mas uma das propostas e não repor mais este profissional, com a extinção gradativa da função no sistema.
Relembre:
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



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