Licitação da CPTM vai prever mais agentes de segurança e vigilância dentro dos trens, diz Pedro Moro

Publicado em: 2 de agosto de 2019

Vendedores ambulantes batem em agentes de segurança na Estação Santa Terezinha, da linha 8-Diamante, em Carapicuíba, na Grande São Paulo. Caso ocorreu em 21 de fevereiro de 2019. Um dia depois, gestão Doria começou a falar em Operação Delegada com PMs de folga. Foto: Reprodução – Redes Sociais

Maior número de ambulantes e até casos de agressão preocupam. Governo estuda modelo de Operação Delegada com policiais militares, que será paralela à contratação da vigilância privada

ADAMO BAZANI

A CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos deve lançar ainda neste ano uma licitação para ampliar o número de vigilantes privados nas estações e nas composições.

A informação é do presidente da estatal, Pedro Moro, que na última terça-feira, 30 de julho de 2019, recebeu portais especializados em mobilidade urbana, dentre os quais, o Diário do Transporte.

Entre os maiores problemas relacionados à segurança está a presença dos ambulantes, principalmente dentro dos trens.

Além do comércio ilegal, muitos ambulantes têm se envolvido em casos de agressões mútuas com seguranças, funcionários das áreas operacionais (como maquinistas) relatam ameaças e há investigações policiais sobre o possível envolvimento de alguns vendedores em atividades criminosas, como roubo, fraude à bilhetagem eletrônica e até tráfico de drogas.

Conversando informalmente com ambulantes em viagens na linha 10-Turquesa (Brás – Rio Grande da Serra), a reportagem ouviu relatos de que não basta entrar com um produto, escapar da fiscalização e sair vendendo.

É necessário ter “autorização” de espécies de líderes entre os marreteiros e há fornecedores específicos dos produtos. Além disso, há suspeita da conivência de alguns agentes.

As conversas foram rápidas e o medo e a desconfiança dos ambulantes parecem ser grandes.

Nos trens, vendem-se muitas coisas: eletrônicos (a maioria de qualidade duvidosa), água, doces, salgadinhos, acessório de celulares, carteiras, pomada para dor muscular e, em alguns horários, principalmente aos fins de semana, até cerveja é vendida, inclusive para adolescentes, sem qualquer cerimônia.

Nos horários em que a lotação é menor e dá para andar dentro dos vagões (o nome técnico correto é carros), às vezes fica difícil até conversar no trem ou falar ao celular: dois ou mais “marretas” (como alguns se intitulam) gritam vendendo produtos diferentes.

Também não é raro ver os vendedores “esticando os olhos” para os celulares dos passageiros. É uma forma de tentar intimidar os usuários para que não usem os canais de denúncia da empresa de trens.

No encontro com os portais de mobilidade, o presidente da CPTM reconehce que a companhia constatou nos últimos anos aumento no número de ambulantes.

“O fato é que nos últimos anos houve um crescimento no número de ambulantes muito acima da capacidade de atuação do corpo de vigilantes de segurança presente hoje. A gente deu uma efetividade maior nestes primeiros meses, que vai ser ainda maior ao longo dos próximos meses com o contrato que deve ser lançado em breve. Nossa programação é para este ano.” – disse Pedro Moro.

Ouça:

O presidente da CPTM ainda disse que o contrato deve contemplar mais agentes de segurança dentro dos trens e que o treinamento destes profissionais vai se assemelhar aos ministrados para os seguranças próprios da companhia.

Ouça:

“A gente vai ter uma efetividade maior da presença destes agentes, principalmente dentro dos trens. O que a gente tem programado para este contrato é uma proximidade maior em relação ao treinamento e ao final eles [vigilantes contratados] vão atuar para auxiliar melhor nosso corpo de segurança” – disse.

Além da licitação para a vigilância, o Governo do Estado estuda o modelo que pode ser mais adequado para ativar na rede da CPTM, a “Operação Delegada” com policiais militares de folga.

A gestão do governador João Doria começou a cogitar a presença dos PMs de folga atuando nos trens e estações no início do ano. No dia 21 de fevereiro de 2019, um grupo de 30 vendedores ilegais espancou cinco seguranças da CPTM, na Estação Santa Terezinha, da linha 8-Diamante, em Carapicuíba, na Grande São Paulo.

Passageiros gravaram a cena e as imagens logo se espalharam.

O ataque foi combinado pelo aplicativo WhatsApp entre os vendedores, de acordo com áudios obtidos pela Polícia Civil.

O vídeo divulgado em redes sociais mostrava que os vendedores ilegais armaram a emboscada dentro do trem. As agressões continuaram na plataforma e nos trilhos.

Em um dos momentos, mais de dez homens cercaram e bateram em apenas um agente de segurança.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/02/22/pms-em-folga-na-operacao-delegada-vao-atuar-no-combate-a-ambulantes-na-cptm/

No dia 27 de maio deste ano, com base na Lei de Acesso à Informação, o Diário do Transporte mostrou que em 2018, a CPTM apreendeu mais de dois milhões de mercadorias de vendedores ambulantes. O número é 15% maior em relação a 2017.

Ao todo, foram feitas 50,8 mil abordagens em 2018 para a apreensão das mercadorias. O número de retenções foi ligeiramente superior aos 49,2 mil casos registrados em 2017.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/05/27/em-um-ano-cptm-apreende-mais-de-2-milhoes-de-mercadorias-de-vendedores-ambulantes/

Além da questão dos vendedores ilegais, há problemas relacionados à segurança como evasão de tarifa (pessoas que pulam muros e grades para não pagar passagem) e denúncias de venda e consumo de drogas em alguns pontos perto das linhas, já nas faixas de domínio da CPTM.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

  1. Eduardo disse:

    Ao invés de contratar vigilantes, pra ação ser não eficaz, o correto não seria concurso público para agentes de segurança ao investe favorecer esse mercado de seguranca privada que oea nada serve

    1. Vitoria Jesus disse:

      Em fez de concurso público, a CPTM deveria Faser uma seleção entre os proprios ( os melhores homens e mulheres)colaboradores das proprias empresas de vigilancia que ja prestam serviço , ai não precisariam investir muito dinheiro com concurso e treinamento

  2. Paulo Gil disse:

    Amigos, bom dia.

    Sr. Pedro Moro; câmeras de segurança, reconhecimento facial e inteligência artificial.

    A era da Maria Fumaça já passou faz tempo.

    PODER PÚBLICO ATUALIZE-SE, MODERNIZE-SE, SAIA DO JURASSISMO; TENHA MOBILIDADE, SIMPLICIDADE, PRATICIDADE, EFICIÊNCIA E EFICÁCIA.

    Att,

    Paulo Gil

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